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19 janeiro, 2009

Hemose convoca doadores no Pré-Caju

Neste período de festas e de aumento da demanda de sangue nos hospitais, hemocentro realiza campanha de doação



(Fonte: Ministério da Saúde)



Após a queda de 30% nos estoques do banco de sangue, registrada em dezembro, o Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), convoca seus doadores regulares a comparecerem ao hemocentro. O fato é devido à aproximação do período do Pré-Caju (22 a 25 de janeiro), em que a demanda por todos os tipos sanguíneos aumenta nos hospitais sergipanos.

Não apenas em momentos de convocação por acidentes, cirurgias ou outras necessidades de familiares, a doação de sangue é solicitada, já que esta não causa quaisquer danos à saúde, além de ser um forte ato de solidariedade humana.

Apesar de ser doador voluntário há seis meses, o estudante Johnata Andrade, de 20 anos, esperou um mês além do que estava agendado para fazer sua doação, na última sexta-feira. “Minha mãe vai fazer uma cirurgia. Por isso, esperei um mês para doar diretamente para ela”, conta o estudante.

Já o também estudante, Pedro Paulo Santos, de 21 anos, conta que é doador há dois anos e sente-se muito satisfeito por praticar este ato de solidariedade. “É muito bom poder ajudar. Não faz nenhum mal. Gosto de poder ajudar. Além disso, sou isento de taxa de concursos”, explica.

Segundo a gerente de atividades médicas do hemocentro, Maria Amália Andrade, neste período de férias, encerrado em janeiro, é natural que haja uma queda no volume dos bancos de sangue, mas a demanda não diminui na mesma ordem. “É preciso que, principalmente, as pessoas que nunca doaram e que têm fator Rh negativo compareçam para fazer sua doação”, solicita.

Para fazer a doação de sangue, o voluntário deve alimentar-se antes, ter entre 18 e 65 anos de idade, apresentar carteira de identidade, pesar acima de 50 kg e não ter ingerido nenhum tipo de bebida alcoólica nas 24 horas anteriores. Também são feitos, gratuitamente, exames para possível detecção de doenças como Sífilis, HIV, Hepatite e outras que podem ser transmitidas por transfusão sanguínea.

O Hemose está localizado na Avenida Tancredo Neves, s/nº, bairro Capucho, anexo ao Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (HUSE). Para informações ou agendamento de doações, os interessados devem telefonar para (79) 3259-3191 ou 3259-3174.

Para saber mais sobre "doação de sangue" clique aqui.

Por Erick Souza

06 dezembro, 2008

Escolas iniciam atividades contra Aids

Estudantes de cinco escolas estaduais se reuniram na quadra esportiva do Colégio Nossa escola,em Aracaju, no dia 21 de novembro, para participar do Programa Geração sem Aids. O evento faz parte da programação alusiva ao 1º de dezembro, Dia mundial de luta contra a AIDS e consiste em abordar, de maneira lúdica, o tema da prevenção às DST/HIV/Aids, utilizando uma linguagem juvenil para a construção de um espaço de diálogo entre adolescentes, professores e profissionais de saúde sobre a sexualidade humana e os demais temas relacionados à adolescência como a família, a violência e o uso de drogas.

O programa teve duração de aproximadamente 5 horas, animado por banda de música voltada para o público estudantil das diversas escolas integrantes do Programa “Saúde e Prevenção na Escola – SPE”, desenvolvido há mais de cinco anos em ampla parceria entre as secretarias de Saúde e Educação das três esferas de poder, a Sociedade SEMEAR e o Instituto Recriando.

Quem comandou a apresentação do evento foi o ator Pierre Feitosa, declamando a poesia de Gonzaguinha “o que é o que é?” na abertura. O evento foi dividido em dois blocos de entrevistas. O primeiro bloco consistiu nos temas: participação juvenil, drogas, saúde e prevenção nas escolas, em que foram entrevistados: Márcia Cavalcante, coordenadora do Programa Nacional Saúde e Prevenção nas escolas (SPE), a estudante Taluana Santana, protagonista juvenil do SPE de Aracaju e André Calazans, membro do Programa Redução de Danos. O segundo bloco trazia o tema: Vivendo com Aids e foram entrevistados o Dr. Sérgio Agnaldo, infectologista do Serviço de Atendimento Especializado (SAE), e Guedes Daniel, soropositivo.

“Gostamos muito de vir até aqui para tirarmos algumas dúvidas, é um espaço diferente e é realmente necessário para o nosso crescimento e aprendizagem.” , disse Taluana Santana quando questionada sobre o programa. “Foi realmente uma tarde muito proveitosa e enriquecedora” avaliou Almir Santana, responsável pelo programa estadual de combate à doença.
Por Janaína de Oliveira

25 novembro, 2008

Vigorexia resulta da obsessão por músculos

A Vigorexia é uma das três doenças do século XXI relacionadas com o culto ao corpo: bulimia e anorexia entram neste grupo. Também chamada de Overtraining, trata-se de um transtorno que leva as pessoas a praticarem exercícios físicos de forma exagerada.

Os jovens do sexo masculino são os mais afetados por este tipo de dismorfia muscular. A doença acarreta uma série de complicações, culminando com uma depressão. Achar-se magro demais, fazer perguntas do tipo “Estou muito magro?” ou “Estou ficando forte?” e permanecer horas nas academias estão entre os principais sintomas.




De acordo com a psicóloga Cláudia Lisbôa os pais devem observar o comportamento de seus filhos com relação aos exercícios, alimentação e conduta na interação com os amigos. Ela acrescenta: “O jovem vigoréxico cultua muito seu corpo ao espelho, é interessante que os pais percebam a doença para evitar que seus filhos façam uso de anabolizantes, por exemplo”.

Ainda segundo Cláudia as três doenças estão relacionadas à distorção da imagem corporal, acompanhadas de mudanças de comportamento (geralmente tornando-se patológico) e grande sofrimento emocional.”Assim, cada uma apresenta peculiaridades que provocam distúrbios fisiológicos e psicológicos, tendo praticamente o mesmo nível de prejuízo.”, diz .

O tão desejado corpo sarado pode ser conquistado com alimentação saudável e prática de exercícios sob orientação profissional. “Ingerir carboidratos e proteínas é algo obrigatório, saber dosar o tempo na academia também”, aconselha o instrutor Kadu Muniz.

A Vigorexia e o uso de anabolizantes

“Tomei Deposteron, injetei Durabolin e Durateston. O efeito foi imediato, dizem meus amigos. Em dois meses meu braço aumentou 8 centímetros. Me olhava no espelho, mas me achava magro. Parei de usar por falta de dinheiro. Não me considero um vigoréxico, acho que a pessoa tem que saber injetar e tomar essas ‘bombas’, relata o jovem L. P. R., 20, que prefere não se identificar.

Além de colaborarem para a vigorexia, tais substâncias causam sérios problemas de saúde. Além de arritmia cardíaca, inchaço do coração, sangramento do nariz, câncer hepático, aumento da pressão arterial, dores ósseas e aumento do nível do colesterol, o uso de anabolizantes também pode levar à morte.

Fisiculturismo x Vigorexia

O fisiculturismo é o esporte que mais se enquadra na Vigorexia. Mas isto não significa que todo fisiculturista seja vigoréxico. Afinal, muitos se adequam e praticam o esporte de maneira saudável. Não é necessário em caso algum, o uso de anabolizantes para a prática.

O distúrbio de Adônis

A doença também é conhecida por Síndrome de Adônis. O termo faz analogia ao jovem grego Adônis, que, de acordo com a mitologia, era provido de grande beleza.

O nome remete, ainda, ao culto à perfeição que as pessoas tanto almejam, sem medir as conseqüências. Ser belo, ter um corpo “sarado” e de preferência ser jovem eternamente são os objetivos principais dos “escravos da beleza”.

Leia Mais:
Viciados em Malhar
Vaidoso, advogado tem obsessão pela beleza perfeita

Por Diógenes de Souza e Monique de Sá

20 julho, 2008

Vidas em jogo

Projeto de Lei rejeitado na Câmara dos Deputados reacende debate sobre a descriminalização do aborto no Brasil

Mais uma vez o delicado tema sobre a descriminalização do aborto vem à tona. O que trouxe novamente a discussão foi o fato de, no dia 9 de julho, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados ter rejeitado o Projeto de Lei 1135, de 1991, que descriminaliza o aborto no Brasil. O projeto já havia sido rejeitado anteriormente pela Comissão de Seguridade Social por 33 votos a 0 e será arquivado caso não haja recurso, em cinco sessões, para ser votada pelo plenário da Câmara.

A proposta de lei não tem o objetivo de promover o aborto, mas de suprimir a punição instituída pelo artigo 124 do Código Penal, que estabelece pena de um a três anos de prisão para quem comete aborto. Atualmente, o aborto é considerado crime pela legislação brasileira. Desde 1941, a lei brasileira só permite a interrupção da gravidez em dois casos: o de estupro e na hipótese de risco à vida da mãe. Apesar desta restrição, o aborto é amplamente praticado e, por ser feito através de meios inadequados, causa danos e provoca a morte de muitas mulheres.

Até 2005, segundo dados do Ministério da Saúde, um total de 1.054.243 abortos foi realizado no Brasil, tendo maior incidência nas regiões Norte e Nordeste do país. Como a maioria deles são feitos de forma clandestina, somente uma parte das mulheres, por constrangimento ou medo de declarar o ato, procuram os hospitais para tratar de situações de complicações ou de aborto incompleto e trazem, assim, prejuízos para a própria saúde. Os dados do Ministério também apontam que, de 2000 a 2004, ocorreram 679 óbitos em conseqüência de gravidez que termina em aborto, principalmente entre mulheres mais jovens. Porém, apesar desse índice ainda ser considerado alto para a saúde pública, há pesquisas que demonstram que o aborto induzido vem diminuindo no Brasil.

Por esses motivos, a discussão sobre a descriminalização do aborto está sempre presente. O primeiro projeto sobre a temática foi enviado ao Congresso em 1991 e, desde então, sofre modificações e incorpora conteúdos de outros projetos. Considerando a legislatura atual (2003 a 2007) e a anterior (1999 a 2003), foram feitas 33 proposições relacionadas ao aborto até abril de 2006.

Quem é contra?

A Igreja Católica, que tem como representante o papa Bento XVI, seus fiéis e outros grupos de cientistas, afirmam que a vida se inicia na sua concepção, quando há a fecundação do óvulo pelo espermatozóide. Visto dessa forma, o aborto, em qualquer instância, é visto como ato ilegal, inclusive nos casos previstos na lei brasileira. A Igreja, por exemplo, não é a favor da discussão e da ocorrência de plebiscitos para que a população decida como o país deve proceder, embora o Estado seja laico. O papa Bento XVI diz que os políticos que votam a favor de uma proposta de lei como essa estão sujeitos a serem excomungados. Descriminalizar o aborto vai ser uma forma de aumentar ainda mais o número de abortos, é o que afirmam.

Giselle Melo Fontes Silva, médica e integrante da Comunidade Força Jovem, não aceita qualquer tipo de interferência após a fecundação e viu como um momento de comemoração a rejeição da lei da descriminalização do aborto. “Eu comemorei porque apesar de ter muita gente que faz aborto escondido, não acho que descriminalizar seja uma solução. Só vai aumentar ainda mais essa taxa de aborto. E, além dos clandestinos virem à tona, quem antes achava complicado e difícil, vai acabar fazendo”. A médica diz que a diminuição do número de mortes por abortos clandestinos com a descriminalização é uma enganação. “A gente não pode reverter um mal, com um mal ainda maior”, afirma.

Euvaldo Barbosa Dias Filho, também médico e membro da Comunidade Força Jovem, declara que descriminalizar o aborto pode incentivar pessoas e principalmente crianças a realizar o ato. “Com essa lei, qualquer jovem de 12, 13 ou 14 anos que esteja gestante e que normalmente teria a criança, podem realizar o aborto.” Para eles, o ideal é que ocorra uma formação desde pequeno dos valores cristãos, tanto sexuais como afetivos e morais, dentro das famílias, para que as pessoas cresçam conscientes de suas responsabilidades e esse tipo de atitude não aconteça.

Quem é a favor?

As propostas que defendem a descriminalização são geralmente apoiadas por movimentos feministas. Existem projetos mais abrangentes, como a proposta dos ministros José Gomes Temporão (Saúde) e Nilcéa Freire (Políticas para as Mulheres), que defendem a legalização do aborto em até 12 semanas de gestação – período em que, dizem os cientistas, não há ainda relação entre os neurônios – como já aconteceu em alguns países da Europa, como a Holanda, e países islâmicos. Outras proposições são mais pontuais, como a permissão do aborto em casos de portadores do vírus HIV, riscos de a mãe sofrer alguma lesão irreversível ao seu corpo ou em casos de anomalia fetal, inclusive, alguns casos de anencefalia já são autorizados via ordem judicial.


Os que defendem a legalização afirmam que legalizar o aborto não significa promovê-lo, mas não tratá-lo como um problema penal. Eles dizem que o número de abortos feitos hoje e o número de processos já apresentam uma enorme discrepância: nos últimos dez anos não se contabiliza, no Brasil, mais de 15 processos por aborto sendo que ocorreram mais de um milhão de abortos nesse período.

Além de ter como principal argumento o respeito à autonomia reprodutiva da mulher, a questão da saúde e dinheiro público são dois pontos sempre presentes em suas argumentações. Segundo dados do Dossiê Aborto de 2005, a prática é a 5ª causa de morte materna no Brasil. De acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), são realizadas cerca de 238 mil curetagens decorrentes de aborto por ano, cada uma ao custo médio de R$ 125,00, além dos custos com internações por período superior a 24 horas, os gastos com UTI e os recursos necessários ao atendimento de seqüelas decorrentes do aborto clandestino. O que os defensores querem ressaltar, por fim, é que o crime de aborto promove mais a morte do que a vida e viola um pressuposto básico da dignidade humana: a liberdade de escolha.

A questão permanece em constante conflito conceitual e moral: de um lado os que defendem um estado laico, livre para escolher as suas leis independentes das fundamentações religiosas; do outro, aqueles que defendem a crença e valores religiosos acima de tudo. Apesar da delicadeza do tema e das divergências encontradas, o debate e as discussões devem estar sempre presentes e sejam colocadas de forma que a população também tenha o direito de opinar.

Leia mais sobre a descriminalização do aborto:

Por Júlia da Escóssia

02 julho, 2008

Cai o número de queimados no mês de junho

Festas e tradições culturais à parte, o mês de junho costuma ser problemático no quesito acidentes com queimaduras. Porém, durante os festejos juninos de 2008, houve queda no número de atendimentos a pacientes com queimaduras. Neste ano, o Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE) registrou 85 casos no mês de junho, enquanto no mesmo período em 2006 foram registrados quase 140 casos.

Nos últimos anos, o HUSE registrou um sensível aumento no número de pacientes atendidos por queimaduras. De 1992 até 2007, já foram 9.180 pacientes queimados atendidos pela a Urgência/Emergência do hospital. Desde a inauguração da Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do HUSE em 2003, até o ano passado, ocorreram mais de dois mil internamentos.

Durante o mês de junho, o número de pacientes atendidos por queimaduras chega a aumentar até 200%, em especial os casos provocados por acidentes com fogos de artifício. Durante o ano de 2006, por exemplo, de 540 atendimentos por queimadura, 25,5% ocorreram no período de festejos juninos. Porém, nos últimos anos, o número de ocorrências de queimaduras diminuiu consideravelmente.


O número de internamentos também registrou queda em 2008. O internamento do paciente ocorre nos casos mais graves, em que a área do corpo queimada ultrapassa os 30%. Quando isso ocorre, o paciente é encaminhado para internamento na UTQ, única unidade especializada no tratamento de queimados no Estado e uma das 38 unidades de alta complexidade de todo o país credenciadas junto ao Ministério da Saúde.

“A instalação de uma sala exclusiva para vítimas de queimaduras no Pronto Socorro (PS) desafogou as atividades na UTQ neste ano, proporcionando maior resolutividade dos casos”, explica o assessor de comunicação do HUSE, Felipe Nabuco. Ele diz que a sala no PS funcionou de 16 a 30 de junho, em plantões de 24 horas, e contou com uma equipe especial composta por cirurgião plástico e auxiliar de enfermagem.

“A instalação de uma sala exclusiva para vítimas de queimaduras no Pronto Socorro (PS) desafogou as atividades na UTQ neste ano, proporcionando maior resolutividade dos casos”, explica o assessor de comunicação do HUSE, Felipe Nabuco. Ele diz que a sala no PS funcionou de 16 a 30 de junho, em plantões de 24 horas, e contou com uma equipe especial composta por cirurgião plástico e auxiliar de enfermagem.

A UTQ conta com uma equipe de cirurgiões plásticos, enfermeiros, anestesiologistas, auxiliares e técnicos de enfermagem, além de prestar atendimento ambulatorial e de fisioterapia. Possui 14 leitos, sendo quatro para adultos, quatro para crianças, quatro de terapia intensiva e dois de terapia semi-intensiva.

Fogos de artifício

Nos anos de 2006 e 2007, um total de 96 pessoas deu entrada na urgência do hospital devido a ferimentos causados por fogos de artifício. Queimaduras dessa natureza são normalmente causadas por utilização indevida, defeitos de fabricação e falta de experiência para manuseio do material polvoroso. Se estiver nas mãos de crianças, o perigo torna-se ainda maior. De acordo com informações da UTQ, 40% dos casos de queimaduras em Sergipe ocorrem em crianças, havendo uma maior incidência na faixa etária entre zero e dois anos.

O médico-gerente da UTQ Reginaldo da Silva Lessa indica uma série de procedimentos a serem tomados nos casos de queimaduras por fogos. Se for explosivo, o mais recomendável é proteger a área queimada com um pano limpo e caso haja lesão da mão ou dos dedos, elevar o braço para diminuir a hemorragia. Logo depois a vítima deve ser encaminhada para o serviço de urgência.

Se não for explosivo, deve-se esfriar a área queimada com água gelada ou corrente e proteger com um pano limpo. Após os procedimentos, encaminha-se para a urgência. Reginaldo Lessa também recomenda que não se coloquem pomadas sobre a área queimada sem a orientação médica, assim como paliativos caseiros como leite, manteiga, óleo de comida, cebola, clara de ovo, entre outros.

Por Raquel Brabec

Infográficos: Raquel Brabec

15 maio, 2008

UFS não é área endêmica de dengue, diz especialista

"É muito difícil encontrar Aedes Aegypti nessa época do ano na UFS”, afirma o professor Sócrates Holanda, do Departamento de Farmácia da Universidade Federal de Sergipe (UFS). O especialista destaca dois principais motivos para sustentar a sua declaração: o fato de a universidade ter uma área verde muito grande, e a questão da época do ano, que não está mais tão propícia para o desenvolvimento do inseto.

De acordo com o professor, que desenvolveu um larvicida contra o mosquito, o Aedes Aegypti é tipicamente urbano. “Só quando há uma grande concentração da espécie nas áreas urbanizadas é que eles migram para o mato”, explica. Além disso, Holanda esclarece que “eles gostam de clima quente e seco”, e por essa razão, a temporada de chuva contribui para uma diminuição considerável dos riscos.

Por outro lado, o especialista alerta que os ovos depositados em água parada podem ficar inertes até o momento adequado para se desenvolverem, e é por isso que, segundo ele, as precauções devem ser tomadas durante todo o ano. “Apesar de em menor quantidade, os mosquitos também se desenvolvem nas outras épocas do ano”, complementa.

Prevenção

O prefeito do campus, José Dias Firmo dos Santos, garante que todas as providências necessárias estão sendo tomadas diariamente para evitar que a epidemia chegue à UFS. “Nós criamos aqui duas equipes de trabalho, uma de manutenção, que cuida de esgotos, reservatórios, limpeza de telhados, ou qualquer lugar que possa conter água estagnada, e uma equipe do pessoal de jardinagem e limpeza, que tem o objetivo de eliminar outros possíveis focos, como copos descartáveis e garrafas”, explica o prefeito.


Além do trabalho rotineiro que está sendo feito, José Dias afirma que a fiscalização por parte dos estudantes, professores e servidores é muito importante. Ele pede que seja comunicada à prefeitura qualquer situação que represente risco de acumular água parada, e garante que quando há esse tipo de denúncia, as medidas são tomadas imediatamente.


A exemplo disso, Dias comenta que recentemente a prefeitura cedeu alguns filtros de piscina aos alunos do curso de Artes Visuais, para a realização de um evento, mas conta que recebeu uma denúncia de que estes materiais estariam acumulando água. “Passamos lá e constatamos realmente que tinha água acumulada, tinha lixo, copos descartáveis, garrafas, e nós pedimos que tomassem uma providência em relação a isso”.


Alex Douglas, coordenador geral e um dos idealizadores do Invasão Visual, por outro lado, afirma que essa denúncia nunca chegou até eles, mas explica que eles já haviam posto vários produtos químicos nesses filtros, justamente para evitar o desenvolvimento de larvas do mosquito.


Como parte do evento, bolsas plásticas também foram amarradas em vários pontos da universidade. Elas foram presas cheias de ar em alguns postes, mas muitas delas já estavam furadas na quinta-feira, 08, quando caiu uma forte chuva na universidade, provocando acúmulo de água em algumas. De acordo com Alex, essas sacolas foram colocadas por um artista que pediu o espaço, e afirma que realmente eles não haviam pensado nessa possibilidade.



O foco das campanhas


Ao caminhar pelo campus, pode-se encontrar facilmente vários exemplos da falta de conscientização dos seus freqüentadores. Além de garrafas e copos descartáveis jogados em vários lugares, a equipe do Contexto conseguiu flagrar também uma pia no banheiro masculino do restaurante universitário, Resun, entupida com papel higiênico, cheia de água.


De acordo com o prefeito do campus, além das medidas que já estão sendo regularmente tomadas pela administração da UFS, a conscientização dos alunos e de todos que freqüentam o espaço é fundamental. Para isso, informa, a universidade está solicitando uma parceria com a Secretaria Estadual da Saúde. “Nós protocolamos uma correspondência e estamos tentando marcar uma audiência com o secretário Rogério Carvalho, ou outro, para que possamos trazer uma equipe e fazer um trabalho de conscientização aqui”, explica.


Dias informa ainda que a Universidade Federal de Sergipe faz parte do comitê estadual de combate à dengue, composto por movimentos sociais e de saúde, inclusive com a presença de um representante do Ministério da Saúde. Com reuniões semanais, o grupo promove ações em bairros ou em locais específicos. “Estamos pensando em programar também uma ação desse comitê, que será mais uma, para tentar fazer um tipo de mutirão dentro do campus”, conclui.


Além desses mutirões oficiais previstos, os alunos do curso de Enfermagem já programaram um evento para ajudar no combate à dengue. A campanha vai ocorrer na próxima sexta-feira, 16, às 10h, na praça da Didática 1.


O Contexto Online tentou entrar em contato com os organizadores para obter mais informações, mas não conseguiu resposta até o fechamento desta matéria.


Por Thiago Rocha
Fotos: Thiago Rocha