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18 dezembro, 2008

Jovens casam cada vez mais cedo

Casamento para muita gente remete a mudança de vida e prioridades. Uma modificação pessoal que consiste na transição do individual para o conjugal. Duas vidas unidas numa só, a partir de uma identidade matrimonial. Divergido um pouco do tradicional, o casamento entre jovens de hoje não é, na maioria dos casos, identificado como uma opção para uma gravidez inesperada. O medo de ficar sozinho (principalmente para as mulheres) e até o amor constituem motivações para o casamento entre jovens. Esses e outros fatores específicos possibilitaram o aumento de uniões conjugais na juventude. Claro que uniões adequadas à realidade de hoje.

De acordo com dados do Registro Civil, anunciados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há mais nupcialidade legal entre mulheres de 20 a 24 anos de idade e homens de 25 a 29 anos.

A ansiedade de Rute Santos da Silva, 21, e Aprígio Nascimento Santos, 20, começou a ser mais freqüente nos últimos dias. Isso, devido à preparação do casamento deles que está previsto para o final de 2009. Com um namoro de aproximadamente quatro anos, o casal decidiu unir-se oficialmente, apesar de morarem juntos há mais de três anos. “Eu gosto bastante dela, acredito que ela gosta de mim e quero casar com ela. Quero construir uma família” declara Aprígio.

Mesmo casando-se, Rute e Aprígio pretendem continuar morando com os pais da moça. Rute conta que no início do relacionamento os pais não aceitaram o namoro, muito menos a hipótese de um casamento. “Meu pai até hoje não aceita totalmente. Mas ele entendeu que está na hora. Eu tenho 21 anos e não quero ficar pra titia. Agora ele nos ajuda, tanto que até pra comprar as nossas coisas ele está ajudando” conta Rute. Já na família de Aprígio a aceitação do relacionamento foi imediata. “Toda a minha família sabe e apóia. Todos gostam dela e a tratam como se já fosse minha esposa” relata o rapaz.

O casal possui junto com a família da futura esposa uma pequena lanchonete. O desejo de investir nesse comércio é um dos fatores que anula a possibilidade de filhos logo no início da união. Rute enfatiza: “Não queremos ter filhos agora. A gente precisa se estruturar para isso. Quero ter minha casa própria, quero fazer crescer nosso comércio, pra depois poder ter um filho”. O casal alega que o respeito e o amor recíproco é o que permite a união deles. “A gente briga de vez em quando, mas nós nos amamos e nos respeitamos” conclui Rute.

Nem todo relacionamento começa tão equilibrado quanto o de Rute e Aprígio. Diferente destes, o período da preparação do casamento de Luiz Diego Santana de Oliveira, 21, e Nayara Lima de Oliveira, 18, foi marcado pela pressão e pela insegurança. Há 2 anos e meio ambos começaram a namorar na escola. O relacionamento ia bem até que uma situação inesperada conturbou momentaneamente a vida do casal: Nayara engravidou.

“Quando soube que estava grávida fiquei desesperada. Achei que ia ser condenada pelas pessoas por estar grávida com apenas 17 anos e que Diego não ia me querer mais. Além disso, meus pais tiveram uma educação bastante tradicional e são evangélicos, o que me deixou muito indecisa do que faria”, conta Nayara. Já Luiz Diego, apesar do susto ao saber que ia ser pai com apenas 20 anos, ficou muito satisfeito com sua precoce paternidade. “De início fiquei sem saber o que pensar. Mas logo vi que um filho traria muitas coisas boas pra nossa vida” relata o rapaz.

Após três meses da confirmação de gravidez, Nayara e Diego casaram-se no religioso. Apesar do conturbado início do casal, o casamento, que já dura sete meses e que foi realizado com uma barriguinha acentuada, se mantem bastante firme. “Tanto os pais dele quantos os meus amam de coração o nosso filho João Marcos e nos ajudam em tudo. Nós estamos muito felizes”.

Casos como esses identificam um aumento da união matrimonial entre jovens. Esse fato é relevante quando se leva em consideração o contexto atual, no qual pessoas se casam e decidem morar separados. Ou, quando há convivência, mas não existe necessariamente relacionamento. Apesar disso, a juventude mostra que nem sempre uma união matrimonial precoce é decorrida de uma situação desagradável. Só lembrando que cada situação tem sua particularidade.

Por Victor Hugo

25 novembro, 2008

Vigorexia resulta da obsessão por músculos

A Vigorexia é uma das três doenças do século XXI relacionadas com o culto ao corpo: bulimia e anorexia entram neste grupo. Também chamada de Overtraining, trata-se de um transtorno que leva as pessoas a praticarem exercícios físicos de forma exagerada.

Os jovens do sexo masculino são os mais afetados por este tipo de dismorfia muscular. A doença acarreta uma série de complicações, culminando com uma depressão. Achar-se magro demais, fazer perguntas do tipo “Estou muito magro?” ou “Estou ficando forte?” e permanecer horas nas academias estão entre os principais sintomas.




De acordo com a psicóloga Cláudia Lisbôa os pais devem observar o comportamento de seus filhos com relação aos exercícios, alimentação e conduta na interação com os amigos. Ela acrescenta: “O jovem vigoréxico cultua muito seu corpo ao espelho, é interessante que os pais percebam a doença para evitar que seus filhos façam uso de anabolizantes, por exemplo”.

Ainda segundo Cláudia as três doenças estão relacionadas à distorção da imagem corporal, acompanhadas de mudanças de comportamento (geralmente tornando-se patológico) e grande sofrimento emocional.”Assim, cada uma apresenta peculiaridades que provocam distúrbios fisiológicos e psicológicos, tendo praticamente o mesmo nível de prejuízo.”, diz .

O tão desejado corpo sarado pode ser conquistado com alimentação saudável e prática de exercícios sob orientação profissional. “Ingerir carboidratos e proteínas é algo obrigatório, saber dosar o tempo na academia também”, aconselha o instrutor Kadu Muniz.

A Vigorexia e o uso de anabolizantes

“Tomei Deposteron, injetei Durabolin e Durateston. O efeito foi imediato, dizem meus amigos. Em dois meses meu braço aumentou 8 centímetros. Me olhava no espelho, mas me achava magro. Parei de usar por falta de dinheiro. Não me considero um vigoréxico, acho que a pessoa tem que saber injetar e tomar essas ‘bombas’, relata o jovem L. P. R., 20, que prefere não se identificar.

Além de colaborarem para a vigorexia, tais substâncias causam sérios problemas de saúde. Além de arritmia cardíaca, inchaço do coração, sangramento do nariz, câncer hepático, aumento da pressão arterial, dores ósseas e aumento do nível do colesterol, o uso de anabolizantes também pode levar à morte.

Fisiculturismo x Vigorexia

O fisiculturismo é o esporte que mais se enquadra na Vigorexia. Mas isto não significa que todo fisiculturista seja vigoréxico. Afinal, muitos se adequam e praticam o esporte de maneira saudável. Não é necessário em caso algum, o uso de anabolizantes para a prática.

O distúrbio de Adônis

A doença também é conhecida por Síndrome de Adônis. O termo faz analogia ao jovem grego Adônis, que, de acordo com a mitologia, era provido de grande beleza.

O nome remete, ainda, ao culto à perfeição que as pessoas tanto almejam, sem medir as conseqüências. Ser belo, ter um corpo “sarado” e de preferência ser jovem eternamente são os objetivos principais dos “escravos da beleza”.

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Viciados em Malhar
Vaidoso, advogado tem obsessão pela beleza perfeita

Por Diógenes de Souza e Monique de Sá

19 maio, 2008

Dinâmica de grupo: psicóloga recomenda cautela na aplicação

“A dinâmica de grupo, enquanto ciência e parte da Psicologia Social, estuda a natureza, o funcionamento e os fenômenos grupais emergentes em diferentes contextos, institucionais ou não. Estuda a atmosfera grupal, as estruturas e etapas de desenvolvimento de um grupo, por exemplo, se estimulado por diferentes situações”, afirma a psicóloga do departamento de Psicologia da UFS, Cybele Ramalho.

Ouvimos, constantemente, falar sobre a utilização da dinâmica de grupo em muitas empresas ou organizações, principalmente quando o tema é a procura de emprego. Mas o que seria efetivamente o uso desta prática? Para que ela serve e como são aplicadas por essas organizações?

A dinâmica de grupo é uma atividade que permite compreender ou modificar o comportamento grupal. Ela realiza um trabalho que permite perceber, através de uma movimentação coletiva, como cada pessoa se comporta em grupo, sua forma de comunicação, liderança, nível de iniciativa, entre outros comportamentos. São instrumentos que estão dentro de um processo de formação e organização, facilitando o processo e o desenvolvimento da soberania dos grupos.

Segundo Ramalho, a dinâmica facilita que estes reconheçam suas estruturas de funcionamento e, assim, possam alcançar melhor seus próprios objetivos e metas. Porém, ressalta que se deve tomar cuidado quanto ao seu uso. "O uso indiscriminado e autoritário de técnicas pode desencadear o processo não recomendável de apontar qualidades e defeitos do indivíduo. E como nós, psicólogos, partimos do princípio de que em grupo isto não existe, estes valores não devem ser julgados”, explica.

Muitas organizações também as utilizam para descobrir e avaliar como o grupo se comporta em relação a cada componente. Para elas, adotar essa técnica é de grande importância para conhecer a fundo cada indivíduo, pois para eles não adianta somente a contratação do melhor profissional do mercado, mas, sim, daquele que se adapta às suas necessidades. Ainda segundo Ramalho, “numa organização, a intenção ideológica é que a dinâmica de grupo atenda a seus objetivos, podendo, assim, ser uma arma perigosa ou uma estratégia poderosa de mudança, dependendo de a quem ela serve, a quais interesses”.

Os responsáveis pela aplicação dessa atividade nas instituições eram principalmente os psicólogos. Hoje, porém, essa prática também é aplicada por pedagogos, assistentes sociais, entre outros educadores ou até mesmo pelos próprios responsáveis pela organização. “Infelizmente, é mais aplicada por profissionais de RH, administradores, gerentes, etc. Embora eu pessoalmente ache que deveriam ser da esfera profissional dos psicólogos”. Além dessa atividade, as organizações utilizam também outras formas de aprofundar ainda mais o conhecimento acerca do indivíduo, como a avaliação psicológica e a entrevista.

Existem, porém, algumas divergências no meio acadêmico quanto ao uso desta técnica por parte dos profissionais de psicologia e de outras áreas. Segundo Ramalho, muitos teóricos enxergam esse uso como uma estratégia tecnicista a serviço da organização. Mas, ainda segundo ela, a técnica pode ser um instrumento útil, quando usado adequadamente. “Acredito que, se a usamos para impor objetivos, definidos a priori, sejam eles quais forem, sem respeitar a soberania do grupo e sem permitir que este guie a direção do processo, sem considerar que um grupo está em eterno devir e nunca poderemos definir ou esgotar suas possibilidades criadoras, aí sim será um instrumento inadequado”, finaliza.

Semana de Psicologia em Aracaju

Para aqueles que têm interesse ou gostariam de saber um pouco mais sobre esse e outros assuntos relacionados à psicologia, foram oficialmente abertos hoje, dia 19, o III Encontro de Psicologia na Universidade Federal de Sergipe e a 9ª Semana de Psicologia da UNIT. Em ambos os encontros, os participantes puderam assistir a conferências, mini-cursos, mesas e sessões de comunicação.

A Semana de Psicologia da UNIT acontece no auditório do bloco B, no campus da Farolândia, enquanto o Encontro de Psicologia da UFS acontece no campus de São Cristóvão, com a participação de convidados como Leôncio Camino (UFPB), Jéferson Souza (UFAL) e Durval Muniz de Albuquerque Jr. (UFRN). Ambos terão duração de 3 dias, encerrando suas atividades na próxima quarta-feira, dia 21.

Links relacionados:


Por Júlia da Escóssia

13 fevereiro, 2008

Yoga sem contra-indicação

Em Aracaju, a prática do yoga, já bastante popular entre pessoas da 3ª idade, tem se difundido cada vez mais entre os jovens. De acordo com profissionais da área, a grande razão dessa maior procura é o aumento do stress. A extensão do yoga às academias convencionais também contribui para a ampliação e diversificação de adeptos. Isso gera, contudo, questionamentos, pois alguns professores da ‘filosofia milenar’, acreditam que esses não sejam lugares apropriados para a arte.

Os benefícios da atividade

Que são muitos os benefícios para os idosos que decidem praticar yoga, todos sabem. O trabalho conjunto entre mente e corpo os auxilia bastante a elevar sua qualidade de vida. Os exercícios de equilíbrio, concentração e flexibilidade, por exemplo, são fundamentais para evitar quedas, muito comuns entre pessoas com mais de 60 anos.

A aposentada Teresinha Porto, se envaidece ao falar sobre a elasticidade que seu corpo apresenta devido à prática do yoga nos últimos 16 anos, “alguns movimentos eu faço com mais facilidade do que minha filha”.

O que acontece com a filha de Dona Teresinha é o mesmo que ocorre com muitas outras pessoas: a correria de uma rotina de trabalho exaustiva não ‘lhes permite’ dedicar parte do dia para a realização de uma atividade física. Essa agitação diária acarreta inúmeras preocupações e desconfortos, o que acaba levando muita gente ao stress.

E esse é o principal motivo pelo qual a maioria das pessoas procura o yoga, de acordo com o instrutor Sw. Jivan Naveen. “Hoje todos andam a mil por hora, ninguém tem tempo para nada. As pessoas buscam o yoga por ele unir o trabalho corporal e a aquietação da mente num mesmo horário da agenda”, afirma.


O yoga e as academias de ginástica

A conveniência dessa união citada pelo professor também é percebida nas academias de ginástica, pois muitas delas contam hoje com aulas de yoga no seu programa. Alguns profissionais da área, entretanto, questionam o bom desenvolvimento da prática em meio à agitação própria desses lugares.

Naveen é um deles. Ele alega que o yoga pode perder um pouco de sua essência nas academias, principalmente em termos de energia, “porque lá toda a atmosfera gira em torno da mesma agitação que você vive fora dali”, mas acrescenta que essa desvantagem em relação às escolas especializadas na atividade, é percebida apenas pelos praticantes mais sensíveis.

Maria Rita Braga é instrutora de yoga há 2 anos, e atua hoje dando aulas em casa e em uma academia convencional. Ela reconhece ser um pouco difícil trabalhar fora do seu espaço, e afirma que “a maior dificuldade no ensinamento do yoga aqui [na academia de ginástica em que trabalha] é a falta de materiais necessários à prática da atividade, como simples blocos de madeira, por exemplo”.

Rita não acredita que a agitada energia das academias de ginástica faça com que a prática perca sua essência, pois define o yoga como algo sem restrições. De acordo com ela, todos podem praticá-lo, independente da idade ou do lugar onde o façam, e encerra dizendo que a atividade é, acima de tudo, “um estado de consciência, podendo ser praticada a qualquer momento. Você pode fazer yoga enquanto estiver caminhando na esteira, ou quando estiver fazendo o seu almoço”.


Por Christiane Matos

Foto: Christiane Matos
Adaptação fotográfica: Galileu Nogueira

05 dezembro, 2007

A Longa Caminhada pela Conscientização

No último final de semana foi celebrado “O Dia Mundial de Luta Contra a AIDS”. Instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), o dia 1º de dezembro tem por missão alertar a população de como prevenir-se contra a AIDS e de como combater o preconceito contra os portadores do HIV.

No lançamento da campanha deste ano, o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou a todos que a AIDS é uma doença diferente de qualquer outra, definindo-a como ‘problema social’. “Independente do nosso papel na sociedade (...), de uma forma ou de outra, todos nós vivemos com o HIV. Todos nós somos afetados por ele”, afirma.

Esse ano, a campanha de combate ao vírus no Brasil, onde vive cerca de um terço dos soropositivos da América Latina, teve como slogan “Sua atitude tem muita força na luta contra a AIDS”. A idéia era de reforçar, principalmente entre os jovens, o compromisso de exercer a sexualidade sempre de forma segura e de não deixar que o preconceito intervenha em nenhum tipo de relação social.

Jovens em risco


De acordo com o Ministério da Saúde (MS), é nos adolescentes que a epidemia tem crescido. Eles, que têm iniciado sua vida sexual cada vez mais cedo, desconhecem ou destemem os riscos da não utilização de preservativos. Não se atentam, por exemplo, ao fato de que em nosso país cerca de 85% dos casos de HIV têm como causa o sexo sem proteção.

Outra razão que fazem dos adolescentes o foco principal da atual campanha, é o fato de a maior parte da população infectada ter entre 20 e 29 anos. Levando em consideração que o tempo médio de manifestação do vírus é de oito anos, presume-se que eles o tenham contraído entre os 13 e os 24 anos, aproximadamente. E, por isso, que se têm concentrado os trabalhos de prevenção nessa faixa etária.


Sergipe contra a AIDS

Aqui no estado as celebrações de luta contra a doença tiveram início no dia 23 de novembro, com o evento ‘Geração sem AIDS’. Composto basicamente de perguntas e respostas, convidados discutiram acerca das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e, assim, tiraram dúvidas de quase 1.000 adolescentes reunidos na Quadra Esportiva do Colégio Dom Luciano José Cabral Duarte.


O grande evento da campanha local foi, dessa vez, a 6ª Caminhada da Prevenção, realizada no dia 30 de novembro, última sexta-feira. Concentrados na Praça da Bandeira, milhares de estudantes de mais de 40 escolas municipais e estaduais da capital, além daqueles de São Cristóvão e da Barra dos Coqueiros, aguardavam ansiosos pelo início do percurso que os levaria até o Mercado Albano Franco.


Quando perguntados sobre a importância em participar do evento, alguns dos adolescentes diziam apenas buscar diversão, mas a maioria das respostas indicava consciência e maturidade. Maria Aparecida Santos Silva, de 15 anos, aluna do 7º ano do Colégio Municipal Oviêdo Teixeira, sabe que DST’s não são as únicas conseqüências da falta de prevenção. “É importante ‘pra’ nós que somos jovens, aprender a se prevenir para não cair na besteira de pegar AIDS e nem de engravidar”, disse referindo-se a duas de suas colegas que, na sua idade, já são mães.


Prevenção e Preconceito


O Coordenador Municipal do Programa DST/AIDS, José Eudes Barroso Vieira, conhece o problema da falta de prevenção em números: “Atualmente são 1.236 portadores de HIV acompanhados pelo Serviço de Atendimento Especializado (SAE), 688 desses pacientes têm AIDS”. No entanto, esses valores têm como base apenas os casos notificados. Há muitas pessoas que têm o vírus e não sabem por nunca terem feito o exame.


Por causa desses casos não diagnosticados, Vieira anuncia ser programada para o início de 2008 uma campanha maciça para estimular a população a fazer o teste do HIV. “Um serviço gratuito que pode ser sigiloso e que não precisa de agendamento”. Ele afirma que esse tipo de iniciativa é muito importante, pois ainda é grande o número de pessoas que mantêm relações sexuais sem a utilização de preservativos.


O medo de se submeter ao exame é apenas um dos diversos tabus relacionados à AIDS. Muitos ainda acreditam que portadores do HIV são necessariamente pessoas muito magras, tristes e acamadas, incapazes de trabalhar ou de praticar qualquer exercício físico. Porém, essas imagens não mais condizem com a realidade. Remetem somente a um tempo em que pouco se sabia sobre a enfermidade e não havia disponíveis bons coquetéis de medicamentos.


Foi nessa época, há 20 anos, com o intuito de melhorar a vida dos soropositivos e de proporcionar-lhes uma melhor visibilidade social, que o então médico Almir Santana (atual Coordenador Estadual do Programa DST / AIDS) passou a dedicar-se a essas pessoas. E, por tal atitude, também sofreu o preconceito. Almir acha inaceitável qualquer tipo de discriminação em nossa sociedade. Para ele, o caminho certo está para aqueles que lutam contra a epidemia e a favor da humanidade. É essa a outra face da luta: não só contra a AIDS, mas também contra o estigma da AIDS.


Por Christiane Matos

Foto: Christiane Matos

28 junho, 2007

O desafio das mães modernas


Há muito foi-se o tempo em que as mulheres só cumpriam tarefas domésticas. A dupla jornada de trabalho feminina, que consiste em cuidar da casa e do trabalho satisfatoriamente, fortaleceu-se a partir da segunda metade do século XVIII, época da Revolução Industrial. Mulheres trabalhavam diariamente nas grandes fábricas por 12, 13, até 18 horas para ajudar nas despesas domésticas. O resto do dia era dedicado à educação dos filhos e ao descanso. O industrialismo e a evolução do modo de produção capitalista, que marcaram o início dos tempos modernos, atuaram de forma significativa nos processos econômicos, culturais e sociais que impulsionaram o surgimento das chamadas mães modernas.

A socióloga e especialista em relações conjugais Christine Jacquet afirma que, hoje em dia, existe igualdade entre homens e mulheres no que se refere aos valores familiares. Porém, quando as práticas são analisadas dentro de uma relação familiar, percebe-se que somente as mulheres desempenham uma dupla jornada de trabalho. São raros os casos em que há uma divisão igualitária de tarefas domésticas entre os sexos.

Trabalho X Maternidade

A técnica social da Caixa Econômica Federal (CEF) Maria Adelaide dos Santos é mãe solteira de duas meninas: Eveline (21) e Victória (11). Logo após a graduação em Serviço Social, ela passou num concurso da CEF e foi transferida para o interior de Sergipe, onde engravidou de sua primeira filha. “Eu vivia para trabalhar, cuidar da casa e da criança”, lembra.

Alguns anos se passaram e Santos decidiu retornar a Aracaju e, por causa disso, teve seu salário reduzido. Na capital sergipana, ela engravidou de sua segunda filha. Porém, dessa vez, a técnica teria a presença constante da mãe para ajudar na criação das duas meninas. “Foi uma dificuldade muito grande, mas não tenho certeza se teria sido diferente se eu ficasse em casa o tempo todo”, declara Santos. De acordo com ela, o fato de ser mãe solteira não teve influência negativa na criação das filhas, principalmente pelo fato de possuir uma renda razoável para mantê-las sem maiores privações.

Para a professora de português Cláudia Fumie, casada há 13 anos e mãe de Luísa (4), as dificuldades não foram muito diferentes. Ela e o marido decidiram ter um filho somente após terem completado nove anos de casamento. Antes disso, eles não se consideravam estabilizados financeiramente para enfrentar o desafio de se tornarem pais.

Luísa nasceu e Fumie decidiu acompanhar de perto o crescimento da filha. “Eu optei por um salário bem menor para poder ficar com Luísa, em vez de continuar dando aulas em todos os turnos”, justifica a professora. Ela considera uma vantagem significativa o fato de ter o companheiro em casa, já que os dois compartilham as tarefas domésticas e dividem a responsabilidade de cuidar de Luísa.

Vantagens e desvantagens de ser uma “mothern”

As chamadas “motherns” (trocadilho em inglês que mescla as palavras “mother” – mãe – e “modern” - moderna) têm o desafio de conciliar trabalho, família e diversão. Segundo a psicóloga e doutora em psicossociologia Elza Francisca Corrêa, uma das vantagens mais significativas de ser uma mãe moderna é o fato de que os filhos tendem a alcançar a independência de maneira mais rápida. Isso acontece porque as mães não ficam o dia inteiro monitorando o que eles fazem. A psicóloga argumenta ser desafiante para uma criança ter pai e mãe trabalhando fora de casa. Os filhos passam a resolver e solucionar determinados problemas sem a ajuda dos pais, o que pode proporcionar um maior desenvolvimento intelectual nessas crianças.

Uma desvantagem muito discutida pela sociedade é a suposta fragmentação da família. Corrêa questiona esse conceito. Segundo suas palavras, “a família não está se fragmentando, ela está se reorganizando em outros termos”. A especialista observa que o maior obstáculo para as mulheres modernas é a obrigação de dar conta do trabalho e da família com êxito. Ela acrescenta que, mesmo casada, é mais comum as mulheres realizarem maior quantidade de tarefas domésticas que seus companheiros. Além disso, o fato de ter que cumprir uma dupla jornada de trabalho desencadeia elevado desgaste emocional e físico.

Por Díjna Torres
Para mais informações, acesse:

Blog de duas “motherns”, que deu origem a um programa de TV e dois livros.

Imagem: Reprodução da capa do livro Mothern - Manual da Mãe Moderna. Matrix Editora

11 fevereiro, 2007

Movimento Emo: estilo de vida ou modismo?



Muitos dizem que é apenas uma moda. Outros dizem que é expressão de sentimento. Mas a verdade é uma só: eles estão em todo lugar. Com meias arrastão, cintos de rebite, franjas caídas nos rostos, camisetas infantis e unhas pintadas, eles chamam a atenção por onde passam. Eles são os emos.

Emo? O que é isso?

O termo emo é uma abreviação em inglês do gênero musical emotional hardcore que é uma vertente do punk rock. Mesmo com o ritmo rápido e pesado, este estilo musical passou por uma mudança que o mundo do rock não estava acostumado: agora, as composições falam de sentimentos, onde amores e desilusões são os temas preferidos. A alteração começou com o uso de letras mais introspectivas por bandas de punk rock, como Embrace e Rites of Spring, nos anos 1980, e logo o termo foi consagrado pela mídia especializada. No Brasil, já no século XXI, o estilo teve início em São Paulo e foi disseminado pelo resto do país.

Em Aracaju, não poderia ser diferente. Várias pessoas, principalmente adolescentes, foram atraídas pelo novo gênero musical. Por trás das roupas pretas, maquiagem, bijuterias de bolinhas, laços e gravatas, eles se definem como emocionais. “As músicas me atraíram muito, elas falam tudo o que eu sinto e que às vezes tenho vergonha de expressar”, diz Juliana*, de 15 anos. Eles se abraçam e se beijam quando se encontram, têm facilidade de externar o que sentem uns aos outros, se emocionam com as músicas, andam de mãos dadas e pregam a tolerância em relação a qualquer fator, inclusive quanto à sexualidade. Muitas vezes, esta tolerância faz com que as pessoas rotulem os emos de homo ou bissexuais. Inclusive os pais deles. “Meu pai já me pegou ficando com um menino. Para ele, ser emo é ser gay!”, desabafa Tiago*, de 16 anos.

Disseminação

O estilo é divulgado através do orkut e fotologs. É através desses meios que muitos conhecem e se identificam com o gênero. Mas, não é somente o tipo da música que contagia os emos. Inicialmente, muitos se envolvem com o visual para, depois, conhecerem o conteúdo musical. Carla*, 15 anos, diz que “virou emo” porque adorava o grupo do seu amigo. Achava os garotos bastante descolados e via que por onde eles passavam os olhares alheios se voltavam. “Mudei de estilo para poder andar com eles”, confessa. Já Renata*, 15 anos, diz que conheceu o gênero através da Internet e se identificou com a tribo emo devido ao jeito diferente de se vestir.

Raquel Melo Bezerra, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), diz que a adolescência é a fase mais complexa e dinâmica do ponto de vista físico e emocional na vida do ser humano. Fala ainda que a fase é crucial na transformação de um adolescente para um adulto produtivo e maduro, e que a adolescência coloca em questão hábitos anteriores, mas que tais contestações tendem a diminuir com a maturidade. “O jovem procura pessoas semelhantes a si, por isso é muito comum observar nessa fase grupos que se vestem e falam de forma parecida, influenciando-se mutuamente. Essa busca de aceitação é importante nessa fase de construção de identidade”, afirma.

Preconceito

Com visual peculiar e tanta expressão de sentimentos, os emos se tornaram alvo de preconceito. Outras tribos não os vêem inseridos em uma ideologia e sim num modismo. O baixista de uma banda de rock sergipana, João Melo, diz que a música e a exploração da imagem criada pelo movimento não o agrada, mas que o lado positivo é a oxigenação da música de forma geral no Brasil. “Enquanto movimento, pode ser bom para o rock nacional. Parece um pouco com o que aconteceu na década de 1980, com hits pops que esteve na boca de milhares de adolescentes em todo o país. Por outro lado, tem o modismo e isso não é legal. Muitas bandas acabam sendo usadas, por vezes, ingenuamente”, comenta.

Apesar da tolerância e do respeito às diferenças fazerem parte dos valores dos emos, nem sempre eles encontram essa mesma disposição na sociedade em que vivem. Muitos os maltratam com ações ou palavras desrespeitosas: “Um dia, no shopping, umas patricinhas riram de mim por causa do meu corte de cabelo e dos meus piercings”, desabafa Renata. Já Carla, diz que foi chamada de ‘ridícula’ devido ao colorido do cabelo.

Sobre o comportamento agressivo na adolescência, a professora Raquel Bezerra chama a atenção para os processos de disputa por “status” e cita os autores Papalia e Olds quando diz que a violência e o comportamento anti-social possuem raízes na infância. “Crianças criadas em um ambiente de rejeição ou de coerção, ou em um ambiente excessivamente permissivo tendem a apresentar comportamento agressivo. Por isso, certos valores como a cooperação, o respeito ao próximo, a solidariedade e a igualdade devem ser transmitidos desde a infância”, esclarece.

A Família

De primeira, os pais também torcem o nariz, mas por fim conceituam como uma fase da adolescência e acabam aceitando. Carla* conta que a mãe até quis que ela parasse de andar com os amigos, mas que hoje está tudo bem. As próprias adeptas do emo assumem que esse comportamento pode ser efêmero, mas não da maneira como os pais pensam. “Vão vir outras tribos, como a Indie, por exemplo”, diz Carla*.

O receio que cerca a maioria dos pais é que os filhos sejam desviados para o “mau caminho” pelos amigos emos. A professora Raquel Melo Bezerra avalia como negativo o comportamento dos pais que criticam ou não aceitam o jeito dos filhos. Isso porque, ao fazer isso “eles acabam empurrando o jovem a buscar laços de afeto em outras pessoas”, ressalta. Os adolescentes questionam e quebram paradigmas familiares e sociais para, assim, criarem novas regras. “É muito importante que nessa fase, a família e a escola estreitem laços com esse jovem. O diálogo aberto e sem pré-julgamentos é de fundamental importância para que essa fase possa ser vivida com mais tranqüilidade e aceitação”, finaliza Raquel Bezerra.

O que eles ouvem


Bandas como NX Zero, Dance of Days, Forfun, Darvin, Fresno, CPM 22, Simple Plan, Good Charlotte e My Chemical Romance compõem o repertório preferido dessa tribo. E cada vez mais a grande mídia tem aberto as portas para esse tipo de som e para suas tribos.


* Os nomes usados são fictícios.