09 dezembro, 2007

O "Novo" Movimento Estudantil da UFS

Mesmo pautada em assuntos polêmicos como a paralisação estudantil de 2007, o REUNI, as carteirinhas de passe escolar e a UNE, a disputa eleitoral para o DCE e Conselhos Superiores deste ano não teve a mesma intensidade dos anos anteriores. Esse clima morno não permitiu um debate maior. O curto espaço de campanha não elevou o nível de discussão na disputa.

Forças Políticas

Participaram do pleito quatro chapas, dentre elas a "Queremos mais Participação", da Articulação de Esquerda do PT. O grupo passava por um momento de refluxo. A desmobilização culminou com a saída de alguns quadros importantes às vésperas das eleições e tiveram como conseqüência a ausência na disputa dos conselhos, além do atraso para o início da campanha devido a falhas na entrega da documentação de inscrição. Dos grupos que disputavam a direção do DCE, era o mais enfraquecido.

A chapa "SOFIA" concorreu somente aos Conselhos Superiores. Tinha como argumento de persuasão o fato de serem os únicos a não possuírem membros ligados a nenhum partido político, porém a campanha do grupo foi irrelevante e não houve circulação considerável de material de propaganda. O principal espaço expositivo que a chapa ocupou foi o debate ocorrido em 27 de novembro, mesmo assim, usando apenas 10 minutos de fala no primeiro dos seis blocos do evento. Não se configurou como uma força de grande relevância na disputa.

A eleição, portanto, ficou polarizada entre duas chapas: "Integração para mudar", chapa de oposição, e "Quando o amor não basta...", chapa da atual gestão do DCE. Esta última, composta principalmente por militantes do Movimento Resistência e Luta (MRL), além de agregar também os principais quadros estudantis do PSOL. Criticados pela oposição por serem "esquerdistas", tiveram uma atuação explicitamente de oposição à reitoria. Participaram da Paralisação Estudantil, juntamente com outros centros acadêmicos, compondo o que o Professor Antônio Carlos do departamento de filosofia chamou de “frente estudantil” em seu artigo publicado recentemente no Jornal da Cidade. Para ele, que ensina na UFS há 15 anos, "a frente estudantil não passa de um grupo conservador de estudantes que acha que vai mudar o mundo a partir da UFS, de forma bastante radical. É por isso que ele é contraditório nas suas bases: quer mudar, mas não pelo viés democrático".

O DCE assume que não conseguiu fazer trabalho de comunicação de base tão eficiente por falta de fundos disponíveis e por não encontrarem vias alternativas baratas. Mas, durante a gestão deles, o Conselho de Entidades de Base (CEB) foi convocado oito vezes em um ano e dois meses, sendo apenas quatro desses encontros, em um ano e dez meses, da gestão anterior. Foram realizadas várias assembléias e plenárias em mais de um turno ao longo do ano, sendo a assembléia que decidiu pela paralisação a maior da história da UFS com quase 2.000 estudantes participantes.

Já a chapa "Integração para mudar", vitoriosa na disputa eleitoral, possui um perfil diferente da chapa anterior. O grupo não é homogêneo e tem uma construção recente. Como explica Natan Alves (Presidente), os últimos nomes foram inseridos pouco tempo antes do início do prazo de inscrição de chapas. Foi composta principalmente por integrantes da União da Juventude Socialista (UJS), juventude do PCdoB, e os estudantes que participaram do movimento Pró-aula, opositores da paralisação estudantil. Durante o período em que esteve a frente do DCE, a UJS foi marcada pela passividade diante de pontos polêmicos, como, por exemplo, a questão do repasse referente ao aluguel do espaço ocupado por um restaurante terceirizado no prédio do DCE . Decidiu-se que a reitoria receberia o dinheiro, e não mais o diretório estudantil. A UJS, que no material da campanha atual reivindica a verba novamente, concordou com a decisão, mesmo com grande parte dos estudantes em discordância. Também ficaram conhecidos por serem favoráveis aos projetos de reforma universitária do governo Lula. Mesmo tendo como Presidente um quadro da UJS e diretor estadual da UNE, que, há muito tempo, é hegemonizada pelo PCdoB e passa atualmente por uma forte crise de representatividade, a chapa argumenta que não pode ser culpada por erros de gestão pois não são exclusivamente UJS e seu Presidente está no 2° período.

REUNI

O REUNI - Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – é uma medida do governo federal voltada para o ensino superior com o objetivo de expandir o acesso e combater a evasão estudantil.

Programa polêmico, tornou-se uma da pautas principais da campanha eleitoral. A última gestão do DCE é contrária ao projeto por entender que promoverá uma expansão sem financiamento suficiente, tornando ainda mais precária a qualidade do ensino, além de jogar a segundo plano a pesquisa e a extensão. Também afirmam que não será resolvido o problema da evasão, pois o grande índice não é devido à falta de flexibilidade das normas educacionais, e sim pela falta de um projeto de assistência que possibilite a permanência do estudante. Para manter a meta de 90% de aprovação - considerada utópica pelo grupo, já que países desenvolvidos com realidades bem distantes da brasileira têm uma média e torno dos 70% -, o professor se tornaria irrelevante no processo e sofreria sérios danos financeiros e de condições de trabalho segundo eles. Propunham, assim, que o REUNI fosse aprovado em plebiscito paritário com toda a comunidade acadêmica depois de um fórum de debates.

Na "Integração para mudar" não há um consenso sobre o tema. Alguns membros são a favor, já outros não se posicionam tão favoráveis. Em seu material de campanha propõem "ampliar as discussões sobre o REUNI sem enganar e sem disseminar o medo" por entenderem que a avaliação da gestão que se encerra está equivocada.

A forma de aprovação do projeto foi polêmica. Ocorreu em uma reunião do CONEPE em que líderes estudantis realizaram protestos na Sala dos Conselhos, no prédio da Reitoria. A reunião foi transferida para o centro de Aracaju, onde o REUNI foi votado e aprovado, sob contestação dos estudantes. Mas o professor Antônio Carlos acha que o reitor " Agiu democraticamente sim, porque tinha prazo, dia e hora para entregar a proposta ao MEC". E prossegue. "Além disso, ele encaminhou a proposta para os Centros discutirem, para a ADUFS, para as entidades da instituição com bastante antecedência. Eu mesmo participei de uma reunião no Centro de Educação e Ciências Humanas sobre o REUNI com uns 15 dias antes do dia “D”...

Quanto aos conselhos, existe uma discussão a respeito do caráter democrático desses espaços. Apesar de agregarem todos os setores da universidade, estes não estão representados de forma paritária. Boa parte dos representantes é composta por cargos comissionados, que, conseqüentemente, não teriam independência na hora de votar, segundo posicionamento da Frente Estudantil. Ulisses Willy, estudante de Ciências Sociais e conselheiro discente do CONSU em 2007, ainda argumenta que "o reitor, o presidente, é quem define toda e qualquer convocação de reunião. É quem defere ou indefere qualquer pedido de observação de projetos". Em contraposição, o professor Antônio Carlos avalia que os conselhos são sim democráticos. “Em nenhum lugar do mundo há paridade de votação nas instituições. Há representações proporcionais. Vivemos numa democracia representativa. Os representantes são justamente para isso, representar-nos! Porém, se há boa ou má representação é uma outra história...".

O que se observa nesses ambientes é que a reitoria possui uma ampla maioria em seu apoio. É a força política de maior relevância. Dessa forma, a representação estudantil de 2006-2007 era o grupo que quebrava a unanimidade, já que grande parte dos conselheiros não utilizava suas falas para problematizar os encaminhamentos. Então, levando em consideração as gestões anteriores da UJS, essa relação de oposição pode não existir mais.

Por Zeca Oliveira

07 dezembro, 2007

Vestibulandos concluem jornada de provas

Mais de 37 mil candidatos se inscreveram para disputar as 4.070 vagas oferecidas, em 82 opções de curso, pela Universidade Federal de Sergipe no Processo Seletivo Seriado deste ano. As provas foram realizadas entre os dias 2 e 5 de dezembro, em 43 estabelecimentos de ensino do estado. Segundo a secretária da Coordenação de Concurso Vestibular (CCV), Maria Helena, as provas foram realizadas sem grandes transtornos. “É comum alguns estudantes passarem mal, faltarem ou insistirem para entrar após o fechamento dos portões, mas fora isso, tudo ocorreu bem. Esse foi o vestibular mais tranqüilo que tivemos”, afirma.

Opinião dos estudantes

Para Adriana Freitas da Silva, que busca uma vaga no curso de biologia, as provas de maior dificuldade foram as de português, história e geografia. “Os exames de cálculo, por incrível que pareça, foram os menos complicados. As questões não exigiam o uso de muitas fórmulas porque o raciocínio era bem direto. O que me deixou surpresa foram as provas de história e geografia. Demorei muito tempo para responder porque os itens contavam com muita informação”. O estudante Fábio Henrique de Souza, concorrente para o curso de fisioterapia, concorda com Adriana. “As provas de matemática tinham tantas questões de lógica que eu consegui responder 10 itens do 2º ano sem precisar de fórmula alguma. Já as provas de português estavam muito detalhistas, interpretativas e longas, passei 20 minutos para ler o texto da prova do 1º ano”, diz.
Apoio das escolas

Todos os anos as escolas de maior porte montam tendas do lado de fora dos locais de prova para discutir questões e dúvidas com os alunos. “A gente chega aqui de manhã cedo e só sai quando todos os alunos vão embora. Esse apoio é fundamental para que eles se sintam seguros na hora de responder às questões”, diz a professora de literatura Martha Vieira. “Ouvi muitas reclamações dos alunos sobre a prova de português do 1º ano. Fiquei surpresa com a cobrança de discurso indireto livre, já que esse conteúdo não faz parte do programa da instituição”, continua. Além do apoio dos professores, algumas escolas colocam à disposição dos alunos um café da manhã reforçado. “Serve mais como um ponto de encontro, do que como um locar para se fazer a primeira refeição do dia. É uma forma de se distrair e esquecer, ainda que momentaneamente, da responsabilidade que é passar no vestibular”, diz o estudante Anderson Sobral.

Dissertação

Este ano, o tema da dissertação foi baseado no poema “Lembrança do mundo antigo” de Carlos Drummond de Andrade. A fundação Carlos Chagas, responsável pela elaboração das provas, propôs que os candidatos escrevessem sobre os problemas do mundo moderno, o que mostra que a escolha de assuntos pouco polêmicos continua.“Esse ano, o tema foi bastante amplo”, afirma o vestibulando André Sobral. “Fiquei meio em dúvida sobre o que escrever, mas acho que me saí muito bem. Dei enfoque à globalização, que contribui para padronizar a cultura mundial, e abordei superficialmente outros assuntos, como a violência e o avanços tecnológicos”, continua.
Vendedores ambulantes

Quem sai lucrando com a realização do vestibular da UFS são os vendedores ambulantes. Eles montam barracas na porta dos locais de prova e só vão embora quando o movimento dos alunos cessa. “O lucro costuma ser grande, mesmo com a concorrência de algumas escolas, que montam tendas com alimentos para os vestibulandos. Eu consigo, por exemplo, vender de 100 a 150 cachorros-quentes por dia”, afirma a vendedora Marília Alves.

Por Carla Santana

Site da Coordenação de Concurso Vestibular (CCV)

05 dezembro, 2007

A Longa Caminhada pela Conscientização

No último final de semana foi celebrado “O Dia Mundial de Luta Contra a AIDS”. Instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), o dia 1º de dezembro tem por missão alertar a população de como prevenir-se contra a AIDS e de como combater o preconceito contra os portadores do HIV.

No lançamento da campanha deste ano, o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou a todos que a AIDS é uma doença diferente de qualquer outra, definindo-a como ‘problema social’. “Independente do nosso papel na sociedade (...), de uma forma ou de outra, todos nós vivemos com o HIV. Todos nós somos afetados por ele”, afirma.

Esse ano, a campanha de combate ao vírus no Brasil, onde vive cerca de um terço dos soropositivos da América Latina, teve como slogan “Sua atitude tem muita força na luta contra a AIDS”. A idéia era de reforçar, principalmente entre os jovens, o compromisso de exercer a sexualidade sempre de forma segura e de não deixar que o preconceito intervenha em nenhum tipo de relação social.

Jovens em risco


De acordo com o Ministério da Saúde (MS), é nos adolescentes que a epidemia tem crescido. Eles, que têm iniciado sua vida sexual cada vez mais cedo, desconhecem ou destemem os riscos da não utilização de preservativos. Não se atentam, por exemplo, ao fato de que em nosso país cerca de 85% dos casos de HIV têm como causa o sexo sem proteção.

Outra razão que fazem dos adolescentes o foco principal da atual campanha, é o fato de a maior parte da população infectada ter entre 20 e 29 anos. Levando em consideração que o tempo médio de manifestação do vírus é de oito anos, presume-se que eles o tenham contraído entre os 13 e os 24 anos, aproximadamente. E, por isso, que se têm concentrado os trabalhos de prevenção nessa faixa etária.


Sergipe contra a AIDS

Aqui no estado as celebrações de luta contra a doença tiveram início no dia 23 de novembro, com o evento ‘Geração sem AIDS’. Composto basicamente de perguntas e respostas, convidados discutiram acerca das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e, assim, tiraram dúvidas de quase 1.000 adolescentes reunidos na Quadra Esportiva do Colégio Dom Luciano José Cabral Duarte.


O grande evento da campanha local foi, dessa vez, a 6ª Caminhada da Prevenção, realizada no dia 30 de novembro, última sexta-feira. Concentrados na Praça da Bandeira, milhares de estudantes de mais de 40 escolas municipais e estaduais da capital, além daqueles de São Cristóvão e da Barra dos Coqueiros, aguardavam ansiosos pelo início do percurso que os levaria até o Mercado Albano Franco.


Quando perguntados sobre a importância em participar do evento, alguns dos adolescentes diziam apenas buscar diversão, mas a maioria das respostas indicava consciência e maturidade. Maria Aparecida Santos Silva, de 15 anos, aluna do 7º ano do Colégio Municipal Oviêdo Teixeira, sabe que DST’s não são as únicas conseqüências da falta de prevenção. “É importante ‘pra’ nós que somos jovens, aprender a se prevenir para não cair na besteira de pegar AIDS e nem de engravidar”, disse referindo-se a duas de suas colegas que, na sua idade, já são mães.


Prevenção e Preconceito


O Coordenador Municipal do Programa DST/AIDS, José Eudes Barroso Vieira, conhece o problema da falta de prevenção em números: “Atualmente são 1.236 portadores de HIV acompanhados pelo Serviço de Atendimento Especializado (SAE), 688 desses pacientes têm AIDS”. No entanto, esses valores têm como base apenas os casos notificados. Há muitas pessoas que têm o vírus e não sabem por nunca terem feito o exame.


Por causa desses casos não diagnosticados, Vieira anuncia ser programada para o início de 2008 uma campanha maciça para estimular a população a fazer o teste do HIV. “Um serviço gratuito que pode ser sigiloso e que não precisa de agendamento”. Ele afirma que esse tipo de iniciativa é muito importante, pois ainda é grande o número de pessoas que mantêm relações sexuais sem a utilização de preservativos.


O medo de se submeter ao exame é apenas um dos diversos tabus relacionados à AIDS. Muitos ainda acreditam que portadores do HIV são necessariamente pessoas muito magras, tristes e acamadas, incapazes de trabalhar ou de praticar qualquer exercício físico. Porém, essas imagens não mais condizem com a realidade. Remetem somente a um tempo em que pouco se sabia sobre a enfermidade e não havia disponíveis bons coquetéis de medicamentos.


Foi nessa época, há 20 anos, com o intuito de melhorar a vida dos soropositivos e de proporcionar-lhes uma melhor visibilidade social, que o então médico Almir Santana (atual Coordenador Estadual do Programa DST / AIDS) passou a dedicar-se a essas pessoas. E, por tal atitude, também sofreu o preconceito. Almir acha inaceitável qualquer tipo de discriminação em nossa sociedade. Para ele, o caminho certo está para aqueles que lutam contra a epidemia e a favor da humanidade. É essa a outra face da luta: não só contra a AIDS, mas também contra o estigma da AIDS.


Por Christiane Matos

Foto: Christiane Matos

04 dezembro, 2007

80% de abstenções nas eleições para o DCE

"Eleições para o DCE? Ah, eu vi mesmo uma urna lá no HU, eles passaram por lá, mas eu estava tão ocupado que nem tive tempo de me informar melhor e votar, foi tudo tão rápido.”

Falas como a do estudante acima, que não quis se identificar, repetem-se nos corredores da Universidade Federal de Sergipe e retratam a indiferença com que o eleitorado se comportou nas eleições para a escolha da nova gestão do Diretório Central dos Estudantes. Apenas 20% dos cerca de 15 mil alunos compareceram às seções de votação.

Segundo dados fornecidos por Marco Túlio, presidente da Comissão Eleitoral, somente 2.813 estudantes depositaram seu voto nas urnas. “Isso é normal para eleições do DCE aqui na UFS, quando a participação é boa fica em torno de 3.500 estudantes, é normal”, afirma Marco Túlio.

A Eleição

A eleição para a escolha da nova gestão do DCE e dos representantes dos Centros para o Conselho Superior (CONSU) e o Conselho de Ensino e Pesquisa (CONEP) se realizou nos três últimos dias do mês de novembro. Dia 28 em Itabaiana e Laranjeiras e dias 29 e 30 em São Cristóvão e no Hospital Universitário. Mas a apuração só foi realizada no sábado, dia 1º de dezembro, às 18h, no pavimento superior do Restaurante Universitário. Duas horas depois, já se conhecia o nome da chapa vencedora: Integração para Mudar, com 1531 votos.

Chapa de oposição à gestão atual, a “Integração para Mudar” é, segundo Natan Alves, formada por estudantes de diferentes cursos, etnias e religiões que têm como objetivo “construir um DCE que represente de fato os estudantes da UFS, sem estar filiado a partidos políticos ou qualquer outra entidade”.

Natan, estudante do segundo período do curso de Letras, português-francês, é o presidente da gestão recém eleita. Apesar do pouco tempo como estudante na UFS, ele milita há muito no movimento estudantil, participou da UJS e do grêmio estudantil do Centro Federal de Educação Tecnológica de Sergipe (CEFET-SE). “A experiência ajudou na conquista dos colegas para a formação da chapa, eu não apontei, perguntei quem gostaria de participar”, avalia.

Questionado sobre se o baixo percentual de votantes não comprometeria a legitimidade do diretório para representar os estudantes da UFS, Natan afirmou que “não, isso reflete o descrédito na instituição, principalmente após a última greve, se o estudante não acredita, não vota; com planejamento, faremos um trabalho que resgatará a credibilidade da entidade”.

Além da chapa vencedora, participaram do pleito mais duas outras: “Quando o Amor não Basta”, vinculada à atual gestão e “Por um DCE Participativo”, que obtiveram 816 e 301 votos, respectivamente. A eleição teve ainda 99 votos brancos e 66 nulos.

Posse

A posse da nova gestão, eleita para mandato de um ano (2008), ocorrerá nos próximos trinta dias, em data e hora marcadas na reunião do Conselho de Entidades de Base (CEB), órgão colegiado dos estudantes que delibera sobre eleições e outras questões referentes ao DCE. Na oportunidade, a atual gestão, que deixa a administração do diretório, fará a prestação de contas.

Por Luciene Oliveira
Foto: Luciene Oliveira

03 dezembro, 2007

"Não tenho como não ficar orgulhoso e satisfeito com essa polêmica"

O Filme “Tropa de Elite”, baseado na obra “Elite da Tropa” de Rodrigo Pimentel, alcançou uma repercussão que foi desde a ampla venda de cópias piratas ao sucesso nos cinemas, passando pela discussão a respeito do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o Bope, e a sua atuação nas favelas. O longa metragem aborda com vigor uma realidade que faz parte do cotidiano da população carioca: a guerra em que vive o RJ contra a criminalidade intensificada pelo crescimento do tráfico de drogas. Rodrigo Pimentel, hoje consultor de segurança, entrou para a polícia com 18 anos. Atuou no Bope até 2000. Em 2005, quando o roteiro do filme já estava sendo produzido, Pimentel escreveu o livro “Elite da Tropa”, sucesso garantido pela projeção do filme. Dando continuidade ao projeto de “Tropa de Elite”, lança sua minissérie que começa a ser filmada em maio. Seguindo uma rota de viagens para debates, Pimentel esteve na última sexta-feira, dia 30, em Aracaju, no Colégio Graccho Cardoso às 19h, para uma discussão sobre o filme.

Contexto - Como você avalia a repercussão que o filme alcançou para a sua vida profissional?

Rodrigo Pimentel - Hoje, em 48 dias eu já participei de 80 debates. Esse é o maior legado do filme: a promoção do debate e da discussão. A partir desta promoção é que se pode ter alguma mudança no quadro caótico da segurança pública no país. O filme não foi indicado ao Oscar, mas teve a capacidade de gerar discussão. É uma realização profissional, a realização da minha vida. Milhões de brasileiros conheceram melhor uma instituição policial. No entanto, vale ressaltar que não é só uma polícia que faz a segurança pública. Outras instituições, outras organizações e até a sociedade estão envolvidas nesse processo. Mas, a partir desse conhecimento da sua polícia, se pode buscar uma mudança. Nesse sentido o filme é uma realização profissional para mim. Esperava que ele promovesse um debate, mas não esperava tamanha repercussão. Nós tiramos da pauta nacional o assunto corrupção política, que até então estava em vigor, e resgatamos o assunto segurança pública, que estava esquecido. Então, eu não tenho como não ficar orgulhoso e satisfeito com essa polêmica.

Contexto - Até que ponto você avalia que o filme seja um retrato da sociedade ou da segurança pública brasileira? Deixemos a licença poética de lado...

Rodrigo Pimentel - É importante preservar outras corporações policiais no Brasil. Aquela polícia, a que o filme se refere, é a polícia do Rio de Janeiro. Com certeza a polícia de Sergipe não é igual, como a polícia do Rio Grande do Sul também não. Aquela é uma realidade, talvez até mais amena, da polícia no Rio de Janeiro. É uma polícia que está tomada pela corrupção endêmica. Quanto à sociedade, acredito que boa parte da sociedade carioca tenha se visto no filme, através da sua omissão ou através do seu hedonismo quando busca as drogas. Eu tenho ido a debates onde alunos levantam o braço e dizem: “Eu parei de consumir maconha depois que vi o filme”. Ou seja, a gente atingiu alguém, provocou a reflexão de um jovem. Ele se viu retratado no filme. Mas, é verdade que o jovem consumidor não é o único responsável pela violência. Existem dezenas de razões para a violência urbana nas capitais. O jovem consumidor de drogas é apenas uma delas. Desigualdade social, desemprego, corrupção, miséria são outras razões que colaboram com esse cenário.

Contexto - Levando em consideração a sua experiência, o que você passou enquanto policial aspirante ao ingresso no Bope, aquilo ali também foi um retrato? É realmente necessário que cada policial se submeta àquelas situações?

Rodrigo Pimentel - O Bope é uma unidade atípica. Ela é uma exceção, não é regra. Unidades de Operações Especiais possuem suas místicas, seus símbolos, seus rituais de passagens. Então, se a polícia militar do Rio de Janeiro quer possuir uma unidade de intervenção, uma unidade de operações especiais para atuar daquela forma, tudo aquilo é necessário. A questão é: a polícia do Rio de Janeiro quer continuar tendo um Bope? A sociedade carioca quer continuar tendo um Bope? Se ela optar pelo sim, todo aquele sofrimento é necessário, faz parte da formação de um policial que trabalha na guerra, não na segurança pública. Eu diria que se o governo insistir nas operações em favela, o que eu não concordo, o Bope é necessário e o curso de formações especiais é necessário.

Contexto - Por que você não concorda com as operações em favela?

Rodrigo Pimentel - Elas são inúteis, não trazem resultados palpáveis, não reduzem a criminalidade, os homicídios, os roubos de carros. Elas não conseguem sequer inflacionar o preço das drogas. Elas não trazem nenhum resultado favorável à sociedade, ao morador de favela, nem mesmo à classe média e nem mesmo à polícia. No entanto, elas têm um efeito midiático e conseguem, com isso, o apoio da população, na ordem de 90%. Então, os governos insistem nessa fórmula. Como existe apoio popular, o governo adota essa estratégia há 20 anos. Isso não é novidade do governo Sérgio Cabral. Há 20 anos o estado combate o crime da mesma forma e a polícia executa. E está mais que provado que isso não dá certo. O enfrentamento nunca deu e não vai dar certo. Agora, cabe a gente, com matérias de jornais, com debates, com livros, filmes e documentários, esclarecer a sociedade que isso não funciona. Se a sociedade entendesse isso, ela iria se levantar contra essa situação e perceber que essas operações são um equívoco.

Contexto - Você acha que o filme também deixou isso retratado?

Rodrigo Pimentel - Não. Pelo contrário.

Contexto - Ele gerou um efeito reverso?

Rodrigo Pimentel - Evidentemente. Mas, eu não estava preocupado com isso. Eu estava preocupado em fazer uma obra de entretenimento, que as pessoas assistissem, se divertissem e refletissem também.

Contexto - Os debates posteriores foram propositais?

Rodrigo Pimentel - Não. Não foi proposital. O filme é um entretenimento só. Várias questões são abordadas no filme: a corrupção, a tortura, a miséria, a favela, o cinismo da classe média. Mas, eu não tinha como propósito denunciar ou condenar ações em favelas. O filme não tinha uma função social, confesso que não tinha. O filme tinha função de entretenimento. Mas, se você assistir uma trilogia, começando em “Notícias de uma Guerra particular”, passando por “Ônibus 174” e depois assistindo “Tropa de Elite”, você tem como notar que eles seguem uma linha de raciocínio. O “Capitão Nascimento” não queria aquilo. Ele queria sair na unidade e sequer concordava com as operações, as achava equivocadas e inúteis. Mas, a leitura final, confesso, é a leitura de que a guerra funciona, de que aquilo tudo é eficiente, de que aquilo é uma solução inteligente, apesar de o personagem principal estar em eterno conflito, querendo abandonar aquele cenário. Mas, a leitura final, até por conta do impacto das músicas e da violência, talvez tenha dado uma falsa idéia ao carioca e talvez ao brasileiro de que aquilo tudo funciona.

Por Viviane Marques

25 outubro, 2007

"Imprensa e minorias sociais historicamente discriminadas" será tema de disciplina ofertada pelo DAC

A disciplina Tópicos Especiais em Jornalismo Impresso que será ministrada pelo professor Dr. Fernando Barroso no semestre letivo 2007/2 terá como tema a "Imprensa e minorias sociais historicamente discriminadas". Segundo o professor, o objetivo é fazer uma avaliação da imprensa gay, imprensa negra e imprensa feminina. Para tanto, o curso utilizará os recursos oferecidos pelas abordagens diacrônica e sincrônica de modo a subsidiar uma avaliação do desenvolvimento histórico dessas modalidades de imprensa, assim como de suas especificidades e situação atual.

A disciplina será dividida em três unidades, cada qual voltada para uma imprensa específica. Para Barroso, é importante que, além dos interessados nos estudos sobre a temática, também se inscrevam estudantes de jornalismo, e de outros cursos da UFS, gays, negros e mulheres, pois, ao trazerem suas experiências pessoais de leitores e de produtores de textos midiáticos para jornais e revistas especializadas, eles enriquecerão o curso. Ainda segundo o professor, “importa ter interesse e pretender fazer leituras e participar de debates. Quem sabe não podemos formar grupos de pesquisa a partir desse encontro?”, pondera.

Para mais informações, acesse:

DAA - Oferta de Disciplinas por Curso

12 outubro, 2007

Hospital Universitário torna-se centro de referência em tratamento para fumantes em Sergipe

A mídia, bem como instituições governamentais e ONGs, tem intensificado a divulgação dos males provenientes do tabaco. Porém, informar que o cigarro possui mais de 4.700 substâncias tóxicas, dentre elas a nicotina e o alcatrão, não é suficiente para estimular um fumante ativo a abandonar o vício.

“É mais difícil para o fumante vencer a dependência psicológica do que a dependência química, uma vez que aquela envolve sentimentos e conflitos internos, que para serem resolvidos dependem muitas vezes não só do paciente, mas também de pessoas que o cercam”, explica a enfermeira Andréia Aragão. Segundo a assistente social Wlívia Kolming, muitas vezes os fumantes encaram o cigarro como um suporte emocional, um companheiro. “Eles têm a consciência dos malefícios do tabaco, mas existe a dependência psicológica, emocional”, relata Kolming.

Andréia Aragão e Wlívia Kolming atuam no Programa de Abordagem e Tratamento ao Fumante do Hospital Universitário (HU) de Sergipe, que ainda conta com a participação de um médico pneumologista, uma psicóloga e um farmacêutico. O Programa existe nacionalmente e seu formato é proveniente do Ministério da Saúde. Em Sergipe, ele funciona desde outubro de 2006 e foi implantado com o incentivo da Secretaria de Estado da Saúde (SES), após a capacitação dos profissionais pelo Instituto do Câncer (INCA).

Tratamento diferenciado

O ponto forte do tratamento são as sessões de grupo, onde os fumantes trocam experiências, exprimem suas angústias e dificuldades. Além das sessões, cujo objetivo é fazer o fumante superar a dependência psicológica, o Programa oferece reuniões informativas e educativas. Outro aspecto importante é que a utilização de medicamentos não é prioritária. Segundo Wlívia Kolming, os remédios são aplicados apenas naqueles pacientes que não conseguem abandonar o vício com a participação nas sessões.

A nutricionista Maria Valdenice tentou parar de fumar várias vezes, mas sempre recaia no vício. Hoje, ela é uma ex-fumante. Valdenice relata que o grupo e a equipe de apoio fizeram o diferencial para alcançar a vitória de largar o vício. “No grupo, um apóia o outro, um se espelha no outro. Existe a equipe diretiva a qual a gente não quer desapontar, porque tem todo um esforço dos profissionais em nos dar instrumentos para abandonar o cigarro. Eles torcem por nós e compete à gente corresponder a eles”, afirma.

É preciso querer

De acordo com Andréia Aragão coordenadora do Programa, os fumantes que procuram o tratamento já tiveram ou têm algum problema de saúde, que se não é causado pelo cigarro, pode ser agravado por ele. “Temos também pacientes que procuram o serviço por causa do apelo dos familiares que temem que o fumante adquira patologias condicionadas pelo hábito de fumar”, completa.

Wlívia Kolming acrescenta que o receio de ser um exemplo negativo em casa também estimula o fumante a procurar tratamento. Porém, esses motivos não são suficientes para que o fumante seja aceito pelo Programa. O critério básico para isso é demonstrar interesse próprio em querer parar de fumar.

Tanto Maria Valdenice, quanto Iracema Andrade e Dginan Rodrigues preencheram o critério básico e foram incorporadas ao grupo de tratamento. Elas foram unânimes ao relatar que não apenas os problemas de saúde as conduziram ao Programa, mas também as rejeições e as privações que sofriam por serem fumantes. A paciente Iracema Andrade, que tem evoluído no tratamento, conta que era taxada de “Madame Nicotina” pelos familiares. “Tenho um sobrinho que sempre perguntava: hoje você está cheirosa ou está fedendo a cigarro? E isso me incomodava, mas tomei vergonha e acho que chegou a minha hora de acabar com isso”, desabafa Andrade.

Da mesma forma, a paciente Dginan Rodrigues diz ter sido mais rejeitada pela própria família. “E eu sempre falava para eles: não me incomodem, deixem que quando chegar o tempo certo eu largarei o cigarro porque não sou pior do que os outros”. Rodrigues ainda relata que os problemas familiares influem muito no ato de fumar.


A dor da abstinência X Vantagens da conquista

Superar rejeições, privações e conflitos familiares, tudo causado pelo cigarro, foi o desejo dessas três mulheres. Mas durante o percurso até a vitória, os pacientes podem estar sujeitos a recaídas. Iracema Andrade, que está no tratamento há quatro meses, conta que havia dias em que fumava uma carteira de cigarro de uma só vez, o que a fazia chorar tanto por estar quebrando o seu objetivo quanto pelos problemas pessoais que a fizeram recorrer ao tabaco. “Me senti uma nulidade quando quebrei meu comprometimento de não fumar mais”, diz Andrade.

De acordo com Andréia Aragão, o paciente em tratamento pode ter recaídas por conta de problemas na família, no trabalho, pela falta de apoio e outras fontes de stress que o instigam a buscar o “amigo fiel”: o cigarro. A enfermeira ressalta que nas duas primeiras semanas de abandono do vício, os sintomas típicos da abstinência são: fissura – desejo intenso de fumar –, tremores, nervosismo, irritabilidade, dores de cabeça e insônia. “Tais sintomas podem ocorrer ou não, e podem variar de intensidade de paciente para paciente”, esclarece.

Cientes desses momentos de reincidência, já na primeira sessão a equipe de profissionais procura oferecer subsídios para que o paciente drible essa vontade. “A fissura dura em média cinco minutos. Se o paciente consegue passar esse tempo sem fumar, dizemos a ele que provavelmente conseguirá permanecer sem o cigarro”, diz Andréia Aragão. Para tanto, a equipe oferece algumas dicas de como ultrapassar esses cinco minutos: consumir alimentos com baixas calorias; beber bastante água; descascar laranja; mascar gengibre, canela; praticar atividade física ou qualquer outra atividade prazerosa que distraia a vontade de fumar.

“Chupar gelo e balinha sem açúcar era ótimo, comer cenoura também era ótimo!”, comenta Maria Valdenice, para quem todo o esforço valeu a pena: “Hoje eu me sinto em liberdade, tudo está mais tranqüilo porque antes não conseguia assistir a um filme no cinema, não conseguia permanecer dentro de um supermercado, pois sempre tinha que sair dos ambientes para fumar”, diz satisfeita a ex-fumante.

A vida social de Maria Valdenice, bem como a dos seus companheiros de grupo, tem melhorado após procurarem o apoio do Programa de Abordagem e Tratamento ao Fumante do HU. “Ao parar de fumar, os pacientes se aproximam mais das pessoas, pois agora não têm vergonha do cheiro de cigarro que antes exalava pelos poros e que estava nos cabelos, no hálito. Não precisam mais se ausentar dos locais para fumar, com isto, tornam-se também mais produtivos no ambiente de trabalho, além de se sentirem mais dispostos para fazer atividades físicas e, assim, melhorar a aparência. Enfim, eles mencionam uma infinidade de benefícios”, ressalta a coordenadora do Programa.

Por Tiale Acrux

Fotografia: Arquivo – ASN (Agência Sergipe de Notícias)

Rádio UFS promete diferencial na programação

São 302 metros quadrados de área construída em quase seis meses, ao custo total de R$ 385 mil. Esses números se referem ao prédio da Rádio UFS, inaugurado no dia 28 de setembro. A solenidade contou com a presença do reitor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Josué Modesto dos Passos Subrinho, do secretário de Estado da Educação e ex-reitor da UFS, José Fernandes de Lima, além de professores, estudantes e funcionários da instituição.

Em seu discurso, o reitor da UFS disse que a inauguração da rádio significa a concretização de um sonho antigo dos administradores da instituição. Subrinho explicou também o importante papel que a emissora vai desempenhar junto aos cursos de Jornalismo, Rádio e TV e Artes Visuais. “Se a universidade tem um Departamento de Artes e Comunicação (DAC), não podemos nos dar ao luxo de dispensar o talento de seus professores e estudantes”, ressaltou.

O assessor de comunicação da UFS, professor Josenildo Guerra, destacou o significado da rádio para a melhoria das instalações do DAC. De acordo com o professor, a “estrutura laboratorial de excelente qualidade” vai permitir melhores condições de trabalho para os estudantes. Outro ponto citado por Guerra foi a possibilidade da participação mais ativa dos professores e estudantes do DAC na formulação das políticas institucionais de comunicação da universidade.

Programação

De acordo com a professora Juliana Correia, coordenadora de programação da Rádio UFS, ainda não existem definições acerca da autonomia dos estudantes de Comunicação Social na produção de programas para a emissora. Porém ela afirma que o projeto sempre foi planejado para ser uma oportunidade de atuação dos cursos de Jornalismo e Rádio e TV.

A previsão para que a Rádio UFS entre no ar é em janeiro de 2008. A primeira fase será experimental e deverá durar dois meses. Nesse momento a emissora irá apenas retransmitir o sinal gerado pela Rádiobrás enquanto a coordenação local elabora a programação.

Cultura, jornalismo, educação, entretenimento e prestação de serviços à comunidade em geral serão os focos da rádio, que será “mais um canal de comunicação entre a UFS e a sociedade”, define a coordenadora de programação. Juliana Correia explica que o objetivo é integrar e mobilizar todos os setores e departamentos da universidade para a divulgação do conhecimento produzido.

O professor Josenildo Guerra corrobora com a idéia. Para ele, o espaço da rádio será amplamente utilizado pela UFS. “A universidade vai prestar serviços à sociedade no mais alto padrão possível, oferecendo informação, cultura e entretenimento de qualidade”, completa.

A Rádio UFS poderá ser sintonizada por moradores de Aracaju e localidades vizinhas na FM 92,1. “A idéia é que, de segunda a sexta-feira, principalmente no período da manhã, a rádio tenha uma programação ao vivo bem significativa”, explica Juliana Correia.

Estrutura da Rádio

O espaço físico da rádio foi dividido em duas alas para atender às necessidades acadêmicas e administrativas da emissora. As instalações destinadas ao uso universitário têm um estúdio em formato de arena com capacidade para 25 pessoas, redação e sala de aula. Além disso, a Rádio possui dois estúdios, redação informatizada, salas de coordenação técnica e de programação.

Apesar de o prédio já ter sido inaugurado e a antena ter sido instalada, a aparelhagem dos estúdios ainda não está completa. Também será preciso contratar a empresa que ficará responsável pela montagem dos equipamentos, informou Josenildo Guerra.

Complexo de Comunicação

No discurso de inauguração do prédio da Rádio UFS, Guerra afirmou que a emissora é o primeiro prédio do futuro “Complexo de Comunicação” da universidade. O projeto de médio e longo prazo pressupõe a construção de um prédio administrativo, uma emissora de televisão e um pólo de produção digital. O Complexo será o setor para o qual todas as atividades de comunicação da universidade, inclusive aquelas vinculadas às atividades acadêmicas, poderão convergir, explicou o professor.

Por Carlos Lordelo
carloslordelo@gmail.com


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Rádio Nacional de Brasília

Plano de Expansão da UFS

Solenidade de inauguração da Rádio UFS


06 outubro, 2007

Professores da UFS votam contra indicativo de greve

Quatro votos de diferença. Foi com essa vantagem que o indicativo de greve foi desaprovado na última assembléia geral dos professores na quinta-feira, 4. Enquanto 31 professores se posicionaram a favor do sinal de paralisação para pressionar as negociações com o governo, 35 votaram contra. A plenária, que começou às dez horas da manhã no auditório do Colégio de Aplicação e se estendeu até o início da tarde, foi marcada por debates acalorados entre os quase 70 presentes. Os pontos principais da discussão foram a fragilidade da mobilização dos professores e, principalmente, o programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

Pouco antes do início da assembléia, a presidente da Associação de Docentes da UFS (Adufs), a professora aposentada Nélia Alves de Oliveira, declarou não acreditar em uma paralisação das atividades. A recente paralisação dos servidores técnico-administrativos foi um fator apontado pela presidente como enfraquecedor para uma greve dos professores neste momento. Mesmo com a plenária encerrada e o indicativo desaprovado, Nélia Alves ressaltou ter sido positivo o saldo da assembléia: “Hoje havia ainda mais professores do que da última vez, e já se percebe que o percentual de insatisfação com a atual conjuntura está crescendo”.

A principal questão em pauta foi o Reuni, programa do Governo Federal que, segundo a presidente da Adufs, tem mobilizado a categoria docente mais do que a própria questão salarial. Instituído em abril deste ano, o Reuni determina o repasse de recursos para instituições de ensino superior mediante o cumprimento de metas de crescimento, sendo estas: ampliação de 20% das vagas para alunos, taxa de conclusão de 90% e razão de 1 professor para cada 18 alunos. Os professores contrários ao Reuni na assembléia argumentaram que o programa implicará em mais trabalho para os docentes em troca de um investimento irrisório e proporcionará a sobrecarga do ensino em detrimento da pesquisa e da extensão.

A mobilização da categoria também foi assunto razoavelmente explorado na assembléia. Se por um lado era levantada a falta de comprometimento dos professores com o movimento sindical, por outro havia os que questionavam a própria forma como as greves são organizadas. O professor Adriano Antunes, do Departamento de Fisiologia, defendeu uma maior autonomia do movimento local através da desvinculação com forças nacionais: “Precisamos fugir desses movimentos nacionais. Esse modelo atual de greve não causa impacto social nenhum.Viram férias coletivas”, avalia. Pouco depois, o indicativo de greve foi posto em votação e desaprovado pela maioria.

Porém as discussões continuam. Durante a assembléia, os professores decidiram pela organização de um debate no próximo dia 10, quando serão feitos esclarecimentos sobre o Reuni e decidida a adesão ou não ao projeto. Também foi definido o agendamento de uma audiência pública com o reitor da UFS, Josué Modesto dos Passos Subrinho, sobre a situação da categoria.

Das 57 instituições mobilizadas no país, 25 determinaram indicativo de greve e três se opuseram. As demais ainda aguardam decisões de assembléias. A próxima assembléia geral dos professores da UFS está marcada para o dia 16 de outubro.


Por Igor Matheus


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20 agosto, 2007

Secretaria de Segurança Pública propõe três linhas de ação para o seu Planejamento Estratégico


O Planejamento Estratégico da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Sergipe foi lançado no mês passado. O projeto surgiu a partir de discussões, debates e planejamentos realizados entre várias instâncias da SSP, que durante os primeiros meses de 2007 definiram as principais ações do atual Governo, no que concerne às questões de segurança pública. As discussões sobre o Planejamento Estratégico da SSP basearam-se nas orientações da Secretaria de Planejamento para que as secretarias estaduais desenvolvam suas metas levando em consideração a integração entre planejamento, orçamento e gestão.



A SSP determinou, então, que o planejamento fosse dividido em três programas prioritários: Redução da Criminalidade, Descentralização das ações e Segurança Cidadã, que serão executados ao longo dos próximos quatro anos. Todas as ações da SSP deverão estar inseridas em um destes três programas. De acordo com o delegado Jefferson Pires, assessor da Superintendência da Polícia Civil, “Não existe uma quarta linha. Se nós fizermos um projeto, tem que estar alinhado aos demais. Todos os projetos precisam ser avaliados e alinhados aos três programas da SSP”.

Cada vertente do planejamento possui funções específicas. O projeto de Descentralização, por exemplo, procura levar as ações de Segurança Pública para o interior do Estado, de forma mais efetiva e sem sobrecarregar os órgãos. O projeto de Segurança Cidadã tem por objetivo aproximar as ações da SSP à população em geral. Por fim, o programa de Redução da Criminalidade, mais diretamente ligado às questões da violência, destina-se às ações concretas de combate ao crime e de redução dos índices de criminalidade. Segundo Pires, esses programas serão implementados de forma simultânea. Além disso, ele salienta a existência de 30 projetos específicos em andamento inseridos nestes programas.

Este é o caso, por exemplo, do plano de Gestão Integrada (Gisp) que está inserido no programa de Redução da Criminalidade, mas que tem ganhado prioridade devido ao fato de ser a base de toda a Segurança Pública. De acordo com o assessor da Superintendência da Polícia Civil, a Gestão Integrada é a coluna a partir da qual todos os outros projetos serão interligados. O Gisp deve receber investimentos até 2015 e envolve projetos na área de inteligência, gestão, capacitação, aumento do contingente, modernização tecnológica e comunicação. O foco do planejamento é a integração entre as polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e Polícia Técnica.

"Poucos Estados do Brasil têm um modelo de segurança semelhante ao que estamos querendo implantar aqui", disse o secretário de segurança pública do Estado Kércio Pinto, em apresentação do Planejamento Estratégico a oficiais da PM e a delegados da Polícia Civil. O secretário lembra que a inspiração do planejamento de segurança pública de Sergipe vem das experiências bem sucedidas das cidades de Bogotá (Colômbia), Nova Iorque (Estados Unidos), Diadema (São Paulo), entre outras. As ações elaboradas estão interligadas ao Plano Nacional de Segurança Pública, da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), o que facilita a captação de recursos do Governo Federal.

Dificuldades

Para o delegado Jefferson Pires, a grande barreira que deve ser suplantada pelo plano de Gestão Integrada em Segurança Pública diz respeito ao envolvimento de todos os agentes da SSP no processo. “Eles precisam se sentir seguros para se envolverem no projeto”, avalia. De acordo com Pires, a “Segurança Pública não é uma questão de investimento e sim de gestão”. As resistências internas precisam ser superadas e o clima organizacional precisa ser agradável para que os objetivos sejam alcançados. “Na Gestão Pública não se busca o lucro e por isso seu funcionamento é diferente do de uma empresa, demanda tempo”, finaliza Pires.

Por Valter Lima

17 agosto, 2007

Kátia Santana relata ao Contexto sua trajetória no jornalismo político em Sergipe

“Eu gosto de política, não de político”. Esse é o tom dado por Kátia Santana em entrevista ao Contexto Online. Em uma informal conversa nos bastidores do Jornal da Cidade, a jornalista fala sobre sua carreira, seu blog “Café com Política”, além do polêmico livro “Ecos da Política – uma retrospectiva histórica de 1982 a 2001”, lançado há seis anos e que dividiu a imprensa sergipana entre críticas e elogios.

Contexto - Quando você percebeu que tinha vocação para ser jornalista?

Kátia Santana - Na verdade eu sempre gostei de “me aparecer” (risos). Confesso que não sei exatamente quando surgiu o sonho de ser jornalista, mas desde pequena sabia que essa seria minha área. Cheguei a passar no vestibular para Serviço Social e Letras Português/Inglês, ambos na Universidade Federal de Sergipe (UFS), mas nem me matriculei. À época, a Federal não tinha o curso de Jornalismo, então eu estudei por conta própria e paguei a taxa de inscrição da Universidade Tiradentes (Unit), por meio de meu trabalho como auxiliar de consultório odontológico. Não me arrependo das escolhas que fiz. Respiro jornalismo e sou apaixonada pela profissão, tanto que estou nela há 11 anos.

Contexto – O que mais te chama atenção no jornalismo?

Kátia Santana - A capacidade de fazer a mediação entre fato e público. Confesso que tenho uma “tara” pela notícia, pela informação. O jornalista acaba sabendo mais, acaba construindo fontes que lhe dão certos privilégios da informação.

Contexto – Como surgiu a oportunidade de fazer jornalismo na área de política?

Kátia Santana – Eu entrei na área de política por acaso. Meu primeiro emprego como jornalista foi na editoria Geral do Diário de Aracaju, veículo que atualmente não existe mais. Sempre fui muito rebelde, muito ousada, havia problemas de não pagamento e por isso resolvi fazer greve. Acabei saindo de lá. Nesse período eu tinha feito uma entrevista com o então presidente da Câmara Legislativa, Sérgio Góis, ele gostou e me convidou para trabalhar como assessora lá do órgão. Foi quando o ex-diretor do Jornal da Cidade, José Araujo Santana, me chamou para trabalhar na área de política e eu topei o desafio. Fiquei por um tempo como editora, mas nem gostei muito: há muita cobrança, visto que a editoria de política é como se fosse a “menina dos olhos” de todo dono de jornal, mesmo se ele não for político. Enfim, me identifico muito com a área. É bom frisar, eu gosto de política e não de político.

Contexto - E como é fazer jornalismo político em Sergipe? Quais as dificuldades?

Kátia Santana - Eu não diria apenas em Sergipe, mas em qualquer parte deste país a grande dificuldade é a interferência. Infelizmente, manda quem tem dinheiro. Se você fere o brilho de quem quer que seja que tenha grana, certamente esse cidadão vai ligar para o dono do jornal e dizer: “olhe, ou você muda o tom de suas matérias ou não vou mais anunciar no seu jornal”. Outra coisa é quando o dono do jornal tem vários amigos políticos. Aí é o inferno, pois você tem que fazer a lista de amigos e inimigos do seu patrão. Essa coisa de liberdade de imprensa é falácia pura, pois ela vai até o dia em que o dono do jornal ache que ela valha a pena

Contexto – De onde partiu a idéia de criar um blog?

Kátia Santana - Eu sou muito inquieta, não gosto de ficar parada e nem consigo trabalhar apenas aqui no Jornal da Cidade. Quero viver a notícia 24 horas por dia. E daí veio a idéia de fazer um blog, um espaço onde posso divulgar notícias, inclusive aos sábados e domingos. Ele me traz dinheiro? Nem um centavo! Eu até pago para mantê-lo, mas é uma coisa que me dá prazer. Outro ponto é que o blog me obriga a estar por dentro de outros fatos. Não gosto de classificá-lo como sendo de política porque também publico materiais de outros assuntos.

Contexto – São poucos os comentários nas matérias presentes em seu blog. Você se sente desestimulada?

Kátia Santana - Absolutamente não. Na verdade, em minha casa eu tenho o sistema que verifica o número de acessos e sei que ele recebe visitas. Eu também recebo uma certa quantidade de e-mails. As pessoas sugerem pautas, denúncias, mandam até recados para os políticos. Quanto ao que o povo pensa e o porquê deles não comentarem publicamente, eu confesso que não sei a razão. Esse deve ser o perfil de todo brasileiro cuidadoso. É até bom que você publique isso, vai que alguém entra em contato comigo e me diz a resposta (risos).

Contexto – “Ecos da política – uma retrospectiva história de 1982 a 2001” foi um marco importante de sua carreira. O que ele representou para você na época em que foi escrito?

Kátia Santana - O livro representou minha inquietação e o fato de eu ter que ficar calada em certos momentos: ver as coisas e não poder publicá-las. Foi como uma espécie de válvula de escape, onde eu pude contar um pouquinho mais sobre aquilo que eu sabia – os bastidores. Sinceramente, eu nem considero a obra como um livro, mas sim uma grande reportagem, por meio da qual pude ouvir mais fontes, histórias, etc. Passei dois anos construindo o livro no maior sigilo do mundo, justamente para evitar as interferências. A obra também foi um misto de ousadia e coragem. Eu conto alguns segredos como o “acordão” de 1998 entre Jackson Barreto e a família Franco: desde a Champs-Élysées, em Paris até as reuniões na fazenda Caminho das Pedras, em Maruim. Conto também como se deu a entrada de Zé Dutra em Sergipe etc.

Contexto - Você foi acusada de cometer alguns erros em sua obra. Eles aconteceram?

Kátia Santana - Recebi muitas críticas, mas muitos elogios também. Adoro críticas construtivas porque elas me ajudam a crescer É verdade que eu errei. Foram erros de datas, por exemplo. O livro passou por várias e várias revisões e nessa fase ninguém os descobriu. Mas eu tenho clareza de tudo que está escrito lá. As fitas com os depoimentos e entrevistas estão guardadas para qualquer eventualidade.

Contexto – Sua carreira não foi prejudicada?

Kátia Santana – Pelo contrário. Ganhei mais visibilidade e a coisa da ousadia ficou muito patente. Confesso que no início tive um pouco de medo, mas esse sentimento não me fez mudar uma vírgula do que já tinha escrito. Dois dias depois da publicação do livro, o antigo dono do Jornal da Cidade e membro de uma das famílias citadas na obra, Antônio Carlos Franco, ligou para mim e me deu os parabéns.

Contexto – Quais conselhos você daria para quem quer trabalhar com jornalismo político?

Kátia Santana - Ter personalidade. E outra coisa mais importante ainda é manter uma distância com o entrevistado. Como? Negando tomar whisky na casa dos políticos ou comer churrasquinho com eles naquele sábado à tarde. Essa distância, não tenha dúvida, é essencial para que o jornalista sério não sofra mais interferências, além do normal, em seu trabalho.

Por Allan Nascimento

Blog Café com Política

Programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais promove Curso de História da Arte

O Itaú Cultural, com o objetivo de contribuir para a formação de profissionais, promove, de 22 a 24 de agosto, na Biblioteca Pública Epifânio Dória, em Aracaju, o curso de História da Arte, que aborda desde o movimento neoclássico até a arte contemporânea. A ação faz parte do programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais.

O evento conta com as participações de Jorge Coli, Stella Teixeira de Barros e Fernando Cocchiarale.

Local: Auditório da Biblioteca Pública Epifânio Dória
Rua Dr. Leonardo Leite, s/n.


Telefone de contato: (79) 3179 1907/1935.

Para mais informações sobre o programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais acesse o site:
Itaú Cultural

19 julho, 2007

Sistema de bilhetagem eletrônica chega a Aracaju

Desde o dia 18 de junho, usuários do transporte público começaram a entrar em contato com o sistema de bilhetagem eletrônica que está em processo de implantação na grande Aracaju. A fase de teste do sistema teve início com a instalação da validadora, aparelho responsável pela administração dos cartões eletrônicos que irão substituir o uso de vales-transporte, passes-escolares e até mesmo de dinheiro nos transportes coletivos.

“Minha surpresa foi grande ao ver o aparelhinho no ônibus. Fiquei intrigado e questionei o cobrador sobre para qual finalidade ele se destinava”, comentou o usuário Geraldo Luis dos Santos. Assim como Santos, ainda são muitas as pessoas que desconhecem a implantação do sistema. Por isso, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) e a Prefeitura, têm feito um trabalho de divulgação e esclarecimento junto à comunidade sobre o novo sistema.

Representantes do Setransp permaneceram durante duas semanas no Shopping Jardins para esclarecer dúvidas e explicar às pessoas todos os detalhes da bilhetagem eletrônica. Para a funcionária do Setransp, Danilella da Gama, a experiência foi bastante positiva. “Algumas pessoas já conheciam o sistema de outros estados, contudo ainda há muitos que desconhecem e que passam pelo nosso stand sem qualquer curiosidade”, comenta a funcionária.

Paralelamente a essas atividades, foram distribuídas cartilhas explicativas e afixados cartazes nos terminais de integração e nos ônibus. Entretanto, ainda há dúvidas mesmo entre os funcionários do transporte público. Segundo o cobrador Marcos Aurélio Soares, a bilhetagem eletrônica ainda gera confusão. E, apesar de ter participado de palestras e demonstrações, o cobrador considera que o treinamento foi insuficiente.

Implantação do sistema

O lançamento do projeto, no dia 13 de junho, foi marcado pela assinatura de um decreto do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PCdoB), que, entre outras disposições, proíbe que as empresas de transporte demitam cobradores. Para o prefeito, o sistema trará mais agilidade, conforto e segurança aos passageiros, motoristas e cobradores. Na ocasião, Nogueira também anunciou o projeto de instalação de aparelhos do Sistema de Posicionamento Global (GPS), que permitirá que os ônibus sejam monitorados pelos agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT).

Os investimentos em equipamentos estão orçados em R$ 6 milhões e os custos de sua implantação ficarão a cargo das empresas de ônibus. O sistema de bilhetagem será operado pela Setransp e a SMTT ficará responsável pela fiscalização.

Com a implantação da bilhetagem eletrônica, Aracaju será uma das muitas cidades brasileiras que utilizam o sistema, a exemplo da cidade de São José do Rio Preto, localizada no estado de São Paulo. Para José Orlando dos Anjos, morador da cidade, a experiência tem sido positiva. “Sinto que o sistema melhorou em 90% o transporte público. Faz tempo que não ouço falar em assaltos nos ônibus. Além disso, o sistema também impediu o comércio paralelo de venda de passes e vales”, avalia dos Anjos.

Distribuição dos “Cartões”

O sistema de bilhetagem eletrônica funcionará com sete diferentes tipos de cartões [ver gráfico abaixo]. Segundo a Assessoria de Comunicação da Setransp, a distribuição desses cartões será feita de forma gradativa. Assim que o sistema for totalmente implantado, a Setransp divulgará as informações para o recebimento dos cartões. Estima-se que até o final do mês de julho os cartões funcionais já tenham sido entregues aos funcionários do transporte público. Logo em seguida, a partir do dia 13 agosto, será a vez de os estudantes receberem os cartões escolares. Os demais cartões serão distribuídos até o final do ano.

O procedimento nos ônibus será simples. O usuário deverá posicionar seu cartão em frente à máquina validadora, localizada ao lado da catraca, e aguardar a liberação da passagem pelo cobrador.

Tipos de cartões do sistema de bilheteria eletrônica



Meia–passagem para estudantes

Outra mudança no sistema de transporte público de Aracaju diz respeito à utilização da meia-passagem aos domingos e feriados pelos estudantes. A novidade passa a vigorar a partir de 11 de agosto, quando é comemorado o Dia do Estudante, mediante a utilização do cartão escolar.

O presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFS, Mike Lopes, acha a medida positiva, mas vê a novidade com certa desconfiança. E apesar de reconhecer a existência de um avanço, na opinião dele, a utilização do sistema ainda não está tão clara, uma vez que há muitas outras vantagens que os estudantes necessitam.

Por Tais Olivia
tasluas@gmail.com

Fotografia: Tais Olivia/Blog do Contexto

Para mais informações, acesse:
Setransp

13 julho, 2007

Le Parkour: atividade física que estimula a liberdade de movimentos e a auto-superação


À primeira vista, parece tratar-se de um grupo de jovens em fuga. Mas ao olharmos com mais atenção e ao observarmos suas fisionomias e a naturalidade com que se movem o primeiro estranhamento se esvai e percebemos que estamos diante de uma atividade esportiva pouco convencional. O estranhamento e a surpresa são reações comuns entre os desavisados que se deparam pela primeira vez com praticantes do Le Parkour, uma atividade física criada recentemente e que começa a ganhar espaço no mundo dos esportes radicais.

Também chamado de "art du déplacement" (em português, arte do deslocamento) ou simplesmente de parkour (abreviado como PK), o le parkour é uma modalidade na qual o praticante define um percurso e tem o objetivo de vencer os obstáculos à sua frente. O percurso delimitado é conhecido como “Run” e para “vencê-lo” é necessário utilizar ao máximo a desenvoltura do corpo humano, muitas vezes ultrapassando limites pessoais. Os adeptos são chamados de traceurs (no feminino, traceuse), palavra derivada do verbo francês "tracer" e que significa "indo rápido".

Conforme a descrição presente no site da Associação Brasileira de Parkour (ABPK), a atividade “consiste em uma pessoa correndo de alguém ou algo, sem que nenhum obstáculo possa pará-la. Além de passar os obstáculos, ela deve executar os movimentos da forma mais natural possível, usando-os como se fosse parte do seu corpo”. Daí a primeira impressão de fuga ser a mais comum.

Particularidades

Para iniciar nessa atividade, além da vontade e disposição para aprender, basta ao interessado calçar um tênis, vestir roupas leves e procurar orientações com alguém que já treine. Uma recomendação importante dos veteranos diz respeito a ter um bom preparo físico, já que o corpo acaba sendo bastante exigido nos treinamentos.

Para o vice-presidente e fundador da ABPK, Alberto Brandão, 22 anos, o diferencial do parkour em relação aos esportes mais difundidos está na liberdade que o praticante tem de treinar quando quiser, na hora que quiser e com a roupa que tiver. Segundo ele, o foco da modalidade está direcionado para o desenvolvimento pessoal, para a facilidade de sua prática (em qualquer lugar) e para o baixo custo, uma vez que não exige equipamentos específicos.

Característica ainda mais peculiar ao parkour é que a atividade não estimula competições. “Os obstáculos a serem vencidos residem dentro de cada traceur”, destaca o praticante Eduardo Rodrigo Oliveira Rocha, 21 anos, aluno do curso de Letras Inglês da Universidade Federal de Sergipe (UFS), revelando o lado filosófico do PK. De acordo com os traceurs, o atleta compete apenas contra si mesmo, pois é dessa forma ele aprenderá a interagir com o ambiente e a tornar-se livre.

Devido ao grau de dificuldade e ao perigo apresentado por alguns dos movimentos propostos pela atividade, é inevitável que alguns praticantes tenham o receio de sofrer acidentes que ocasionem lesões ou ferimentos. A recomendação nesse sentido é para que o praticante tenha consciência de seus limites e busque adquirir confiança no corpo e na mente antes de executar determinadas manobras. O parkour tem por objetivo o “controle corporal”. Por isso a ocorrência de lesões ou acidentes é um indicativo de que algo está errado, ressalta Rocha.


Origem

Estima-se que o Parkour tenha surgido na década de 1980, na França, baseado em um treinamento militar desenvolvido pelos franceses que atuaram na Guerra do Vietnam. O treinamento é conhecido como “parcours du combattant” ou, em português, “percurso de obstáculo”. O francês David Belle, reconhecido mundialmente como o criador da atividade, inspirou-se nas técnicas ensinadas por seu pai, o ex-combatente no Vietnam Raymond Belle. A partir daí ele dedicou sua vida a aprimorar a nova arte física e a torná-la conhecida.

A princípio Belle difundiu sua idéia entre amigos e conhecidos. Em seguida, pouco a pouco, ele conseguiu reunir um grande número de adeptos e com isso, atraiu a mídia. Belle então atingiu seu objetivo de difundir a modalidade ao aparecer em diversas reportagens. Mais recentemente, o criador do Le Parkour produziu e protagonizou o filme de ação B13 – 13º Distrito, onde ele aparece em várias cenas executando movimentos do le parkour. A película teve repercussão mundial e se tornou mais uma frente significativa de propagação do parkour.

Parkour no Brasil

Segundo Alberto Brandão, vice-presidente e fundador da ABPK, não há uma pessoa ou grupo que possa ser reconhecido como o primeiro a ter trazido o parkour para o Brasil. “Foram várias pessoas de várias cidades que começaram a praticar na mesma época” afirma Brandão, que é administrador de redes e pratica o esporte há três anos e meio. O que se sabe é que a história da modalidade no Brasil teve início por volta de fevereiro de 2004.

Parkour em Sergipe

No estado de Sergipe, o parkour é praticado desde o começo de 2006. O esporte vem numa crescente sobretudo em Aracaju, onde, de acordo com os traceurs locais, mais de 300 pessoas aderiram à modalidade. Os treinos não têm um lugar fixo, o mais comum é eles serem acertados por meio de diálogos ou postagens na comunidade “Le Parkour Aracaju”, no Orkut.

Por Hádam Lima

Fotografia: Saut de Detente. ABPK.


Para mais informações, acesse:

Associação Brasileira de Parkour

Comunidade no Orkut Le Parkour Brasil

Comunidade no Orkut Le Parkour Aracaju

05 julho, 2007

Estudantes e Reitoria mantêm diálogo sobre a paralisação


Frente às dificuldades de continuação das aulas por conta da greve dos servidores e devido a insatisfações com o Plano de Expansão da UFS, proposto há três anos e que vem sendo executado desde 2005, os estudantes do campus de São Cristóvão realizaram, no dia 13 de junho, uma assembléia em que a maioria dos estudantes presentes, cerca de 1700, votou a favor da paralisação estudantil.

Com o intuito de apontar suas justificativas para a paralização e a posição dos estudantes em relação ao Plano de Expansão da UFS, a Frente de Paralisação enviou uma carta-proposta ao reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho no dia 20 de junho. E no dia 22 de junho divulgou-se a carta-resposta formulada pelo reitor.

O diálogo entre estudantes e Reitoria não cessou após as comunicações escritas. Segundo Thiago Menezes Santana, estudante de Direito e membro da Frente de Paralisação, a carta escrita pelo reitor não contém respostas a alguns pontos importantes presentes na carta-proposta dos estudantes. Por isso, após a divulgação da carta-resposta, já ocorreram e estão previstos diálogos e reuniões presenciais a fim de se chegar a um consenso. Santana afirma que estão previstas manifestações dentro e fora do campus de São Cristóvão.

Já o universitário Thiago Leite Batista reconhece o contexto político em que a paralisação está inserida, mas discorda da forma como foi deferida. “A paralisação se deu com apenas duas plenárias e apenas 1200 votos a favor. A forma como fazem as manifestações demonstram certa despolitização e uma centralização das discussões por parte dos integrantes do DCE”, contesta Batista.

O estudante Plínio Barboza Cunha, que cursa o 3º período de Licenciatura em Física, acha a paralisação uma utopia. “O reitor não atenderá nem metade das exigências e muita gente parou por causa das festas juninas”. Ele acha que realmente seria bom o cumprimento das propostas, porém não acredita que isso ocorrerá.


Carta-proposta dos estudantes

Na carta enviada pela Frente de Paralisação, intitulada Carta-proposta das Pautas Reivindicadas pela Frente, os estudantes, que fazem parte do movimento, explicam os motivos da paralisação e seus intuitos. No documento, também estão agrupadas as pautas da paralisação, sistematizadas em Pautas Locais e Pautas Nacionais.

Entre as Pautas Locais, encontram-se problemas e propostas apontados pela Frente sobre setores da UFS. Hospital Universitário (HU), Assistência Estudantil, Reforma e Expansão, Pesquisa e Extensão compõem o eixo das Pautas Locais.

Entre as críticas, está a transformação do HU em Fundação Estatal de Direito Privado. No âmbito da Assistência Estudantil, a carta afirma que as Bolsas de Trabalho para estudantes residentes não contribuem para a formação acadêmica. O documento apresenta ainda críticas e propostas de soluções em relação ao acervo da Biblioteca Central (Bicen), ao Programa de Residência, ao Restaurante Universitário (Resun), às taxas cobradas por alguns serviços, ao número insuficiente de ônibus para os campi da UFS e à falta de postos de saúde no campus de São Cristóvão.

Sobre a Reforma e Expansão da UFS, a carta detalha os problemas enfrentados por estudantes dos campi dos municípios de Laranjeiras e Itabaiana. Além disso, o texto traz críticas ao modelo da Universidade Aberta por não estimular o tripé básico da universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão. Propõe ainda outras reformas no patrimônio físico da instituição, além das executadas nas didáticas.

Quanto à Pesquisa e Extensão, os estudantes reclamam da falta de transparência na distribuição de Bolsas de Iniciação Científica, Extensão, Estágio e Monitoria. Para tornar mais clara a escolha de projetos e bolsistas, a Frente de Paralisação sugere a criação de Conselhos com a participação paritária dos estudantes.

Já no tocante às Pautas Nacionais, a principal crítica gerada pela Frente de Paralisação refere-se à percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro destinada à educação, que é 4%. Fração estagnada, segundo a carta. Para a Frente, é necessário que haja um aumento no financiamento da educação para 10% do PIB.

Carta-resposta do reitor

“Não estou lastreado apenas em opinião pessoal, mas em um programa legitimado pela maioria da comunidade acadêmica, repito, nos três segmentos da nossa comunidade”. Tais palavras estão contidas na carta-resposta do reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho intitulada Resposta aos Questionamentos dos Estudantes. No início da carta o reitor detalha seu histórico acadêmico mostrando aos estudantes que ele próprio já fez parte de movimentos em prol dos direitos estudantis. A seguir, ele responde às considerações da carta proposta.

Em resposta às Pautas Locais, Subrinho enumera 18 inovações feitas no Hospital Universitário durante sua gestão, e ainda expõe a oposição da administração a qualquer forma de financiamento que implique a venda de serviços assistenciais. Quanto à Bicen, demonstra os investimentos alocados na ampliação do acervo. E, sobre a proposta de criação de um Conselho para Bolsas de Extensão e Estágio, salienta que “a participação dos estudantes nas atividades de extensão é consolidada pela prática do diálogo com os segmentos envolvidos nas ações de extensão”.

Para as críticas e sugestões a respeito da Assistência Estudantil, o reitor explica que há espaço para diálogo com os órgãos representantes. Sobre este assunto, ele demonstra a importância que sua gestão tem dado à inclusão social, inclusive mostrando o resultado positivo da Bolsa de Trabalho e do Programa de Residência. Quanto ao Resun, Subrinho informa que sua ampliação já vem sendo discutida com as representações dos estudantes, docentes e técnicos administrativos desde o final de 2006 e que o projeto resultante dessas discussões já foi encaminhado para abertura de licitação. Ainda sobre esse tópico, o reitor divulga a participação dos professores e estudantes do curso de Engenharia de Alimentos na orientação e elaboração de trabalhos de final de curso sobre o RESUN e da possibilidade deste atuar, futuramente, como um campo de atuação para os estudantes do curso de Nutrição.

Sobre o campus de Laranjeiras, Josué Subrinho salienta que é conhecedor dos problemas e que está viabilizando as soluções. O reitor informa que as bolsas de extensão solicitadas pela Frente de Paralisação já fazem parte da realidade do campus, pois são distribuídas entre os campi da UFS. Quanto ao campus de Itabaiana, a carta traz um relato sobre suas atuais condições de infra-estrutura e atividades de ensino, pesquisa e extensão entre as quais salienta-se a configuração de um corpo docente efetivo de 30 professores composto, em sua maioria, por doutores e a autorização para a realização de concurso para a contratação de mais 30 professores.

No que diz respeito às críticas feitas pela Frente de Paralisação ao Programa Universidade Aberta (UAB), Subrinho explica o que é o programa e como está ocorrendo sua implementação. Ele acrescenta que este é um projeto e, por isso, ainda passível de aprimoramentos. Para isso, ele esclarece ser essencial as discussões com a comunidade acadêmica no sentido de aprimorá-lo, ao tempo que salienta o comprometimento dos atores envolvidos na implantação da UAB em resolver eventuais falhas do projeto e em disponibilizar aos sergipanos serviços com qualidade compatível aos ofertados pelos cursos do campus de São Cristóvão.

Quanto à falta de transparência sobre os critérios de seleção de projetos e de bolsistas de Iniciação Científica (PIBIC), criticada pelos estudantes, o reitor reitera que o edital de seleção é bastante claro e que o mesmo segue rigorosamente as normas do CNPq.

Sobre as Pautas Nacionais, Subrinho apóia a preocupação dos estudantes da UFS quanto ao financiamento da educação e aos recursos destinados ao custeio da universidade. Mas reitera que estas questões transcendem o âmbito das responsabilidades específicas da Universidade Federal de Sergipe, recomendando, por isso, prudência na vinculação da paralisação a essas questões, até para que não haja comprometimento de outros aspectos da qualidade de ensino, tão prezada no documento citado e em outras manifestações do movimento estudantil.


Por Adrine Cabral
adrine.cabral@gmail.com

Fotografia: Taís Olivia/Blog do Contexto

Para mais informações, acesse:

Carta-proposta das Pautas Reivindicadas pela Frente de Paralisação

Carta-resposta do reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho

Plano de Expansão da UFS

03 julho, 2007

Projeto pretende modernizar Aeroporto Santa Maria

Gestores da Empresa de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), em conjunto com o Governo Federal, Estadual e Municipal, discutem um projeto de reformas que visam modernizar o aeroporto de Aracaju. Em pauta, estão sendo discutidas desde melhorias na estrutura física do local até sua possível internacionalização. O início dos trabalhos depende de aprovação na presidência da Infraero, que pretende lançar processo licitatório em breve.

Quinta-feira, dia 21 de junho, os passageiros de um vôo com origem em São Paulo desembarcavam na capital sergipana, às 2h30 da madrugada. Chovia forte em Aracaju e nem os guarda-chuvas evitaram que algumas pessoas se molhassem. A turismóloga Gláucia José Mota Santos diz que já passou por um constrangimento semelhante. “Seria bom que houvesse aquelas passarelas. Você sai direto do avião e ainda se protege”, diz Santos.

As passarelas às quais a turismóloga se refere são as ‘pontes’, estruturas que fazem a ligação dos portões de embarque e desembarque com as entradas das aeronaves. O projeto da Infraero prevê a instalação de duas delas no Aeroporto Santa Maria. Trata-se de uma comodidade já presente em vários terminais aeroportuários do Brasil.

Reformas

Para a implantação das ‘pontes’, serão necessárias algumas mudanças na logística do aeroporto. Nesse contexto, e com a modernização do terminal, o setor de embarque será deslocado para a parte superior do prédio. Segundo dados do Tribunal de contas da união (TCU), serão gastos em torno de R$ 600 mil em cada uma das pontes.

Outras mudanças também estão previstas no projeto de modernização, como a climatização total e mudança da fachada exterior. “Atualmente, apenas os terminais de embarque e desembarque são climatizados, além da parte onde fica o mirante e a praça de alimentação. Pretendemos fazer de todo o aeroporto de Aracaju um ambiente aconchegante e agradável” explica o coordenador de Comunicação Social da Infraero em Sergipe, Keldo Gabriel Campos.

Concebido para ser um terminal internacional, o aeroporto Santa Maria não recebe vôos estrangeiros. Apenas a empresa argentina Pluna chegou a operar por um certo tempo. “Contratamos uma empresa de consultoria e eles estão estudando as potencialidades da nossa pista, que tem 2200 metros. Em cerca de 60 dias saberemos quais aeronaves poderão desembarcar aqui. Aí então o aeroporto será internacional de fato”, comenta Campos.

Abrangência

Além de melhorias no que concerne à comodidade, o projeto de modernização do aeroporto Santa Maria pretende repercutir na economia e turismo local. Quanto ao impacto econômico, o secretario de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado (Sedetec), Jorge Santana, vê com otimismo a internacionalização do terminal.

Conforme Santana, “O maior impacto econômico deverá ocorrer a partir do momento em que o aeroporto puder receber vôos internacionais sem escalas, condição indispensável para a implantação de empreendimentos turísticos voltados para estrangeiros”.

O secretário ainda informa que Governo do Estado está demandando ampliação e reforço no pavimento do pátio e pista do aeroporto. “Dessa forma, será permitido pousos e decolagens de aeronaves operando vôos transcontinentais”, pontua Jorge Santana.

Segundo José Roberto Andrade, secretário adjunto de Turismo do Estado (Setur), “as reformas do aeroporto são necessárias para este novo padrão de demanda. É importante destacar que estamos no meio de dois pólos do turismo – Bahia e Pernambuco – e a reforma do aeroporto, com a internacionalização, é ponto favorável para que o mundo conheça Sergipe”.

Aeroporto Santa Maria



Por Allan Nascimento

Fotografia: Maquete do Aeroporto Santa Maria
Vídeo: Allan Nascimento/Blog do Contexto

28 junho, 2007

O desafio das mães modernas


Há muito foi-se o tempo em que as mulheres só cumpriam tarefas domésticas. A dupla jornada de trabalho feminina, que consiste em cuidar da casa e do trabalho satisfatoriamente, fortaleceu-se a partir da segunda metade do século XVIII, época da Revolução Industrial. Mulheres trabalhavam diariamente nas grandes fábricas por 12, 13, até 18 horas para ajudar nas despesas domésticas. O resto do dia era dedicado à educação dos filhos e ao descanso. O industrialismo e a evolução do modo de produção capitalista, que marcaram o início dos tempos modernos, atuaram de forma significativa nos processos econômicos, culturais e sociais que impulsionaram o surgimento das chamadas mães modernas.

A socióloga e especialista em relações conjugais Christine Jacquet afirma que, hoje em dia, existe igualdade entre homens e mulheres no que se refere aos valores familiares. Porém, quando as práticas são analisadas dentro de uma relação familiar, percebe-se que somente as mulheres desempenham uma dupla jornada de trabalho. São raros os casos em que há uma divisão igualitária de tarefas domésticas entre os sexos.

Trabalho X Maternidade

A técnica social da Caixa Econômica Federal (CEF) Maria Adelaide dos Santos é mãe solteira de duas meninas: Eveline (21) e Victória (11). Logo após a graduação em Serviço Social, ela passou num concurso da CEF e foi transferida para o interior de Sergipe, onde engravidou de sua primeira filha. “Eu vivia para trabalhar, cuidar da casa e da criança”, lembra.

Alguns anos se passaram e Santos decidiu retornar a Aracaju e, por causa disso, teve seu salário reduzido. Na capital sergipana, ela engravidou de sua segunda filha. Porém, dessa vez, a técnica teria a presença constante da mãe para ajudar na criação das duas meninas. “Foi uma dificuldade muito grande, mas não tenho certeza se teria sido diferente se eu ficasse em casa o tempo todo”, declara Santos. De acordo com ela, o fato de ser mãe solteira não teve influência negativa na criação das filhas, principalmente pelo fato de possuir uma renda razoável para mantê-las sem maiores privações.

Para a professora de português Cláudia Fumie, casada há 13 anos e mãe de Luísa (4), as dificuldades não foram muito diferentes. Ela e o marido decidiram ter um filho somente após terem completado nove anos de casamento. Antes disso, eles não se consideravam estabilizados financeiramente para enfrentar o desafio de se tornarem pais.

Luísa nasceu e Fumie decidiu acompanhar de perto o crescimento da filha. “Eu optei por um salário bem menor para poder ficar com Luísa, em vez de continuar dando aulas em todos os turnos”, justifica a professora. Ela considera uma vantagem significativa o fato de ter o companheiro em casa, já que os dois compartilham as tarefas domésticas e dividem a responsabilidade de cuidar de Luísa.

Vantagens e desvantagens de ser uma “mothern”

As chamadas “motherns” (trocadilho em inglês que mescla as palavras “mother” – mãe – e “modern” - moderna) têm o desafio de conciliar trabalho, família e diversão. Segundo a psicóloga e doutora em psicossociologia Elza Francisca Corrêa, uma das vantagens mais significativas de ser uma mãe moderna é o fato de que os filhos tendem a alcançar a independência de maneira mais rápida. Isso acontece porque as mães não ficam o dia inteiro monitorando o que eles fazem. A psicóloga argumenta ser desafiante para uma criança ter pai e mãe trabalhando fora de casa. Os filhos passam a resolver e solucionar determinados problemas sem a ajuda dos pais, o que pode proporcionar um maior desenvolvimento intelectual nessas crianças.

Uma desvantagem muito discutida pela sociedade é a suposta fragmentação da família. Corrêa questiona esse conceito. Segundo suas palavras, “a família não está se fragmentando, ela está se reorganizando em outros termos”. A especialista observa que o maior obstáculo para as mulheres modernas é a obrigação de dar conta do trabalho e da família com êxito. Ela acrescenta que, mesmo casada, é mais comum as mulheres realizarem maior quantidade de tarefas domésticas que seus companheiros. Além disso, o fato de ter que cumprir uma dupla jornada de trabalho desencadeia elevado desgaste emocional e físico.

Por Díjna Torres
Para mais informações, acesse:

Blog de duas “motherns”, que deu origem a um programa de TV e dois livros.

Imagem: Reprodução da capa do livro Mothern - Manual da Mãe Moderna. Matrix Editora