18 junho, 2007

Estudantes da UFS decidem paralisar suas atividades

Os estudantes do campus de São Cristóvão da Universidade Federal de Sergipe decidiram pela paralisação de suas atividades na quinta-feira, 14 de junho de 2007. A decisão foi tomada depois de duas assembléias, organizadas pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), que contou com a presença de mais de 1700 alunos. Nos encontros, os estudantes puderam explanar seus argumentos a favor e contra a greve dos servidores e ainda discutir pautas próprias de reivindicações. A decisão pela paralisação foi tomada por meio de votação, em que se contabilizaram 1112 votos a favor, 512 contra e 91 favoráveis apenas a uma mobilização.

O principal motivo para os alunos se mobilizarem foi a interrupção de diversos serviços da instituição em decorrência da greve dos servidores técnico-administrativos, iniciada em 28 de maio de 2007. Desde então, os estudantes estão sendo prejudicados com a suspensão de serviços essenciais, como os oferecidos pela Biblioteca Central (Bicen), pelo Restaurante Universitário (Resun) e pelos laboratórios.

“A posição do DCE é de compreensão em relação aos servidores. Entendemos que a greve deles tem um pano de fundo muito maior do que puramente a questão salarial”, esclarece o secretário geral do diretório, Danilo de Santana. Na avaliação dele, a greve dos servidores é uma ação justa e importante porque abrange uma série de pautas que não envolve tão somente o servidor, mas os professores, alunos e a sociedade como todo.

Segundo a estudante de Farmácia, Diana Graziele dos Santos, a greve serve como instrumento de mobilização e de luta por uma maior qualidade de ensino na universidade. Para Diana, o pensamento de que a greve atrapalha a formação acadêmica é extremamente limitado e individualista. Entretanto, para Magson Melo, estudante do curso de Direito, a atual conjuntura não propicia uma greve de estudantes. Melo aponta que os maiores prejudicados serão os próprios alunos. “Talvez pela imaturidade muitos acabam por não perceber as graves conseqüências que a greve traz, e se tornam massa de manobra de servidores e professores que não se importam com os dilemas que os estudantes enfrentam no cotidiano acadêmico”, avalia o estudante.

Serviços paralisados

No dia 29 de maio, o reitor da UFS, Josué Modesto dos Passos Sobrinho, enviou um ofício ao Sindicato dos Trabalhadores da UFS (Sintufs), requerendo a manutenção dos serviços essenciais para a instituição. No documento, o reitor solicitou que a categoria adotasse um posicionamento diferente frente às atividades do Hospital Universitário (HU), do Restaurante Universitário (Resun) e da Biblioteca Central (Bicen). No entanto, o comando de greve, que avaliou o ofício como um instrumento de pressão do reitor sobre o movimento grevista, manteve o funcionamento de apenas 30% do Hospital Universitário e a paralisação dos outros setores.

Sobre o assunto, o reitor salienta a preocupação para com a situação dos estudantes, sobretudo a dos carentes, que não possuem alternativas, e que dependem dos serviços essenciais. “Não estou querendo pressionar o movimento grevista, reconheço a legitimidade, a autonomia e a independência dos organismos sindicais. A questão é saber qual o limite disso. Se ele não compromete os direitos individuais e coletivos”, avalia Modesto.

O servidor técnico-administrativo, Luís Roberto dos Santos Perreira, apesar de manter receios em relação à greve, entende que a categoria deve mobilizar-se. “Eu particularmente não tenho acompanhado as assembléias. Contudo, no meu setor, estamos respeitando a paralisação. O que temos feito é apenas a limpeza e a manutenção de alguns serviços internos, mas que não interferem no nosso direito de paralisação, já que não estamos desempenhando qualquer serviço externo”, explica o técnico.

Os servidores

A greve realizada pelos mais de 1500 servidores da UFS não é uma manifestação isolada. Ela está inserida dentro de um movimento nacional formado por mais de 40 universidades federais, lideradas pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra).

De acordo com Josailton Nery, Presidente do Sintufs, a pauta de reivindicações é: a implantação do plano de carreira dos servidores; a defesa de mais verbas para a educação e a saúde; a defesa dos HUs públicos; a definição de uma política salarial com negociação coletiva e a retirada do Projeto de Lei Complementar 01/2007, incluído no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), que limita despesas de pessoal. Além disso, os servidores reivindicam a garantia de recursos para o Plano de Assistência à Saúde dos servidores; o aprimoramento, evolução e consolidação da carreira instituída pela Lei 11.091; a defesa do direito de greve contra as restrições ao seu exercício e a manutenção do veto à emenda 03.

Os professores

Até o momento, não há indicativo de greve dos professores da UFS. Segundo a presidente em exercício da Associação dos Docentes da UFS (Adufs), Nélia Oliveira, a categoria está aguardando o posicionamento do sindicato nacional, que começa a discutir e negociar com o governo federal suas reivindicações.

Oliveira relata que o foco da campanha é a questão salarial: “estamos caminhando para mais de um ano sem reajuste. Temos professores substitutos com nível de graduação que ganham menos que um servidor de nível médio. Isso tem se perpetuado, e não estamos mais concordando com isso”. A presidente em exercício explica ainda que, nesse momento, há uma necessidade de que a campanha salarial envolva o plano de carreira para o magistério superior.

Por Taís Olivia
tasluas@yahoo.com.br

Fotografia: Taís Olivia/Blog do Contexto

Para mais informações, acesse:

Pac

Fasubra

Adufs

4 comentários:

Anônimo disse...

Muito boa a decisão de vcs em publicar o que se passa na Greve! Sentimos necessidade de nos informar mais a respeito, mas os jornais não trazem nada sobre. Nós, estudantes que não fazem parte do movimento grevista, ficamos sem saber o que se passa. Continuem assim!

Anônimo disse...

Reportagem e foto ótimos!!! Mas quem é o autor da foto?! É de algum jornal?

Anônimo disse...

oxe... o autor da foto está discriminado abaixo...eh da mesma pessoa q fez a matería...

muito legal a matéria...boa mesmo

e extemamente informativa e abrangente

continue nos informando sobre o q se passa na ufs

Díjna disse...

Adorei sua matéria Taís, acho que é muito importante na atual conjuntura da UFS,que sejam publicadas matérias como essa. Parabéns