18 dezembro, 2006

A luta contra a AIDS em Sergipe

Lançada no Dia Mundial de Luta Contra a Aids (1º de dezembro), a campanha “A vida é mais forte que a Aids” tem como objetivo principal combater o preconceito e a discriminação sofridos pelos portadores da doença. O coordenador estadual de DST/Aids de Sergipe, Dr. Almir Santana, chama a atenção para o fato desta ser “a primeira campanha a mostrar a face das pessoas com Aids”.

Recentemente, foi divulgado o Boletim Epidemiológico 2006 pelo ministro da Saúde, Agenor Álvares. Os dados mostram que, no Brasil, já foram identificados cerca de 443 mil casos de Aids, de 1980 a junho deste ano. O mesmo boletim registra uma queda acentuada do número de casos de transmissão vertical, quando o vírus passa da mãe para o filho, seja na gestação, no parto ou na amamentação. Neste caso, houve uma redução de 51,5% entre 1996 e 2005.

Atualmente, estima-se que 600 mil brasileiros sejam portadores do HIV ou que já tenham desenvolvido a Aids. No estado de Sergipe, existem 1.486 casos notificados de portadores do vírus, mas a previsão é a de que esse número chegue a oito mil pessoas, segundo Almir Santana. “A pessoa com Aids em Sergipe é, geralmente, pobre, com nível de escolaridade baixo, principalmente do interior do estado, entre a faixa etária de 20 a 40 anos, casado”, completa o coordenador.

Teste

Os testes para a detecção do vírus HIV são gratuitos e realizados de forma anônima nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) da rede pública. Almir Santana afirma que “a população que esteja em situação de risco precisa fazer o exame”. As principais situações de risco são: a relação sexual sem o uso de preservativos e o compartilhamento de seringas e agulhas.

O Centro de Especialidades Médicas de Aracaju (Cemar) é o principal ponto de testagem e tratamento dos portadores do vírus HIV no estado de Sergipe. O Setor de Atendimento Especializado (SAE) é o responsável pelos pacientes encaminhados para o tratamento das DST/Aids. Segundo a enfermeira Kátia Valença, o SAE conta com assistente social, enfermeiros, psicólogos, infectologistas, urologista e ginecologista. O atendimento é diário, nos dois turnos.

Tratamento

Caso o resultado dos testes seja positivo, outros exames serão feitos para detectar a carga viral e a quantidade de anticorpos presentes no organismo da pessoa. A partir daí, ela será encaminhada para o Cemar, onde terá acesso aos medicamentos para manter a carga viral baixa.

A Lei de novembro de 1996, promulgada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), declara a obrigatoriedade do acesso gratuito a todos os que necessitarem de medicamentos anti-retrovirais, que atualmente somam 16 drogas. “Os outros (remédios) para combater as infecções oportunistas são de responsabilidade do governo estadual e municipal. São todos doados”, reforça Almir Santana.

O médico afirma, também, que “os medicamentos estão tornando a Aids uma doença crônica. As pessoas podem conviver com a Aids normalmente, tomando seus remédios”. Outro fator importante para a sobrevida é a qualidade da alimentação.

Dificuldades

O grande problema levantado pelo coordenador sergipano é a adesão. “Tem muito paciente que não consegue tomar os remédios certos, às vezes porque não tem passagem (de ônibus) para pegar o medicamento. A própria condição de pobreza dificulta o trabalho”, sentencia.

Com relação à alimentação, uma das principais orientações dadas pelo assistente social do Cemar, George Batista, é o acesso gratuito a cestas básicas – no caso de adultos – e ao leite em pó, no caso das crianças. “A orientação que se dá é quanto ao recebimento dos benefícios das políticas públicas”, completa.

Outra deficiência apontada por Almir Santana é a centralização do tratamento na capital Aracaju. Para ele, “este tratamento precisa ser descentralizado”. Completa dizendo que “a gente não conta com os municípios do interior”.
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Por Carlos Eduardo Lordelo
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Para maiores informações:
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Programa Estadual de DST e Aids de Sergipe - Telefone: (79) 3234-9527

Centro de Testagem e Aconselhamento do Cemar - Telefone: (79) 3234-0928

Disque-Saúde - Telefone: 0800 611 997

3 comentários:

Anônimo disse...

Esse Carlos Eduardo escreve muito bem, td o que produz é muito inteligente e vale a pena conferir. Parabéns!!!!

Carlos Alberto

Milka disse...

O tema merece atenção, por isso gostaria de saber se é possível um porcentagem atual de casos no Estado.
Estou estudando o comportamento dos jovens em São Cristóvão e percebo que muitos estão em risco. Obrigado desde já.

Anônimo disse...

GOSTARIA DE SABER QUAL O MUNICIPIO QUE ENCONTRA-SE MAIS PORTADORES DO VÍRUS DA AIDS?