02 fevereiro, 2009

“A UFS não vai parar de crescer”

Desde o dia 16 de dezembro, a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) conta com um novo pró-reitor: o professor Sandro Holanda, que ocupava o cargo de diretor do campus de Itabaiana desde o seu surgimento. No discurso de posse, Holanda afirmou ter como compromisso, à frente da Prograd, "avançar na idéia de uma pró-reitoria que atenda ao ritmo de expansão da UFS e na busca pelo melhor atendimento às necessidades da comunidade acadêmica".
Diante do novo período que se aproxima e da nova forma que toma a universidade, o Contexto Online conversou com o novo pró-reitor para saber o que esperar da UFS em 2009 e nos próximos anos.

Contexto Online - Sua gestão na Prograd começou há pouco mais de um mês. Quais são as propostas para os próximos anos, visto que este é um órgão que mexe diretamente com a vida dos acadêmicos?

Sandro Holanda – A Prograd é o coração da universidade. Nos últimos anos estamos presenciando um momento importante de crescimento da UFS e nós precisamos acompanhar esse ritmo. A idéia é integrar os estudantes a essa nova realidade. Nossa intenção é informatizar os processos que envolvam o aluno e a UFS dentro de todos os órgãos subordinados a nós, como o DAA (Departamento de Administração Acadêmica), a CCV (Coordenação de Concurso Vestibular), - que promove o vestibular, algo que vai exigir uma dinâmica diferente a partir das cotas -, e o Deape (Departamento de Apoio Didático-Pedagógico). Estamos renovando a equipe para dar um novo ritmo aos trabalhos.

CO – Dia 2 de março começa o período 2009/1 e a UFS recebe mais 4.455 novos estudantes. Como a instituição está se preparando para isto?

SH – A universidade vem se preparando para isso há algum tempo. Tanto para os novos cursos, quanto para a ampliação de vagas dos existentes. Todas as obras, incluam-se aí reforma e construção de didáticas, reforma dos prédios que abrigam os departamentos, construção de novos espaços, modernização dos laboratórios, ampliação do corpo docente – com mais de 300 vagas... Enfim, toda a melhoria na estrutura já existente, aliada às novas construções, tem a intenção de suprir todas as necessidades existentes. É uma situação antecedente e que vai continuar, pois a UFS não vai parar de crescer.

CO – O número de alunos cresceu expressivamente nos últimos dois anos, principalmente pela abertura dos novos cursos. Quais são os próximos passos no sentido de expandir o acesso à universidade?

SH – Nesse aspecto a novidade deste ano é o campus de Lagarto, mas nós continuaremos com ações no sentido de consolidar esses novos cursos. O vestibular para os cursos de Lagarto – que oferecerão 700 vagas em sete opções de cursos – ocorre já em 2010. É a ampliação da interiorização da UFS. Vale lembrar que em março estaremos entregando o Quarteirão dos Trapiches aos estudantes de Laranjeiras. O prédio já está em fase de acabamento. Não vão faltar novidades para consolidar os cursos novos e os já existentes.

CO – O plano de Ações Afirmativas foi aprovado recentemente, após um longo período de discussões e polêmicas. Como a universidade está se preparando para lidar com essa realidade? Seria possível dizer que haverá uma mudança drástica na universidade?

SH – Não haverá uma mudança tão extraordinária. As pessoas verão que não é nenhuma celeuma. Alguns cursos aqui já têm uma percentagem expressiva de estudantes vindos de escola pública. É importante esclarecer que as cotas têm cunho social e não racial. Serão 50% das vagas voltadas a vestibulandos que tenham cursado sete anos em escola pública – três no ensino médio e quatro no fundamental – e dentro desse número, 70% das vagas irão para aqueles que se auto-declararem negros, pardos ou índios. Outra cota que poucos estão falando é a que destina uma vaga em todos os cursos para pessoas com necessidades especiais. Para estes haverá uma junta médica que avaliará cada caso. Em todos os campi, incluindo o de Lagarto, as cotas estarão disponíveis. Está na hora de fazermos justiça. As pessoas precisam ter oportunidades iguais no acesso à educação superior. A universidade tem a obrigação de se preparar, até porque isso já é fato e não apenas um projeto.

CO – O senhor citou o campus de Lagarto como um próximo passo para a expansão e interiorização da UFS. Como anda a estruturação do campus?

SH – O projeto é resultado de uma parceria entre a UFS e o Governo do Estado. Há um compromisso firmado. Os recursos já estão garantidos. Tanto da parte do Estado, que construirá o hospital e da parte Federal, na construção das instalações. As coisas acontecerão aos poucos. A priori o campus ocupará um espaço temporário, como ocorre atualmente em Laranjeiras.

CO – Diante desses números que representam a situação de crescimento da UFS, chama a atenção o número de docentes que serão contratados. Essa cifra será suficiente?

SH – Com certeza essas vagas, quando supridas, atenderão a demanda existente. Vamos diminuir tremendamente a necessidade por professores substitutos. O melhor disso é que os cursos novos já estão virando departamento. E para que isso aconteça é necessária uma equipe de dez professores efetivos. Estamos dando um salto grande com o número de doutores, a UFS passará de uma instituição de porte pequeno para uma de porte médio. Isso trará grandes benefícios, principalmente no tocante ao volume de recursos, que tende a aumentar.


Por Diógenes de Souza

Sergipe discute medidas socioeducativas

Técnicos de medidas socieducativas discutem, de 2 a 6 de fevereiro, a implantação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) em 12 municípios sergipanos. O sistema integra o Projeto de Estruturação da Rede de Atendimento Socioeducativo do Estado de Sergipe, Tá na Medida, e é realizado pela Sociedade Semear, juntamente com a Fundação Renascer, com a Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e Desenvolvimento Social (Seides) e com o financiamento da Petrobrás através do Fundo da Infância e da Adolescência. Aracaju, Estância, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão, Barra dos Coqueiros, Umbaúba, Própria, Laranjeiras, Lagarto, Itabaiana, Nossa Senhora das Dores e Poço Verde são as áreas estudadas nesse evento.

A capacitação, que ocorreu entre 26 a 30 de janeiro e segue de 2 a 6 do corrente mês, vai auxiliar os municípios na implantação e operacionalização das medidas socioeducativas em meio aberto de Liberdade Assistida (LA) e Prestação de Serviço Comunitário (PSC), a partir da perspectiva dos novos parâmetros de atendimento socioeducativo.

Destaca-se no evento a importância da ação para adolescentes que cometem atos infracionais de menor gravidade terem chances de serem atendidos por medidas menos agressivas e que facilitam a reinserção na vida social.

Durante os dias de oficina, os participantes terão acesso a informações sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), normas internacionais de direitos humanos, diversidades étnico-raciais e de gênero, afirmação da natureza pedagógica da medida socioeducativa e outros temas ligados ao funcionamento do Sistema de Garantia de Direitos.

De acordo com a presidente da Fundação Renascer, Maria José de Souza Batista, a relevância do evento se dá na possibilidade de trazer à sociedade, através da sensibilização, outras alternativas punitivas que promovam substancialmente a ressocialização de meninos e meninas em conflito com a lei. “O projeto Tá na Medida possibilita a discussão e mobilização dos municípios para implantar medidas socioeducativas em meio aberto, permitindo que a autoridade judiciária municipal tenha outras alternativas para atos infracionais mais leves e o adolescente possa cumprir a medida no seu município, junto aos seus familiares”, explica a presidente.

A jornalista e diretora de comunicação do Instituto Recriando, Joyce Peixoto, questionada sobre a ampliação da execução de medidas em meio aberto, afirma que tais medidas são uma das principais ferramentas para assegurar o que está previsto no ECA, em especial no que se refere à aplicação de medidas de acordo com a gravidade do ato infracional e à garantia de direitos. “Um dos maiores desafios que se apresenta à sociedade brasileira é a forma como a medida socioeducativa de privação de liberdade tem sido aplicada e os resultados que tem obtido. Diferentemente do que prevê o ECA, são raras as unidades que garantem aos internos o acesso à educação formal, ao ensino profissionalizante e ao atendimento médico e psicossocial.”

Sobre o assunto em questão, a diretora conclui: “A privação do direito de ir e vir passa de um meio para transformar-se num fim, cujo principal perfil é o da punição. Assim, ao sair das unidades, poucos jovens contam com uma formação adequada e um senso de responsabilidade quanto ao exercício de sua cidadania que possibilite seu retorno à convivência social de maneira digna, tornando-se alvos fáceis para a criminalidade”.

Por Jeimy Remir

29 janeiro, 2009

Cobrança reajustada do IPTU em Aracaju

Após ser reajustado em 6,2%, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) começa a ser cobrado pela Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) na próxima sexta-feira, 30, e segue até 6 de fevereiro, de acordo com o escalonamento de datas por bairros. Com o número de contribuintes ativos estimado em torno de 137 mil pessoas, a administração municipal tem a previsão de recolher aos cofres do município R$ 41 milhões em impostos dessa natureza. Este imposto é a maior fonte de arrecadação da Prefeitura de Aracaju.

Para a correção do IPTU 2009 em 6,2%, a Secretaria Municipal de Finanças (Sefin) adotou como base a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2008, considerado o índice oficial de inflação do país; o indicador reflete o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. O montante que será arrecadado pelo executivo municipal com a cobrança do IPTU deve ser por lei, convertido em obras e serviços de interesse da população aracajuana.

“Desde que os valores arrecadados sejam realmente usados em benefício da população que mais precisa, o pagamento deixa de ser oneroso para o cidadão menos favorecido. Agora quando é revertido para uma minoria, os que não arcam com facilidade o valor, sentem-se prejudicados e excluídos”. Com essas palavras Mauro Carvalho, economista e contribuinte do Bairro Atalaia, resume parte de um pensamento geral sobre a cobrança de impostos.

O valor do IPTU é calculado com base no valor suscetível de venda do imóvel que este alcançaria para compra e venda à vista, segundo as condições de mercado. As alíquotas do imposto são especificadas por tipo de imóvel, e entre estes se há construção ou não. Para os imóveis residenciais, por exemplo, a alíquota é de 0,8% de ser valor de mercado. Os hotéis atingem 1% chegando à indústria ao patamar de 2,4%. Ou seja, quanto maior o valor do imóvel, será também maior o valor cobrado pela Prefeitura.

Mas não só Mauro, como também grande parte dos contribuintes pensam de modo parecido. Amália Souza, que há 15 anos mora no Bairro Luzia com a família, e que também é contribuinte, ressalta que a presença de obras no bairro cria estímulo para o contribuinte não ficar inadimplente. “Construir uma praça nova, reformar a que já existe, melhorar a qualidade da segurança, investir em educação. Se tudo isso acontecer no bairro ou em seu entorno, o cidadão desperta para sua obrigação de contribuir com sua parcela e não deixar de pagar com a regularidade prevista”, diz a dona-de-casa.

Formas de pagamento

A PMA concede desconto de 10% ao contribuinte que optar por pagar em parcela única, desde que não haja débito anterior. Havendo débito, o percentual de desconto passa a ser de 5%. Para os cidadãos ativos que não puderem pagar em uma única vez, o valor poderá ser dividido em até 10 vezes, desde que o valor de cada parcela seja de no mínimo R$ 50.
Para efetuar o pagamento, o contribuinte pode se dirigir a qualquer agência do Banese, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Casas Lotéricas. Estão isentos automaticamente do pagamento do IPTU proprietários de imóveis avaliados em até R$ 5 mil, indivíduos com renda familiar de até R$ 760 e ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial.

2ª Via e Atendimento

Os contribuintes que não receberam ou perderam o boleto de pagamento poderão optar por imprimir uma segunda via no Portal do Contribuinte na internet através do: http://www.aracaju.se.gov.br/contribuinte/.

O contribuinte que ainda tiver algum tipo de dúvida pode ligar para a Secretaria de Finanças, através do 3179-1124, ou ainda procurar os postos de atendimento em uma das unidades do Centro de Atendimento ao Cidadão (Ceac) no Shopping Riomar ou no Terminal Rodoviário Rollemberg Leite (Rodoviária Nova), das 7h30 às 18h.

Por Lucas Silva.

27 janeiro, 2009

Procura por habilitação cai em janeiro

Fim de ano: casa cheia, lojas apinhadas de gente, rodoviárias e aeroportos lotados, ruas congestionadas. Tudo como é de nos festejos de Natal e Reveillon. Neste ano que passou, no entanto, mais dois lugares foram adicionados à lista dos espaços abarrotados em dezembro: as auto-escolas e as centrais de atendimento dos DETRAN – Departamentos Estaduais de Trânsito.

O motivo do corre-corre foi o conjunto de mudanças no processo para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que passaram a valer no primeiro dia de janeiro. Quem desse entrada na solicitação do documento a partir do ano-novo já enfrentaria as novas regras, mais rígidas. Além disso, com as novidades, o preço a se pagar nos centros de formação de condutores subiria bastante. Em Aracaju, da média de R$ 500 as auto-escolas passaram a cobrar quase o dobro para quem quisesse obter a habilitação na categoria B (veículos de até 3.500 Kg e lotação máxima de oito lugares), por exemplo.

Segundo André Carvalho, da assessoria de comunicação do DETRAN, o número de atendimentos em Sergipe saltou de 6.264 em dezembro de 2007 para 7.939 nesse mesmo período em 2008. Mas, segundo Manuela Souza, do setor de atendimento de uma das auto-escolas da Av. Tancredo Neves, o aumento do custo e as novas regras acabaram fazendo a procura pela CNH cair neste mês. “Em dezembro foi aquele sufoco, mas em janeiro agora o movimento está mais baixo do que em janeiro do ano passado”, comenta.

Ano de mudanças

As alterações do primeiro de janeiro – na Lei, Resolução 285 do Conselho de Trânsito (CONTRAN) – exigem que as cargas horárias dos cursos teóricos e práticos de habilitação passem de 30 para 45 horas-aula e de 15 para 20 horas-aula, respectivamente. Entre outras temáticas, o novo programa teórico passará a abordar as implicações do consumo de álcool e/ou substâncias psicoativas, condução de veículos em situação de risco, direção de motocicleta com carga e/ou passageiros, equipamentos de segurança e cuidados com a vítima motociclista.

Além disso, quem deseja aprender a dirigir motocicletas deverá agora passar por treinamento em via pública, mesmo em condições adversas, como chuva e neblina. O instrutor poderá utilizar outro veículo para acompanhar o aluno, que deve ter passado por treinamento em circuito fechado antes disso.

Também este ano, mais precisamente em 1º de junho, entrará em vigência a Resolução 300 do CONTRAN. Ela estabelece os procedimentos necessários para que os motoristas envolvidos em acidentes ou crimes de trânsito possam voltar a dirigir. Além do curso de reciclagem que já era previsto antes, agora os condutores deverão passar por testes de capacidade física e mental, avaliação de direção veicular, avaliação escrita sobre as leis de trânsito e exame psicológico.

Por Ricardo Gomes

24 janeiro, 2009

Aumento da passagem de ônibus está indefinido

Após os empresários que integram o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros - SETRANSP - solicitarem à SMTT – Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito - um
reajuste na tarifa do transporte coletivo de Aracaju, dia 12 de dezembro, não se obteve mais informações concretas a respeito. As empresas de ônibus querem um aumento de 20% sobre o valor atual.

A passagem, que custava R$ 1,75, custará R$ 2,10. No entanto, a SMTT ainda não divulgou nenhuma data para que se comece a cobrar a nova tarifa, nem se manifestou sobre a aceitação, ou não, do valor especulado. A solicitação de um aumento baseia-se na justificativa de que os gastos para o transporte e com funcionários aumentaram em desproporção ao último reajuste, ocorrido em março do ano passado. Naquela ocasião, o vale transporte passou de R$ 1,65 para o valor atual.

Quase um ano se passou após o último aumento e, nesse período, os empresários alegam ter acumulado um déficit de quase 19%, resultado do reajuste de 5% no salário de motoristas e cobradores, do aumento no preço do combustível e da concorrência com o transporte clandestino, entre outros fatores. Até agora, Antônio Samarone, superintendente da SMTT, só afirmou que o aumento real das passagens será definido pela Prefeitura de Aracaju, após minuciosa análise de uma série de documentos apresentados pela SETRANSP para justificar o novo preço defendido. O índice de reajuste será definido com base no real aumento dos custos.

Planilha Tarifária

Para estimar o custo por passageiro, faz-se uma seqüência de cálculos com os dados registrados na planilha tarifária. Esta planilha é uma tabela onde se registram os componentes do custo do transporte. Há os fixos, que não variam com a quantidade de quilômetros viajados: salários e seus impostos, depreciação do capital. E os custos variáveis, proporcionais à quilometragem rodada: combustível, desgaste de peças, pneus e lubrificantes.

A tarifa é calculada dividindo-se a soma dos custos pelo IPK (Índice de Passageiros por Quilômetro). Significa, em outras palavras, a média de passageiros transportados pelos ônibus de uma cidade, a cada quilômetro rodado. Para sabermos o custo estimado do serviço, seja numa cidade, numa linha ou conjunto delas, basta dividir o custo do quilômetro rodado pelo número de passageiros por quilômetro (IPK). Desse modo, quando a planilha tarifária não é observada, o transporte público, inevitavelmente, perde qualidade, fato que vem ocorrendo ao longo dos anos.

Saiba mais em:
www.aracaju.se.gov.br/smtt

www.setransp-aju.com.br

Por Gabriel Cardoso

"A relação com a música vem de antes de mim"

Desde que apareceu na música sergipana, em 1981, a aracajuana Joésia Ramos contabiliza seis discos gravados – um coletivo, onde participa com as amigas Luhli e Lucina, Ney Matogrosso, Jean e Paulo Garfunkel, Bené Fonteles, Miltinho Edilberto e a Marta Strauch e cinco próprios – e uma parceria de vinte anos com o Grupo Imbuaça.


As 15 faixas de “Os Desvalidos”, mais recente álbum da criadora do “Forró do Rabecado”, - que agita as noites dos sergipanos,proporcionando uma mistura de suas composições às de nomes como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Alceu Valença, Marinês e Elba Ramalho, por exemplo – é resultado não só dessa parceria, mas da união à poetisa Maria Lúcia Dal Farra e ao escritor Francisco Dantas.

Quem ouvir o disco vai poder conferir um registro da trilha sonora do espetáculo encenado pelo Imbuaça, baseado na obra homônima daquele escritor sergipano. Joésia falou ao Contexto não só sobre o novo trabalho, da sua intensa afinidade com a música e da tão polêmica relação artista x crítico.

Contexto Online - O que você vem trazendo no seu novo álbum "Os Desvalidos"? Como foi escolhido o repertório?

Joésia Ramos - Os Desvalidos é um disco com 15 faixas, em parceria com a poetisa Maria Lúcia Dal farra e com o escritor Francisco Dantas.

CO- Em quais aspectos o nome do disco se liga à obra homônima de Francisco Dantas?

JR - O disco é a trilha sonora da peça feita sobre o livro do escritor Francisco Dantas, pelo Grupo Imbuaça de Teatro de rua.

CO- Quais são as principais dificuldades de gravar e lançar um álbum em Sergipe?

JR - Bom, temos que produzir o disco, encontrar patrocinadores para aquelas idéias e isto é sempre o pior momento.

CO- E quais os melhores aspectos de se firmar uma carreira no Estado?

JR - Não penso nisto. A minha relação com a música é muito antiga, do tempo antes de mim, não penso comercialmente.

CO- Como é a sua relação com os críticos daqui? Como você analisa a postura deles com relação não só ao seu trabalho, mas como dos demais artistas locais?

JR - Bem, não temos aqui um leque de críticos de arte. O que você faz não reverbera,não gera idéias novas, ou não ecoa. Apareceu um candidato a crítico ainda em formação, que escreveu no jornal Cinform, com potencial, fôlego e coragem, porém, com um nível de deselegância, arrogância, acidez e histeria aniquilando a própria tentativa da visão crítica pura. Sinceramente, somos órfãos de críticos, graças a Deus! Gosto de ouvir opiniões e estou aberta para qualquer opinião que venha relativizar, desconstruir com ternura, me encher de fôlego pra continuar. Sem isso, não me interesso...

CO- Já são sete anos do Forró Rabecado, como é que se caracteriza esse estilo que é uma criação sua?

JR - O Forró da Rabeca é uma proposta de revisitar clássicos da música, dos grandes compositores nordestinos, como Luis Gonzaga, Sivuca, Dominguinhos e outros, mesclados sempre pelas minhas composições e ainda explorando a sonoridade antiga dos violinos, em encontros com outros instrumentos como gaitistas, sanfoneiros ou guitarristas. É um laboratório diferente a cada ano, onde buscamos ser dançantes e harmonicamente ricos. Divertimo-nos muito no pequeno espaço que ocupamos no cenário do São João. Se quem nos assiste, dança pra valer, então, penso, valeu!

CO- Você compõe trilhas para o Grupo Imbuaça há vinte anos, como funciona essa parceria e qual o segredo para ela durar tanto?

JR - Primeiro quero saber sobre o roteiro e qual a idéia central. Depois eu sinto se é para mim a “coisa” ou não e em geral, quando é, eu musico sobre o roteiro. No caso de “Os Desvalidos” a trilha foi criada a partir do romance e o roteiro da peça oi escrito sobre a trilha e para esta trilha, quase um musical. Aí eu viajo... Agora porque eles me chamaram tantas vezes é uma pergunta para ser respondida pelo Imbuaça. Fizemos "As irmãs Tenebrosas"(cordel), "A Farsa dos Opostos", o CD "Imbuaça 20 anos de Teatro de Rua" e "Os Desvalidos".

CO- Seu trabalho anterior ao "Os Desvalidos", “Levante-se Amor - Joésia Ramos canta Maria Cristina Gama”, foi composto por 15 poemas escolhidos entre 100. Como foi escolher apenas essa quantidade?

JR - O Levante-se Amor foi projeto da lei Municipal de Incentivo à Cultura e eu fiz o projeto para gravar 15 faixas, então, foram 15. Difícil foi escolher as tais faixas, porque tínhamos - eu e a Maria Cristina - desejos diversos, diferentes. Então as decisões nunca foram fáceis.

CO- Como foi trabalhar com esse disco, já que ele traduz uma parceria?

JR - Após a escolha das músicas, a coisa fica entre eu e os músicos e o trabalho de fazer um disco é para mim extremamente prazeroso, tem vida própria. Eu sei quando começo, e quais músicos vou convidar, depois disso é uma incógnita.

CO- Como foi a descoberta da música em sua vida e o que te estimulou a investir e permanecer na carreira musical?

JR - Desde a infância.Todas as brincadeiras eram por aí. Investir e permanecer na música é opção de vida; minha vida é com música; não concebo a minha vida sem a música! Mas eu não sobrevivo só da carreira, pois para isto teria que fazer concessões que nunca fiz e não farei. Sou homeopata e trabalho intensamente as duas áreas da minha vida.

Por Diógenes de Souza

22 janeiro, 2009

Trânsito de motos gera polêmica na UFS

A placa antiga e descascada informando “Proibido tráfego de veículos”, pregada numa das várias passarelas que se bifurcam por entre os prédios acadêmicos da Universidade Federal de Sergipe, reflete uma situação de indiferença. Perante um impasse simples de ser resolvido, tanto a instituição como os motoristas se acomodaram: sob o aviso, várias motos enfileiram-se ao longo das vias de concreto destinadas aos pedestres.


Agindo de forma inadequada, como dirigir em alta velocidade, alguns motoqueiros despertaram a indignação de estudantes, professores e servidores, o que resultou em queixas e reivindicações dirigidas ao Departamento de Assuntos Acadêmicos (DAA). Licianne Pimentel, aluna de Engenharia Química, decidiu enviar uma observação ao departamento após um ocorrido específico. “Eu estava andando pela passarela que liga o Centro de Ciências Exatas e Tecnologia ao Diretório Central dos Estudantes quando fui surpreendida por um motoqueiro buzinado e gritando ‘Sai da frente’ de forma ignorante. Esse fato foi o estopim que me levou a fazer essa observação ao DAA”.


A queixa foi publicada em um dos informes eletrônicos do departamento, conseguindo o apoio de outros estudantes e professores e dando oportunidade aos motoqueiros de contra-argumentar. Tiago Barreto, estudante de Administração, sublinhou a falta de segurança que a universidade proporciona em relação aos veículos: “Nós motoqueiros estacionamos em frente às passarelas e didáticas não com o intuito de atrapalhar a passagem dos pedestres, mas pura e simplesmente por não haver um espaço seguro para estacionarmos nosso meio de transporte”.


Engrossando o coro, o também estudante de Administração Charles Diego não gostou da generalização presente nas queixas contra motoqueiros: “Eu tenho moto e a estaciono, como todos, no mesmo lugar. Mas nunca na minha vida buzinei ou pedi para alguém sair da frente; sempre respeitei os pedestres e muitas vezes dirijo a cinco km/h”. Ele admite percorrer as passarelas em alta velocidade quando não há pedestres à vista: “É tudo uma questão de flexibilidade”.


Por outro lado, há quem não se importe em deixar o veículo dentro de prédios, ao lado de salas e núcleos acadêmicos. “Abusam dessa forma por não se importarem se impedem a passagem ou desrespeitam o trânsito. Eles estacionam onde acham mais cômodo”, diz Licianne. Tiago observa que não são somente motos os veículos estacionados em local inapropriado. “Os motoristas de carro agem da mesma forma. Se desviarmos um pouquinho o foco das motos, veremos dezenas de carros destruindo calçadas para estacionar próximo às didáticas”.


De acordo com os responsáveis pela supervisão da segurança na UFS, José Raimundo de Jesus e Marcos Virgílio Silva, as medidas já adotadas para diminuir o incidente não obtiveram sucesso. As placas de “Proibido Estacionar” são ignoradas e tampouco funciona chamar a atenção dos motoristas (tanto de automóveis quanto de motos), que estacionam o mais próximo possível das salas de aula. “Na maioria das vezes que nos dirigimos aos estudantes somos maltratados. Ouvimos frases do tipo ‘O veículo é meu e estaciono onde quiser’”, diz Marcos. “Muitos nem sequer respondem, fingem que não estão escutando”.

Raimundo acredita que a forma mais eficaz de se respeitar o regulamento seria uma espécie de punição financeira. “Nós brasileiros somos assim, só sentimos quando pesa no bolso. Sem multa não há obediência”, esclarece. Mas um sistema de multas em uma universidade jamais será implantado, por não ser de acordo com a lei.


Os dois afirmam que há seguranças circulando em todos os estacionamentos da UFS e têm conhecimento de apenas um roubo de veículo, ocorrido há mais de dois anos: uma mobilete que estava estacionada ao lado do DCE.


O conflito poderá ser diminuído com a construção de um local especial para motos e bicicletas, inserido em todos os estacionamentos cobertos. O projeto prevê execução para daqui a três meses. “Esse atraso se deve às outras construções em paralelo aqui na universidade”, informa o vice-reitor, Ângelo Antoniolli. Segundo ele, no futuro será implantado um sistema de fiscalização eletrônica, contribuindo para a melhoria da segurança.


Raimundo e Marcos acreditam que esse projeto já deveria ter sido executado há muito tempo. “A universidade tem atitudes menos administrativas e mais políticas”. E são uníssonos ao dizer que, mesmo com o novo estacionamento, muitos alunos continuarão adotando a prática atual e estacionando em locais impróprios.


Por Marianne Heinisch

19 janeiro, 2009

Hemose convoca doadores no Pré-Caju

Neste período de festas e de aumento da demanda de sangue nos hospitais, hemocentro realiza campanha de doação


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(Fonte: Ministério da Saúde)



Após a queda de 30% nos estoques do banco de sangue, registrada em dezembro, o Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), convoca seus doadores regulares a comparecerem ao hemocentro. O fato é devido à aproximação do período do Pré-Caju (22 a 25 de janeiro), em que a demanda por todos os tipos sanguíneos aumenta nos hospitais sergipanos.

Não apenas em momentos de convocação por acidentes, cirurgias ou outras necessidades de familiares, a doação de sangue é solicitada, já que esta não causa quaisquer danos à saúde, além de ser um forte ato de solidariedade humana.

Apesar de ser doador voluntário há seis meses, o estudante Johnata Andrade, de 20 anos, esperou um mês além do que estava agendado para fazer sua doação, na última sexta-feira. “Minha mãe vai fazer uma cirurgia. Por isso, esperei um mês para doar diretamente para ela”, conta o estudante.

Já o também estudante, Pedro Paulo Santos, de 21 anos, conta que é doador há dois anos e sente-se muito satisfeito por praticar este ato de solidariedade. “É muito bom poder ajudar. Não faz nenhum mal. Gosto de poder ajudar. Além disso, sou isento de taxa de concursos”, explica.

Segundo a gerente de atividades médicas do hemocentro, Maria Amália Andrade, neste período de férias, encerrado em janeiro, é natural que haja uma queda no volume dos bancos de sangue, mas a demanda não diminui na mesma ordem. “É preciso que, principalmente, as pessoas que nunca doaram e que têm fator Rh negativo compareçam para fazer sua doação”, solicita.

Para fazer a doação de sangue, o voluntário deve alimentar-se antes, ter entre 18 e 65 anos de idade, apresentar carteira de identidade, pesar acima de 50 kg e não ter ingerido nenhum tipo de bebida alcoólica nas 24 horas anteriores. Também são feitos, gratuitamente, exames para possível detecção de doenças como Sífilis, HIV, Hepatite e outras que podem ser transmitidas por transfusão sanguínea.

O Hemose está localizado na Avenida Tancredo Neves, s/nº, bairro Capucho, anexo ao Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (HUSE). Para informações ou agendamento de doações, os interessados devem telefonar para (79) 3259-3191 ou 3259-3174.

Para saber mais sobre "doação de sangue" clique aqui.

Por Erick Souza

18 janeiro, 2009

Contexto entrevista Grupo Nação

Formado por Isal da Floresta (flauta, apitos, efeitos), Elvis Boamorte (percussão) e Artur Barreto (violão), o Grupo Nação surgiu no fim de 2008. A proposta era tentar ganhar um espaço de apresentação na VI Bienal de Arte e Cultura da União Nacional dos Estudantes, a se realizar em Salvador entre os dias 20 e 25 de janeiro. Exitosa, a banda parte para a Bahia nessa segunda-feira, 19, para mostrar a sua música muito influenciada pela temática indígena – mas antes de ir concedeu ao blog do Contexto uma entrevista e uma amostra de seu som, que seguem abaixo.

CONTEXTO ON-LINE: O que é o Nação? Como foi que ele surgiu?

Elvis Boamorte (EB): Começou através de Isaías [“Isal da Floresta”], ele meio que fez uma canalização. Através de Isaías veio Artur... Então eu entrei para a formação e daí se criou esse envolvimento todo. Mas a base mais forte veio de Isaías. É uma coisa mais recente, a gente começou a um mês da Bienal.

Isal da Floresta (IF): A gênese de tudo foi a Bienal. Por isso que eu digo que se fosse programado não tinha acontecido.

EB: A idéia mais é expandir mesmo, partir para várias tribos...

IF: Até porque não é só um trabalho de música, mas também um projeto de pesquisa – de tradições, de busca para a vida.

EB: Uma coisa espiritual...

IF: Quando você penetra dentro de algo que você gosta de estudar, de buscar, de saber... Você passa a “ser” também essa coisa que você aprende. Aprender e ser – o que não convém para você ser, você separa; ao que convém, você adere e vai crescendo.

CONTEXTO ON-LINE: De onde veio o nome da banda?

IF: A gente se denominou como Grupo Nação com a intenção de falar que cada um de nós é uma “nação” – dentro de tantas “nações” nos influenciando, a gente se torna uma nação pessoal, peculiar.

EB: Dando uma estudada na vida dos xocós [grupo indígena da Ilha de São Pedro, município de Porto da Folha, Sergipe], vimos que eles se formaram a partir de várias tribos...

IF: Por isso a idéia de “nação”... Porque a gente está trabalhando com os xocós, mas daqui a pouco nós estaremos pegando outras tribos, envolvendo outras culturas também nesse trabalho. E, para formar cada vez mais a nossa “nação interior”, a gente vai buscar outras “nações” que existem aí para influenciar a nossa musicalidade.
Hoje estamos trabalhando com música indígena, mas amanhã podemos pegar outros folclores. É uma atividade meio que de integração espiritual, porque essas músicas são geralmente usadas para rituais sagrados... E aí passa também a ser também algo um pouco místico, e o místico indígena se mistura com a questão da natureza. Há uma “modernidade” muito avançada entre as tribos que se denominam “ancestrais”.
Esse mundo que a gente vive é muito artificial; esse não é o mundo natural. É um mundo construído pra gente viver, um mundo de civilização, de casa, de rua. E eu acho que essa artificialidade deixa o homem de hoje muito frustrado. Os indígenas conseguem entrar dentro da natureza, usar tudo que se deve, que se pode, e sem destruir, sem degradar... E continuar a vida.

CONTEXTO ON-LINE: Então vocês pesquisam a musicalidade xocó lá na aldeia mesmo?

EB: Lá no local mesmo.

IF: Tem um CD que inspirou a gente a fazer essas músicas: o disco “Xocós”, produzido pelo Neu Fontes [Irineu Fontes, músico e produtor musical sergipano]. A gente pegou uma música de lá, inclusive – “Pé de cruzeiro” –, que foi a música selecionada para a Bienal da UNE.

EB: A gente imaginava que só ia apresentar um trabalho lá, essa “Pé de cruzeiro”, mas surgiu a oportunidade de expandir mais o show, e aí a gente pegou mais duas músicas, “Alto do tempo” e “Piolelê”.

CONTEXTO ON-LINE: Vocês adicionam outros elementos a esse trabalho?

EB: O canto é o que já existe – nós colocamos o instrumental, no caso.

IF: A gente transformou o canto em instrumental... Mas como ia ficar muito curto, decidimos que, na apresentação, que é de 25 minutos, faremos o instrumental da “Pé de cruzeiro” primeiro, para depois cantá-la.

EB: Até para poder mostrar como é o canto deles [dos índios xocós]. Como o projeto é pequeno, começando agora, não tem muito material. Fica mais a flauta, o canto e os apitos, a viola, além do pandeiro, da faia. A gente fez na flauta o som do canto.

CONTEXTO ON-LINE: Vocês falam de um som místico, espiritual. De que forma vocês buscam passar isso para quem escuta?

IF: A gente faz muito efeito de pássaro. Queremos passar uma ambientalização, é como se você estivesse em um lugar de paz. Às vezes a gente fica variando, coloca uma coisa meio “psicodélica indígena” [risos]. É um som meio profético, aquela coisa de... [assobia].

EB: É como se você se sentisse dentro desse ambiente.

IF: [sopra um apito que simula canto de pássaro].

CONTEXTO ON-LINE: Esses apitos são de origem indígena ou vêm de outra parte?

IF: Não, eles são bem convencionais.

EB: Podem ser encontrados até no mercado, naqueles balaios de venda...

IF: Botando esses elementos e unindo outros a gente vai buscando outros tipos de efeitos.

EB: O próprio maracá...

IF: Que é um instrumento que, segundo algumas tribos, chama os espíritos, chama os “caboclos da floresta”... encantada [risos].

EB: A idéia é mais ou menos essa: transmitir ao máximo a sensação do que está tocando a gente, de quem o criou... E no próprio ambiente que foi criado, que é essa questão da mata, do som da natureza... [transmitir a sensação de] Que você possa fechar os olhos e sentir aquele cheiro da terra.

IF: O homem se separou muito da natureza...

CONTEXTO: A apresentação de vocês na Bienal vai ser a primeira ao público. E depois?

EB: Depois disso a idéia é a gente voltar para cá naquele foco de pesquisa, e expandir mais a idéia, buscando mais fontes, estudando muito mais – e trazendo mais elementos.

IF: E fortalecer mais a parte dos xocós passar mais tempo lá [na aldeia], já que a gente só fez uma “pesquisa-relâmpago”.

Clique aqui para ouvir a canção “Alto do tempo”.
Por Ricardo Gomes