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02 fevereiro, 2009

“A UFS não vai parar de crescer”

Desde o dia 16 de dezembro, a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) conta com um novo pró-reitor: o professor Sandro Holanda, que ocupava o cargo de diretor do campus de Itabaiana desde o seu surgimento. No discurso de posse, Holanda afirmou ter como compromisso, à frente da Prograd, "avançar na idéia de uma pró-reitoria que atenda ao ritmo de expansão da UFS e na busca pelo melhor atendimento às necessidades da comunidade acadêmica".
Diante do novo período que se aproxima e da nova forma que toma a universidade, o Contexto Online conversou com o novo pró-reitor para saber o que esperar da UFS em 2009 e nos próximos anos.

Contexto Online - Sua gestão na Prograd começou há pouco mais de um mês. Quais são as propostas para os próximos anos, visto que este é um órgão que mexe diretamente com a vida dos acadêmicos?

Sandro Holanda – A Prograd é o coração da universidade. Nos últimos anos estamos presenciando um momento importante de crescimento da UFS e nós precisamos acompanhar esse ritmo. A idéia é integrar os estudantes a essa nova realidade. Nossa intenção é informatizar os processos que envolvam o aluno e a UFS dentro de todos os órgãos subordinados a nós, como o DAA (Departamento de Administração Acadêmica), a CCV (Coordenação de Concurso Vestibular), - que promove o vestibular, algo que vai exigir uma dinâmica diferente a partir das cotas -, e o Deape (Departamento de Apoio Didático-Pedagógico). Estamos renovando a equipe para dar um novo ritmo aos trabalhos.

CO – Dia 2 de março começa o período 2009/1 e a UFS recebe mais 4.455 novos estudantes. Como a instituição está se preparando para isto?

SH – A universidade vem se preparando para isso há algum tempo. Tanto para os novos cursos, quanto para a ampliação de vagas dos existentes. Todas as obras, incluam-se aí reforma e construção de didáticas, reforma dos prédios que abrigam os departamentos, construção de novos espaços, modernização dos laboratórios, ampliação do corpo docente – com mais de 300 vagas... Enfim, toda a melhoria na estrutura já existente, aliada às novas construções, tem a intenção de suprir todas as necessidades existentes. É uma situação antecedente e que vai continuar, pois a UFS não vai parar de crescer.

CO – O número de alunos cresceu expressivamente nos últimos dois anos, principalmente pela abertura dos novos cursos. Quais são os próximos passos no sentido de expandir o acesso à universidade?

SH – Nesse aspecto a novidade deste ano é o campus de Lagarto, mas nós continuaremos com ações no sentido de consolidar esses novos cursos. O vestibular para os cursos de Lagarto – que oferecerão 700 vagas em sete opções de cursos – ocorre já em 2010. É a ampliação da interiorização da UFS. Vale lembrar que em março estaremos entregando o Quarteirão dos Trapiches aos estudantes de Laranjeiras. O prédio já está em fase de acabamento. Não vão faltar novidades para consolidar os cursos novos e os já existentes.

CO – O plano de Ações Afirmativas foi aprovado recentemente, após um longo período de discussões e polêmicas. Como a universidade está se preparando para lidar com essa realidade? Seria possível dizer que haverá uma mudança drástica na universidade?

SH – Não haverá uma mudança tão extraordinária. As pessoas verão que não é nenhuma celeuma. Alguns cursos aqui já têm uma percentagem expressiva de estudantes vindos de escola pública. É importante esclarecer que as cotas têm cunho social e não racial. Serão 50% das vagas voltadas a vestibulandos que tenham cursado sete anos em escola pública – três no ensino médio e quatro no fundamental – e dentro desse número, 70% das vagas irão para aqueles que se auto-declararem negros, pardos ou índios. Outra cota que poucos estão falando é a que destina uma vaga em todos os cursos para pessoas com necessidades especiais. Para estes haverá uma junta médica que avaliará cada caso. Em todos os campi, incluindo o de Lagarto, as cotas estarão disponíveis. Está na hora de fazermos justiça. As pessoas precisam ter oportunidades iguais no acesso à educação superior. A universidade tem a obrigação de se preparar, até porque isso já é fato e não apenas um projeto.

CO – O senhor citou o campus de Lagarto como um próximo passo para a expansão e interiorização da UFS. Como anda a estruturação do campus?

SH – O projeto é resultado de uma parceria entre a UFS e o Governo do Estado. Há um compromisso firmado. Os recursos já estão garantidos. Tanto da parte do Estado, que construirá o hospital e da parte Federal, na construção das instalações. As coisas acontecerão aos poucos. A priori o campus ocupará um espaço temporário, como ocorre atualmente em Laranjeiras.

CO – Diante desses números que representam a situação de crescimento da UFS, chama a atenção o número de docentes que serão contratados. Essa cifra será suficiente?

SH – Com certeza essas vagas, quando supridas, atenderão a demanda existente. Vamos diminuir tremendamente a necessidade por professores substitutos. O melhor disso é que os cursos novos já estão virando departamento. E para que isso aconteça é necessária uma equipe de dez professores efetivos. Estamos dando um salto grande com o número de doutores, a UFS passará de uma instituição de porte pequeno para uma de porte médio. Isso trará grandes benefícios, principalmente no tocante ao volume de recursos, que tende a aumentar.


Por Diógenes de Souza

22 janeiro, 2009

Trânsito de motos gera polêmica na UFS

A placa antiga e descascada informando “Proibido tráfego de veículos”, pregada numa das várias passarelas que se bifurcam por entre os prédios acadêmicos da Universidade Federal de Sergipe, reflete uma situação de indiferença. Perante um impasse simples de ser resolvido, tanto a instituição como os motoristas se acomodaram: sob o aviso, várias motos enfileiram-se ao longo das vias de concreto destinadas aos pedestres.


Agindo de forma inadequada, como dirigir em alta velocidade, alguns motoqueiros despertaram a indignação de estudantes, professores e servidores, o que resultou em queixas e reivindicações dirigidas ao Departamento de Assuntos Acadêmicos (DAA). Licianne Pimentel, aluna de Engenharia Química, decidiu enviar uma observação ao departamento após um ocorrido específico. “Eu estava andando pela passarela que liga o Centro de Ciências Exatas e Tecnologia ao Diretório Central dos Estudantes quando fui surpreendida por um motoqueiro buzinado e gritando ‘Sai da frente’ de forma ignorante. Esse fato foi o estopim que me levou a fazer essa observação ao DAA”.


A queixa foi publicada em um dos informes eletrônicos do departamento, conseguindo o apoio de outros estudantes e professores e dando oportunidade aos motoqueiros de contra-argumentar. Tiago Barreto, estudante de Administração, sublinhou a falta de segurança que a universidade proporciona em relação aos veículos: “Nós motoqueiros estacionamos em frente às passarelas e didáticas não com o intuito de atrapalhar a passagem dos pedestres, mas pura e simplesmente por não haver um espaço seguro para estacionarmos nosso meio de transporte”.


Engrossando o coro, o também estudante de Administração Charles Diego não gostou da generalização presente nas queixas contra motoqueiros: “Eu tenho moto e a estaciono, como todos, no mesmo lugar. Mas nunca na minha vida buzinei ou pedi para alguém sair da frente; sempre respeitei os pedestres e muitas vezes dirijo a cinco km/h”. Ele admite percorrer as passarelas em alta velocidade quando não há pedestres à vista: “É tudo uma questão de flexibilidade”.


Por outro lado, há quem não se importe em deixar o veículo dentro de prédios, ao lado de salas e núcleos acadêmicos. “Abusam dessa forma por não se importarem se impedem a passagem ou desrespeitam o trânsito. Eles estacionam onde acham mais cômodo”, diz Licianne. Tiago observa que não são somente motos os veículos estacionados em local inapropriado. “Os motoristas de carro agem da mesma forma. Se desviarmos um pouquinho o foco das motos, veremos dezenas de carros destruindo calçadas para estacionar próximo às didáticas”.


De acordo com os responsáveis pela supervisão da segurança na UFS, José Raimundo de Jesus e Marcos Virgílio Silva, as medidas já adotadas para diminuir o incidente não obtiveram sucesso. As placas de “Proibido Estacionar” são ignoradas e tampouco funciona chamar a atenção dos motoristas (tanto de automóveis quanto de motos), que estacionam o mais próximo possível das salas de aula. “Na maioria das vezes que nos dirigimos aos estudantes somos maltratados. Ouvimos frases do tipo ‘O veículo é meu e estaciono onde quiser’”, diz Marcos. “Muitos nem sequer respondem, fingem que não estão escutando”.

Raimundo acredita que a forma mais eficaz de se respeitar o regulamento seria uma espécie de punição financeira. “Nós brasileiros somos assim, só sentimos quando pesa no bolso. Sem multa não há obediência”, esclarece. Mas um sistema de multas em uma universidade jamais será implantado, por não ser de acordo com a lei.


Os dois afirmam que há seguranças circulando em todos os estacionamentos da UFS e têm conhecimento de apenas um roubo de veículo, ocorrido há mais de dois anos: uma mobilete que estava estacionada ao lado do DCE.


O conflito poderá ser diminuído com a construção de um local especial para motos e bicicletas, inserido em todos os estacionamentos cobertos. O projeto prevê execução para daqui a três meses. “Esse atraso se deve às outras construções em paralelo aqui na universidade”, informa o vice-reitor, Ângelo Antoniolli. Segundo ele, no futuro será implantado um sistema de fiscalização eletrônica, contribuindo para a melhoria da segurança.


Raimundo e Marcos acreditam que esse projeto já deveria ter sido executado há muito tempo. “A universidade tem atitudes menos administrativas e mais políticas”. E são uníssonos ao dizer que, mesmo com o novo estacionamento, muitos alunos continuarão adotando a prática atual e estacionando em locais impróprios.


Por Marianne Heinisch

13 janeiro, 2009

Editora UFS lança novas obras

No último dia 4 de dezembro, no encerramento das atividades de 2008, ano em que comemorou 10 anos de existência, a parceria entre a Editora UFS e a Fundação Oviêdo Teixeira lançou mais 9 livros, a totalizar 22 apenas este ano.

A solenidade de lançamento foi realizada no hall da reitoria da própria universidade, às 18 horas, e contou com a presença de várias personalidades, dentre elas o Reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho e representantes do Grupo Norcon, gestor da fundação.

Em uma década, a parceria entre a Universidade Federal de Sergipe e a Fundação Oviêdo Teixeira tem auxiliado e possibilitado, em processo de co-edição com a editora institucional, a publicação de dezenas de títulos. Os custos são divididos entre autor, editora e fundação. “Os custos são divididos em 3. Ao fim, o autor recebe 20% dos exemplares impressos.”, comenta o Professor Josenildo Luiz Guerra, autor de O Percurso Interpretativo na Produção da Notícia: Verdade e relevância como parâmetros de qualidade Jornalística, seu primeiro livro autoral, também lançado na oportunidade.

Destaque também para a obra Imagens e números – intersecções entre as histórias da arte e da matemática, da Professora Lilian Cristina Monteiro França, obra que relaciona a arte e a matemática com diversos fatores de uma abordagem interdisciplinar.

Para o assessor de comunicação do CESAD, Guilherme Borba Gouy, “A parceria firmada entre a UFS e a Fundação Oviedo Teixeira tem permitido a divulgação e consolidação de obras importantes da literatura sergipana que, segundo a crítica, possibilitam uma abordagem mais consistente das principais questões enfrentadas pela sociedade contemporânea, expondo pontos de vista relevantes, e estimulando idéias e incentivando a pesquisa e o debate.”, divulgou em nota.

Além das 9 obras, outras 5 foram publicadas pela Editora UFS, em caráter independente da Fundação Oviêdo Teixeira.

Clique aqui para conferir a lista completa.

As obras podem ser encontradas na Biblioteca Central da UFS. Vale a pena conferir.

Por Erick Souza.

Alegrias e tristezas no resultado do vestibular

Depois de muita espera e apreensão CCV divulga resultado do vestibular 2009.
Várias são as reações dos que conferem as listas.

O resultado final do Vestibular 2009 da UFS saiu na sexta (09/01). Aos presentes no auditório da reitoria foi divulgada a lista com os dez primeiros colocados. Oito eram de medicina. O primeiro lugar geral foi obtido por Ícaro de Vasconcelos Brito, aprovado em Engenharia Elétrica.

Neste ano foram ofertadas 4.455 vagas em 87 cursos, nos campi de São Cristóvão, Saúde, Laranjeiras e Itabaiana.A lista com os aprovados foi divulgada no site da Coordenação do Concurso Vestibular (CCV), e em alguns outros sites de notícias.

“Não tenho mais unha. Desde que soube que o resultado iria sair sexta feira o tempo parou. Sinto uma angústia. Não consigo mais dormir. Passo a noite apreensivo. Falo sozinho”. Este é Joel Costa Júnior um dia antes do resultado do vestibular ser divulgado. A descrição, apesar de ser pessoal, poderia ser feita, com alguns ajustes, pela maioria dos candidatos que aguardavam o resultado do concurso.

Para Joel e demais apreensivos uma lista é afixada no fundo da CCV (no campus de São de Cristovão). É necessário fôlego para enfrentar a multidão que se espreme para ver a lista. A poeira sobe do chão de terra devido à movimentação dos pés.


* Clique no canto inferior direito do slide show para abrir em tela cheia

Há certa competição para ver quem consegue chegar primeiro a parede. O esforço é recompensado quando se encontra o nome na lista. “Passei! Passei!”. Os gritos rompem a multidão. Calorosos abraços são inevitáveis.

Ali Joel pôde constatar sua aprovação para o curso Audiovisual. Depois de toda a tensão das semanas posteriores a realização das provas e da apreensão do dia anterior ele declara: “É uma sensação totalmente oposta. Ainda mais com uma colocação que não esperava. Espero que seja o curso de minha vida”.

No mesmo espírito, Juliana Gomes constatou sua aprovação em primeiro lugar no curso de Turismo. Ela foi com o pai, a mãe e as duas irmãs esperar o resultado. “É necessário estudar muito para passar”, diz eufórica. Sem perder tempo avisa sobre a aprovação aos amigos através do celular.

A situação em nada se parece com a de alguns minutos antes. Quase todos se negavam a falar devido ao nervosismo. Uma grande quantidade de jornalistas entrevista, filma e fotografa os empolgados calouros (ou não). Depois de muitas unhas roídas Joel Júnior resume o que deseja: “quero descansar e curtir”. As marcas da aprovação podem ser vistas na cabeça raspada.

Não apenas alegria

Mas não só de aprovações se faz o vestibular. Os que não encontram seu nome na lista de aprovados seguem para a parede ao lado onde se encontra as de excedentes. Ver se há ao menos alguma chance de conseguir uma vaga.

Dentre os que choram é possível perceber quem não conseguiu a aprovação. É um choro diferente. Um lamento pelas esperanças desfeitas. Os que são aprovados choram rindo.

Ao ver que seu nome não estava nos aprovados de Engenharia da Computação Héber Rocha descreve: “senti-me impotente. Apesar de não ter me preparado muito sempre se espera passar. Mas como já curso Matemática amenizou um pouco. Agora é estudar e prosseguir o curso”.

Aos que não passaram esse ano Ícaro de Vasconcelos Brito, primeiro lugar geral, aconselha: “É necessário perseverar. Não se deixar abater nem pensar em desistir. Tem que dá o sangue e estudar”.

Troca de responsabilidade

Todo o processo seletivo é feito pela Coordenação do Concurso Vestibular, com a divulgação do resultado Manoel Leite Torres, coordenador da CCV, diz estar com sentimento de missão cumprida. “Depois de um mês da realização das provas temos o resultado. Como o número de vagas é limitado esperamos que os alunos que passaram façam jus a uma vaga aqui na UFS”.

Os aprovados agora ficam sobre a responsabilidade do Departamento de Assuntos Acadêmicos (DAA). Os alunos devem ficar de olho nas datas de matrícula. De acordo com o calendário, a matrícula institucional ocorrerá de 20 a 22 de Janeiro para os cursos ofertados nos campi de São Cristóvão, Saúde e Laranjeiras. E para Itabaiana no dia 20 de Março.

Aos aprovados depois da comemoração vem o descanso, unhas e cabelos crescidos. Aos excedentes próximos a esperança da segunda chamada. À universidade uma nova safra de calouros perdidos pelos corredores em busca das salas.

Leia mais: Conheça os nomes dos aprovados no vestibular 2009
Veja como é feita a correção da redação do vestibular da UFS

Por Michel Oliveira (texto e fotos)

19 dezembro, 2008

Lavadores da UFS são garantia de limpeza

Munido com seu arsenal para enfrentar a batalha de cada dia - um vaso d´água, sabão, esponja e flanela -, Eraldo Dos Santos, há 10 anos, é a garantia de carros lustrosos e limpos para seus diversos clientes na Universidade Federal de Sergipe. Eraldo faz parte do grupo de 5 lavadores do campus universitário de São Cristóvão. Todos eles exercem seu trabalho com a autorização da Prefeitura do Campus e do Chefe da Vigilância.

Apesar de já estar há uma década trabalhando como lavador de carros na Universidade, em se tratando de tempo de trabalho, Eraldo é o "caçula" do grupo. Alguns dos outros componentes da equipe de lavagem chegam a ter mais de 20 anos na função, como, por exemplo, Jardiel Alves, há 25 anos limpando carros de estudantes, professores e funcionários.

Na situação atual, há um lavador no CCBS (Centro de Ciências Biológicas e da Saúde), dois nas didáticas, um na Reitoria e mais um na Prefeitura. Cada lavador limita seu trabalho ao lugar ao qual ele está encarregado, salvo em algumas ocasiões extraordinárias, no caso, por exemplo, de algum freguês solicitar a lavagem de um carro em uma determinada área da universidade.

E é com orgulho nos olhos que o simpático Eraldo Dos Santos, responsável pelos carros do estacionamento da Reitoria, fala sobre a confiança depositada pelos seus clientes: "Tenho 10 anos que lavo o carro aqui, todo mundo confia em mim. Às vezes as pessoas deixam a chave do carro comigo, deixam celular em banco, e até hoje nunca houve nenhum problema". Para proporcionar uma maior segurança aos clientes, os lavadores devem deixar alguns dos seus dados pessoais e profissionais. "É como se fosse uma empresa particular", completa Eraldo.

Os cinco responsáveis pela lavagem de carros, no entanto, não possuem carteira assinada, o que os impossibilita de receber os benefícios usuais dos trabalhadores como décimo terceiro, férias e salário fixo. A ausência de um salário fixo, por exemplo, se transforma em um obstáculo na hora de se fazer um planejamento do quanto pode ser gasto e do quanto deve ser economizado.

De acordo com Eraldo Dos Santos, há algumas semanas que a renda chega a R$180,00, totalizando uma média de 30 carros semanais - o preço para lavar o carro é de R$5,00 a lavagem externa e de R$7,00, a lavagem geral. Seu horário de trabalho é pela manhã, de 7 às 12h - com pausa para o almoço no Resun -, e à tarde, de 13 às 18h. Segundo ele, os dias de sexta e segunda são os mais rentáveis - e, ao mesmo tempo, os mais trabalhosos -, já que as pessoas querem usar o carro limpo durante os fins de semana e voltam nas segundas mais uma vez sujos. "O sistema é esse. Não tenho muito tempo livre não, é muito carro, muito cliente", complementa Eraldo.

Por Rafael Santos.

18 dezembro, 2008

Trilhas propõem conhecimento aos alunos da UFS

Desde que se iniciou, em maio deste ano, o projeto Trilhe Trilhas, promovido pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFS, tem sido um sucesso. Com roteiros históricos, ecológicos e culturais, o projeto tem como objetivo “levar conhecimento aos estudantes da UFS, através do redescobrimento da sergipanidade. Há a necessidade que o aluno UFS seja mais interessado por Sergipe. Precisamos explorar Sergipe saber o que é, de fato, Sergipe”, explica Natan Alves, presidente do DCE e um dos idealizadores do projeto.


O primeiro destino do Trilhe Trilhas foi a Serra de Itabaiana, a escolha se deu devido à grande importância da Serra em termos de diversidade. “Muita gente desconhece a riqueza de diversidade da Serra, e há poucos estudos sobre ela – um único livro, em língua inglesa. Após o projeto alguns alunos já começaram a pensar em fazer seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) sobre a Serra”, comenta Natan.


O projeto envolve em média 70 pessoas por trilha, que contribuem com R$ 5,00. Segundo os organizadores, essa quantia serve para pagar a diária do motorista que, por ser servidor público, não teria a obrigação de trabalhar no sábado. De acordo com Natan, “com o ‘Trilhas’ o estudante vê no DCE o interesse pela extensão, cultura e riquezas sergipanas. Assim ele sai da rotina de conhecer a realidade e história sergipana só pelos livros, e começa a se interessar mais pelo nosso estado e a se preocupar com nossas diversidades, o que o leva a elaborar projetos de estudo e pesquisa sobre Sergipe.”


Ao longo desses nove meses de experiência do projeto, os estudantes já puderam visitar - além da Serra de Itabaiana - Lagoa Redonda e Ponta dos Mangues, no litoral norte sergipano; Poço Redondo e Piranhas (Alagoas) na Trilha do Cangaço, que percorreu o caminho por onde passou Lampião. No roteiro denominado Trilha dos Jesuítas, que traçou o mesmo percurso percorrido pelos jesuítas em Sergipe, os trilheiros visitaram desde a Igreja Jesuíta de Tomar do Geru (de 1688) e a Igreja e Colégio de Tejupeba (ambos também do séc. XVII), na Fazenda Iolanda, em Itaporanga, até a missão do Jaboatão, no município de Japoatã.


Em Porto da Folha, o trajeto chamado de “Caminhos do Povo Oprimido,” fez com que os estudantes da UFS conhecessem a Comunidade do Mucambo, remanescente de quilombolas, e a Ilha de São Pedro, única aldeia indígena de Sergipe, onde vivem os índios Xocó.


Patrícia Freitas, estudante de Fonoaudiologia, que já participou de duas trilhas, conta que “o projeto integra alunos de diversos cursos e é uma oportunidade de conhecer a realidade da cultura e história sergipana. São experiências ricas e únicas”.


O roteiro mais recente levou os estudantes para a Serra da Miaba, em São Domingos, localizada na região agreste de Sergipe. O último projeto para este ano, que irá ocorrer no dia 20 de dezembro, tem como destino a Cachoeira de Macambira, também no agreste do estado.

Por Fernanda Carvalho

04 dezembro, 2008

1ª Olimpíada integra estudantes da UFS

Com encerramento previsto para 6 de dezembro,sexta-feira, DCE comemora o sucesso do evento com alunos e prepara as equipes para torneios nacionais.

Com o tema “Avançando, Crescendo e Integrando”, a primeira edição das Olimpíadas UFS é organizada pelo Grupo Sport, formado por estudantes dos três cursos de Educação Física, e pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). O evento é o primeiro na comunidade universitária com dez modalidades no qual alunos de todos os cursos de graduação puderam montar suas equipes e praticar os mais diversos esportes. Entre as modalidades estão: atletismo, basquete, corrida rústica, futsal, futebol, handebol, judô, natação, vôlei de quadra, vôlei de praia e xadrez, com equipes masculinas e femininas. A atualização do quadro de medalhas e informações sobre o andamento das competições podem ser vistas no site do evento.

Com aproximadamente 2.500 inscrições, bem acima das 1.100 previstas, o evento esportivo serve de integração entre os participantes, além da diversão e do entretenimento. “A competição entre os estudantes é sadia e o esporte tem esse poder de ligar vários alunos dos mais diversos cursos, independente de classe social, religião ou etnia”, declarou Natan Alves, presidente do DCE.

Grupos dos campus periféricos da UFS também se envolveram no espírito esportivo. Onze equipes foram trazidas de Itabaiana para jogar nos mais diversos espaços de competição, como nas instalações dos colégios estaduais João Alves, Médici, Acrísio Cruz e Marco Maciel, e outros, como também no (espaço) da própria universidade. “A Olimpíada UFS é um diferencial, já que é o primeiro evento universitário esportivo com esse número de modalidades. A arbitragem, por exemplo, é das federações de cada esporte específico. Os alunos se interessaram bastante pelos jogos”, reforça Natan.

Para a estudante de fonoaudiologia, Elaine de Andrade, participante da modalidade futsal, o evento é interessante para todos universitários, já que possibilita atividade extra classe e diverte ao mesmo tempo. “Descontração do estresse do dia-a-dia e mobilização dos alunos para jogar e montar torcidas são processos da olimpíada que vão deixar saudades e expectativa para o próximo evento”, afirma a participante.
E provavelmente esses desejos serão atendidos. De acordo com Natan, próximas edições podem ser esperadas.

As modalidades futebol, futsal e vôlei de praia foram as mais procuradas e a participação masculina ainda predomina. Para o DCE, a olimpíada tem sua importância também pelo fato de melhorar as equipes para participarem dos Jogos Universitários Brasileiros, os JUB´s. “A UFS tem pequena participação no âmbito dos jogos universitários nacionais e essa olimpíada prepara e fortalece nossas equipes”, afirma Natan.

Premiação

As equipes campeãs receberão premiação em dinheiro, no valor de R$ 400,00 (na modalidade futebol), além de troféus e medalhas. A entrega dos prêmios será numa data posterior, ainda não divulgada pelo DCE, que contará com uma confraternização final dos jogos.

O encerramento oficial estava previsto para o dia 30 de novembro. Mas, de acordo com informações no site das olimpíadas UFS, a data foi adiada para o dia 6 de dezembro, em consequência de feriados, ENADE, concursos, simpósios, palestras e eleições, assim prorrogando o final do evento esportivo.

Por Lorene Vieira

15 novembro, 2008

Estudantes desocupam reitoria após negociação

Terminou na ultima terça-feira, dia 11, a ocupação da Reitoria da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Depois da reunião na tarde desta segunda-feira, 10, com o Reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho, os estudantes que ocupavam cinco salas tiveram suas reivindicações atendidas.

Após 12 dias de ocupação e duas reuniões de negociação com a Reitoria, o movimento estudantil conquistou a equiparação da bolsa-residência do campus de Laranjeiras que passou de R$450,00 para R$ 702,00 por residência (valor recebido pelos residentes do campus de São Cristóvão), o pagamento da bolsa-residência e bolsa-trabalho que estavam atrasados à dois meses, criação do conselho paritário e deliberativo de assistência estudantil e pagamento em dia da bolsa-alimentação.


Além do afastamento da professora Neilza Barreto no que difere ao diálogo com os estudantes residentes, fornecimento de cestas-básicas nos finais de semana para os residentes do campus de Laranjeiras e o desprendimento de parte da bolsa-residência para a compra de alimentos.


Para o estudante de Geografia e militante do movimento estudantil Fernando Correia, a ocupação foi fruto de problemáticas e discussões que há dois anos, desde a criação do campus de Laranjeiras, vinham sendo travadas pelos estudantes. "A ocupação não surgiu de um ato espontâneo. Na verdade ela foi fruto de um processo de mobilização que se iniciou no Campus Laranjeiras e no campus de São Cristóvão," afirma.


Fernando ainda complementou que a ocupação foi de grande importância para o movimento estudantil e para a UFS. "Foram 12 dias que fizemos da reitoria o nosso lar. Doze dias em que movimentamos e re-oxigenamos a Universidade e o Movimento Estudantil . A conquista vai além das pautas obtidas. É uma conquista, também, subjetiva. Uma prova de que o movimento estudantil está aí, forte e presente. E que com ele organizado podemos sim conquistar a nossa tão almejada Universidade pública, gratuita e de qualidade.


"A estudante do curso de Teatro e residente, Lidiane Souza, acredita que a ocupação promoveu maior visibilidade aos residentes. "Com as nossas pautas atendidas, a condição dos residentes na UFS se tornará melhor," disse.


O Pró-Reitor de Assuntos Estudantis, Arivaldo Montalvão, avaliou que a ocupação foi um marco reflexivo para a Universidade. "O movimento servirá para o amadurecimento de ambas as partes para que esses problemas não venham a acontecer novamente. A nossa intenção é que as políticas possam ser concretizadas da melhor forma possível," afirmou.


Leia mais
Após vazamento, estudantes ocupam reitoria da UFBA


Foto: Cocó

Por Pedro Alves

09 novembro, 2008

Departamento de Computação da UFS Celebra Maioridade Com Novo Curso

O Departamento de Computação (DCOMP) da Universidade Federal de Sergipe foi fundado em 1991, apenas com o curso de Ciência da Computação. Próximo ano, ele contará com mais um, o de Engenharia da Computação.

O professor Giovanny Lucero, chefe do departamento diz que obras estão previstas para o próximo ano, para comportar o aumento do número de alunos. Afinal houve um aumento tanto no número de vagas, quanto no número de cursos oferecidos pelo departamento. Hoje ele conta com três: Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Sistemas de Informação.

Questionado sobre as diferenças entre os cursos ele responde: “O curso de Ciências da Computação forma profissionais para a área de desenvolvimento tecnológico e tem a computação como atividade fim. Já o curso de Sistemas de Informação forma analistas de sistema, profissional preparado para trabalhar em empresas, enquanto Engenharia da Computação atua na fronteira entre Engenharia Elétrica e computação, projetando softwares, por exemplo.”.

A partir deste vestibular serão ofertadas 250 vagas para os cursos da área de informática. Cursos com concorrência baixa, mas com uma grade curricular que pesam para os estudantes. Afinal, matérias como Cálculo I, Cálculo II, Física A aterrorizam a vida destes futuros profissionais.

O estudante do oitavo período de Ciências da Computação, Lucas Augusto Carvalho, fala que sempre gostou da área de informática, esse foi o principal motivo que o levou a escolha do curso. Mas quando o assunto em questão é sobre a estrutura de seu departamento ele diz: “O departamento não tem estrutura, mas dizem que vão contratar novos professores e ampliar o prédio.”, e acrescenta: “Hoje, eu seria contra a ampliação de vagas, mas a longo prazo isso vai se tornar algo positivo, principalmente quando se trata do mercado de trabalho, pois haverá uma maior concentração, podendo ser criada uma empresa, aqui em Sergipe”.

Quanto a ampliação do departamento, Lucero afirma que haverá sim um aumento tanto de espaço quanto no número do quadro de professores, que atualmente conta com doze professores efetivos e dez substitutos.

O curso de Engenharia da Computação faz parte do Plano de Desenvolvimento Institucional (2004-2009) da Universidade Federal de Sergipe. Com promessas de ampliação departamental para 2009, e contratação de professores efetivos para 2010, o DCOMP celebrará sua maioridade com projetos em vista e um novo curso para aumentar a área de trabalho e pesquisas aqui em Sergipe.

Por Monique Tavares

05 novembro, 2008

Cobertura nos estacionamentos UFS

Uma expansão que não pode parar

O projeto de expansão da Universidade Federal de Sergipe (UFS) teve seu início em 2004 com uma ambiciosa proposta de ampliar, através de recursos em parceria com o Governo Federal, todas as áreas que compõem a Universidade, desde pessoas, graduações a infra-estrutura, etc. A partir de então, uma série de mudanças vem transformando o panorama do campus de São Cristovão.

Dentre as diversas obras em construção que estão sendo implantadas no campus uma das mais curiosas, sem dúvida, é a construção de um novo estacionamento próximo ao Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (CCET) e o Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) em velocidade impressionante e contendo toldos que perfazem a cobertura para apaziguar a temperatura dos carros que, por sinal, lembram bastantes coberturas de shoppings e alguns supermercados.

Em entrevista, o prefeito da Cidade Universitária “Professor José Aloísio de Campo”, afirmou que o “novo” estacionamento é uma parceria entre a UFS, o Governo Federal e a Petrobrás. Segundo ele, devido à demanda de mais vagas para o estacionamento e à criação de um pólo laboratorial, também financiada pela empresa, acabaram convergindo para a reconstrução do estacionamento naqueles moldes. Ele afirma, inclusive, que com a obra cerca de 400 novas vagas foram acrescentadas dentro daquela área.

Quando questionado sobre a possibilidade de uma expansão desse modelo de estacionamento, o prefeito foi taxativo em afirmar que devido ao aumento do número de carros transitando na universidade há planos para que aquele modelo de estacionamento seja incorporado em outras áreas. A opção pelos toldos como cobertura é um paliativo enquanto não é possível o crescimento da copa das árvores no local para produzir sombra, acrescenta que mesmo no estacionamento já construído e em fase finalização será instalada uma área específica para motocicletas e um bicicletário para atender aos usuários desses veículos.

Por conta da grande demanda de obras que o projeto de expansão impõe a toda a Universidade é possível que se demore um pouco até que todas as áreas tenham seus estacionamentos reformados ou criados, por causa de tramites burocráticos e judiciais. Porém, enquanto os novos estacionamentos não chegam resta aos alunos que estudam próximos ao CCET e ao CCBS desfrutarem da mais nova aquisição do projeto de expansão da UFS.

Por Thiago Vieira

04 novembro, 2008

Colégio de Aplicação modifica modelo de seleção para entrada de novos alunos

No dia 13 de outubro de 2008, foi aprovado em reunião pelo Conselho do Ensino da Pesquisa e da Extensão (Conepe) o novo modelo de seleção de alunos para o Colégio de Aplicação (Codap).

A nova proposta consiste em sorteio público e será implantada a partir de 2010. Dos 16 Colégios de Aplicação espalhados pelo país, o Codap de Sergipe era o único que ainda mantinha a seleção de alunos por método de avaliação.

Para a diretora do Codap, Marluce Gama, o método antigo de seleção era ultrapassado e não apresentava dados reais sobre a situação da educação pública. “O método por avaliação não nos ajuda, a saber, realmente como anda a educação pública, 80% dos estudantes que entram no colégio vêm de escolas particulares, esse modelo só estava desgastando o caráter dos Codap’s de escola laboratório em educação básica”, afirma.

Marluce Gama ainda complementou que o novo modelo aprovado é mais democrático e resgatará a função social da universidade “Com o sorteio público as vagas serão democratizadas(...) A UFS acaba de aprovar o sistema de cotas, se mantivéssemos o modelo antigo, entraríamos em contradição com o verdadeiro papel da universidade.(...) Não queremos treinar estudantes para passar no vestibular, queremos incluir o filho do trabalhador, o Codap é uma escola pública,” afirma a Diretora.

O sistema de cotas foi aprovado na mesma reunião do dia 13 e será implantado também em 2010.

Por Pedro Alves

14 agosto, 2008

Residentes da UFS pedem ajustes

Os benefícios atuais não são suficientes para alunos da Universidade Federal de Sergipe que participam do Programa de Residência Universitária

Aplicado à Universidade Federal de Sergipe (UFS) há 38 anos, o Programa de Residência Universitária ajuda vários alunos humildes a concluírem o curso superior. Com uma bolsa de R$ 702 por residência e outros benefícios, como a isenção de taxas e do pagamento do almoço e do jantar no restaurante universitário, a UFS auxilia estudantes que não possuem condições financeiras a se manterem na universidade.

Para participar do programa, os alunos devem se enquadrar em três exigências básicas: possuir renda familiar inferior ou igual a 90% do salário mínimo per capita (quanto maior o número de pessoas em uma família com renda fixa, menor é a renda per capita), não ser residente da Grande Aracaju (Aracaju, São Cristóvão, Laranjeiras, Socorro e Itaporanga) e estar cursando os primeiros períodos na universidade.

Em relação à verba de R$ 702 destinada a cada casa, os alunos parecem satisfeitos com o valor. A estudante de Serviço Social, Andréia Barros, afirma que o dinheiro é suficiente para cobrir os gastos do mês. “Do dinheiro que a gente recebe, R$ 500 são destinados ao aluguel do apartamento e à taxa de condomínio, que inclui a água, R$ 100 reais a gente usa para pagar a conta de energia e o gás, e com o restante do dinheiro a gente compra materiais de limpeza e outras coisas de que precisamos” afirma a residente.

A assistente social da Coordenação de Assistência e Integração do Estudante (Codae/UFS), Marlemberg de Matos, comemora o aumento no número de alunos muito carentes dentro das residências. “Isso significa que as camadas mais baixas da sociedade, geralmente alunos que cursaram em escolas públicas, têm tido a oportunidade de ingressar no ensino superior e manter-se no curso através do auxílio concedido pelo Programa de Residência Universitária”, afirma a assistente social.

Reclamações

Apesar do sucesso do programa, alguns problemas têm incomodado os estudantes que moram nas residências. Shyrlem Pacheco, também assistente social da Codae afirma que o fato de o restaurante universitário não oferecer café da manhã e a UFS não custear a alimentação dos residentes nos fins de semana deixa os alunos insatisfeitos.

Além disso, os estudantes se queixam que a UFS não dá vale-transporte para que eles possam se locomover até a universidade. Andréia Barros defende a idéia de que as residências deveriam estar localizadas dentro da UFS. “Na Universidade Federal de Alagoas, os estudantes não só moram dentro da universidade, como também possuem um próprio restaurante dentro da residência. O ideal seria que isso fosse feito aqui na UFS também”, argumenta a estudante.

Quanto a isso, a assistente social Marlemberg de Matos, declara não haver nenhuma proposta para que essa idéia entre em prática. “O que nós queremos é construir uma residência próxima à UFS, não uma aqui dentro. Em outras capitais onde os alunos moram na universidade, foram verificados problemas como tráfico de drogas, vandalismo e falta de segurança para os residentes. Como a universidade é pública e qualquer pessoa pode entrar, os alunos correm riscos, ainda mais nos fins de semana, quando a fiscalização é menor”, afirma.

No entanto, Andréia se mostra contrária às idéias da assistente. “Se a residência fosse dentro da universidade, os responsáveis teriam que tomar providências para que a segurança fosse reforçada. Em Alagoas não há nenhum risco porque a universidade dispõe de guardas policiais para vigiar o local o tempo inteiro”, responde a estudante.

Falta de acompanhamento

Outra queixa dos alunos é em relação à falta de mobília em algumas casas e a quase inexistência de visita domiciliar. “Na residência onde eu moro falta alguns utensílios domésticos, como sofá e televisão. Outra coisa que incomoda é o acompanhamento escasso que a universidade dá às residências”, afirma o residente José Edson, aluno do curso de Geografia.

“Quando há algum problema na casa e a gente é obrigado a comunicar às assistentes, elas prometem fazer uma visita, mas nunca vêm. Além disso, quando os contratos dos psicólogos da universidade terminam, a UFS não contrata novos profissionais para substituí-los e, quando precisamos consultá-los para resolver algum conflito entre os residentes, eles não estão lá para nos ajudar”, afirma o estudante. O que foi verificado é que a universidade não tem disponibilizado transporte para que as assistentes possam visitar as residências, o que tem dificultado o trabalho desenvolvido pela Codae.

Por Carla Rejane

03 agosto, 2008

UFS realiza Semana Nacional de Educação

Departamento de Educação da Universidade Federal de Sergipe discute estrutura e evolução do ensino infantil no Brasil

“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família”. É a partir desta declaração, do artigo 205 da Constituição Federal de 1988, que a concepção de Educação é legitimada como direito de todos. Uma conquista tida como marco, principalmente para a Educação Infantil, pois serviu de mola propulsora para a ampliação das garantias à educação para crianças de zero a seis anos na Legislação Brasileira.

Dentre os principais marcos normativos na garantia do direito à Educação Infantil no Brasil, estão o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, o Plano Nacional de Educação (PNE), de 2001, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), de 2007 e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), de 2007, que destina parte do fundo à Educação Infantil.

Os percursos da educação infantil e seus marcos foram discutidos na VI Semana Nacional de Educação da Universidade Federal de Sergipe (UFS), que aconteceu entre os dias 28 e 31 de julho. “Políticas de Educação para a Infância” foi um dos temas de discussão de uma das mesas-redondas do evento promovido pelo Departamento de Educação (DED) e pelo Núcleo de Pós-Graduação e Pesquisa em (NPGED).

A mesa composta pela técnica da Coordenação Geral de Educação Infantil do Ministério da Educação (MEC), Zóia Prestes, pela representante da Coordenadoria de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Aracaju (SEMED), Maria Barreto Alves, e pela Profa. Dra. Maria Cristina Martins (UFS), discutiu a evolução e as conquistas da Educação Infantil no Brasil.

Zóia Prestes explica que a LDB de 1996, por exemplo, inovou profundamente ao colocar a educação infantil como primeira etapa da educação básica. Outra mudança notória em relação à concepção da educação infantil apontada por ela é a transformação do papel do Estado na função de suprir uma falta da família na educação da criança pequena, que era compensada por ações de amparo e assistência. “O papel do Estado com a educação infantil passa a ser um dever, mediante a opção da família. Portanto, na educação infantil, a família não é obrigada a matricular. Ela pode optar por escolher qual a melhor forma de criar os filhos pequenos. No caso de a opção ser compartilhar com o Estado o dever de educar seus filhos, o Estado é obrigado a garantir o atendimento em creches e pré-escolas”, afirma a representante do MEC.

Essas e outras transformações implicaram numa ruptura histórica no ponto de vista da criança, do papel do Estado e da função da Educação. Entretanto, Zóia Prestes diz que a visão de Educação Infantil só é concretizada a partir da criação de políticas públicas de educação para a população infantil. “Eles devem ser educados em espaços institucionais, coletivos, não domésticos, públicos ou privados, considerados estabelecimentos educacionais e submetidos a múltiplos mecanismos de acompanhamento e controle social, em práticas de educação e cuidado desenvolvidas por professores habilitados, a partir de ações coletivas intencionalmente planejadas e sistematizadas em um projeto pedagógico e, com recursos constitucionalmente vinculados e regulamentados no Fundeb”, afirma.

Desafios

Zóia Prestes argumenta que, atualmente, a maior deficiência da Educação Infantil é o acesso restrito. De acordo com dados colhidos pelo MEC em 2006, somente 15,5% de crianças de zero a três anos tinham acesso à creche. A pesquisa também indica que o acesso é desigual nesta faixa etária, principalmente, para a população negra ou parda (13,8%) e para os mais pobres (9,7%).

Prestes também aponta que, dentre as dificuldades a ser superadas, estão a formação inadequada dos docentes, a fragilidade institucional de muitos municípios e as inconsistências na execução do Censo Escolar, que desconsidera as instituições irregulares.

A infra-estrutura deficiente nas instituições públicas e comunitárias também é outro grande problema. Zóia Prestes acrescenta que os recursos recebidos pelo Fundeb são insuficientes, pois cobrem apenas as matrículas já existentes. “Há necessidade de recursos para criar novas vagas, assim como investimentos na infra-estrutura das creches e pré-escolas”.

Ações do MEC

Com o intuito de superar as dificuldades e melhorar a qualidade da Educação Infantil no Brasil, o MEC tem realizado algumas ações em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. Dentre eles, o Programa de Formação Inicial para Professores em Exercício na Educação Infantil (PROINFANTIL), Programa Nacional de Biblioteca da Escola, Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos da Rede Escolar Pública de Educação Infantil (Proinfância), Programa de Alimentação Escolar e reforma e construção de instituições de educação infantil nos municípios.

Também são realizadas iniciativas como a elaboração de indicadores de qualidade para a Educação Infantil, currículo para crianças de até três anos e orientações para convênios na Educação Infantil. Com o objetivo de incentivar a qualidade docente, foi criando o Prêmio Professores do Brasil e a revista informativa Criança.

Situação municipal

Na sua apresentação, a representante da Secretaria Municipal da Educação de Aracaju, Maria Barreto Alves, expôs que a oferta de vagas para a Educação Infantil no município de Aracaju ainda é insuficiente e não atende à demanda. Segundo ela, a rede municipal conta somente com 20 creches e 33 pré-escolas e oferece um numero limitado de vagas. “Atualmente, atendemos mil crianças nas creches e 7.500 em pré-escolas”.

Para sanar o problema, Maria Barreto informou que iniciativas estão sendo tomadas para mudar o quadro. “O número de crianças atendidas tende a crescer gradativamente, principalmente, devido ao novo padrão de infra-estrutura que está sendo implantado nas creches e pré-escolas”.

40 anos do DED

Esta edição da VI Semana Nacional de Educação também comemorou os 40 anos do Departamento de Educação (DED) da UFS. A atual chefe do departamento, a professora Dilma Maria Andrade de Oliveira, diz que o DED tem motivos para comemorar, como a capacitação dos profissionais de educação com boa qualidade para trabalhar junto às crianças e à sociedade. Ela afirma que o DED tem proporcionado aos estudantes uma formação que se dá sob determinados enfoques a depender das demandas da sociedade. “Hoje, a formação do pedagogo está mais direcionada a preparação para a gestão pública”, observa a professora.

Dilma Oliveira diz que os principais desafios da educação são a expansão da escola nas regiões menos favorecidas e a oferta de uma educação pública de boa qualidade para a população. “Uma escola de boa qualidade é aquela que prepara o jovem a enfrentar os desafios do mundo contemporâneo, tanto do ponto de vista da formação para o trabalho, quanto do ponto de vista da formação da cidadania”, afirma.

Para mais informações a respeito das ações do MEC: http://portal.mec.gov.br/index.php

Por Cristiane Batista

Foto: Cristiane Batista

21 julho, 2008

O aracajuano que superou Os Sertões

Encontro Sergipano de História resgata legado de José Calasans

Poucas pessoas conseguem receber o mesmo reconhecimento em Sergipe e na Bahia ao mesmo tempo. Apesar da emancipação política relativamente recente, as distâncias culturais (como a disputa entre a Terra do Axé e o País do Forró) conseguem ser bem maiores do que a extensão da Linha Verde. O que dizer de um pensador que, além de ser freqüentemente homenageado nos dois estados, foi mais incisivo na história de Canudos do que o consagrado Euclides da Cunha?

José Calasans Brandão da Silva, sergipano de Aracaju, conseguiu este feito. E foi exatamente sobre este intelectual que tratou o XII Encontro Sergipano de História (ENSEH), realizado na Universidade Federal de Sergipe (UFS) entre os dias 7 e 11 de julho de 2008. Durante toda a semana do feriado pela Emancipação Política de Sergipe, os participantes tiveram contato com as diversas facetas do mestre.

A data do evento foi escolhida de forma estratégica. José Calasans nasceu em 14 de julho de 1915, quase um século depois da emancipação política de Sergipe frente à Bahia, em 8 de julho de 1820. A vida desse intelectual parecia intimamente ligada a Historiografia, aos dois estados e a essa separação, já que em 28 de Maio de 2001, às vésperas do festivo 8 de julho, faleceu na capital baiana.

Viveu em Aracaju até a década de 50, participando ativamente de movimentos culturais e intelectuais do estado. Foi professor da Escola Normal e aluno e professor do Colégio Atheneu Sergipense, numa época em que esta instituição pública era o berço de intelectuais e políticos futuros. Na outra metade de século, foi professor emérito da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e vice-reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) na gestão de Macedo Costa, também sergipano, além de ter presidido a Academia de Letras da Bahia, em Salvador.

O evento

Pode-se dizer que os organizadores saíram satisfeitos do ENSEH, muito por parte da intensa participação dos estudantes. Ao todo, 400 inscritos participaram do evento e tiveram a oportunidade de conhecer e ter acesso às inúmeras realizações de Calasans em conferências, mesas redondas e mini-cursos.

O professor Luís Eduardo Pina Lima, membro da comissão organizadora do evento e integrante do Departamento de História da UFS, afirma que a participação maciça pode ser creditada a vários fatores, como a divulgação do evento e dos muitos cursos de História hoje presentes em diversas instituições de ensino superior. Outro atrativo oferecido aos participantes foram os créditos contados como atividades extra-classe obrigatórias no currículo do curso.

Eduardo Pina avalia positivamente a experiência do Encontro. “Existem muitos professores do nosso departamento que não conheciam José Calasans, por serem de fora do estado, e que fizeram bom proveito do evento ao conhecerem os estudos sobre folclore, Canudos, toda a obra, além da singular figura que foi José Calasans”, afirma o professor. Houve ainda a presença de vários ex-alunos e amigos de Calasans, que prestaram-lhe uma homenagem devida, uma das razões essências da realização do Encontro.

Canudos

Apesar de formado em Direito na Bahia, Calasans logo seguiu sua predileção pela história e pelo folclore, tornando-se Livre Docente em História do Brasil pela Faculdade de Filosofia da Universidade da Bahia. E se no âmbito local dos vizinhos nordestinos, José Calasans já tinha adquirido um patamar de elite na sua intelectualidade, foi ao se debruçar sobre a história de Canudos e de Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, que ele tornou-se único nacionalmente.

Em um artigo escrito para o Jornal da Poesia, o professor Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes, membro da Academia Cearense de Letras e docente da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e da Universidade Federal do Ceará (UFC), faz um breve esboço sobre a obra e a vida de Calasans. “Bem antes de se tornar um procedimento sistemático da historiografia moderna, ele superou a versão oficial e tradicional sobre Canudos, não só vasculhando ampla documentação nos arquivos da Bahia, Sergipe, Pernambuco e Ceará, mas sobretudo reconstituindo a sua história oral, colhida de remanescentes e combatentes do Arraial do Belo Monte”, afirma.

E foi esta a razão que fez o professor Diatahy chegar a uma conclusão irônica, ao conversar com o próprio José Calasans, um dos seus grandes amigos. “Na confraria dos estudiosos de Canudos: da Bahia para o Sul, eles são euclidianos; da Bahia para o Norte, somos conselheiristas. E ele sempre sublinhava que Euclides da Cunha, em sua obra-prima, trancara Canudos numa gaiola de ouro”, relata. O respeito aos depoimentos prestados pelos próprios sobreviventes e combatentes do conflito, que superava as estatísticas de guerra oficiais, tornaria, para o pesquisador, a história dos seguidores de Antônio Conselheiro mais humana, como deveria ser.

Acervo

Com toda essa pesquisa, que lhe garantiu a memória de investigador infatigável, Calasans produziu uma larga bibliografia sobre a Guerra de Canudos, tema ao qual se dedicou por quase toda vida. Tratou de assuntos também ligados a história de sua terra natal, nunca esquecida depois de sua nova morada soteropolitana, fato corroborado pelo conterrâneo e também historiador Luiz Antonio Barreto.

Todo seu acervo referente à História de Canudos foi doada pelo próprio José Calasans em 31 de agosto de 1983 à Universidade Federal da Bahia (UFBA), o que deu origem à biblioteca Núcleo Sertão. Por sua vez, as obras referentes à história de Sergipe estão disponíveis no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE) e no escritório de Pesquisas de Sergipe (PESQUISE).

Leia mais sobre José Calasans:

Artigo de Luiz Antonio Barreto (com a bibliografia de José Calasans)

Por Luiz Paulo

Fotos: Jornal da Poesia (foto 1) e Luiz Antônio Barreto (foto 2)

17 julho, 2008

Por uma política de boa convivência

Projeto conscientiza a comunidade da UFS em relação a maus-tratos aos animais que vivem no campus

"Isso é um reflexo da crise do ser humano com a própria espécie, pois quem faz um ato desses dificilmente deve ter tido a oportunidade de conviver com um animal, porque se tivesse, não teria coragem de causar tal sofrimento a esses bichos, uma morte lenta, dolorosa, um ato desumano". É assim que uma das coordenadoras do Projeto Ecológico UFS e professora de Geografia do Colégio de Aplicação, Mirian Guedes Nascimento, define o assassinato dos seis gatos e um cachorro por envenenamento há aproximadamente duas semanas na Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Ela conta que ficou sabendo do ocorrido no fim da tarde do dia 1º, quando um animal foi encontrado por um trabalhador da UFS. No dia seguinte, as pessoas envolvidas no projeto sentiram falta de outros animais e fizeram uma vistoria no espaço do campus e encontraram os outros corpos, alguns já em estado de putrefação. "Todos eles tinham a mesma aparência e foi constatado pelo Departamento de Farmácia que realmente foi um envenenamento proposital. Nós tínhamos a esperança de que tivesse sido um acidente, mas os gatos são animais que não comem nada estragado, então tinha que ser algo que não deixasse rastro", afirma indignada.

O chefe da Divisão de Vigilância da universidade (Divig), Lindomar Silva, diz que não há nenhuma suspeita sobre possíveis culpados do envenenamento, principalmente pelo fato de muitas pessoas alimentarem os animais - o que, em sua opinião, torna impossível saber qual comida estava estragada e qual não estava. Além disso, ele revela que não há pessoal suficiente no departamento para ajudar a tomar conta dos animais. "Não tem como colocá-los na nossa rota de trabalho para dar uma maior assistência. Ou a gente cuida do patrimônio ou a gente cuida dos bichos. Nós só podemos ajudar mesmo no campo educativo, com a distribuição de panfletos, conscientizando as pessoas. Infelizmente não dá para fazer um plano de ação e ir em busca dos culpados", lamenta.

O início do projeto

Segundo Mirian Guedes, o programa surgiu em 2007 a partir da união de pessoas que já praticavam ações individuais. "A maioria era professores e alguns alunos que costumavam trazer rações de suas casas e colocar nos locais onde os animais se encontravam. Como todos tinham a mesma intenção, decidimos somar nossas ações, discutir, e a partir daí nasceu o projeto", explica. Ela diz que o sumiço de alguns animais ocorrido na Páscoa do ano passado os motivou anda mais a formalizar o projeto.

A coordenadora conta que, após receber o apoio da Pró-Reitoria de Extensão, uma das primeiras ações do grupo foi convidar a médica sanitarista e clínica veterinária Margareth Porto Pinheiro, que trabalha no Centro de Controle de Zoonoses de Aracaju, para proferir uma palestra sobre toxoplasmose, já que havia muitos boatos na UFS a respeito do contágio da doença através daqueles gatos. "A médica explicou que é praticamente impossível que alguém pudesse contrair toxoplasmose aqui na universidade, porque é preciso que o animal esteja infectado, que ele esteja no período da reprodução, e também que a pessoa tenha contato direto com as fezes já ressecadas, passados 10 ou 15 dias. Só assim se pega a doença, não é só olhar para um animal e dizer que ele tem toxoplasmose", esclarece.

Políticas públicas

Mirian faz questão de frisar que o problema dos animais não é um fato específico que ocorre apenas na UFS, e sim uma situação geral que acontece em qualquer espaço público. "A diferença é o tratamento que se dá a essa questão. Algumas cidades que optaram por sacrificar esses animais, por exemplo, perceberam que essa era uma ação antiética, desumana e cara para os cofres públicos, já que eles se reproduzem muito rápido. Em São Paulo chegava-se a sacrificar 30.000 animais por ano", afirma a coordenadora.

A professora garante que isso nunca resolveria o problema, pois uma cadela e seus descendentes geram 64.000 animais em um período de seis anos e uma gata e seus descendentes dão origem a 420.000 filhotes em um prazo de sete anos. Ela conta que os governos e prefeituras passaram a adotar uma política pública de esterilização gratuita, que é muito mais eficiente e menos cruel. "Aqui na UFS nós já fizemos isso com alguns animais com nosso próprio dinheiro, mas não é todo mundo que pode pagar por isso, pois tem lugar que chega a cobrar R$ 300", declara.

Para dar uma visibilidade maior ao problema e tentar chegar a possíveis soluções, Mirian anuncia que o Projeto Ecológico UFS tem uma parceria com a ONG Amigos dos animais (AMA), fazendo um trabalho com banners e materiais educativos. "Já tínhamos feito trabalho nas didáticas para conscientizar as pessoas a não abandonar animais, recolhendo assinaturas com um abaixo assinado que está circulando até hoje em apoio ao Projeto de Lei 13076/2003. O projeto dispõe sobre a política de controle de natalidade de cães e gatos, e a gente quer que isso aconteça aqui também, em todos os municípios e Estados, pois só assim podemos reduzir o número de animais abandonados e sacrificados", afirma.
A Constituição Federal já prevê a responsabilidade do Estado em garantir a preservação dos animais e entende como crime qualquer caso de maltrato ou abandono dos bichos, como consta no Decreto 24645/1934 e no artigo 32 da Lei Federal 9605/1998.

Conscientização e adoção

Quanto às castrações feitas na universidade, a professora afirma que elas não eram divulgadas antes para que isso não motivasse as pessoas a levarem seus bichos para a UFS com a idéia de que ali eles seriam bem cuidados, transferindo os seus problemas para o campus. Ela diz que o grupo sempre se preocupou com essa questão para que não aumentasse o número de animais abandonados no espaço, atitude que, segundo ela, é praticada pelos próprios professores, alunos e servidores.

Mirian conta que além das pessoas que já fazem parte do grupo com doações mensais de dinheiro e apoio direto aos animais, há muita gente que ajuda regularmente e participa das campanhas que são lançadas. "Para quem não pode adotar um animal definitivamente, temos um projeto de adoção por três meses em que as pessoas se comprometem em cuidar de um dos bichos neste tempo, dando comida e remédio e contribuindo com qualquer valor. Alguns, inclusive, se interessam e os levam para casa", explica.

A professora relata que também está elaborando alguns projetos dentro do Colégio de Aplicação com os seus alunos do ensino fundamental. Um destes programas chama-se ‘Bichos do campus: eu respeito, eu cuido' e trata-se de educar os jovens a respeitar os animais e a conviver em harmonia com eles. Segundo ela, o objetivo futuro é levar esses programas para todas as escolas, tanto da rede particular quanto da rede pública, trabalhando com as crianças a questão da posse responsável de animais desde cedo.

Depois do incidente, Mirian espera que as pessoas se sensibilizem mais com a causa dos animais e afirma que o grupo continuará trabalhando para pregar tolerância e paciência nas pessoas que se incomodam e para tentar resolver os transtornos que porventura os bichos estejam causando. Como exemplo, ela cita o caso dos laboratórios, que às vezes precisam ser telados para que os animais não entrem, e afirma que hoje em dia a Prefeitura do campus já disponibiliza telas e funcionários para fazer o serviço de isolamento para que os bichos não entrem nesses locais.

Para mais informações sobre o projeto e suas campanhas, as pessoas devem entrar em contato através do email projetoecologicoufs@hotmail.com. A assinatura do abaixo assinado poderá ser solicitada tanto através do endereço eletrônico quanto pelo próprio Contexto Online, que dispõe de uma cópia do documento. Para quem tiver interesse, a nossa equipe possui também o arquivo com todas as informações sobre o programa.

Por Thiago Rocha

Fotos: Miriam Guedes (fotos 1 e 2) e Christiane Matos (fotos 3 e 4)

12 julho, 2008

Oferta de vagas remanescentes é ampliada

Com a expansão da universidade e a implantação do Reuni, a pretensão é que o acesso seja democratizado e a vida acadêmica, "desobstruída"

O contínuo processo de expansão por que vem passando a Universidade Federal de Sergipe (UFS) nos últimos anos tem gerado um aumento proporcional da evasão, o que provoca, conseqüentemente, uma maior oferta de vagas remanescentes. Somente neste período, 434 novos espaços foram disponibilizados para diversos cursos da universidade, número consideravelmente alto se comparado com editais anteriores.


Os cursos que mais ofereceram vagas remanescentes para o próximo semestre foram os da Universidade Aberta do Brasil (UAB), especialmente os de Química Licenciatura e Física Licenciatura do município de Areia Branca, com 36 e 34 novos espaços de preenchimento, respectivamente. No campus de São Cristóvão, a carreira que mais abriu novas vacâncias foi Física Bacharelado, com 16 no total.

A grande novidade deste ano, no que diz respeito a vagas remanescentes, foi a oferta de cinco vagas para medicina já que a última vez que o curso disponibilizou vacaturas foi em 2001/2, quando foram oferecidas quatro.

De acordo com o chefe do Departamento de Medicina, Antônio Carvalho da Paixão, as vagas remanescentes que surgem no curso são, em sua maioria, decorrentes de óbito, já que as desistências são quase nulas. "Os alunos que conseguem passar no vestibular para Medicina já sofrem muito antes de chegar à universidade, então, quando finalmente conseguem a vaga, eles querem aproveitá-la da melhor forma possível e se formar logo, até porque têm que lutar para conseguir uma residência, que é como se fosse outro vestibular", explica. Segundo o professor, 97% dos estudantes se formam dentro do período regular.

A aluna do terceiro período do curso de Fisioterapia, Izabella Romilda Pereira de Lima, é uma das candidatas a essas vagas remanescentes. Ela afirma que sempre teve dúvidas entre Fisioterapia e Medicina, mas conta que nunca tentou para este último por não se sentir completamente preparada. "Da primeira vez em que prestei vestibular, como ainda não tinha Fisioterapia, acabei fazendo para Educação Física. Depois de dois períodos, quando finalmente implantaram o curso, larguei Educação Física e fui fazer Fisioterapia. Estou gostando muito, mas se conseguir a vaga para Medicina, mudarei mais uma vez".

Critérios

De acordo com o chefe do Departamento de Administração Acadêmica (DAA), Antônio Edilson do Nascimento, as vagas remanescentes são definidas multiplicando-se o número de alunos que são aprovados no vestibular pela duração estipulada de cada curso. "Em Medicina, por exemplo, entram 100 alunos por ano e a graduação é para ser completada em seis anos, o que resulta em 600 vagas. Se o número de alunos matriculados for menor do que isso, quer dizer que tem espaço para novos estudantes, não importa o período", explica.

Os critérios para a seleção dos candidatos que preencherão as vagas seguem a seguinte ordem de preferência: transferência interna, transferência externa de universidades federais, transferência externa de demais instituições públicas, readmissão, transferência externa de instituições particulares e ingresso de portador de diploma. Para os casos de transferência interna, por exemplo, analisa-se primeiramente a média geral ponderada (MGP) mais elevada, o maior índice de regularidade (IR), o menor número de reprovação em disciplinas e a maior idade, respectivamente.

Atualmente, as únicas formas para se gerar novas vagas remanescente na UFS é por meio de desistência ou de falecimento, já que o jubilamento não tem sido posto em prática. "A gente só tem desligado o aluno que não se matricula, mas acho que tem pessoas que estão usando a universidade sem estudar, e isso é um absurdo. Esses alunos deveriam ser jubilados", afirma Edilson, referindo-se aos estudantes que só se matriculam em uma ou duas disciplinas por período apenas para não perder a vaga.

A filosofia do processo e o Reuni

Na opinião do pró-reitor de Graduação da UFS, Antônio Ponciano Bezerra, as normas que estão em vigor na universidade atualmente são muito fechadas. "Elas determinam que o preenchimento dessas vagas seja quase que sem condição de um externo aproveitar, pois é como se fosse apenas um remanejamento interno. É por isso que é necessário democratizar o acesso, disponibilizando uma porcentagem para internos e outra para externos, por exemplo". Ponciano diz que isso será mudado com a implantação do Reuni, que, segundo ele, será muito mais flexível.

Quanto à questão da aplicação do jubilamento para se formar novas vagas, o professor se mostra absolutamente contra, pois, para ele, o papel da universidade é o de ajudar as pessoas a se formarem e não de prejudicá-las. "Se um aluno está aqui há 10 ou 20 anos, eu vou querer saber o motivo e provavelmente vou tentar fazer um programa para ele se formar logo, ao contrário de expulsá-lo". Ele acredita que o melhor caminho é identificar os obstáculos e entender o que está provocando o atraso no curso desses universitários para assim se resolver os problemas.

Ponciano cita como exemplos de "obstáculos" o fato de algumas matérias serem oferecidas apenas anualmente; a questão de haver alguns professores que, segundo ele, fazem de tudo para reprovar os estudantes no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC); e ainda a situação de alguns alunos que estudam bacharelado e que não podem transferir para licenciatura porque já estão prestes a se formar.

Como existe um período limite em cada curso para se fazer essa transferência, o pró-reitor explica que alguns concludentes estão "travando" a graduação para esperar até que o Reuni entre em vigor, sem perder sua vaga. Ele garante que com a implantação do programa todos esses problemas serão resolvidos, o que movimentará a vida estudantil, que, na sua opinião, "está muito bloqueada".

Por Thiago Rocha

Infográfico: Thiago Rocha

04 julho, 2008

UFS necessita de reforço na segurança

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) é uma cidade onde circulam em torno de 20 mil pessoas e mais de 10 mil veículos por dia. Com uma área extensa de aproximadamente um milhão de metros quadrados, seu sistema de segurança conta com a presença de 42 vigilantes, dos quais 71% são funcionários terceirizados, em regime de revezamento. Um número que tende a aumentar, já que a universidade passa por um processo de expansão.

Há quatro anos, o esquema de segurança interna é feito de forma estratégica. Em todos os semestres são realizadas campanhas educativas voltadas principalmente aos alunos. O chefe da Divisão de Vigilância (DIVIG), Lindomar Silva, explica que nem sempre o efeito esperado acontece, já que a maioria dos registros nos boletins de ocorrência consistem em falhas simples da comunidade, como portas de veículos ou de salas de departamento abertas em horários impróprios.

Até o dia 25 de junho, foram registradas pelo menos 32 ocorrências. A última delas foi um assalto de R$ 200 mil reais, dois dias antes, em frente à agência do Banco do Brasil que se encontra no interior da UFS. Lindomar Silva diz que por se tratar de um feriado, a agência deveria ter reforçado a segurança. “Um sistema de vigilância eletrônica externa ao banco seria de suma importância”, afirma ele. A gerente do banco, que preferiu não se identificar, explica que a segurança eletrônica de qualquer agência bancária é feita somente na área interna.

A própria universidade não possui um sistema eletrônico de vigilância. Depois de implantado, no final de 2007, o projeto teve de ser interrompido, devido às obras que vêm sendo feitas nos locais de cabeamento. A previsão é que o sistema volte a funcionar assim que algumas dessas obras sejam concluídas.

Além dos vigilantes, a segurança da UFS possui 17 policiais militares (PMs), por meio de um convênio com o Governo do Estado. No campus de São Cristovão, cinco desses policiais circulam diariamente com a função de zelar pela integridade dos estudantes. O Cabo Genivaldo dos Santos afirma que os PMs só agem na universidade se a vigilância solicitar, exceto em casos de flagrante. Ele informa também que a retirada da linha telefônica da base dos policiais, localizada próximo à prefeitura do campus, está dificultando o atendimento à comunidade estudantil.

Patrimônio

A segurança nos departamentos da universidade é um fator preocupante. Entre abril e maio deste ano, por exemplo, foram furtadas no Departamento de Ciências Sociais (DCS) uma câmera fotográfica, uma filmadora e um datashow. O Departamento de Artes e Comunicação (DAC) também passou por uma onda de furtos, o que levou à abertura de uma sindicância. Recentemente, a sala de um professor do Departamento de Psicologia (DPS) foi arrombada, mas nada foi levado.

Para o chefe do DCS, Josadac Bezerra dos Santos, falta priorizar o cuidado com o patrimônio da universidade. Ele diz que os departamentos não possuem condições físicas para guardar os equipamentos comprados. “Para isso, é necessário haver um planejamento, uma estratégia por parte da reitoria. A medida acabaria gerando lucro à universidade, já que os furtos cessariam”, afirma.

No Departamento de Educação Física (DEF), localizado em uma área pouco movimentada da universidade e com histórico de ataques a alunas do curso, a segurança passou por reformas e hoje funciona de forma eficaz. “A distribuição de vigilantes é mais efetiva que em outra época. Os seguranças têm um posto de observação aqui próximo e sempre fazem rondas nessa região”, diz o chefe do departamento, Pedro Jorge Moraes. Ele afirma que também não ocorrem furtos.

Fora das estatísticas

Além dos casos registrados pela DIVIG, eventos de vandalismo como o ocorrido com o veículo da estudante de Direito, Esther Barbosa, deixam de ser registrados. O carro da estudante foi quase todo riscado por um objeto pontiagudo no estacionamento da universidade. Ela diz que o acontecimento foi por volta das 11 horas da manhã e não havia nenhum segurança no local.

Esther considera que o ocorrido é de responsabilidade da UFS. “A deficiência no sistema de segurança não é só em relação aos bens materiais que são deixados no estacionamento, mas também no que concerne à própria integridade física de todas as pessoas que freqüentam a instituição, sejam alunos, professores, servidores”, afirma.

A adolescente e estudante do Colégio de Aplicação (Codap), B.D., também foi vítima de violência dentro da instituição. Ela teve o aparelho celular roubado há duas semanas quando chegava à universidade. De acordo com ela, tudo aconteceu muito rápido. “Um senhor de aproximadamente 40 anos se aproximou e me empurrou. Logo depois eu percebi que o celular não estava mais na bolsa”, relata. Ela acionou a polícia da universidade, que chegou a fazer uma ronda à procura do criminoso.

Em casos de violência, a segurança da universidade deve ser acionada. O boletim de ocorrência é feito na base da DIVIG, localizada na entrada principal da instituição.

Isenção de responsabilidade

Em todos os estacionamentos da UFS, existem placas informando que a instituição não se responsabiliza por roubos e furtos de veículos ou objetos deixados no mesmo. A estudante Esther Barbosa pensa que a placa é uma forma de a universidade se desobrigar dos prejuízos materiais.

Silas Coutinho, procurador da UFS, declara que apesar das várias ações contra a universidade, a questão das placas é algo conflitante para a justiça. Ele sustenta a tese de que a instituição não é responsável pelos prejuízos materiais que acontecem na área dos estacionamentos.

Em contrapartida, o advogado Aroldo Vieira esclarece que a instituição deve disponibilizar a segurança adequada ao estacionamento, já que o espaço faz parte do território da instituição. Quanto à responsabilidade, ele explica que se em seu terreno a universidade pode proibir, não compete a ela se isentar pelo que acontece neste local.

Campanhas educativas

A Divisão de Segurança do Departamento de Serviços Gerais (DSG) da UFS elaborou uma cartilha contendo dicas de segurança para os usuários do campus. Nela, estão os cuidados especiais nas unidades, no estacionamento e, em especial, para as mulheres. O material também disponibiliza os números do serviço de vigilância, do posto policial e da guarita de pedestre, localizada na entrada da universidade.

Essa campanha é realizada há quatro anos. Lindomar Silva diz que é importante que as pessoas sigam as dicas e que não se omitam, quando presenciarem atos violentos. “Se os alunos, professores e servidores não colaboram, infelizmente não vai ser com aumento de efetivo e de novos equipamentos que iremos resolver os problemas de nossa segurança”, afirma.

Dicas de segurança

- Mantenha sempre consigo objetos de valor como carteiras e relógios
- Ao sair de alguma sala ou setor, verifique se portas, janelas e gavetas estão trancadas
- Não deixe objetos de valor à vista dentro de veículos
- Permaneça o tempo mínimo possível dentro do veículo estacionado
- Estacione em locais iluminados e, de preferência, que haja outros veículos
- Ande sempre acompanhado à noite

Telefones úteis (ramais):

Vigilância - 6551
Posto policial - 6961
Guarda de pedestre - 6934

Por Getúlio Cajé e Cristiane Batista

Imagens: Getúlio Cajé e Cristiane Batista

30 junho, 2008

Demanda sugere crescimento da biblioteca da UFS

Muitas são as dificuldades encontradas pelos estudantes ao ingressar em uma universidade. Entre elas, o choque entre a quantidade de obras para ler e a baixa quantidade de livros disponíveis nas bibliotecas. Essa é uma das principais barreiras que o aluno da Universidade Federal de Sergipe encontra desde o início da sua vida acadêmica. Quem, por exemplo, nunca se deparou com a urgência de uma obra bibliográfica para uma prova ou para um artigo científico, e quando chegou à biblioteca não encontrou nenhum exemplar disponível?

A Bicen (Biblioteca Central) – criada em 11 de agosto de 1979 -, que atende diariamente a toda a comunidade sergipana e, principalmente, aos estudantes da UFS, hoje conta com um acervo diversificado. Segundo a diretora da Bicen Rosa Gomes Vieira, no ano passado a biblioteca possuía mais de 40 mil títulos e 130 mil volumes. Porém, o processo de aquisição e disponibilidade de novos livros não acompanha a crescente demanda dos usuários. Ainda são muitas as reclamações dos estudantes quanto à falta de bibliografias importantes nas diversas áreas. E essa situação torna-se ainda mais preocupante ao lembrarmos que a universidade passa por um processo de expansão de cursos e de alunos.

E o problema que o aluno tem enfrentar não fica só na baixa quantidade de obras disponíveis, mas também na falta de organização destas. “O acervo da Bicen não supre as necessidades dos estudantes e, além disso, é super desorganizado. Os livros de TV são pouquíssimos e ficam na área de contabilidade, criando sérios problemas para achá-los”, ressalta Dinah de Sousa Costa, estudante do 5º período de Rádio e TV. Ademais, segundo Christerson Magno Gonçalves, estudante do 4º período do curso de Educação Física Plena, encontra-se ainda o problema da idade das obras. “Eu acho que a Bicen tem até um bom acervo, mas ele está um pouco defasado porque os livros estão muito antigos. Pelo menos no do meu curso a maioria dos livros mais recentes têm pelo menos 10 anos.” Ainda segundo ele, em muitas matérias os professores recomendam a procura na Internet, já que não são disponíveis livros sobre o assunto na biblioteca. “Agora mesmo eu estou fazendo uma matéria – Prevenção e Segurança – que é muito difícil de ter livros aqui na biblioteca, então temos que ficar pegando dos sites da Internet mesmo.”

A falta de muitas dessas obras, porém, não é somente responsabilidade da biblioteca. Segundo a diretora, Rosa Vieira, os pedidos dos livros são responsabilidade dos professores de cada departamento. Cada departamento tem uma cota estipulada para o valor que pode comprar. Esse valor muda conforme o curso, pois eles têm pesos diferentes. Os cursos de Medicina e Física, por exemplo, tem um peso maior que os demais.

Segundo Alaine Maria Barros, chefe da divisão de processos técnicos da Bicen, no ano passado foram destinados por volta de 700 mil para a compra de obras para a biblioteca e este ano esse valor chegou a quase 1 milhão. Esses pedidos são feitos uma vez por ano através do preenchimento do formulário do Proquali (Programa Ensino de Qualidade) para que, então, a biblioteca possa abrir o processo de solicitação. Após o preenchimento do formulário o setor responsável, na universidade, pela aceitação dos pedidos é a Cogeplan. Ainda segundo ela, uma das soluções para contornar o problema da demanda de livros seria o maior envolvimento de cada professor com seu departamento.
Para a diretora da Bicen, Rosa Vieira, aos poucos o Proquali está tentando suprir essa ausência das bibliografias, mas os professores precisam colaborar renovando seus pedidos a cada ano para não ficar solicitando os livros já existentes na biblioteca. “Hoje, a responsabilidade pela seleção é do professor e não da biblioteca. A biblioteca coloca somente os livros à disposição do aluno, salvo as doações que a gente recebe”.

Doações

Um das soluções viáveis para contornar a carência de livros nas bibliotecas seria através das doações. Porém, segundo Alaine Maria Barros, as doações por parte dos usuários ainda são muito poucas e dificilmente são doações novas, o que prejudica a aceitação destas para a ampliação do acervo da biblioteca. “Normalmente as pessoas doam o que já não querem mais”, afirma.

Sabemos, porém, que não é tão simples assim fazer tais doações, pois muitas vezes, para elas serem aceitas, precisam passar pelas difíceis barreiras da burocracia. Desta forma, muitos desistem de tentar enfrentá-las e acabam não ajudando para o crescimento do acervo. Para Rosa Vieira, porém, não há tal burocracia. Segundo ela, o que existe são critérios para a aceitação dos materiais, pois eles precisam verificar e ter um controle dessas doações. “Doações de entidades de fora, de outras instituições, de outras universidades, de livrarias ou de fundações, por exemplo, não passam nem por um critério porque normalmente são livros novos e atualizados. Porém quando chega um particular para entregar os livros precisamos ter um critério de aceitação, já que muitas vezes são doações que não são de interesses para a comunidade universitária. E, outras vezes, até são de interesse, mas são livros que já estão muito riscados e com anotações que não tem nem como recuperar. Deste modo, o próprio aluno não vai querer pegar emprestado um livro como esse”.

Ainda segundo a diretora, embora a pessoa tenha boa vontade e espírito de solidariedade, é muito dispendioso para a universidade manter as doações. “A universidade tem gastos com o bibliotecário para fazer a seleção, com o armazenamento, pois não tem estantes suficientes para guardá-los, e com os funcionários que precisam fazer o processo de organizar as doações no acervo dos computadores. Ademais, muitas vezes as pessoas deixam livros mofados, rasgados e até com cupim, o que é muito perigo para o restante da biblioteca.”, acrescenta.

Mesmo com todos esses empecilhos, é fundamental ressaltar a importância das doações para a universidade. Nos últimos anos, por exemplo, a Bicen recebeu algumas importantes doações como as vindas de Jurinha Lobão, as da professora Teresinha Oliva e da família da professora de Serviço Social, Dinah. Outro fato importante de se destacar é a do acervo da videoteca da Bicen, que é formada quase na sua totalidade por doações.

Proquali

O Proquali (Programa de Ensino de Qualidade) é um programa de ensino da UFS que está em ação desde 2005. Ele tem como proposta a descentralização de recursos financeiros, garantindo a estabilidade de seus beneficiários. Assim, a universidade pode programar suas estratégias para a aquisição de novos equipamentos e livros, tendo como objetivo melhorar a qualidade do ensino na UFS e envolver a comunidade acadêmica na gestão da qualidade.

Até 2007, as unidades participantes eram os departamentos, os núcleos de graduação, os núcleos de pós-graduação, o Colégio de Aplicação e a Biblioteca Central Nos últimos três anos, os recursos reatados entre as unidades contempladas foi do todo de R$ 3,25 milhões. E, segundo dados do Ministério da Educação, até novembro de 2007, cerca de 17.645 novos exemplares para a Biblioteca Central, fazendo com que o acervo crescesse mais de 15%.

Links relacionados:
http://www.ufs.br/proquali2007.php

*Amanhã, dia 1° de julho, comemora-se o Dia das Bibliotecas.

Por Júlia da Escóssia.