05 julho, 2007

Estudantes e Reitoria mantêm diálogo sobre a paralisação


Frente às dificuldades de continuação das aulas por conta da greve dos servidores e devido a insatisfações com o Plano de Expansão da UFS, proposto há três anos e que vem sendo executado desde 2005, os estudantes do campus de São Cristóvão realizaram, no dia 13 de junho, uma assembléia em que a maioria dos estudantes presentes, cerca de 1700, votou a favor da paralisação estudantil.

Com o intuito de apontar suas justificativas para a paralização e a posição dos estudantes em relação ao Plano de Expansão da UFS, a Frente de Paralisação enviou uma carta-proposta ao reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho no dia 20 de junho. E no dia 22 de junho divulgou-se a carta-resposta formulada pelo reitor.

O diálogo entre estudantes e Reitoria não cessou após as comunicações escritas. Segundo Thiago Menezes Santana, estudante de Direito e membro da Frente de Paralisação, a carta escrita pelo reitor não contém respostas a alguns pontos importantes presentes na carta-proposta dos estudantes. Por isso, após a divulgação da carta-resposta, já ocorreram e estão previstos diálogos e reuniões presenciais a fim de se chegar a um consenso. Santana afirma que estão previstas manifestações dentro e fora do campus de São Cristóvão.

Já o universitário Thiago Leite Batista reconhece o contexto político em que a paralisação está inserida, mas discorda da forma como foi deferida. “A paralisação se deu com apenas duas plenárias e apenas 1200 votos a favor. A forma como fazem as manifestações demonstram certa despolitização e uma centralização das discussões por parte dos integrantes do DCE”, contesta Batista.

O estudante Plínio Barboza Cunha, que cursa o 3º período de Licenciatura em Física, acha a paralisação uma utopia. “O reitor não atenderá nem metade das exigências e muita gente parou por causa das festas juninas”. Ele acha que realmente seria bom o cumprimento das propostas, porém não acredita que isso ocorrerá.


Carta-proposta dos estudantes

Na carta enviada pela Frente de Paralisação, intitulada Carta-proposta das Pautas Reivindicadas pela Frente, os estudantes, que fazem parte do movimento, explicam os motivos da paralisação e seus intuitos. No documento, também estão agrupadas as pautas da paralisação, sistematizadas em Pautas Locais e Pautas Nacionais.

Entre as Pautas Locais, encontram-se problemas e propostas apontados pela Frente sobre setores da UFS. Hospital Universitário (HU), Assistência Estudantil, Reforma e Expansão, Pesquisa e Extensão compõem o eixo das Pautas Locais.

Entre as críticas, está a transformação do HU em Fundação Estatal de Direito Privado. No âmbito da Assistência Estudantil, a carta afirma que as Bolsas de Trabalho para estudantes residentes não contribuem para a formação acadêmica. O documento apresenta ainda críticas e propostas de soluções em relação ao acervo da Biblioteca Central (Bicen), ao Programa de Residência, ao Restaurante Universitário (Resun), às taxas cobradas por alguns serviços, ao número insuficiente de ônibus para os campi da UFS e à falta de postos de saúde no campus de São Cristóvão.

Sobre a Reforma e Expansão da UFS, a carta detalha os problemas enfrentados por estudantes dos campi dos municípios de Laranjeiras e Itabaiana. Além disso, o texto traz críticas ao modelo da Universidade Aberta por não estimular o tripé básico da universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão. Propõe ainda outras reformas no patrimônio físico da instituição, além das executadas nas didáticas.

Quanto à Pesquisa e Extensão, os estudantes reclamam da falta de transparência na distribuição de Bolsas de Iniciação Científica, Extensão, Estágio e Monitoria. Para tornar mais clara a escolha de projetos e bolsistas, a Frente de Paralisação sugere a criação de Conselhos com a participação paritária dos estudantes.

Já no tocante às Pautas Nacionais, a principal crítica gerada pela Frente de Paralisação refere-se à percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro destinada à educação, que é 4%. Fração estagnada, segundo a carta. Para a Frente, é necessário que haja um aumento no financiamento da educação para 10% do PIB.

Carta-resposta do reitor

“Não estou lastreado apenas em opinião pessoal, mas em um programa legitimado pela maioria da comunidade acadêmica, repito, nos três segmentos da nossa comunidade”. Tais palavras estão contidas na carta-resposta do reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho intitulada Resposta aos Questionamentos dos Estudantes. No início da carta o reitor detalha seu histórico acadêmico mostrando aos estudantes que ele próprio já fez parte de movimentos em prol dos direitos estudantis. A seguir, ele responde às considerações da carta proposta.

Em resposta às Pautas Locais, Subrinho enumera 18 inovações feitas no Hospital Universitário durante sua gestão, e ainda expõe a oposição da administração a qualquer forma de financiamento que implique a venda de serviços assistenciais. Quanto à Bicen, demonstra os investimentos alocados na ampliação do acervo. E, sobre a proposta de criação de um Conselho para Bolsas de Extensão e Estágio, salienta que “a participação dos estudantes nas atividades de extensão é consolidada pela prática do diálogo com os segmentos envolvidos nas ações de extensão”.

Para as críticas e sugestões a respeito da Assistência Estudantil, o reitor explica que há espaço para diálogo com os órgãos representantes. Sobre este assunto, ele demonstra a importância que sua gestão tem dado à inclusão social, inclusive mostrando o resultado positivo da Bolsa de Trabalho e do Programa de Residência. Quanto ao Resun, Subrinho informa que sua ampliação já vem sendo discutida com as representações dos estudantes, docentes e técnicos administrativos desde o final de 2006 e que o projeto resultante dessas discussões já foi encaminhado para abertura de licitação. Ainda sobre esse tópico, o reitor divulga a participação dos professores e estudantes do curso de Engenharia de Alimentos na orientação e elaboração de trabalhos de final de curso sobre o RESUN e da possibilidade deste atuar, futuramente, como um campo de atuação para os estudantes do curso de Nutrição.

Sobre o campus de Laranjeiras, Josué Subrinho salienta que é conhecedor dos problemas e que está viabilizando as soluções. O reitor informa que as bolsas de extensão solicitadas pela Frente de Paralisação já fazem parte da realidade do campus, pois são distribuídas entre os campi da UFS. Quanto ao campus de Itabaiana, a carta traz um relato sobre suas atuais condições de infra-estrutura e atividades de ensino, pesquisa e extensão entre as quais salienta-se a configuração de um corpo docente efetivo de 30 professores composto, em sua maioria, por doutores e a autorização para a realização de concurso para a contratação de mais 30 professores.

No que diz respeito às críticas feitas pela Frente de Paralisação ao Programa Universidade Aberta (UAB), Subrinho explica o que é o programa e como está ocorrendo sua implementação. Ele acrescenta que este é um projeto e, por isso, ainda passível de aprimoramentos. Para isso, ele esclarece ser essencial as discussões com a comunidade acadêmica no sentido de aprimorá-lo, ao tempo que salienta o comprometimento dos atores envolvidos na implantação da UAB em resolver eventuais falhas do projeto e em disponibilizar aos sergipanos serviços com qualidade compatível aos ofertados pelos cursos do campus de São Cristóvão.

Quanto à falta de transparência sobre os critérios de seleção de projetos e de bolsistas de Iniciação Científica (PIBIC), criticada pelos estudantes, o reitor reitera que o edital de seleção é bastante claro e que o mesmo segue rigorosamente as normas do CNPq.

Sobre as Pautas Nacionais, Subrinho apóia a preocupação dos estudantes da UFS quanto ao financiamento da educação e aos recursos destinados ao custeio da universidade. Mas reitera que estas questões transcendem o âmbito das responsabilidades específicas da Universidade Federal de Sergipe, recomendando, por isso, prudência na vinculação da paralisação a essas questões, até para que não haja comprometimento de outros aspectos da qualidade de ensino, tão prezada no documento citado e em outras manifestações do movimento estudantil.


Por Adrine Cabral
adrine.cabral@gmail.com

Fotografia: Taís Olivia/Blog do Contexto

Para mais informações, acesse:

Carta-proposta das Pautas Reivindicadas pela Frente de Paralisação

Carta-resposta do reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho

Plano de Expansão da UFS

8 comentários:

Anônimo disse...

Legal a matéria!
Extremamente explicativa!

Abidoral Peixoto disse...

uma materia legal!! mas para levantar uma reflexão!
observa-se que a frente de paralização estudantil é formada por setores da esquerda-burguesa presente na instituicao.
existem pontos que nao foram colocados em pauta como cotas para estudantes oriundos de escolas publicas e como o estudante pode ajudar a instituicao como ajudar a catalogar os livros novos na bicen, a consertar computadores defeituosos.
ao dar apoio a greve dos servidores os estudantes tem que assumir as consequencias que venham a surgir.
o poder publico deveria agir com maIS RISPIDEZ com esse grupo de burgueses metidos a esquerdistas revolucionários...mas no final das contas tem carrinho, dinheirinho, festinha, nao necessitam trabalhar patra se manter na universidade

Anônimo disse...

risos para o comentário acima.

Thiago Leite batista disse...

Preciso me retratar às afirmações que dei e que foram postas nesta matéria. Quero deixar três pontos sobre as afirmações que foram dadas;

1- A primeira questão vem a ser sobre aquilo que é explicito dentro do texto. Desta maneira preciso me retratar da afirmação que é dada ao problema da votação, ao problema das manifestações, e ao problema de centralização.

Primeiramente, a votação representa uma instancia legal, a votação se deu por legitimidade do movimento estudantil demonstrando o poder de decisão de uma democracia representavia. A questão que implica, para uma futura votação tanto para representantes e representados, é quanto a sua real capacidade de atender aos anseios estudatil.

Sobre a despolitização das manisfesções, deixo minhas sinceras desculpas, de maneira que não há uma poltica que seja em essência, como prática que decorra a resultados verdadeiros em uma forma absoluta. Mas, em contra-partida, deixo sugestivamente a questão de que é as formas, as práticas que se estabelecem o agir que determinará uma ação-politica, por isso é necessario decorrer de todas as questões como bem a questão da representação etica do outro, de um determinado grupo a outro.

Em terceiro lugar gostaria de também me retratar quanto a dita de centralização do dce. Na verdade seria uma centralização quanto a institucionalização, ou seja, uma centralização de poder ao se criar um comando de greve. Isto é, a instituição do comando de greve que representam os estudantes às formalidades burocraticas, e isto vem a ser outro principio que se institucionaliza o poder, e vem a ser uma critica a votação democratica representativa.

2- o texto está otimo, muito explicativo e colocando informações mais pontuadas diferentemente de outros meios de comunicação. a questão é quanto a referencia que foi utilizada, e que é uma prática comum dos jornalistas mostrarem os textosfinalizados para aqueles que dão uma opinião acerca de algum assunto, caso eles queiram mudar algo, etc. E como também colocar a fala na integra, ou em caso mudanças de acordo com o autor dela.

3- não creio na tentaiva de imparcialidade na minha resposta, e quanto menos ao do texto. mas creio que a colocação da conjunção "Já o universtário..." é problemática, pois gera um pensando de contraposição ao que já foi escrito, dando a atender devido a argumentação de Thiago Menezes que coloco-me de forma contraria. Pois bem, não lembro ao certo do que disse, mas creio eu ter ficado em cima do muro, principalmente, por ter dito que era sim favoravel a greve devido ao contexto, e não pelos motivos já apresentados.

Sobre a greve, comentário acerca;

Acredito que o monmento agora é de descoberta e de posicionamento da pauta de reinvidicação, e que todos façam uma reflexão sobre a questão etica que se passa a universidade, especialmente a questão etica que se passa com o outro, pensando na questão da alteridade. Desta maneira, é necessario, mesmo que agora se posicione politicamente a favor a greve, e que este posicionamento se passe pelo questão que, ao menos, parece evidente para classe estudantil que é justamente as melhoras nas condições de ensino.

Grazielle Matos disse...

Bom para o comentário de Tiago Leite. Veja bm, sua fala tah clara, vc se mostra a favor da paralisação e demonstra a não satisfação de como "deferida". Não entendi o q vc qs dzr com "é uma prática comum dos jornalistas mostrarem os textosfinalizados para aqueles que dão uma opinião acerca de algum assunto, caso eles queiram mudar algo, etc. E como também colocar a fala na integra, ou em caso mudanças de acordo com o autor dela."

Qto ao "Já o universitário", realmente tem a idéia de contraposição, mas como falei anteriormente, sua fala é clara, qm lê o texto percebe q vc é a favor da greve. Creio que o seu posicionamento "em cima do muro" não foi prejudicado pela edição de sua fala.

Ancéjo Resende disse...

Como não poderia deixar de ser, essa gente do DCE aproveita a greve justa dos servidores da UFS para continuar fazendo bagunça. Tudo é uma desculpa pra começar a baderna. Alguém precisa dizer a essa gente que escola foi feita pra estudar e não pra servir de parque de diversão pra gente desocupada e sem compromisso.

Anônimo disse...

bem feito Deda mandar a policia tirar eles do evento com o ministro!! que falta de educação!! o ministro é um representante legal do Estado Brasileiro.
Sabem, qual é o saldo desse movimento? PASMEM:
estão "sujando" uma imagem aura do movimento estudantil liderando na década de 60 e 70.Ou seja estao se incinerando diante da imprensa e opinião pública.
eles(os grevistas) são na sua maioria militantes de esquerda e criticavam a politica do grupo que governava o Estado ate dezembro ultimo, enfim o veículo de comunicação sustentado por esse grupo, é o unico veiculo de comunicação do estado que esta "apoiando" as ações dos grevistas frente ao governo do PT, pois esse partido é oposição a esse grupo de comunicação.

Díjna disse...

Alguns comentários...Bom, em primeiro lugar, votei a favor da greve, não sou do DCE, não sou burguesa, trabalho, estudo, milito no movimento e não sou desocupada, cuidado com as palavras!!Em segundo lugar, confesso que o movimento têm seus altos e baixos, afinal somos integrantes de um grupo heterogêneo ( dá pra entender ou quer que eu desenhe?), então não julgue a atitude de alguns como atitudes de todos, até porque militância é coisa séria e quem milita com seriedade é porque luta por uma situação melhor!!