21 fevereiro, 2008

Paralisação dos médicos continua

A greve dos médicos da rede municipal de Aracaju continua. No último dia 19 foi realizada uma audiência no Ministério Público de Sergipe com a Secretaria Municipal de Saúde. A finalidade da reunião foi levar esclarecimentos sobre a paralisação da categoria médica. Como não houve acordo entre as partes envolvidas, sugeriu-se outra reunião para o dia 28 de fevereiro, às 10 horas, na sede do Ministério Público.

Ontem pela manhã os médicos fizeram mais uma assembléia para discutir as questões da paralisação. A próxima está prevista para o dia 29 deste mês, após a audiência com o MP, quando será decidido sobre a continuação ou não da greve. Na pauta das principais reinvidicações estão a melhoria das condições de trabalho e reajuste do piso salarial.

Médicos sobrecarregados

Segundo o diretor do Sindicato dos Médicos (Sindimed), João Augusto de Oliveira, devido aos baixos salários eles acabam assumindo mais de um cargo e se sobrecarregando. "A carga horária ideal para um médico é de 20 horas semanais, algo impossível de cumprir com o nosso atual piso salarial, que é R$ 1.767,03 por 40 horas semanais", afirma o diretor. A proposta do sindicato é de reajuste do piso para R$ 3.481,76 e carga horária de 20 horas por semana.

Motivados pela sobrecarga, baixa remuneração e pelas condições de trabalho, médicos concursados e convocados para trabalhar nos hospitais de urgência e emergência da rede pública de Aracaju pediram demissão. João Augusto diz não ter dados concretos sobre isso, pois ainda não foi divulgado oficialmente o número de demitidos, mas explica que a prefeitura precisa de 49 clínicos para fechar as escalas dos dois hospitais municipais de Aracaju, o Nestor Piva e o Fernando Franco.

"Para preencher as vagas, já foram feitos dois concursos, foram aprovados quase duzentos no primeiro e todos foram chamados. Dos aprovados no segundo concurso não sei ao certo quantos foram convocados, mas na última rodada foram chamados 33 médicos em caráter de urgência. Então, partindo do pressuposto de que eles convocaram o máximo que precisam, no caso, 33 médicos, só restam 16 para cobrir os dois hospitais. Não foi divulgado o número de médicos que pediram demissão, suponho que seja mais de cem", explica o diretor. A Secretaria Municipal de Saúde não se manifestou sobre o assunto.

Servidores estaduais também se mobilizam

Os médicos da rede estadual se reuniram no último dia 19 no Sindimed para discutir as reinvidicações da classe. Dentre os assuntos em pauta, estão a discussão acerca da criação do instituto da Fundação Estatal de Direito Privado e a criação de plano de cargos e salários para os médicos no SUS (para saber mais sobre a fundação acesse o site http://www.fundacaoestatal.com.br/)

Como esta foi a primeira assembléia dos servidores estaduais, a mobilização da classe foi pequena. De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos, José dos Santos Menezes, "é importante que os médicos se mobilizem e freqüentem as assembléias, que participem das discussões para que sejam ouvidas e discutidas as necessidades de cada um". A próxima assembléia será no dia 4 de março, um dia antes da paralisação nacional dos médicos que trabalham para a rede estadual, que está prevista para o dia 5 de março. O movimento pretende mobilizar todos os setores do serviço médico, inclusive os da urgência.


"Funcionários pela porta dos fundos, por favor"

Segundo médicos da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, foi estabelecida recentemente uma regra que proíbe médicos e os demais funcionários de entrarem pela porta da frente. A medida, de acordo com o advogado trabalhista Marcos Nunes, é inconstitucional e pode ser considerada como discriminação.

Alguns funcionários da maternidade acataram à 'nova regra' temendo punições. Mas esse não foi o caso da médica D.C., que se mostra indignada com a situação. "Soube da decisão por meio do segurança da maternidade. Ao chegar para trabalhar fui impedida por ele de entrar pela porta da frente. Isso é constrangedor para nós, trabalhadores", reclama. A médica também questiona a inexistência de um comunicado oficial justificando a implantação da medida. A secretária da Diretora Administrativa da maternidade, que não quis se identificar, diz que a norma foi estabelecida desde a inauguração do local, mas não quis se manifestar sobre de que modo ela foi passada aos funcionários.

Por Cristiane Batista

3 comentários:

Raquel disse...

Contexto também é denúncia!

Parabéns Cris

Abraços

Raquel

20dizer-isso disse...

jogou duro Cris
Meus Parabens

valdo100%gatinho disse...

parabens criz!!
adorei a materia continue assim,a sua interlocução com o publico mim agradou e mim chamou a atenção!!

aborde sempre temas como esse que tão importante

abraçoss

valdo rocha