20 junho, 2008

Mais quatro anos de expansão

Comunidade acadêmica disse ‘sim’ ao crescimento da UFS



A Universidade Federal de Sergipe (UFS) dará continuidade ao seu Plano de Expansão. A chapa “Crescendo com a UFS”, representada pela atual gestão da reitoria, recebeu quase 70% dos votos em consulta popular à comunidade acadêmica, realizada entre os dias 14 e 17 de junho. Com esse resultado, o atual reitor Josué Modesto e o vice, Ângelo Antoniolli, devem seguir o modelo de administração praticado nos quatro anos da gestão anterior.

Entre os anos de 2005 e 2008, a gestão de Josué Modesto foi marcada pela ampliação do acesso à universidade. Nesse período, destacaram-se entre suas ações: o aumento do número de vagas no vestibular, a criação de novos cursos presenciais, a construção dos campi de Itabaiana e Laranjeiras e a implantação de cursos de ensino superior a distância. Com isso, o número de estudantes que ingressaram na instituição praticamente dobrou e, no último vestibular, a UFS recebeu mais de quatro mil alunos.

Para atender à nova demanda de alunos, algumas ações foram realizadas, como a alteração nos horários das aulas, para que os cursos funcionassem em um único turno, a ampliação do Restaurante Universitário (Resun) e a construção do prédio da Didática V, com novas salas de aula. Em janeiro de 2008, o Ministério da Educação (MEC) autorizou a realização de concurso para contratação de novos técnicos administrativos, de modo que a UFS pudesse suprir a necessidade de ampliar os seus serviços.

Reuni

A adesão da UFS ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades (Reuni) em outubro de 2007 foi outro ponto que marcou a gestão de Josué Modesto. As universidades que aderiram ao Reuni devem ampliar o número de vagas de ingresso, especialmente no período noturno, e implantar ações de auxílio à permanência de estudantes na educação superior.

O Reuni prevê o encaminhamento de recursos do MEC para que as universidades federais sejam capazes de atender à crescente demanda dos estudantes. Nos próximos quatro anos, a UFS irá receber R$ 55,8 milhões do MEC para investimentos em infra-estrutura e equipamentos. Os prédios da Didática VI e do curso de Engenharia de Materiais são algumas das obras que estão sendo construídas com recursos do Reuni.

O professor Eduardo Freire, do Departamento de Engenharia Elétrica (DEE), aponta o projeto atual de captação de recursos como uma importante ferramenta de reestruturação e crescimento da universidade. O docente avalia de forma positiva a reeleição de Josué Modesto e a continuidade desse projeto. "Embora com várias carências, a universidade passa por um importante momento de transição que, se for interrompido, pode ser prejudicial ao seu desenvolvimento", afirma o docente.

Protestos

No entanto, a gestão de Josué Modesto também sofreu várias críticas por parte da comunidade acadêmica. A adesão ao Reuni, por exemplo, foi considerada por setores do movimento estudantil como uma medida prejudicial ao desenvolvimento da universidade. Membros do Movimento Resistência e Luta (MRL), por exemplo, consideram que o processo de expansão está sendo feito de forma precipitada.

A falta de estrutura para receber o grande número de alunos também incomodou parte da comunidade acadêmica. A aluna do curso de Fisioterapia, Larissa Resende, afirma que os equipamentos muitas vezes não dão conta da demanda. “Um equipamento que poderia suprir a necessidade de uma única turma, às vezes tem que ser dividida entre três ou quatro turmas, o que atrapalha o rendimento do aluno”, declara a estudante.

Futuro

Como as eleições para a reitoria são realizadas de forma indireta, os membros do Conselho Universitário (Consu) e do Conselho do Ensino e da Pesquisa (Conep) é que decidem. Se os conselhos respeitarem o resultado obtido na consulta popular, o que normalmente acontece, Josué Modesto e Ângelo Antoniolli irão administrar a UFS até 2012. O resultado da escolha deve ser divulgado no próximo dia 10 de julho.

Com isso, a UFS deve continuar o seu processo de expansão, comandado pelo mesmo grupo que administrou a universidade nos últimos quatro anos. Novos cursos serão criados e o número de alunos irá crescer exponencialmente. Até 2012, a universidade deverá encarar as mesmas críticas em relação à estrutura para abrigar esse novo contingente de alunos. Por isso, mesmo com algumas dificuldades, a UFS deve seguir o mesmo projeto que a caracterizou nos anos da gestão Josué: a inclusão por meio da ampliação do acesso à universidade e a interiorização do ensino superior.

Por Fernando Pires

Foto: Fernando Pires

Um comentário:

[D]iógenes de Souza disse...

Acredito que o crescimento da UFS só tende a se consolidar. No entanto, espero que as dificuldades que emergiram tão logo foram criados os novos cursos, sejam sanadas da forma mais rápida possível, pois muitos estudantes estão sendo prejudicados pela falta de estrutura e de corpo docente qualificado.