19 julho, 2007

Sistema de bilhetagem eletrônica chega a Aracaju

Desde o dia 18 de junho, usuários do transporte público começaram a entrar em contato com o sistema de bilhetagem eletrônica que está em processo de implantação na grande Aracaju. A fase de teste do sistema teve início com a instalação da validadora, aparelho responsável pela administração dos cartões eletrônicos que irão substituir o uso de vales-transporte, passes-escolares e até mesmo de dinheiro nos transportes coletivos.

“Minha surpresa foi grande ao ver o aparelhinho no ônibus. Fiquei intrigado e questionei o cobrador sobre para qual finalidade ele se destinava”, comentou o usuário Geraldo Luis dos Santos. Assim como Santos, ainda são muitas as pessoas que desconhecem a implantação do sistema. Por isso, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) e a Prefeitura, têm feito um trabalho de divulgação e esclarecimento junto à comunidade sobre o novo sistema.

Representantes do Setransp permaneceram durante duas semanas no Shopping Jardins para esclarecer dúvidas e explicar às pessoas todos os detalhes da bilhetagem eletrônica. Para a funcionária do Setransp, Danilella da Gama, a experiência foi bastante positiva. “Algumas pessoas já conheciam o sistema de outros estados, contudo ainda há muitos que desconhecem e que passam pelo nosso stand sem qualquer curiosidade”, comenta a funcionária.

Paralelamente a essas atividades, foram distribuídas cartilhas explicativas e afixados cartazes nos terminais de integração e nos ônibus. Entretanto, ainda há dúvidas mesmo entre os funcionários do transporte público. Segundo o cobrador Marcos Aurélio Soares, a bilhetagem eletrônica ainda gera confusão. E, apesar de ter participado de palestras e demonstrações, o cobrador considera que o treinamento foi insuficiente.

Implantação do sistema

O lançamento do projeto, no dia 13 de junho, foi marcado pela assinatura de um decreto do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PCdoB), que, entre outras disposições, proíbe que as empresas de transporte demitam cobradores. Para o prefeito, o sistema trará mais agilidade, conforto e segurança aos passageiros, motoristas e cobradores. Na ocasião, Nogueira também anunciou o projeto de instalação de aparelhos do Sistema de Posicionamento Global (GPS), que permitirá que os ônibus sejam monitorados pelos agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT).

Os investimentos em equipamentos estão orçados em R$ 6 milhões e os custos de sua implantação ficarão a cargo das empresas de ônibus. O sistema de bilhetagem será operado pela Setransp e a SMTT ficará responsável pela fiscalização.

Com a implantação da bilhetagem eletrônica, Aracaju será uma das muitas cidades brasileiras que utilizam o sistema, a exemplo da cidade de São José do Rio Preto, localizada no estado de São Paulo. Para José Orlando dos Anjos, morador da cidade, a experiência tem sido positiva. “Sinto que o sistema melhorou em 90% o transporte público. Faz tempo que não ouço falar em assaltos nos ônibus. Além disso, o sistema também impediu o comércio paralelo de venda de passes e vales”, avalia dos Anjos.

Distribuição dos “Cartões”

O sistema de bilhetagem eletrônica funcionará com sete diferentes tipos de cartões [ver gráfico abaixo]. Segundo a Assessoria de Comunicação da Setransp, a distribuição desses cartões será feita de forma gradativa. Assim que o sistema for totalmente implantado, a Setransp divulgará as informações para o recebimento dos cartões. Estima-se que até o final do mês de julho os cartões funcionais já tenham sido entregues aos funcionários do transporte público. Logo em seguida, a partir do dia 13 agosto, será a vez de os estudantes receberem os cartões escolares. Os demais cartões serão distribuídos até o final do ano.

O procedimento nos ônibus será simples. O usuário deverá posicionar seu cartão em frente à máquina validadora, localizada ao lado da catraca, e aguardar a liberação da passagem pelo cobrador.

Tipos de cartões do sistema de bilheteria eletrônica



Meia–passagem para estudantes

Outra mudança no sistema de transporte público de Aracaju diz respeito à utilização da meia-passagem aos domingos e feriados pelos estudantes. A novidade passa a vigorar a partir de 11 de agosto, quando é comemorado o Dia do Estudante, mediante a utilização do cartão escolar.

O presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFS, Mike Lopes, acha a medida positiva, mas vê a novidade com certa desconfiança. E apesar de reconhecer a existência de um avanço, na opinião dele, a utilização do sistema ainda não está tão clara, uma vez que há muitas outras vantagens que os estudantes necessitam.

Por Tais Olivia
tasluas@gmail.com

Fotografia: Tais Olivia/Blog do Contexto

Para mais informações, acesse:
Setransp

13 julho, 2007

Le Parkour: atividade física que estimula a liberdade de movimentos e a auto-superação


À primeira vista, parece tratar-se de um grupo de jovens em fuga. Mas ao olharmos com mais atenção e ao observarmos suas fisionomias e a naturalidade com que se movem o primeiro estranhamento se esvai e percebemos que estamos diante de uma atividade esportiva pouco convencional. O estranhamento e a surpresa são reações comuns entre os desavisados que se deparam pela primeira vez com praticantes do Le Parkour, uma atividade física criada recentemente e que começa a ganhar espaço no mundo dos esportes radicais.

Também chamado de "art du déplacement" (em português, arte do deslocamento) ou simplesmente de parkour (abreviado como PK), o le parkour é uma modalidade na qual o praticante define um percurso e tem o objetivo de vencer os obstáculos à sua frente. O percurso delimitado é conhecido como “Run” e para “vencê-lo” é necessário utilizar ao máximo a desenvoltura do corpo humano, muitas vezes ultrapassando limites pessoais. Os adeptos são chamados de traceurs (no feminino, traceuse), palavra derivada do verbo francês "tracer" e que significa "indo rápido".

Conforme a descrição presente no site da Associação Brasileira de Parkour (ABPK), a atividade “consiste em uma pessoa correndo de alguém ou algo, sem que nenhum obstáculo possa pará-la. Além de passar os obstáculos, ela deve executar os movimentos da forma mais natural possível, usando-os como se fosse parte do seu corpo”. Daí a primeira impressão de fuga ser a mais comum.

Particularidades

Para iniciar nessa atividade, além da vontade e disposição para aprender, basta ao interessado calçar um tênis, vestir roupas leves e procurar orientações com alguém que já treine. Uma recomendação importante dos veteranos diz respeito a ter um bom preparo físico, já que o corpo acaba sendo bastante exigido nos treinamentos.

Para o vice-presidente e fundador da ABPK, Alberto Brandão, 22 anos, o diferencial do parkour em relação aos esportes mais difundidos está na liberdade que o praticante tem de treinar quando quiser, na hora que quiser e com a roupa que tiver. Segundo ele, o foco da modalidade está direcionado para o desenvolvimento pessoal, para a facilidade de sua prática (em qualquer lugar) e para o baixo custo, uma vez que não exige equipamentos específicos.

Característica ainda mais peculiar ao parkour é que a atividade não estimula competições. “Os obstáculos a serem vencidos residem dentro de cada traceur”, destaca o praticante Eduardo Rodrigo Oliveira Rocha, 21 anos, aluno do curso de Letras Inglês da Universidade Federal de Sergipe (UFS), revelando o lado filosófico do PK. De acordo com os traceurs, o atleta compete apenas contra si mesmo, pois é dessa forma ele aprenderá a interagir com o ambiente e a tornar-se livre.

Devido ao grau de dificuldade e ao perigo apresentado por alguns dos movimentos propostos pela atividade, é inevitável que alguns praticantes tenham o receio de sofrer acidentes que ocasionem lesões ou ferimentos. A recomendação nesse sentido é para que o praticante tenha consciência de seus limites e busque adquirir confiança no corpo e na mente antes de executar determinadas manobras. O parkour tem por objetivo o “controle corporal”. Por isso a ocorrência de lesões ou acidentes é um indicativo de que algo está errado, ressalta Rocha.


Origem

Estima-se que o Parkour tenha surgido na década de 1980, na França, baseado em um treinamento militar desenvolvido pelos franceses que atuaram na Guerra do Vietnam. O treinamento é conhecido como “parcours du combattant” ou, em português, “percurso de obstáculo”. O francês David Belle, reconhecido mundialmente como o criador da atividade, inspirou-se nas técnicas ensinadas por seu pai, o ex-combatente no Vietnam Raymond Belle. A partir daí ele dedicou sua vida a aprimorar a nova arte física e a torná-la conhecida.

A princípio Belle difundiu sua idéia entre amigos e conhecidos. Em seguida, pouco a pouco, ele conseguiu reunir um grande número de adeptos e com isso, atraiu a mídia. Belle então atingiu seu objetivo de difundir a modalidade ao aparecer em diversas reportagens. Mais recentemente, o criador do Le Parkour produziu e protagonizou o filme de ação B13 – 13º Distrito, onde ele aparece em várias cenas executando movimentos do le parkour. A película teve repercussão mundial e se tornou mais uma frente significativa de propagação do parkour.

Parkour no Brasil

Segundo Alberto Brandão, vice-presidente e fundador da ABPK, não há uma pessoa ou grupo que possa ser reconhecido como o primeiro a ter trazido o parkour para o Brasil. “Foram várias pessoas de várias cidades que começaram a praticar na mesma época” afirma Brandão, que é administrador de redes e pratica o esporte há três anos e meio. O que se sabe é que a história da modalidade no Brasil teve início por volta de fevereiro de 2004.

Parkour em Sergipe

No estado de Sergipe, o parkour é praticado desde o começo de 2006. O esporte vem numa crescente sobretudo em Aracaju, onde, de acordo com os traceurs locais, mais de 300 pessoas aderiram à modalidade. Os treinos não têm um lugar fixo, o mais comum é eles serem acertados por meio de diálogos ou postagens na comunidade “Le Parkour Aracaju”, no Orkut.

Por Hádam Lima

Fotografia: Saut de Detente. ABPK.


Para mais informações, acesse:

Associação Brasileira de Parkour

Comunidade no Orkut Le Parkour Brasil

Comunidade no Orkut Le Parkour Aracaju

05 julho, 2007

Estudantes e Reitoria mantêm diálogo sobre a paralisação


Frente às dificuldades de continuação das aulas por conta da greve dos servidores e devido a insatisfações com o Plano de Expansão da UFS, proposto há três anos e que vem sendo executado desde 2005, os estudantes do campus de São Cristóvão realizaram, no dia 13 de junho, uma assembléia em que a maioria dos estudantes presentes, cerca de 1700, votou a favor da paralisação estudantil.

Com o intuito de apontar suas justificativas para a paralização e a posição dos estudantes em relação ao Plano de Expansão da UFS, a Frente de Paralisação enviou uma carta-proposta ao reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho no dia 20 de junho. E no dia 22 de junho divulgou-se a carta-resposta formulada pelo reitor.

O diálogo entre estudantes e Reitoria não cessou após as comunicações escritas. Segundo Thiago Menezes Santana, estudante de Direito e membro da Frente de Paralisação, a carta escrita pelo reitor não contém respostas a alguns pontos importantes presentes na carta-proposta dos estudantes. Por isso, após a divulgação da carta-resposta, já ocorreram e estão previstos diálogos e reuniões presenciais a fim de se chegar a um consenso. Santana afirma que estão previstas manifestações dentro e fora do campus de São Cristóvão.

Já o universitário Thiago Leite Batista reconhece o contexto político em que a paralisação está inserida, mas discorda da forma como foi deferida. “A paralisação se deu com apenas duas plenárias e apenas 1200 votos a favor. A forma como fazem as manifestações demonstram certa despolitização e uma centralização das discussões por parte dos integrantes do DCE”, contesta Batista.

O estudante Plínio Barboza Cunha, que cursa o 3º período de Licenciatura em Física, acha a paralisação uma utopia. “O reitor não atenderá nem metade das exigências e muita gente parou por causa das festas juninas”. Ele acha que realmente seria bom o cumprimento das propostas, porém não acredita que isso ocorrerá.


Carta-proposta dos estudantes

Na carta enviada pela Frente de Paralisação, intitulada Carta-proposta das Pautas Reivindicadas pela Frente, os estudantes, que fazem parte do movimento, explicam os motivos da paralisação e seus intuitos. No documento, também estão agrupadas as pautas da paralisação, sistematizadas em Pautas Locais e Pautas Nacionais.

Entre as Pautas Locais, encontram-se problemas e propostas apontados pela Frente sobre setores da UFS. Hospital Universitário (HU), Assistência Estudantil, Reforma e Expansão, Pesquisa e Extensão compõem o eixo das Pautas Locais.

Entre as críticas, está a transformação do HU em Fundação Estatal de Direito Privado. No âmbito da Assistência Estudantil, a carta afirma que as Bolsas de Trabalho para estudantes residentes não contribuem para a formação acadêmica. O documento apresenta ainda críticas e propostas de soluções em relação ao acervo da Biblioteca Central (Bicen), ao Programa de Residência, ao Restaurante Universitário (Resun), às taxas cobradas por alguns serviços, ao número insuficiente de ônibus para os campi da UFS e à falta de postos de saúde no campus de São Cristóvão.

Sobre a Reforma e Expansão da UFS, a carta detalha os problemas enfrentados por estudantes dos campi dos municípios de Laranjeiras e Itabaiana. Além disso, o texto traz críticas ao modelo da Universidade Aberta por não estimular o tripé básico da universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão. Propõe ainda outras reformas no patrimônio físico da instituição, além das executadas nas didáticas.

Quanto à Pesquisa e Extensão, os estudantes reclamam da falta de transparência na distribuição de Bolsas de Iniciação Científica, Extensão, Estágio e Monitoria. Para tornar mais clara a escolha de projetos e bolsistas, a Frente de Paralisação sugere a criação de Conselhos com a participação paritária dos estudantes.

Já no tocante às Pautas Nacionais, a principal crítica gerada pela Frente de Paralisação refere-se à percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro destinada à educação, que é 4%. Fração estagnada, segundo a carta. Para a Frente, é necessário que haja um aumento no financiamento da educação para 10% do PIB.

Carta-resposta do reitor

“Não estou lastreado apenas em opinião pessoal, mas em um programa legitimado pela maioria da comunidade acadêmica, repito, nos três segmentos da nossa comunidade”. Tais palavras estão contidas na carta-resposta do reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho intitulada Resposta aos Questionamentos dos Estudantes. No início da carta o reitor detalha seu histórico acadêmico mostrando aos estudantes que ele próprio já fez parte de movimentos em prol dos direitos estudantis. A seguir, ele responde às considerações da carta proposta.

Em resposta às Pautas Locais, Subrinho enumera 18 inovações feitas no Hospital Universitário durante sua gestão, e ainda expõe a oposição da administração a qualquer forma de financiamento que implique a venda de serviços assistenciais. Quanto à Bicen, demonstra os investimentos alocados na ampliação do acervo. E, sobre a proposta de criação de um Conselho para Bolsas de Extensão e Estágio, salienta que “a participação dos estudantes nas atividades de extensão é consolidada pela prática do diálogo com os segmentos envolvidos nas ações de extensão”.

Para as críticas e sugestões a respeito da Assistência Estudantil, o reitor explica que há espaço para diálogo com os órgãos representantes. Sobre este assunto, ele demonstra a importância que sua gestão tem dado à inclusão social, inclusive mostrando o resultado positivo da Bolsa de Trabalho e do Programa de Residência. Quanto ao Resun, Subrinho informa que sua ampliação já vem sendo discutida com as representações dos estudantes, docentes e técnicos administrativos desde o final de 2006 e que o projeto resultante dessas discussões já foi encaminhado para abertura de licitação. Ainda sobre esse tópico, o reitor divulga a participação dos professores e estudantes do curso de Engenharia de Alimentos na orientação e elaboração de trabalhos de final de curso sobre o RESUN e da possibilidade deste atuar, futuramente, como um campo de atuação para os estudantes do curso de Nutrição.

Sobre o campus de Laranjeiras, Josué Subrinho salienta que é conhecedor dos problemas e que está viabilizando as soluções. O reitor informa que as bolsas de extensão solicitadas pela Frente de Paralisação já fazem parte da realidade do campus, pois são distribuídas entre os campi da UFS. Quanto ao campus de Itabaiana, a carta traz um relato sobre suas atuais condições de infra-estrutura e atividades de ensino, pesquisa e extensão entre as quais salienta-se a configuração de um corpo docente efetivo de 30 professores composto, em sua maioria, por doutores e a autorização para a realização de concurso para a contratação de mais 30 professores.

No que diz respeito às críticas feitas pela Frente de Paralisação ao Programa Universidade Aberta (UAB), Subrinho explica o que é o programa e como está ocorrendo sua implementação. Ele acrescenta que este é um projeto e, por isso, ainda passível de aprimoramentos. Para isso, ele esclarece ser essencial as discussões com a comunidade acadêmica no sentido de aprimorá-lo, ao tempo que salienta o comprometimento dos atores envolvidos na implantação da UAB em resolver eventuais falhas do projeto e em disponibilizar aos sergipanos serviços com qualidade compatível aos ofertados pelos cursos do campus de São Cristóvão.

Quanto à falta de transparência sobre os critérios de seleção de projetos e de bolsistas de Iniciação Científica (PIBIC), criticada pelos estudantes, o reitor reitera que o edital de seleção é bastante claro e que o mesmo segue rigorosamente as normas do CNPq.

Sobre as Pautas Nacionais, Subrinho apóia a preocupação dos estudantes da UFS quanto ao financiamento da educação e aos recursos destinados ao custeio da universidade. Mas reitera que estas questões transcendem o âmbito das responsabilidades específicas da Universidade Federal de Sergipe, recomendando, por isso, prudência na vinculação da paralisação a essas questões, até para que não haja comprometimento de outros aspectos da qualidade de ensino, tão prezada no documento citado e em outras manifestações do movimento estudantil.


Por Adrine Cabral
adrine.cabral@gmail.com

Fotografia: Taís Olivia/Blog do Contexto

Para mais informações, acesse:

Carta-proposta das Pautas Reivindicadas pela Frente de Paralisação

Carta-resposta do reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho

Plano de Expansão da UFS

03 julho, 2007

Projeto pretende modernizar Aeroporto Santa Maria

Gestores da Empresa de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), em conjunto com o Governo Federal, Estadual e Municipal, discutem um projeto de reformas que visam modernizar o aeroporto de Aracaju. Em pauta, estão sendo discutidas desde melhorias na estrutura física do local até sua possível internacionalização. O início dos trabalhos depende de aprovação na presidência da Infraero, que pretende lançar processo licitatório em breve.

Quinta-feira, dia 21 de junho, os passageiros de um vôo com origem em São Paulo desembarcavam na capital sergipana, às 2h30 da madrugada. Chovia forte em Aracaju e nem os guarda-chuvas evitaram que algumas pessoas se molhassem. A turismóloga Gláucia José Mota Santos diz que já passou por um constrangimento semelhante. “Seria bom que houvesse aquelas passarelas. Você sai direto do avião e ainda se protege”, diz Santos.

As passarelas às quais a turismóloga se refere são as ‘pontes’, estruturas que fazem a ligação dos portões de embarque e desembarque com as entradas das aeronaves. O projeto da Infraero prevê a instalação de duas delas no Aeroporto Santa Maria. Trata-se de uma comodidade já presente em vários terminais aeroportuários do Brasil.

Reformas

Para a implantação das ‘pontes’, serão necessárias algumas mudanças na logística do aeroporto. Nesse contexto, e com a modernização do terminal, o setor de embarque será deslocado para a parte superior do prédio. Segundo dados do Tribunal de contas da união (TCU), serão gastos em torno de R$ 600 mil em cada uma das pontes.

Outras mudanças também estão previstas no projeto de modernização, como a climatização total e mudança da fachada exterior. “Atualmente, apenas os terminais de embarque e desembarque são climatizados, além da parte onde fica o mirante e a praça de alimentação. Pretendemos fazer de todo o aeroporto de Aracaju um ambiente aconchegante e agradável” explica o coordenador de Comunicação Social da Infraero em Sergipe, Keldo Gabriel Campos.

Concebido para ser um terminal internacional, o aeroporto Santa Maria não recebe vôos estrangeiros. Apenas a empresa argentina Pluna chegou a operar por um certo tempo. “Contratamos uma empresa de consultoria e eles estão estudando as potencialidades da nossa pista, que tem 2200 metros. Em cerca de 60 dias saberemos quais aeronaves poderão desembarcar aqui. Aí então o aeroporto será internacional de fato”, comenta Campos.

Abrangência

Além de melhorias no que concerne à comodidade, o projeto de modernização do aeroporto Santa Maria pretende repercutir na economia e turismo local. Quanto ao impacto econômico, o secretario de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado (Sedetec), Jorge Santana, vê com otimismo a internacionalização do terminal.

Conforme Santana, “O maior impacto econômico deverá ocorrer a partir do momento em que o aeroporto puder receber vôos internacionais sem escalas, condição indispensável para a implantação de empreendimentos turísticos voltados para estrangeiros”.

O secretário ainda informa que Governo do Estado está demandando ampliação e reforço no pavimento do pátio e pista do aeroporto. “Dessa forma, será permitido pousos e decolagens de aeronaves operando vôos transcontinentais”, pontua Jorge Santana.

Segundo José Roberto Andrade, secretário adjunto de Turismo do Estado (Setur), “as reformas do aeroporto são necessárias para este novo padrão de demanda. É importante destacar que estamos no meio de dois pólos do turismo – Bahia e Pernambuco – e a reforma do aeroporto, com a internacionalização, é ponto favorável para que o mundo conheça Sergipe”.

Aeroporto Santa Maria



Por Allan Nascimento

Fotografia: Maquete do Aeroporto Santa Maria
Vídeo: Allan Nascimento/Blog do Contexto

28 junho, 2007

O desafio das mães modernas


Há muito foi-se o tempo em que as mulheres só cumpriam tarefas domésticas. A dupla jornada de trabalho feminina, que consiste em cuidar da casa e do trabalho satisfatoriamente, fortaleceu-se a partir da segunda metade do século XVIII, época da Revolução Industrial. Mulheres trabalhavam diariamente nas grandes fábricas por 12, 13, até 18 horas para ajudar nas despesas domésticas. O resto do dia era dedicado à educação dos filhos e ao descanso. O industrialismo e a evolução do modo de produção capitalista, que marcaram o início dos tempos modernos, atuaram de forma significativa nos processos econômicos, culturais e sociais que impulsionaram o surgimento das chamadas mães modernas.

A socióloga e especialista em relações conjugais Christine Jacquet afirma que, hoje em dia, existe igualdade entre homens e mulheres no que se refere aos valores familiares. Porém, quando as práticas são analisadas dentro de uma relação familiar, percebe-se que somente as mulheres desempenham uma dupla jornada de trabalho. São raros os casos em que há uma divisão igualitária de tarefas domésticas entre os sexos.

Trabalho X Maternidade

A técnica social da Caixa Econômica Federal (CEF) Maria Adelaide dos Santos é mãe solteira de duas meninas: Eveline (21) e Victória (11). Logo após a graduação em Serviço Social, ela passou num concurso da CEF e foi transferida para o interior de Sergipe, onde engravidou de sua primeira filha. “Eu vivia para trabalhar, cuidar da casa e da criança”, lembra.

Alguns anos se passaram e Santos decidiu retornar a Aracaju e, por causa disso, teve seu salário reduzido. Na capital sergipana, ela engravidou de sua segunda filha. Porém, dessa vez, a técnica teria a presença constante da mãe para ajudar na criação das duas meninas. “Foi uma dificuldade muito grande, mas não tenho certeza se teria sido diferente se eu ficasse em casa o tempo todo”, declara Santos. De acordo com ela, o fato de ser mãe solteira não teve influência negativa na criação das filhas, principalmente pelo fato de possuir uma renda razoável para mantê-las sem maiores privações.

Para a professora de português Cláudia Fumie, casada há 13 anos e mãe de Luísa (4), as dificuldades não foram muito diferentes. Ela e o marido decidiram ter um filho somente após terem completado nove anos de casamento. Antes disso, eles não se consideravam estabilizados financeiramente para enfrentar o desafio de se tornarem pais.

Luísa nasceu e Fumie decidiu acompanhar de perto o crescimento da filha. “Eu optei por um salário bem menor para poder ficar com Luísa, em vez de continuar dando aulas em todos os turnos”, justifica a professora. Ela considera uma vantagem significativa o fato de ter o companheiro em casa, já que os dois compartilham as tarefas domésticas e dividem a responsabilidade de cuidar de Luísa.

Vantagens e desvantagens de ser uma “mothern”

As chamadas “motherns” (trocadilho em inglês que mescla as palavras “mother” – mãe – e “modern” - moderna) têm o desafio de conciliar trabalho, família e diversão. Segundo a psicóloga e doutora em psicossociologia Elza Francisca Corrêa, uma das vantagens mais significativas de ser uma mãe moderna é o fato de que os filhos tendem a alcançar a independência de maneira mais rápida. Isso acontece porque as mães não ficam o dia inteiro monitorando o que eles fazem. A psicóloga argumenta ser desafiante para uma criança ter pai e mãe trabalhando fora de casa. Os filhos passam a resolver e solucionar determinados problemas sem a ajuda dos pais, o que pode proporcionar um maior desenvolvimento intelectual nessas crianças.

Uma desvantagem muito discutida pela sociedade é a suposta fragmentação da família. Corrêa questiona esse conceito. Segundo suas palavras, “a família não está se fragmentando, ela está se reorganizando em outros termos”. A especialista observa que o maior obstáculo para as mulheres modernas é a obrigação de dar conta do trabalho e da família com êxito. Ela acrescenta que, mesmo casada, é mais comum as mulheres realizarem maior quantidade de tarefas domésticas que seus companheiros. Além disso, o fato de ter que cumprir uma dupla jornada de trabalho desencadeia elevado desgaste emocional e físico.

Por Díjna Torres
Para mais informações, acesse:

Blog de duas “motherns”, que deu origem a um programa de TV e dois livros.

Imagem: Reprodução da capa do livro Mothern - Manual da Mãe Moderna. Matrix Editora

27 junho, 2007

Filhos do Coração

Cresce o número de adoções em Sergipe, mas preconceitos dos casais ainda emperram os processos


Etani de Souza Fontes é uma sergipana que, como outras tantas mulheres, sempre teve o sonho de casar e ter filhos. Mas o seu sonho ia além, pois ela também almejava criar os filhos de outras mulheres quando os seus estivessem crescidos e bem criados. Assim, Fontes casou-se e teve cinco filhos biológicos. Porém, como ela mesma afirma, nada foi igual ao que havia sonhado: ela se separou e conheceu o seu atual marido, José Roberto de Souza. Decorridos três anos de convivência, a outra parte do seu sonho foi realizada: hoje, ela é mãe de 46 filhos adotivos.

A primeira adoção aconteceu em quatro de junho de 1991. O filho mais velho, entre os adotados, tem 15 anos e o mais novo apenas um ano. Fontes confessa que se surpreendeu com a intensidade do sentimento que nutre igualmente tanto pelos filhos biológicos quanto pelos adotivos. “O amor não tem diferença. E a coisa que mais agradeço a Deus é que meus biológicos vestiram a minha camisa e são irmãos fiéis de todos”, orgulha-se Fontes. Ela ainda faz questão de dizer que o seu lar não é creche, nem orfanato ou abrigo. “Eles são os meus filhos”, afirma a mãe protetora.

Preconceitos e dilemas

No ano de 2006, foram efetuadas 94 adoções em Sergipe, um crescimento de 30% em relação ao ano de 2005. E a estimativa é a de que esse número seja ultrapassado em 2007, uma vez que já foram registradas pouco mais de 60 adoções somente neste primeiro semestre. Apesar desse crescimento, o juiz da Infância e da Juventude, Ricardo Múcio Santana de Abreu Lima, faz questão de frisar que o preconceito racial é profundo e tem limitado bastante o processo de adoção. “Já chegaram casais negros querendo adotar crianças de pele clara; o preconceito é tanto de quem é negro quanto de quem tem pele clara”.

“As pessoas precisam se conscientizar de que filho independe de cor, de sexo, de deficiência”, diz Fontes, que entre seus 46 filhos adotivos, é mãe de 4 negros e de um com necessidades especiais. Segundo o juiz Ricardo Múcio, um dos motivos dos pais de pele clara não quererem adotar crianças negras ou pardas, é o receio de verem os seus filhos sendo apontados como adotivos pela sociedade. Sobre essa questão, o juiz da Infância e da Juventude é enfático ao dizer que o grande crime de quem adota uma criança é não comunicá-la que é adotada. “Os próprios psicólogos dizem que até os cinco, seis anos, a criança deve saber que é adotada”, explica o juiz.

O dilema de saber a hora certa de contar ou mesmo de não contar para as crianças, não foi enfrentado por Fontes. Com sua sabedoria de mãe, ela aconselha aos pais adotivos que contem aos seus filhos, desde pequeninos, que são adotados. “Foi assim que fiz aqui e me dei super bem”. Segundo Fontes, já a partir do primeiro ano de vida, ela e seu marido começam a pronunciar palavras como “filhinho(a) do coração”. E quando eles vão adquirindo mais entendimento, passam a esclarecer melhor as coisas. Entretanto, ela explica que “tem histórias que eu jamais vou poder contar, porque aí eu vou machucar os meus filhos”.

Adoção em Sergipe

Apesar do caso de Etani de Souza Fontes ser singular pela quantidade de filhos que adotou, a 16ª Vara Cível do Juizado da Infância e da Juventude de Sergipe possui 37 casais cadastrados que esperam realizar o mesmo sonho: adotar um filho. Segundo o juiz da Infância e da Juventude, Ricardo Múcio, esses casais só estão na lista de espera devido às suas próprias exigências, que não são compatíveis com a realidade das crianças que estão aptas à adoção.

Geralmente os casais interessados em adotar – dos quais 80% não possuem filhos biológicos – desejam meninas de até três meses de idade e de pele clara. Entretanto, hoje, Sergipe possui apenas 10 crianças aptas à adoção, negras e com idade acima dos cinco anos. Segundo Ricardo Múcio, há um preconceito racial muito grande. “Esses casais chegam ao Juizado e acham que existe burocracia porque eles passam três, um ano, à espera do que idealizaram; aqui não é um supermercado, eu não tenho a criança que eles desejam”, afirma o juiz.

Embora existam 300 crianças e adolescentes distribuídos pelos 11 abrigos do estado, nem todos estão aptos à adoção. No Brasil, das 80 mil crianças abrigadas, apenas 10% delas estão aptas a serem adotadas. O juiz da Infância e da Juventude explica que essas crianças estão abrigadas temporariamente devido a conflitos familiares ou por questões financeiras, mas elas recebem visitas de familiares ou parentes. Uma criança só estará apta a integrar outra família, quando mal-tratada pelos pais. Neste caso, ela é levada a um abrigo, os pais são processados e, por meio de uma ação proposta pelo Ministério Público, efetua-se a ‘Destituição do Poder Familiar’. “Isso quer dizer que judicialmente esta criança terá uma certidão de nascimento livre e que ela não possuirá mais vínculo nenhum com a sua família de origem”, explica o juiz.

Processo de adoção

Todo processo de adoção e suas conseqüências realizados na instância oficial é absolutamente gratuito. Independente do estado civil, os pretendentes à adoção devem ter idade igual ou superior a 18 anos, devendo ainda ser 16 anos mais velho que o adotando. Em caso dos interessados serem pessoas casadas ou com união estável, basta que um deles tenha os 18 anos, comprovando-se a estabilidade familiar. O processo de adoção inicia-se com o prévio cadastro dos interessados na Vara da Infância e da Juventude ou no Fórum local.

Em seguida, eles serão atendidos por assistentes sociais e psicólogos. Estes encaminharão um laudo psicossocial ao juiz que, por sua vez, habilitará ou não os interessados à adoção. “Os pretendentes têm que preencher os requisitos de honra, de emprego fixo; tem que ter o mínimo de condição moral, social e econômica”, afirma o juiz da Infância e da Juventude, Ricardo Múcio. Encontrado a criança desejada, o juiz assina um termo de entrega, marca uma audiência e outro estudo social e, então, é liberada a certidão de nascimento. Um processo que leva em média 45 dias.

Outra característica do processo de adoção é a sua irreversibilidade, ou seja, uma vez efetuada, a adoção não poderá ser desfeita. “Depois da sentença creditada e julgada não pode haver desistência mesmo que o casal tenha filhos biológicos depois da adoção”, enfatiza o juiz da Infância e da Juventude. E perante a Lei, os filhos adotivos e biológicos terão os mesmos direitos no âmbito familiar e social.

Por Tiale Acrux

Fotografia:
Tiale Acrux/Blog do Contexto

19 junho, 2007

O rio da discórdia

Início das obras de transposição do Rio São Francisco aquece polêmica




Depois de debates públicos, discussões apaixonadas via TV, greves de fome, diversos protestos, textos e livros publicados, foram iniciadas as obras do polêmico projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. O projeto posto em ação circulou no Congresso por mais de 20 anos. Mas a idéia central de transferir água para o semi-árido remonta ao reinado de Dom Pedro II. De lá até a chegada dos 50 militares do 2º Batalhão de Engenharia do Exército em Cabrobó (PE), no dia 4 de junho, muito se discutiu. E, pela quantidade de argumentos expostos por apoiadores e opositores ao projeto, a polêmica ainda persistirá.

Melhor alternativa

A transposição do São Francisco é um projeto de uso múltiplo das águas, ou seja, o volume desviado será aproveitado para diversas atividades. Mas segundo material disponibilizado no site do Ministério da Integração Nacional, a principal atribuição dos canais será a de atender a população das regiões do semi-árido nordestino que sofre com o problema da seca. Como é o caso das populações dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba que não dispõem, em seu território, de uma fonte permanente de água, isto é, que não possuem rios perenes, como é o caso do São Francisco. O governo federal estima que mais de 300 municípios e cerca de 12 milhões de pessoas serão beneficiadas com a canalização das águas do rio.

O processo de abastecimento de rios temporários é visto pelos defensores do projeto como o melhor meio para amenizar a seca nordestina. Poços, açudes e cisternas, medidas já utilizadas para combater a falta de chuvas, são tidas por insuficientes e de caráter temporário para grandes áreas. “[As cisternas] são uma alternativa interessante para moradores de localidades longínquas, onde não passam adutoras. Mas não se pode pensar nessa solução para atender, por exemplo, uma cidade como Campina Grande, que tem 400 mil habitantes”, argumenta Pedro Brito, um dos coordenadores gerais do projeto, na página dedicada à transposição.

Entretanto, um dos argumentos mais recorrentes entre aqueles que se opõem à obra está relacionado à revitalização: as obras de transposição estariam sendo realizadas em detrimento da necessária preservação do rio. Mas segundo o superintendente da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF), Antônio Viana, o processo de revitalização já está em curso, tendo, inclusive, sido iniciado no estado de Sergipe em 2006 no município de Neópolis. Viana também informa que serão investidos R$15 milhões em um projeto de esgotamento sanitário que será discutido brevemente em 19 municípios situados na calha do Rio São Francisco. O superintendente não vê problema na simultaneidade dos projetos de revitalização e transposição, mas faz adendos. “Ambos podem ser realizados ao mesmo tempo, mas dependerá da ênfase que o governo dará a cada um deles”, diz. “Revitalizar não é só obra de engenharia, mas também de educação. Não adiantará nada se a sociedade não mudar o comportamento em relação ao rio”, explica Antônio Viana.

Adequação ao Ambiente


Esmeralda Bezerra é bióloga e reside em Paulo Afonso, município baiano cortado pelo São Francisco e cercado pelas barragens de uma usina hidrelétrica. Sua criação sertaneja a fez conviver com açudes e cisternas e a argumentar em favor destas medidas como alternativas menos onerosas à transposição. “As águas de uma cisterna chegam a durar quatro anos”, afirma a bióloga. Para ela, dois dos argumentos utilizados pelo governo contra as cisternas, como a contaminação recorrente e falta de chuvas, são discutíveis. Isto porque, para a resolução do primeiro problema, bastariam medidas sanitárias simples e educação rural. Para o segundo, a solução estaria em uma experiência internacional: “no deserto de Atacama (Chile), onde chove menos da metade que no semi-árido nordestino, foi desenvolvido um sistema que preserva a água da evaporação”, cita Bezerra.

Segundo textos publicados no site do Ministério da Integração Nacional, o volume de água despejado pelo São Francisco no mar é visto como um excedente. A bióloga também discorda desse argumento. “A água doce do rio equilibra a salinização do oceano, possibilitando a reprodução de várias espécies”, defende. Segundo Bezerra, uma alteração no volume de águas, por mínima que seja, provocará um desequilíbrio tal na constituição da água do mar que comprometerá o ciclo reprodutivo de diversos organismos. Para ela, medidas locais, como açudes, poços e cisternas, são mais eficientes, uma vez que são mais baratas e não causam tantos danos ambientais. “O homem quer adequar o ambiente a ele, quando na verdade ele é que deveria se adequar ao ambiente”, sentencia.

Oposição

O geógrafo e pesquisador de desenvolvimento regional pela UFPE Sérgio Malta também reside em Paulo Afonso. Lá, participou de diversas reuniões sobre a transposição e coordenou o Comitê Local de Bacias Hidrográficas. Sua oposição ao projeto perpassa diversos aspectos, mas o primeiro para o qual chama atenção é o político. “Está claro que esse projeto servirá para expandir os interesses de grandes empreiteiras, que irão abocanhar uma fatia significativa de investimentos”, acusa Malta. O geógrafo também lembra que os R$5 bilhões que serão investidos na transposição serão levantados junto ao Banco Mundial e investidores internacionais. “A transposição reforçará ainda mais o endividamento externo do país”, adverte Sérgio Malta.

Para prosseguir sua argumentação, o pesquisador começou a folhear um calhamaço preso a clip. Tratava-se do Relatório de Impacto Ambiental encomendado pelo próprio governo federal a fim de enumerar prováveis conseqüências da transposição. Nesse documento, estão registradas e detalhadas 44 alterações no meio-ambiente. Relata-se que, além de provocar desequilíbrio na fauna terrestre e aquática, a transposição trará sérias conseqüências para o solo da região. Malta ressalta que, como a construção de canais mexe com a dinâmica do solo, as obras intensificarão ainda mais o processo de desertificação do semi-árido.

Um dos opositores da transposição, o pesquisador João Suassuna, sugeriu, há cerca de quatro anos, a realização de um projeto quase 10 vezes mais barato que o do governo federal: a integração das bacias Tocantins/São Francisco. Segundo o estudioso, a transposição foi planejada com a ânsia de se querer levar água a qualquer custo, sem uma preocupação com a necessária averiguação das reais possibilidades das fontes supridoras.

A despeito da polêmica, as obras prosseguem. Entusiastas e opositores terão até 2010 – data estimada para o término das obras – para comprovar, ou não, seus argumentos.


Por Igor Matheus

Infográfico sobre a transposição do São Francisco



Fonte: Agência Brasil

Links relacionados:

Ministério da Integração Nacional

Fundação Joaquim Nabuco

Fotografia: Igor Matheus

18 junho, 2007

Estudantes da UFS decidem paralisar suas atividades

Os estudantes do campus de São Cristóvão da Universidade Federal de Sergipe decidiram pela paralisação de suas atividades na quinta-feira, 14 de junho de 2007. A decisão foi tomada depois de duas assembléias, organizadas pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), que contou com a presença de mais de 1700 alunos. Nos encontros, os estudantes puderam explanar seus argumentos a favor e contra a greve dos servidores e ainda discutir pautas próprias de reivindicações. A decisão pela paralisação foi tomada por meio de votação, em que se contabilizaram 1112 votos a favor, 512 contra e 91 favoráveis apenas a uma mobilização.

O principal motivo para os alunos se mobilizarem foi a interrupção de diversos serviços da instituição em decorrência da greve dos servidores técnico-administrativos, iniciada em 28 de maio de 2007. Desde então, os estudantes estão sendo prejudicados com a suspensão de serviços essenciais, como os oferecidos pela Biblioteca Central (Bicen), pelo Restaurante Universitário (Resun) e pelos laboratórios.

“A posição do DCE é de compreensão em relação aos servidores. Entendemos que a greve deles tem um pano de fundo muito maior do que puramente a questão salarial”, esclarece o secretário geral do diretório, Danilo de Santana. Na avaliação dele, a greve dos servidores é uma ação justa e importante porque abrange uma série de pautas que não envolve tão somente o servidor, mas os professores, alunos e a sociedade como todo.

Segundo a estudante de Farmácia, Diana Graziele dos Santos, a greve serve como instrumento de mobilização e de luta por uma maior qualidade de ensino na universidade. Para Diana, o pensamento de que a greve atrapalha a formação acadêmica é extremamente limitado e individualista. Entretanto, para Magson Melo, estudante do curso de Direito, a atual conjuntura não propicia uma greve de estudantes. Melo aponta que os maiores prejudicados serão os próprios alunos. “Talvez pela imaturidade muitos acabam por não perceber as graves conseqüências que a greve traz, e se tornam massa de manobra de servidores e professores que não se importam com os dilemas que os estudantes enfrentam no cotidiano acadêmico”, avalia o estudante.

Serviços paralisados

No dia 29 de maio, o reitor da UFS, Josué Modesto dos Passos Sobrinho, enviou um ofício ao Sindicato dos Trabalhadores da UFS (Sintufs), requerendo a manutenção dos serviços essenciais para a instituição. No documento, o reitor solicitou que a categoria adotasse um posicionamento diferente frente às atividades do Hospital Universitário (HU), do Restaurante Universitário (Resun) e da Biblioteca Central (Bicen). No entanto, o comando de greve, que avaliou o ofício como um instrumento de pressão do reitor sobre o movimento grevista, manteve o funcionamento de apenas 30% do Hospital Universitário e a paralisação dos outros setores.

Sobre o assunto, o reitor salienta a preocupação para com a situação dos estudantes, sobretudo a dos carentes, que não possuem alternativas, e que dependem dos serviços essenciais. “Não estou querendo pressionar o movimento grevista, reconheço a legitimidade, a autonomia e a independência dos organismos sindicais. A questão é saber qual o limite disso. Se ele não compromete os direitos individuais e coletivos”, avalia Modesto.

O servidor técnico-administrativo, Luís Roberto dos Santos Perreira, apesar de manter receios em relação à greve, entende que a categoria deve mobilizar-se. “Eu particularmente não tenho acompanhado as assembléias. Contudo, no meu setor, estamos respeitando a paralisação. O que temos feito é apenas a limpeza e a manutenção de alguns serviços internos, mas que não interferem no nosso direito de paralisação, já que não estamos desempenhando qualquer serviço externo”, explica o técnico.

Os servidores

A greve realizada pelos mais de 1500 servidores da UFS não é uma manifestação isolada. Ela está inserida dentro de um movimento nacional formado por mais de 40 universidades federais, lideradas pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra).

De acordo com Josailton Nery, Presidente do Sintufs, a pauta de reivindicações é: a implantação do plano de carreira dos servidores; a defesa de mais verbas para a educação e a saúde; a defesa dos HUs públicos; a definição de uma política salarial com negociação coletiva e a retirada do Projeto de Lei Complementar 01/2007, incluído no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), que limita despesas de pessoal. Além disso, os servidores reivindicam a garantia de recursos para o Plano de Assistência à Saúde dos servidores; o aprimoramento, evolução e consolidação da carreira instituída pela Lei 11.091; a defesa do direito de greve contra as restrições ao seu exercício e a manutenção do veto à emenda 03.

Os professores

Até o momento, não há indicativo de greve dos professores da UFS. Segundo a presidente em exercício da Associação dos Docentes da UFS (Adufs), Nélia Oliveira, a categoria está aguardando o posicionamento do sindicato nacional, que começa a discutir e negociar com o governo federal suas reivindicações.

Oliveira relata que o foco da campanha é a questão salarial: “estamos caminhando para mais de um ano sem reajuste. Temos professores substitutos com nível de graduação que ganham menos que um servidor de nível médio. Isso tem se perpetuado, e não estamos mais concordando com isso”. A presidente em exercício explica ainda que, nesse momento, há uma necessidade de que a campanha salarial envolva o plano de carreira para o magistério superior.

Por Taís Olivia
tasluas@yahoo.com.br

Fotografia: Taís Olivia/Blog do Contexto

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Pac

Fasubra

Adufs

14 junho, 2007

Secretário de Estado da Saúde fala sobre o novo modelo de saúde pública em Sergipe


A Secretaria de Estado da Saúde (SES) de Sergipe apresentou, no final do mês de maio, as medidas que serão tomadas para a composição do novo modelo de saúde pública no estado. O evento aconteceu no Centro de Convenções de Aracaju e contou com a presença de mais de 40 prefeitos sergipanos.

Para entender o funcionamento desse novo modelo, o Blog do Contexto entrevistou o secretário Rogério Carvalho. Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e doutor em Saúde Pública pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Carvalho também exerceu o cargo de secretário municipal de Saúde de Aracaju e foi pesquisador da Comissão Nacional de Avaliação de Ensino Médico.

Contexto: Em que consiste esse novo modelo de saúde pública em Sergipe?
Rogério Carvalho: Consiste numa reforma sanitária estadual. Foi apresentado um conjunto de medidas voltadas para a redefinição da institucionalidade da saúde e, obviamente, nesse pacote está a reforma administrativa da Secretaria. Essa é a primeira etapa que compõe o projeto de reforma sanitária. Na seqüência, foram apresentadas as políticas como: Saúde da Família, Atenção Laboratorial Especializada, Atenção Hospitalar, Atenção Urgência-Emergência, Atenção Psicossocial. Além disso, num terceiro momento, o Governo apresentou sua política de promoção à saúde. O governador anunciou também os investimentos iniciais para fazer essa reforma sanitária, apresentando uma proposta de custeio para os hospitais de Aracaju, como o Cirurgia, o São José e o Santa Isabel, no valor de R$ 19,2 milhões ao ano.

Contexto: Quais serão as mudanças imediatas na saúde em Sergipe com a implantação desse novo modelo?
Rogério Carvalho: Mudanças ocorrem paulatinamente. Nós temos um ponto de partida, mas temos uma viagem inteira para se chegar até a mudança. A mudança ainda está a alguns anos de onde estamos e isto significa uma caminhada na execução de todos esses investimentos, na implantação de todas as mudanças institucionais a fim de que se mude, de fato, o resultado da ação do Estado. Dessa forma, uma mudança imediata ocorreu dia 22 de maio, quando foi apresentada a nova reorganização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No que diz respeito aos hospitais regionais, em vez de terceirizá-los, montaremos uma Fundação responsável pelo gerenciamento desse setor, o que demonstra um Estado portador de inteligência gestora, a qual foi abandonada e negligenciada ao longo dos últimos anos.

Contexto: Existem parcerias para o financiamento desse novo modelo de saúde?
Rogério Carvalho: Já fiz uma reunião com o Secretário de Assistência à Saúde e combinamos o escopo da parceria com o Ministério da Saúde. Isso deve facilitar a viabilização de todo esse projeto, que requer investimentos na ordem de R$ 150 milhões.

Contexto: De acordo com o que foi divulgado pela Secretaria de Estado da Comunicação (Secom), será implantada uma nova política de promoção de saúde do Governo. Como ela funcionará especificamente? Quais são as áreas e as prioridades?
Rogério Carvalho: Quando se refere à saúde, fica difícil trabalhar com prioridades, porque tudo é prioridade. Estamos tratando da vida, mas vamos focar em alguns grupos mais vulneráveis, como as mulheres, crianças, adolescentes e idosos. Nós ainda não apresentamos a política do idoso porque a ação só poderá ser executada no ano que vem devido à necessidade de articular uma ação pré-existente com outras mais recentes. Com relação à área da mulher, iremos despersonalizar a ação de promoção à saúde. Isso significa que vamos ter campanhas de detecção de câncer de colo de útero, de mama, revisão da situação de planejamento familiar das mulheres, não como uma ação de troca política, mas como uma ação de política de promoção onde o foco será o cliente-cidadão. Essas ações serão feitas em conjunto com os municípios, através de capacitação do pessoal e de repasses de recursos financeiros. A idéia é atingir toda a população de mulheres de 25 a 60 anos, crianças de um a nove anos e adolescente de 10 a 20 anos.

Contexto: Divulgou-se na mídia que um dos convênios será realizado junto ao Hospital Universitário (HU). Como isso irá acontecer?
Rogério Carvalho: Estamos repassando pessoal e equipamentos para o funcionamento da unidade de cirurgia bariátrica [redução do estômago com fins de recuperação do peso ideal] e para as enfermarias de infectologia e pneumologia. Também estamos custeando oito bolsas de residência médica no HU, num valor total de R$ 183 mil ao ano. Além disso, há um investimento de R$ 50 mil para a instalação de equipamentos no novo prédio de apoio diagnóstico.

Contexto: Sergipe foi o segundo estado brasileiro a possuir uma cobertura do Serviço Móvel de Urgência (Samu), instalado na gestão anterior. O que o Samu terá de novidade com o atual Governo?
Rogério Carvalho: Ele não foi instalado como Samu de cobertura estadual no governo anterior. Isso foi consolidado a partir da atual gestão, certo?! O que tem de novidade? Tudo! O Samu foi concebido num esquema semelhante ao das regiões metropolitanas. Nós mudamos e construímos um conceito de Samu estadual de verdade, no qual se definiu a centralização das operações sob a responsabilidade do governo estadual. O Samu vai agir em raios limitados, ou seja, as ambulâncias de suporte básico e de suporte avançado ficarão no centro de um raio de atuação de forma a diminuir o deslocamento, mas sob um sistema de controle centralizado, com três bases reguladoras independentes. O atual governo reconfigurou o Samu estadual e aumentou a frota de veículos de 21 para 50 unidades, inclusive para se prestar atendimento na zona rural.

Contexto: Quais providências serão tomadas para resolver o problema da concentração de pacientes no Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (HUSE)?
Rogério Carvalho: Tudo isso é folclore. A verdade é que os hospitais regionais não têm condições e jamais irão substituir o papel do HUSE. Existe uma superlotação decorrente da baixa resolutividade dos hospitais regionais e vamos trabalhar para que eles segurem parte da demanda. Mas a demanda que obstrui e que impede o bom funcionamento do HUSE não é essa, e sim a específica. São os pacientes mais graves que o HUSE não tem capacidade instalada para suportar. Assim, serão várias as medidas a serem tomadas. A primeira é investir na rede hospitalar de Aracaju, contribuindo com o custeio da rede no valor de R$ 1,6 milhão ao mês; a segunda é investir nos hospitais Santa Isabel, São José e Cirurgia, além dos dois hospitais municipais de Aracaju com a finalidade de aumentar a capacidade de absorção por parte desses hospitais daqueles casos que tiveram tratamento inicial no João Alves e que, a partir de então, precisam de tratamento especializado. Outra medida é a construção de dois hospitais regionais e reforma e ampliação de outros dez hospitais de menor porte no interior do Estado. Está programado um investimento inicial de R$ 10 milhões em equipamentos, mais R$ 4,5 milhões, aproximadamente, na obra de construção do Pronto-Socorro, a construção do Hospital do Câncer e a retirada do setor de pneumologia do Hospital João Alves (HUSE), que está sendo transferido para o Hospital Universitário (HU).

Contexto: Enquanto especialista e atual secretário, qual seria o modelo ideal de saúde pública e o que o senhor pretende atingir?
Rogério Carvalho: Essa pergunta é de difícil resposta porque o modelo ideal de saúde pública é aquele em que nós conseguimos garantir o acesso a todas as pessoas, ou seja, ter eficiência máxima. Atualmente nós temos objetivos e algumas metas de forma a tornar o sistema de saúde estadual capaz de atender às principais demandas da população com eqüidade, respeitando e garantindo o acesso a quem precisa.

Por Grazielle Matos

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Foto: Márcio Garcez/Saúde

13 junho, 2007

Projeto “De Olho no Ambiente” estimula ações em prol da preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável


Desenvolvido pela Petrobras, o projeto “De Olho no Ambiente” tem por objetivo capacitar cidadãos para a organização e mobilização de suas comunidades em ações de elaboração, apoio e acompanhamento de Agendas 21 Locais. A iniciativa busca, sobretudo, conscientizar a população local sobre questões referentes à preservação do meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável.

Ao todo, estão sendo assistidas 400 localidades, em sua maioria, situadas nas proximidades das áreas do território brasileiro em que a estatal mantém atividades. Em Sergipe, existem atualmente 34 pólos de trabalho, distribuídos entre 24 municípios. No estado, a primeira fase do “De Olho no Ambiente” aconteceu em janeiro de 2004, quando instituições públicas e privadas abraçaram a causa, se organizaram e promoveram, na Orla de Aracaju, uma série de atividades, como exposições e oficinas, acerca de questões ambientais e geração de renda.

Com a coordenação técnica da ONG Sociedade Semear, a segunda e última fase do projeto, iniciada em agosto de 2006, será concretizada no próximo dia 16, quando as comunidades locais envolvidas deverão apresentar suas respectivas Agendas 21.

Os municípios sergipanos que participam do projeto “De Olho no Ambiente” são: Aracaju, Barra dos Coqueiros, Carmópolis, Divina Pastora, Estância, Itabaiana, Itaporanga D´Ajuda, Japaratuba, Japoatã, Lagarto, Laranjeiras, Nossa Senhora de Lourdes, Maruim, Monte Alegre, Pirambu, Poço Redondo, Poço Verde, Porto da Folha, Propriá, Riachuelo, Santana do São Francisco, Santo Amaro das Brotas, São Cristóvão e Siriri.

Etapa atual

Atualmente a Petrobras está realizando, um a um, os fóruns nas localidades sergipanas envolvidas. “Neles apresentamos a demanda da comunidade e avaliamos se as pessoas querem incluir ou retirar algo, para que validemos essas Agendas”, explica Maria das Graças, ao tempo em que também informa que, nas cidades onde os fóruns já foram realizados, as comissões já estão trabalhando.

Divina Pastora segue esse exemplo. O município, que recebeu o fórum há cerca de um mês, está implementando ações em beneficio de pessoas carentes. “Logo no início conseguimos uma parceria que vem ajudando no combate à esquistossomose por lá. Foi um estímulo porque eles logo viram resultados”, comemora a representante da ONG Semear, Yzila Maia de Araújo, responsável pela parte técnica na região.

Para a diretora de meio ambiente da ONG Semear, Danielle Dutra, o projeto “De Olho no Ambiente” pode ser considerado um sucesso além das expectativas. “De todas, apenas uma comunidade não se engajou. As demais estão bastante envolvidas”, ressalta. Conforme Dutra, o diferencial deste Projeto está em seu procedimento, que não visa apenas identificar os problemas, mas também buscar soluções.

Encerramento das atividades

Assim que os 34 pólos sergipanos estiverem colocando em prática as orientações de suas Agendas 21, a organização do projeto pretende imprimir o material produzido e organizar um evento envolvendo autoridades e comunidade. Na ocasião os prefeitos dos 24 municípios participantes receberão em mãos os documentos com solicitações de melhorias nas comunidades.

Participam também nas atividades de gestão, planejamento e aplicação do projeto, o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério das Cidades e a Fundação José Pelúcio – ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


Agenda 21

A ‘Agenda 21’ é uma das principais determinações presentes na Carta da Terra, documento oficial da ECO-92, realizada no Rio de Janeiro. Nesse evento, representantes de 175 países reuniram-se para buscar meios de conciliar o desenvolvimento sócio econômico e industrial com a conservação e proteção dos ecossistemas.

Conforme a apresentação feita às comunidades no lançamento do Projeto, a Agenda 21 pode ser definida como “um instrumento de planejamento de políticas públicas, que envolve sociedade e governos no processo de consulta sobre os problemas ambientais, sociais e econômicos locais e no debate sobre soluções para estes problemas”. Ou seja, por meio dela, os moradores de cada pólo escolhido irão definir as frentes de ação do poder público na vizinhança, sempre com foco no bem comum.

“É uma Agenda de compromissos. Estimulamos uma construção coletiva, onde todos são co-responsáveis pelo processo, pois uma comunidade organizada tem muito mais condições de obter resultados positivos”, ressalta Maria das Graças Amaral do Prado, coordenadora do “De Olho no Ambiente” em Sergipe e funcionária da Petrobras.

Antes de chegar à Agenda 21 Local, cada comunidade deve cumprir previamente cinco etapas: a sensibilização, na qual as pessoas conhecem o Projeto; a pesquisa de campo, que encarrega agentes técnicos de apurarem o perfil sócio-econômico e ambiental do local; a etapa do diagnóstico sócio-ambiental, que é construído com os resultados da pesquisa de campo; as reuniões temáticas, responsáveis por apontar quatro eixos temáticos a serem melhorados – como, por exemplo, emprego, saúde, moradia e saneamento básico; e o fórum da Agenda 21 Local, cuja intenção é fazer uma assembléia geral e avaliar as propostas.

Após a definição da Agenda 21, os moradores apontam dois representantes para cada um dos eixos selecionados nas reuniões temáticas. Os representantes formarão uma comissão que ficará responsável pela busca de parcerias para a realização das ações que a comunidade definiu como prioritárias.

Por Hádam Lima

Para saber mais, acesse:
Agenda 21

06 junho, 2007

Sergipe sediará Campeonato Norte/Nordeste de Pólo Aquático


De 07 a 10 de junho, o Parque Aquático “Zé Peixe”, localizado em Aracaju, será o palco das competições do Campeonato Norte/Nordeste de Pólo Aquático categoria sub-18. O evento será promovido pela Federação Aquática de Sergipe (Fase) e contará com a participação de clubes de outros cinco estados, além do anfitrião: Amazonas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco.

“A nossa intenção é resgatar o pólo aquático”, comenta o presidente da Fase, Márcio Porto. Segundo ele, o principal objetivo da competição é movimentar o esporte, que estava esquecido não só em Sergipe, mas também nos demais estados da região Nordeste. Além disso, Porto espera que a competição sirva como uma alavanca de divulgação do pólo aquático e atraia novos praticantes.

A iniciativa para a organização do campeonato partiu de alguns amantes do esporte em Sergipe, entre eles o diretor de pólo aquático da Fase, Manuel Pipoka. Impulsionado pelo sucesso da I Copa Caju de Pólo Aquático, que aconteceu em 2006, Pipoka formalizou um pedido junto à Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos (CBDA), que foi prontamente atendido. A partir de então, a comissão organizou todos os preparativos e mobilizou-se para divulgar o evento junto a possíveis clubes participantes.

Sergipe será representado pela equipe H2O, treinada pelo técnico Fernando Gaúcho. Formado há cerca de seis meses, o time é uma seleção dos melhores jogadores dos campeonatos escolares do estado. Apesar de ser uma equipe jovem e recém-formada, a H20 espera alcançar bons resultados na competição, principalmente por conta do trabalho desenvolvido nos treinamentos.

Para o atleta Antônio Yuri, conhecido como Tonhão, a competição será uma ótima oportunidade para mostrar tudo aquilo que ele e seus companheiros de time vêm desempenhando durante os treinamentos. “Nosso objetivo é mostrar todo o nosso potencial. Se por acaso não ganharmos, ao menos representaremos bem o nosso Estado”, afirma Yuri, que pratica o esporte há dois anos.

O assessor técnico da H2O, Cláudio Maynart, encara o torneio como uma ótima oportunidade para a interação entre os clubes participantes. Apesar de compreender o favoritismo da equipe do Amazonas, Maynart acredita que a troca de experiências servirá para o aprimoramento técnico e fortalecimento do esporte.

Apoio

Para a organização do campeonato, a Federação Aquática de Sergipe contou com o apoio da Secretaria de Estado do Esporte e do Lazer, que irá ceder o espaço do Ginásio Constâncio Vieira para o alojamento dos atletas. No entanto, o presidente da Fase, Márcio Porto, afirma que ainda existem muitas dificuldades para a obtenção de patrocínios. “Sergipe é um estado em que o pólo aquático está ressurgindo e segue em busca de patrocinadores para viabilizar disputas em competições de nível nacional”, completa. Porto também acredita que a chegada desses investimentos dependerá da organização de mais eventos com resultados observáveis.

Outros eventos

Aproveitando o campeonato Norte/Nordeste, a Fase também realizará um curso de arbitragem de pólo aquático com Roberto Cabral, integrante do quadro da Federação Internacional de Natação (Fina).

No dia 16 de junho, o Parque Aquático “Zé Peixe” receberá uma maratona festiva para a confraternização dos praticantes de pólo aquático e fechamento das atividades do primeiro semestre de 2007. Serão oito horas do esporte, começando às 9h e com fim às 17h.

A modalidade

O pólo aquático foi inventado oficialmente na Europa do final do século XIX. Até então, o jogo era denominado de rúgbi aquático. O futebol e o pólo aquático foram os primeiros esportes coletivos oficiais a integrarem as olimpíadas dos tempos modernos. Daqueles tempos para cá, a modalidade já passou por várias adaptações até chegar a sua forma atual.

Atualmente, a disputa é feita por sete jogadores, incluindo o goleiro. No jogo, os atletas dispõem de 30 segundos para realizar as jogadas. A bola não pode ser segurada com as duas mãos juntas por qualquer jogador, exceto o goleiro. Nenhum jogador pode afundar a bola ou apoiar-se no fundo ou bordas da piscina.

As dimensões das piscinas são de 30m x 20m para o masculino e 25m x 17m para as mulheres. O gol é representado por uma baliza de 3m x 90cm acima da superfície da água. As partidas são de quatro tempos de sete minutos cada, com intervalos de dois minutos entre cada etapa. O pólo aquático também possui cobranças de escanteio, pênalti e falta.

Por Taís Olívia

Para obter mais informações, acesse:

05 junho, 2007

UFS abre inscrições para vestibular de cursos à distância

Entre os dias 04 e 15 de junho de 2007, estarão abertas as inscrições para o primeiro processo seletivo do programa Universidade Aberta do Brasil (UAB), realizado pelo Centro de Ensino à Distância (Cesad), da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Os interessados deverão pagar uma taxa de inscrição de R$ 40,00 nos pontos de atendimento do Banco Popular do Brasil ou nas agências do Banco do Brasil dos municípios onde estão sendo implantados os pólos de ensino.

A UAB foi criada pelo Governo Federal, através do Ministério da Educação, com o objetivo de permitir que pessoas tenham acesso ao ensino público de qualidade, mesmo sem poder estar presente no campus universitário.

Areia Branca, Brejo Grande, Japaratuba, Laranjeiras, Poço Verde, Arauá, Porto da Folha, São Domingos e Estância serão as primeiras cidades-pólo a receber o programa de ensino à distância da UFS.

Cursos ofertados e provas

O programa ofertará 2.250 vagas, distribuídas entre os cursos de licenciatura em Matemática, História, Letras Português, Geografia, Física, Química e Ciências Biológicas. Metade das vagas será destinada a professores da rede pública, e a outra metade àqueles que concluíram apenas o ensino médio.

As provas de seleção serão realizadas no dia 22 de julho nos pólos de ensino. O conteúdo programático cobrado é o mesmo do vestibular tradicional da UFS. Entretanto, as questões serão de múltipla escolha e valerão dois pontos cada.

Didática de ensino

Segundo a professora Lílian França, diretora do Cesad, os cursos ministrados à distância contarão com os mesmos professores e conteúdo dos cursos da universidade. A diferença, explica França, é a didática de ensino, que consistirá em material impresso e suporte na internet.

Não haverá necessidade de o aluno possuir internet em casa, pois as aulas já estarão no material impresso. O uso do conteúdo da rede é opcional, e haverá computadores nos pólos, onde os alunos poderão ter contato com o suporte virtual.

Segundo o professor Jean Fábio, responsável pela mídia digital do site do Cesad, o suporte virtual contará com objetos didáticos complementares ao assunto do material impresso. Estes objetos são as interfaces gráficas, com imagens e vídeos através dos quais o aluno interagirá com o conteúdo proposto. Jean Fábio conta que, para cada curso, haverá uma abertura interativa do programa de ensino com elementos visuais que estimulem o aprendizado.

Por Adrine Cabral
adrine.cabral@gmail.com

Para mais informações acesse:
Edital
Cesad
UAB
UFS

23 maio, 2007

Semana Estadual Antidrogas informa e conscientiza sergipanos


A Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) promove, desde 1999, a Semana Nacional Antidrogas no período que vai de 19 a 26 de junho. Esta data foi escolhida porque o dia 19 marca a data de criação da Secretaria e o dia 26 é o Dia Internacional da Luta contra o Uso Indevido e o Tráfico de Drogas. Todos os estados brasileiros tentam acompanhar a programação da SENAD através da realização da Semana Estadual Antidrogas. Em Sergipe, devido aos festejos juninos, a edição 2007 da Semana acontece entre os dias 21 e 25 de maio e é organizada pelo Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen).

Dentre as programações da Semana Estadual Antidrogas, encontra-se a III Caminhada pela Valorização da Vida e o II Seminário Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas. Segundo Regina Souza Grilo, secretária executiva do Conen, a Semana é uma atividade de prevenção e não de repressão: “o nosso objetivo é fazer a prevenção através da informação e, por meio desta, a comunidade poderá obter mais conhecimento a respeito das drogas lícitas e ilícitas e, a partir daí, poderá fazer sua opção”.

O Conen, criado há 24 anos, é um órgão da Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc), cuja finalidade é propor uma Política Estadual Antidrogas, bem como elaborar planos, coordenar, controlar e fiscalizar as atividades relacionadas ao tráfico e ao uso de entorpecentes em Sergipe. É formado por 13 Conselheiros representantes de 13 instituições, das quais 12 são governamentais – a exemplo da Secretaria de Segurança Pública (SSP), da Secretaria de Estado da Educação (SEED) e do Ministério Público (MP) – e uma não-governamental, a Maçonaria.

Debate Público sobre Drogas

O II Seminário Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas, que acontecerá no auditório do edifício Walter Franco do Ministério Público nos dias 23 e 24 de maio, é um momento de debate e de divulgação de informações sobre temas referentes ao uso e ao tráfico de entorpecentes. “Esta é uma oportunidade de reunirmos desde donas de casa a universitários, conselheiros tutelares, advogados, profissionais diretamente ligados à questão; é um momento de expor e de ouvir idéias”, afirma a secretária executiva do Conen, Regina Grilo.

A inscrição no seminário é gratuita. As vagas são limitadas mas abertas a toda população sergipana. Estarão presentes palestrantes provenientes de diversas instituições e de diferentes áreas profissionais, que falarão tanto do uso das drogas ilícitas quanto do das lícitas. Regina Grilo diz haver uma grande preocupação com relação às drogas lícitas, principalmente o álcool, que mais é a mais frequentemente consumida de forma excessiva, mesmo por menores de 18 anos. “Esses jovens nem sempre têm noção dos transtornos que o álcool poderá causar ao longo de suas vidas”, conta Regina. A questão das bebidas alcoólicas será abordada nas palestras sob várias perspectivas, como, por exemplo, sua relação com o trânsito, ou então seu consumo durante a gravidez.

O seminário apresentará também experiências de pessoas que conseguiram se livrar das drogas, como o palestrante pernambucano José Bartolomeu de Araújo, presidente e fundador da ONG Desafio Jovem de Caruaru, que já esteve até no Programa do Jô relatando sua história. Outro exemplo é o professor Sílvio Freire de Oliveira, coordenador do projeto "O adolescente e as drogas" da Escola Estadual Arabela Ribeiro, de Estância.

Conforme Regina Grilo, o seminário é uma oportunidade de a população ter a noção exata das conseqüências e dos malefícios causados pelo uso das drogas. “Além dos desastres que elas causam à personalidade e à saúde dos indivíduos, as drogas também acarretam transtornos na sociedade, como os desajustes familiares, os seqüestros e os assaltos”, explica a secretária

Planos de Ação

Paralelamente ao Seminário e à Caminhada, serão realizadas exposições sobre drogas com apresentações de cartilhas informativas. Contudo, Regina Grilo faz questão de frisar que a prevenção contra o uso e tráfico de entorpecentes não se restringe a eventos pontuais como este da Semana Estadual Antidrogas. O Conen, juntamente com a SEED, a Secretaria de Saúde e a Universidade Federal de Sergipe, realiza projetos permanentes por meio de um Plano de Ação que é embasado em diretrizes provenientes da Secretaria Nacional Antidrogas.

Um desses projetos – e que ainda está sendo discutido – é o da implementação da disciplina “Drogas” na grade curricular das escolas. “Os professores devem falar sobre isso como falam sobre Biologia, sobre a Língua Portuguesa”, afirma a secretária executiva do Conen. Ainda assim, ela não tira o mérito da Semana Estadual Antidrogas como uma oportunidade de conscientizar e informar sobre o assunto. “O que nós queremos é prolongar a vida das pessoas de uma forma mais saudável, previnindo-as quanto ao uso indevido das drogas”, finaliza.

Por Tiale Acrux
tialeacrux@yahoo.com.br

Confira a programação da Semana no site: SEJUC

Orientações e informações sobre a prevenção do uso indevido de drogas, ligue “Viva Voz”: 0800 510 0015

Imagem: Venha dizer não às drogas

22 maio, 2007

Selo “Unicef Município Aprovado” é lançado em Sergipe


Na manhã da última quarta-feira, 16 de maio de 2007, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com o Governo de Sergipe, realizou o lançamento local da edição 2008 do selo Unicef Município Aprovado, o qual acontece pela segunda vez no estado. O evento reuniu o governador Marcelo Déda e o coordenador do Unicef Zona BA/SE, Ruy Pavan, além de prefeitos sergipanos e representantes da sociedade civil.

O projeto Município Aprovado teve início no ano 2000, mas restrito ao estado do Ceará. Depois de três edições realizando os ajustes e as adaptações necessárias, em 2006, o Unicef ampliou o programa para municípios de 11 estados brasileiros: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. De acordo com Andréia Néri, oficial de comunicação do Unicef (BA/SE), isso aconteceu porque “o órgão precisava testar a metodologia de monitoramento e avaliação do desempenho desses municípios”.

O selo Unicef Município Aprovado é mais uma ferramenta para ajudar o Brasil a atingir os oito objetivos de desenvolvimento do milênio, delineados pelos 191 países-membro da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000. Os Estados têm até 2015 para cumprir metas como a erradicação da extrema pobreza e da fome, a universalização do ensino básico e a redução da mortalidade infantil.

Objetivos

A edição 2008 do selo não visa incitar uma concorrência entre os municípios, mas a melhoria da qualidade de vida dos moradores do semi-árido, de acordo com os indicadores educação, saúde, proteção e participação social. Para tanto, cada município indica um articulador responsável pela intermediação entre o Unicef e a prefeitura que representa, além de ter as funções de mobilizar sua comunidade e de implantar projetos necessários para a contemplação do município com o Selo Unicef. “O selo é uma metodologia de monitoramento e avaliação de desempenho desses municípios. O Unicef monitora os indicadores oficiais e oferece metas que precisam ser trabalhadas”, explica Andréia Néri.

Além da melhoria de seus índices sociais, um dos pré-requisitos para que os municípios recebam o selo é a instalação de Conselhos Tutelares e Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente. A partir daí, o Unicef realiza avaliações qualitativas dos órgãos criados, que acontecem sob a forma de reuniões com lideranças comunitárias não envolvidas diretamente no projeto.

Uma comissão Pró-Selo já foi formada em Sergipe, envolvendo o Gabinete da Primeira-Dama, Secretarias de Estado da Educação (Seed), da Saúde (SES) e de Inclusão Social (Seids), além de representantes da sociedade civil, como o Centro Dom José Brandão de Castro e Instituto Recriando. De acordo com Elisângela Valença, assessora de comunicação da Seids, cada secretaria buscará potencializar mudanças nos municípios de modo que estes possam atingir os objetivos do Selo.

Resultados

Os resultados da edição anterior foram divulgados em abril deste ano na ocasião do lançamento nacional do Selo Unicef 2008. Dos 1.176 municípios do semi-árido inscritos em 2006, apenas 192 receberam o Selo, que pode ser explorado em campanhas publicitárias e em prédios públicos por dois anos – após esse período, o município precisa concorrer novamente. Em Sergipe, dos 34 municípios inscritos, cinco foram contemplados: Cedro de São João, Própria, Poço Redondo, Porto da Folha e Lagarto.

Os números referentes à região do semi-árido demonstram o comprometimento das prefeituras municipais com o projeto. A mortalidade infantil, por exemplo, caiu de 25,6 mortes para cada mil crianças nascidas, em 2003, para 21,9 por mil, em 2005, o que significa que cerca de duas mil crianças foram salvas. Houve também uma queda no índice de desnutrição de crianças de até dois anos de idade, que era de 9,2 %, em 2003, e que passou para 6,8 % em 2005, o que representa um impacto positivo na vida de 24 mil crianças. Além disso, 170 novos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente foram criados.

Inscrições

As inscrições para participar do Selo Unicef 2008 seguem abertas até o dia 15 de junho de 2007. Apenas o prefeito pode registrar a participação de seu município. Ele deve enviar a ficha de inscrição preenchida para a zona do Unicef referente ao estado do qual faz parte. O administrador também precisa indicar o articulador do município.

Por Carlos Eduardo Lordelo


Para saber mais, acesse:

Selo UNICEF Município Aprovado 2008


17 maio, 2007

Casos de meningite em Aracaju estão dentro da normalidade

Ao contrário do modo como foi divulgado por alguns setores da mídia sergipana, os casos de meningite registrados até o fim de abril, em Aracaju, estão dentro da normalidade. Os dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) atestam a não classificação do ocorrido como epidemia, ou até mesmo surto.

De acordo com a coordenadora da Vigilância Epidemiológica da SMS, Tânia Maria Santos, os casos que ocorreram tanto na capital quanto no interior já eram esperados. “Embora a doença seja grave, não há motivo para pânico. Os casos estão dentro da normalidade”, informa. Ainda segundo a coordenadora, a meningite costuma surgir justamente na época das chuvas, ao lado das viroses. “Ela é uma endemia, ou seja, está presente no país e por vezes, aparece”, complementa.

Até o fim de abril desse ano, foram registrados 33 casos de meningite em Sergipe, dos quais seis na capital. Contudo, uma análise da tabela com o número dos casos de meningite em Aracaju nos últimos três anos mostra que não há nada de extraordinário ocorrendo neste ano. Para Santos, alguns jornais cometeram exageros ao divulgar os casos sem contextualizá-los.

Ver abaixo tabela com dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Aracaju.

A doença

A meningite é uma inflamação nas membranas – meninges - que recobrem o sistema nervoso. Vários são os agentes etiológicos que podem desencadear a enfermidade, como bactérias, vírus e fungos. Quando esses microorganismos se alojam nas meninges, a reação deles com os leucócitos responsáveis pela defesa do corpo humano leva à inflamação que caracteriza a doença.

Apesar de serem vários os tipos de meningite, a mais grave ocorre quando ela é oriunda de uma bactéria chamada meningococo. Pelo fato de ainda não terem desenvolvido anticorpos suficientes para combatê-la, as crianças de até cinco anos são as mais atingidas pela chamada meningite meningocócita. Esse foi o caso de Joana, dois anos, que faleceu após ter contraído a doença. “A enfermidade não poupou a vida de minha sobrinha”, lamenta a dona de casa Rosana Matos.

Sintomas e tratamento

Os sintomas da meningite são: febre alta, dor de cabeça constante, rigidez na nuca, manchas vermelhas na pele, vômitos fortes e desânimo. Pelo fato de alguns desses sintomas terem semelhança com os da virose, recomenda-se que as pessoas não pratiquem a auto-medicação e que procurem um médico para que ele faça o diagnóstico.

É comum que, diante das gripes e viroses, os doentes ingiram remédios à base de paracetamol (como o Tylenol e o Dôrico). No entanto, o efeito dessas drogas pode mascarar uma possível inflamação nas meninges e a doença não ser identificada a tempo.

Embora existam vacinas para alguns casos da doença, a exemplo da meningite meningocócita sorogrupos A e C, elas não são encontradas nos postos de vacinação, uma vez que devem ser utilizadas apenas em caráter de “vacinação em massa”, para que o efeito seja mais duradouro. Tais restrições só comprovam a necessidade de que, sob quaisquer sintomas, sejam evitadas as auto-medicações e os médicos sejam acionados para que analisem o caso e façam o diagnóstico correto.

Por Allan Nascimento

Para mais informações, consulte:

Site do Ministério da Saúde