09 fevereiro, 2008

Sergipe já tem delegacia online

“Cada vez que mais pessoas tomam conhecimento da delegacia interativa, mais aumenta o número de atendimentos. De agosto do ano passado a janeiro deste ano foram 6700 registros validados”. Afirma a Delegada Thaís Santiago, diretora da Coordenadoria de Pesquisas e Estatísticas da Polícia Civil.

A Delegacia Interativa é um serviço oferecido pela Secretaria de Segurança Pública de Sergipe, executado pela sua Diretoria de Tecnologia da Informação, que permite ao cidadão registrar, via Internet,quando sentir-se lesado por: furto ou extravio de celular ou documentos pessoais, bem como colisão de veículos sem vítimas.

Procedimentos

Os dados necessários para registro da ocorrência são RG, CPF, nome da mãe, telefone de contato e descrição do fato. Só maiores de dezoito anos podem utilizar o serviço, sendo que o registro de fatos ocorridos com menores deve ser feito pelo pai ou responsável.

O usuário comunica o fato de qualquer terminal de computador e, num prazo máximo de 24 horas, pode imprimir o Boletim de Ocorrência, sem precisar comparecer a uma delegacia. “Apesar de ser emitido a distância, o BO tem o mesmo valor de um boletim emitido numa delegacia convencional. Caso haja necessidade de comprovação de autenticidade, o interessado acessa o portal da Delegacia Interativa e, no MENU ‘emissão de boletim de ocorrência’ digita o número do boletim, o CPF e a senha; o sistema mostra o boletim impresso e a palavra válido, comprovando a autenticidade do documento”. Informa a delegada.

“Se o usuário esquecer da senha, perder o boletim e precisar em algum momento do BO, ele pode ligar para telefone 3216-5400, conversar conosco, fornecer o CPF e obter uma 2ª via do boletim em qualquer lugar em que ele esteja”, acrescenta.

A Delegacia Interativa funciona 24 horas, de segunda a sexta-feira. Nos sábados, domingos e feriados o BO não pode ser emitido, mas o cidadão pode registrar on-line a ocorrência para, no primeiro dia útil receber, por e-mail, a autorização para imprimir o boletim. Todos os registros realizados no período do carnaval, pouco mais de cem, foram validados na quinta-feira.

“O BO interativo não instaura inquérito, porque nós só registramos fatos atípicos. Denúncias de roubo ou outro crime devem ser feitas presencialmente numa delegacia”. Observa Thaís.

Ocorrência de trotes

“O número de trote é mínimo. Eu, durante o período em que estou aqui, nunca vi. O que pode acontecer é a pessoa ter seu boletim invalidado por erro nas informações. Nesse caso, como ocorre com os BOs validados, nós informamos por e-mail que o boletim foi invalidado e o motivo; a pessoa pode, se for possível, rever o erro e registrar um novo BO, sem problemas”, esclarece a delegada.

Existem alguns fatores que inibem o trote: assim que acessa a Delegacia Interativa, o terminal de computador que está sendo utilizado pelo usuário é rastreado; além disso, o cidadão informa dados pessoais, e por isso é alertado na página inicial do site de que falsa comunicação à polícia é crime previsto no artigo 340 do Código Penal brasileiro, com punição de 1 a 6 meses de detenção e multa. Ademais, existe ainda todo o respeito à Polícia que o cidadão costuma apresentar, dado o valor dessa instituição para a sociedade.

Além da Delegada Thaís, responsável direta pela Delegacia Interativa, outros dois profissionais trabalham em turnos diferentes para analisar os dados enviados pelos usuários, e só depois dessa avaliação é que o registro é liberado para impressão.

O sucesso da delegacia interativa estimulou a SSP a disponibilizar outros serviços on-line para os sergipanos: o Atestado de Antecedentes Criminais, para aqueles cuja carteira de identidade tenha sido emitida pela Secretaria de Segurança Pública de Sergipe a partir de março de 1996; e a Custódia de Materiais Apreendidos, em que o cidadão que teve algum bem roubado pode descobrir pela Internet se o objeto já foi encontrado, a fim de que possa reavê-lo.


Para mais informações:

http://www.delegaciainterativa.se.gov.br/
https://www.se.gov.br/ssp/atestado
http://www.sspvirtual.se.gov.br/custodia/


Por Luciene Alves de Oliveira

Foto: Luciene Alves de Oliveira

08 fevereiro, 2008

UFS gastou R$ 108 mil com cartões corporativos em 2007

A Universidade Federal de Sergipe gastou R$ 108.643,03 com cartões corporativos em 2007. Este valor é bastante superior ao de 2006, quando se registrou a despesa de pouco mais de R$ 6 mil com a utilização do mesmo serviço. Dessa maneira, a UFS foi, no quadro de gastos do Ministério da Educação, a oitava universidade federal do País que teve mais despesas com o cartão em 2007.

O uso indevido dos cartões tem sido denunciado repetidamente nos últimos dias pela imprensa nacional. A maior parte da discussão gira em torno da quantidade dos gastos realizados e das pessoas que utilizam o serviço para fins particulares, desviando-o de sua verdadeira função, que é a de custear despesas emergenciais de baixo custo.

Em tese, o servidor federal tem o direito de usar o cartão para gastos vinculados à Administração Pública, e as próprias instituições devem fiscalizar a sua utilização. Havendo irregularidades, o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) se encarregam de investigar o caso. Todos os gastos estão disponíveis para visualização no Portal da Transparência (www.portaldatransparencia.gov.br).

De acordo com informações obtidas no site, o Ministério da Educação foi o terceiro órgão que mais utilizou esses recursos em 2007, atrás apenas da Presidência da República e do Ministério do Planejamento, respectivamente. Dessa maneira, as universidades federais se encontram como as maiores beneficiárias do serviço dentro do Ministério.

A Universidade de Brasília (UnB) foi a que mais gastou com o cartão no ano passado: R$ 1.234.512,42, sendo responsável por 31% do total gasto por todo o Ministério desde 2004. Esta, junto com a Universidade Federal de São Paulo (terceira que mais utilizou os recursos em 2007, atrás da Federal do Piauí) está sob suspeita de fraude pelo fato de alguns dos funcionários do alto escalão terem pagado contas altíssimas em vários estabelecimentos, como restaurantes de luxo e até mesmo farmácias.


A fiscalização na UFS

Apesar de algumas das instituições estarem sendo investigadas por mau uso do serviço, o pró-reitor de administração da UFS, Manuel Alvelos, garante que na Universidade isso não acontece, pois “o Departamento Financeiro e a Contabilidade filtram todas as notas fiscais, valores etc”. Segundo ele, apesar de todos os servidores terem o direito de solicitar o benefício, os pedidos são analisados, e o cartão só é dado àquela pessoa se realmente houver necessidade: “Eu não tenho o cartão, o reitor não tem”, complementa.

De acordo com ele, para se adquirir o cartão é necessário fundamentar o pedido, alegando quais as necessidades de a pessoa (no caso de motoristas, por exemplo) ou o departamento solicitante obter o serviço. A Pró-Reitoria de Administração (Proad) analisa a solicitação e passa para o Banco do Brasil, que é quem emite o cartão.

Sendo este emitido, para cada vez que se precise utilizá-lo, o servidor deve fazer um pedido de liberação de verba, estipulando o valor necessário e o motivo da despesa. O processo é analisado pela Proad e segue para o Departamento Financeiro. Para cada suprimento, o limite é de R$ 8.000,00 por mês, e nenhuma compra deve exceder o valor de R$ 800,00.

Na boca do caixa

O que causa mais polêmica, no entanto, são os saques na boca do caixa, que além de não terem limite, não geram uma comprovação do tipo de gasto efetuado. Dentre os 26 portadores do cartão na UFS, 20 não fizeram compras diretas, mas efetuaram vários saques em 2007, alguns chegando até o valor de R$ 1 mil. Um dos beneficiários, por exemplo, gastou em torno de R$ 21 mil somente em retiradas diretas de dinheiro.

Contra essa argumentação, o diretor financeiro da UFS, Juviano Garcia, afirma que só podem ocorrer fraudes se houver o envolvimento direto dos responsáveis por liberar as verbas do cartão, já que este, a princípio, tem o saldo zerado. “Em termos de controle, só há descontrole se quiser”.

Segundo ele, para que o usuário possa fazer o saque (ou mesmo compras), é necessário que se peça a permissão com antecedência para que o dinheiro seja liberado. Após a compra, o servidor deve apresentar as notas fiscais, comprovando os gastos. “Se o funcionário extrapolar o limite, paga do próprio bolso”, ressalta.

Restrição dos saques

Mesmo com todo o controle interno das verbas, Juviano é favorável à atitude do governo de restringir a retirada do dinheiro dos caixas eletrônicos, para se obter maior transparência nos gastos. “Não há sentido em haver saque. Eu achei ótimo isso, quanto mais rigidez, melhor”. Além disso, acredita que, com essa limitação, haverá uma redução considerável nas despesas.

Juviano afasta definitivamente qualquer possibilidade de fraude com os cartões na UFS e explica que os funcionários que fazem uso indevido do serviço, por menor que seja, recebem a punição cabível. Como exemplo, cita o caso de um motorista que “fez duas besteiras seguidas com o cartão, por inocência ou por má fé”, e teve cancelado seu benefício. Segundo ele, esse funcionário não poderá mais obter o serviço, mesmo que o necessite no seu dia-a-dia de trabalho. Quando perguntado sobre os motivos dos altos gastos da UFS em 2007 em relação a outras universidades, Juviano diz que “isso não se explica, pois cada instituição controla da forma que quer, umas são mais rígidas, outras menos”.

Para Marlucy Gama, diretora do Colégio de Aplicação e usuária do cartão, “o serviço melhorou bastante em relação ao processo anterior, facilitou as coisas”. De acordo com ela, apesar de os trâmites de aprovação da verba demorarem geralmente o período de uma semana, o procedimento se tornou muito mais eficiente para cobrir necessidades urgentes e inadiáveis.


Por Thiago Rocha e Rafael Gomes
Imagem: site do governo

30 janeiro, 2008

A Febre 'amarelou' em Sergipe

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju, Sergipe não é área endêmica e por isso, não há necessidade de vacinação para quem mora no estado e não se deslocará para as áreas de risco. A capital sergipana dispõe de lotes com doses da vacina, mas só está sendo aplicada em pessoas que apresentam comprovante (passagem) ou declaração de que viajarão para as áreas de perigo de contaminação: regiões Norte e Centro-Oeste do país, além dos estados de Minas Gerais e Maranhão.

Segundo a coordenadora da vigilância epidemiológica, Tânia Santos, de 3 a 22 de janeiro deste ano, quando todas as Unidades de Saúde da Família de Aracaju tinham a vacina, mais de 7.500 doses foram aplicadas. Isso apesar deo SUS ter enviado apenas 10 mil doses, metade do que foi solicitado pela SMS. Para otimizar a imunização dos de fato sujeitos à febre amarela, a vacinação foi concentrada nas USF Dona Sinhazinha (Grageru) e Maria do Céu (Centro). A dose preventiva é contra-indicada a gestantes, crianças menores de seis meses, indivíduos alérgicos a ovo ou com debilidade imunológica (como portadores do HIV).

Mortes

Até o último dia 24, já foram registrados 40 casos suspeitos, sendo 19 confirmados, com ocorrência de 10 mortes. Todas com provável infecção em Goiás. Os números relativos apenas ao primeiro mês de 2008 já são maiores que os de 2004 e 2005 juntos. Mas quando comparados com os de anos anteriores, percebe-se que os índices atuais de infecções e mortes não são tão anormais. Em 2003, foram 64 infectados, com 23 fatalidades. Em 2001, 41 casos e 22 mortes. Em 2000, foram 85 contaminados e 40 mortos por conta da doença, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

O Governo Federal financia o Plano de Intensificação das Ações de Prevenção e Controle da febre amarela desde 2001. Um dos pilares do plano é a vigilância de epizootias (mortes de animais silvestres) que geralmente antecedem às infecções em humanos. Outro pilar importante é a vacinação - melhor forma de combate à doença -, já que não existe um tratamento específico contra o vírus. A meta é vacinar 100% das áreas endêmicas, de transição e de risco potencial, nos postos e, de casa em casa, na zona rural.



Forma urbana

Até o momento, não foi detectado nenhum caso da doença na forma urbana, erradicada desde a época da ditadura de Getúlio Vargas (1942). Segundo a Secretaria de Saúde de Aracaju, para que ocorresse um surto urbano, seria necessária uma infestação de 40% do Aedes aegypti, ou seja, de cada 10 casas, quatro estarem com o mosquito. Segundo o órgão, nenhuma cidade brasileira tem esse índice.



Por Zeca Oliveira

29 janeiro, 2008

Balanço equilibrado nos negócios da Feira

Dona Iraildes, de Pacatuba, pensou duas vezes antes de responder à pergunta: como foi o movimento e as vendas na Feira de Sergipe deste ano. “A mesma coisa”, disse finalmente ela, que estava expondo pela quinta vez na Praça de Eventos da Orla da Atalaia. Mas, para ela, o mesmo significa mais. Seu estande, repleto de artigos feitos com palha da taboa, um tipo de planta aquática, recebeu diversos visitantes dos dias 15 a 27 de janeiro, período em que aconteceu o evento. “Turista é quem mais leva”, afirmou a artesã, apontando orgulhosa para seus produtos.

De opinião semelhante compartilhavam outros pequenos comerciantes e artesãos que participaram da feira, advindos de vários municípios de Sergipe. Foram montados 278 estandes em um espaço equivalente a três campos de futebol para comportar os inscritos. Do total de estandes, 80% foram destinados ao artesanato. Oportunidade de sobra para quem queria divulgar e comercializar seus produtos. Com a organização do Sebrae e apoio do Governo do Estado, mais uma edição da Feira de Sergipe 2008 chega ao fim e a pergunta que fica é: atendeu às expectativas econômicas de seus participantes?

Para o socorrense Railton, que comercializou objetos feitos com jornal reciclado, as vendas neste ano foram fracas em comparação com a anterior. “Como a Feira aconteceu depois do Pré-Caju, muitos turistas já foram embora”, explica. Porém, logo após completa: “essa época ainda continua sendo a melhor para vender a arte da região”.

Quem custeia a permanência dos expositores de fora da capital é a prefeitura ou as associações de cada localidade. Conforme conta Ediluza Santana, representante de Maruim pela 4ª vez, a prefeitura do município bancou o transporte e a alimentação como forma de incentivar os artesãos. Mas ela, assim como Railton, não teve tanta sorte: a saída dos produtos não foi tão grande. Segundo a comerciante, como Maruim fica próximo de Aracaju as pessoas tendem a desvalorizar um pouco o trabalho produzido por lá.

De acordo com Maneca Sobral, coordenador da Feira de Sergipe, as expectativas quanto ao evento foram positivas. Na verdade, surpreenderam: houve dia em que circularam na praça aproximadamente 15 mil pessoas. Sobre a capacitação dos artesãos, cursos são oferecidos no Sebrae nesse intuito. “O artesanato é um dom e nós trabalhamos em cima desse dom”, diz o coordenador. “Ensinamos a melhor forma de atender o cliente, como decorar o estande, assim o artesão aumenta suas possibilidades de vender o produto”. Para poder participar do evento ele afirma que é preciso ter antes a carteirinha de artesão e efetuar cadastramento no NAT (Núcleo de Apoio ao Trabalhador).

Por Raquel Brabec
Fotos: Thiago Santos

A Feira de Sergipe e seus Parafusos a mais

Grupos regionais e quadrilhas juninas completaram um dos principais atrativos da Feira de Sergipe 2008, que terminou no dia 27 de janeiro, na praça de eventos da Orla de Atalaia. Cerca de 37 grupos folclóricos de vários municípios mostraram a diversidade cultural do Estado. “Nosso principal intuito é promover o artesanato e a confecção, divulgar a cultura local e mostrar as potencialidades dos municípios”, afirma o gerente de comunicação do Sebrae, Luiz Sialho.

Para ele, a programação cultural da feira é responsável pelo sucesso de público. “Acreditamos que a nossa principal atração é a cultura. Esse ano estamos trazendo mais de 70 apresentações, inclusive as manifestações folclóricas. Quando os grupos começam a se apresentar, percebemos que a população se aglomera ao redor do palco”, orgulha-se Sialho.

Os Parafusos de Lagarto

Um dos mais representativos grupos do folclore sergipano, os Parafusos de Lagarto, foi criado em 1897. Na última quinta, dia 24, eles mostraram ao público um pouco da história de Sergipe, que remonta aos tempos da escravidão. Segundo a tradição exibida pelos Parafusos, os escravos da região que hoje abriga o município de Lagarto roubavam as anáguas das sinhás para assustar as pessoas e, assim, conseguir fugir para formar mocambos ou quilombos.

Para reforçar a fuga, os escravos davam pulos, rodopios e faziam correrias, movimentos que originaram a dança sergipana. A lavradora Maria Ione do Nascimento coordena o grupo de dança há dois anos, embora a predominância seja masculina. “Não há mulheres no parafuso, apenas os homens dançam. Porque a nossa história diz que somente eles saíam à noite roubando as anáguas nos quintais das fazendas. Há pouco tempo, tivemos a iniciativa de incluir duas escravas no grupo, mas a participação delas é somente teatral”, explica.

Apesar do sucesso do grupo de 18 componentes, Maria Ione lamenta a falta de patrocínio. “Infelizmente, não recebemos apoio. Em Lagarto, participamos de uma associação sem fins lucrativos, mas dependemos do que os sócios podem pagar, além das contribuições que às vezes recebemos. Mas no ano passado, tivemos a sorte de ganhar do governador uma nova indumentária, pois nossas roupas já estavam em péssimas condições”.

Curta-metragem

Inspirado no grupo histórico, o diretor de cinema Marcelo Roque Belarmino produziu o vídeo “As aventuras de Seu Euclides: Os Parafusos”, lançado em novembro do ano passado. Através do teatro de bonecos, o cinegrafista de 39 anos prende a atenção do público infanto-juvenil. “Eu queria trabalhar a cultura regional com crianças, mas voltada à questão educativa”, orgulha-se o diretor, que é formado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Sergipe e ensina em escolas da rede pública municipal.

O curta-metragem de 15 minutos também enaltece a cultura afro-brasileira e inclui animais como personagens do filme. “O personagem central é Seu Euclides, um descendente de escravos que mora sozinho e conversa com os animais, que são, aliás, parte importante dentro da trama. É como se fosse uma fábula”, explica. No último dia 18, Marcelo entregou 260 cópias do vídeo ao secretário de Estado da Educação, José Fernandes de Lima, para serem distribuídas nas escolas da rede estadual de ensino.

Por Priscila Viana

Fotos: Priscila Viana



23 janeiro, 2008

Passarela sem caranguejo




Manguezal da 13 de Julho agoniza e perde espécies, mas, sobretudo, resiste à cidade

É pau, é pedra, é resto de toco e de lixo. Um passeio simples e desinteressado pelo calçadão que margeia o mangue da 13 de Julho é mais do que suficiente para que o olfato seja imediatamente desestimulado e a visão, confundida. Isso porque não é concebível que sacos plásticos, garrafas de vidro, vassouras, tênis, jornais, pedaços de treliça e de armários e um colete com canudo para ingestão de bebidas – herança do Pré-caju – tenham surgido da lama do manguezal. Mas mesmo agredidos defronte ao paredão de edifícios, plantas e animais tentam resistir aos detritos – enquanto a população, horrorizada, confunde lama com sujeira e reclama de seu próprio cheiro.

Alicerce Natural

O contraste entre o verde e os edifícios de concreto é óbvio e os problemas, para a professora Myrna Landim do Departamento de Biologia da UFS, são muito claros. “O adensamento populacional da região e a falta de tratamento de esgoto são os principais fatores negativos da convivência entre manguezal e 13 de Julho. Landim, que é co-autora do artigo “Manguezais do Rio Sergipe”, lembra que Aracaju ainda não atingiu o percentual máximo de tratamento de esgotos e frisa um clássico equívoco da população que passa pela região. “Muitos reclamam que o mangue não cheira bem e atrapalha a vista, mas esquecem que o problema maior é o esgoto despejado in natura ali. Mangue não é sujo. O mangue poluído é que é.”

A presença do mangue na área nobre da capital já incomodou empresários e administrações passadas. O aterramento total da área já foi cogitado. Medidas similares anteriores, entretanto, não foram felizes. “A Coroa do Meio era uma região estável e coberta por manguezais. Quando o governo decidiu urbaniza-las, aterrou tudo. Resultado: muita erosão, quarteirões inteiros perdidos e dinheiro público literalmente enterrado na área”, enumera Landim. A professora estabelece que o mangue da 13 de Julho, além de habitat para uma série de espécies, é um dos principais contribuidores para a proteção e estabilização do Rio Sergipe - que está repleto de bancos de areia e poluentes resultantes do mau uso do solo ao longo da bacia hidrográfica. “É insensato querer retirar um sistema que não prejudica ninguém e preserva a estabilidade da zona costeira. Quando houve Tsunami na Ásia, as pessoas buscaram refúgio embaixo do mangue”, completa.

Vermes: só eles lucram

A retirada do mangue causaria a anulação imediata da fauna e da flora locais. Mas entre garrafas e sacos plásticos, a situação dos organismos da área não é muito próspera. Estudos recentes do nível de contaminação da água da praia 13 de Julho demonstraram números inaceitáveis de dejetos para a sobrevivência de seres aquáticos. O caranguejo-uçá, por exemplo, simplesmente desapareceu da região. Segundo a professora Carmen Guimarães, da UFS e também co-autora do artigo “Manguezais de Sergipe”, a degradação contribuiu para a multiplicação de vermes poliquetos Capitella Capitata e Laconereis Acuta. Apesar de não serem prejudiciais ao homem, esses organismos são característicos de ambientes agredidos e intoxicados. “O excesso de material orgânico proveniente do lixo provoca a ampliação dessas espécies”, explica Guimarães.

Sustento ameaçado

Não é necessário ser biólogo para inferir que, na água do mangue da 13 de Julho, constantemente freqüentada por ratos – espécies exóticas ao ecossistema -, não há animais potencialmente comestíveis. O problema, porém, não pareceu incomodar o pescador Cláudio dos Santos. Sentado à beira do canal, Santos aguardava pacientemente o surgimento de bagres. “Só tem aqui”, justificou. Sobre isso, Myrna Landim alerta. “Todos comem caranguejo, sururu, lambreta, bagre. Todos vivem do mangue. A contaminação da área é um problema de saúde pública.”


Por Igor Matheus

Fotos: Igor Matheus

22 janeiro, 2008

O primeiro passo para o primeiro emprego

“Foi um grande passo que dei na vida. Sei que agora será bem mais fácil conseguir um emprego de verdade, com carteira assinada e um bom salário”. Foi com essa animação que o estudante Fernando Oliveira formou-se em um dos cursos profissionalizantes do Consórcio Social da Juventude, lançado pelo Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE). Para garantir a integração de políticas públicas de inserção de jovens no mercado de trabalho, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) intermedia o projeto em todos os estados do país.

Em Aracaju, o projeto é tocado pela Sociedade Eunice Weaver (SEWA) com o apoio de mais 25 entidades, entre as quais empresas, órgãos públicos e organizações da sociedade civil. Cada um desses órgãos é responsável por ministrar oficinas de diversas áreas do conhecimento como, por exemplo, oficinas de garçom, agentes de turismo, corte e costura, bordado, vendas e telemarketing, informática, higiene e beleza, etc, durante seis meses.

Segundo Tatiane Souza ,da SEWA,, a qualificação dos jovens é o diferencial para conseguir um espaço no mercado de trabalho. “Os alunos participam de cursos profissionalizantes durante seis meses. Alguns deles já concluem seus cursos com um emprego esperando por eles. Principalmente aqueles que têm dedicação destacada ao longo das aulas”, explica Tatiane. Enfatiza ainda o papel do programa para o desenvolvimento econômico do Estado de Sergipe. “Em 2007, qualificamos mais de 1200 jovens, e hoje, a maioria deles trabalha com carteira assinada. É um salto para a geração de emprego e renda em Sergipe. Só estamos aguardando a liberação do governo federal, para dar início às próximas turmas”.

Tatiane Souza também explica quais os critérios para participar do programa de incentivo federal. “A qualificação é aberta aos jovens de 16 a 24 anos que estejam estudando ou que tenha concluído o 2º grau. Não pode ter carteira de trabalho assinada, e deve comprovar a carência de renda dos pais”.

O estudante Fernando Oliveira recebeu qualificação na área farmacêutica através de curso oferecido pelo Movimento Popular de Saúde do Estado de Sergipe (MOPS). A partir do projeto, Fernando diz ter encontrado um ofício. “Eu nunca havia me alertado para essa área, da saúde. Então, surgiu a oportunidade de fazer o curso e me identifiquei bastante. Agora vou me preparar para entrar na universidade, me formar em medicina”, adianta o pré-vestibulando.

Responsável pelas oficinas de saúde pública e corte e costura, o MOPS é uma das instituições mais antigas de Sergipe que conduzem o projeto. “Atuamos há 18 anos na área da saúde publica, em Sergipe. Entendemos que ela é resultante, também, das condições de vida de uma população. E, por isso, os participantes do curso tiveram capacitação sobre controle social, prevenção e, o principal, conscientização. Incentivamos a população a participar dos conselhos de saúde em suas comunidades e, nesse sentido, entendo que nosso trabalho foi e continuará sendo fundamental para a formação desses jovens”, explicou a assessora Simone Leite Batista.


Por Priscila Viana

21 janeiro, 2008

Inscrições abertas no Cultart

O Centro de Cultura e Arte (Cultart) abre neste início de 2008 as inscrições para os cursos de extensão da Universidade Federal de Sergipe. São ofertados cursos de dança, ioga e língua espanhola, além das atividades gratuitas ligadas ao setor artístico da universidade, como o Coral da UFS. As aulas acontecerão na sede do Cultart, localizada na avenida Ivo do Prado, n° 612, centro de Aracaju.

Órgão ligado à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da UFS, o centro tem como objetivo promover a interação entre o meio acadêmico e a sociedade. Possui importante papel no incentivo da produção artística e cultural da cidade. Seu espaço é utilizado para oficinas, palestras, aulas de graduação da universidade e eventos artísticos.

Segundo José Messias Nascimento, diretor em exercício do centro, os cursos são oferecidos através de um convênio firmado com o instituto de língua espanhola Garcia Lorca e a contratação dos professores se dá por meio deste convênio.

A agente administrativa Ana Elizabeth dos Santos, que fez dança de salão por um ano e meio e atualmente canta no Coral da UFS, afirma que gostou de tudo, mas faz uma ressalva quanto à estrutura física do prédio. “O cultart só precisa passar por uma reforma. Algumas salas estão em péssimas condições”.

134 anos de história

Registros indicam que o antigo prédio onde hoje se instala o Cultart foi construído em 1874, na época da administração do Dr. Antônio dos Passos Miranda. O terreno, pertencente ao Barão de Maruim, foi doado para a construção de um orfanato. Anos mais tarde este asilo de crianças carentes caiu no abandono, pois o governo não pôde continuar a sustentá-lo.

Já no século XX as ruínas do orfanato deram lugar ao “Grupo Escola Barão de Maruim”, por ordem do General Valadão. Houve mudança na arquitetura do prédio para o estilo grego, que permanece até hoje. De 1950 a 1980 funcionou ali a Faculdade de Direito, até a transferência deste para o campus universitário, quando então o espaço passou a ser sede de um centro cultural.

Há quatro anos houve mais uma fase de reformas. Foi o lançamento da “Casa Aracaju 2004”, o maior evento de arquitetura e design ocorrido no ano. Durante três meses uma equipe de decoradores, arquitetos e paisagistas mudaram radicalmente a aparência do local a fim de comportar os 27 espaços decorados para exposição. Mas, de acordo com Messias, não aconteceram grandes mudanças na estrutura da construção: lembra apenas que os porões ficaram em melhores condições de uso. “Não foi bem uma reforma. Eles adaptaram o prédio de modo a servir para o uso deles e depois, quando acabou o evento, retiraram quase tudo” explica o diretor.


Espaço certo para eventos culturais

Com freqüência, o Cultart vira palco de apresentações e shows promovidos por artistas e estudantes. A programação é divulgada através de cartazes, folderes e no próprio site da universidade. Aline Lisboa da Silva, estudante de Artes Visuais da UFS e uma das integrantes da comissão organizadora do Pré-Invasão Visual, festa cuja finalidade foi arrecadar fundos para o II Invasão Visual, comentou como conseguiu reservar espaço no centro para realização do evento. “Primeiro tivemos que pedir permissão da reitoria e da direção do Cultart. Como foi uma festa promovida pelos estudantes da universidade eles cederam o espaço” diz ela.


O Cultart é um espaço aberto, público. Também é foco de arte, ponto de encontro da intelectualidade sergipana, fomentador de projetos. O Cultart e seus antigos alicerces seguem através dos anos contribuindo para o engrandecimento da sociedade sergipana.




Por Raquel Brabec

Fotos: Raquel Brabec

20 janeiro, 2008

Muita animação e filtro solar

Os eventos que integrarão o Verão 2008 vêm com tudo para animar a estação mais esperada do ano. No final do mês de dezembro, o governador do estado, Marcelo Déda, lançou a programação do projeto, desenvolvido em parceria com as prefeituras de Aracaju, Itaporanga D'Ajuda e Pirambu, o Banese e a Associação Sergipana de Blocos e Trios (ASBT). O objetivo é estimular a prática esportiva em Sergipe e fortalecer o turismo não só em Aracaju, mas em todo o estado. Confira abaixo os principais eventos que fizeram e farão parte do verão sergipano.

Pré-caju

Na segunda semana de janeiro, o verão sergipano ferveu com a maior prévia-carnavalesca do Brasil. Atrações como Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, Babado Novo, Asa de Águia, Harmonia do Samba, Pagodart, banda Eva, Cheiro de Amor, Aviões do Forró e Margareth Menezes pararam a capital com o seu ritmo alegre e contagiante.

Para o baiano Albert Peneluc, que curtiu os quatro dias da prévia carnavalesca, o Pré-caju continua sendo o evento mais badalado do estado. "Há seis anos que eu faço questão de vir à Aracaju curtir essa festa maravilhosa. O espaço é ótimo, as pessoas são super animadas e o bloco é muito seguro", afirma. Esse ano, um milhão e 200 mil pessoas passaram pelos 4,3 quilômetros da Avenida Beira Mar. O governo investiu dois milhões de reais para essa festa, que mobilizou 70 setores da economia, gerando mais de 20 mil empregos entre diretos e indiretos.

Para garantir o clima descontraído, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) reforçou o número de policiais no espaço destinado ao evento. Como conseqüência disso, foi registrado um número menor de ocorrências graves, se comparado aos índices das edições anteriores. Outro dado positivo é que não foi registrado nenhum homicídio durante a prévia carnavalesca. No total, foram contabilizados 155 casos diversos durante os quatro dias do evento, segundo a Coordenadoria de Estudos, Pesquisas e Estatística (Codepe). Para o secretário da SSP, Kércio Pinto, a avaliação foi positiva. "O trabalho de cerca de 1.300 policiais e bombeiros empregados em cada dia do Pré-Caju, foi muito bem executado. O planejamento deu certo e a meta para 2009 é aumentar ainda mais essa atuação, seja no rigor das revistas nas entradas, seja na ampliação da cobertura dentro da festa. Agora, as corporações ligadas à SSP vão se preparar para o Carnaval", afirma.

Torneios esportivos

As competições esportivas também farão parte da programação do Verão 2008. As inscrições para os torneios foram encerradas no dia 11 de janeiro e serão disputadas competições de beach soccer, futvôlei, beach handball, vôlei 4X4, surf e bodyboard, com premiações para os primeiros colocados.

Projeto Verão

Para quem curte um som mais alternativo, uma boa dica é aproveitar os shows que agitarão a orla de Atalaia em janeiro e fevereiro. Esse ano, o Verão Sergipe 2008 (antigo Projeto Verão) vem com tudo, animando não só os aracajuanos, mas também o público do litoral sul do estado. Uma infra-estrutura grandiosa será montada para atender as necessidades do público das praias da Caueira, em Itaporanga D'Ajuda, e de Pirambu. Além de dois palcos conjugados, o evento contará com posto médico, área vip, área para a imprensa, posto policial e uma quadra poliesportiva.

Segundo o governador de Sergipe, Marcelo Déda, o objetivo do projeto é desenvolver não só o turismo na capital, mas também o turismo no interior do estado. "Criamos um projeto para permitir que os turistas que chegam a Aracaju possam conhecer, além da nossa capital, as praias do litoral sul. O objetivo é mantê-los por mais tempo em nosso Estado e permitir que os sergipanos possam curtir o verão de forma mais intensa. Queremos fazer do nosso litoral o espaço mais quente do país", explicou o governador. O projeto será desenvolvido pelo Governo do Estado, em parceria com as secretarias de Estado da Comunicação Social e Esporte e Lazer, as prefeituras de Aracaju, Itaporanga D'Ajuda e Pirambu, o Banese e a Associação Sergipana de Blocos e Trios (ASBT).

Shows

A programação se iniciou sexta, dia 18, na praia da Caueira, com Vanessa da Mata, A Fábrica, Nando Reis e Capitão Parafina. Ontem, dia 19, contamos com o som das bandas Sibberia, Mariana Aydar e Jorge Ben Jor. Hoje, dia 20, finalizando a festa com grande estilo, o projeto contará com a presença de Natiruts e Naurêia.

Próximo final de semana, o projeto será em Pirambu. As atrações para o dia 25 de janeiro são Cartel de Bali, Pitty e Olodum. No dia 26, se apresentam Sunway, Wilson Sideral e Cidade Negra. E, encerrando mais um final de semana de festa, no dia 27, as atrações que vão agitar Pirambu são Java e Martinália.

Após o Carnaval teremos ainda mais programações na orla da Atalaia, aqui em Aracaju. Apesar da programação ainda não ter sido divulgada pelo governo do estado, já podemos nos programar para participar desta festa que ocorrerá entre os dias 15 e 17 de fevereiro.

Por Carla Santana

Fonte: Governo do estado

25 dezembro, 2007

Aeroporto de Aracaju garante ‘boa viagem’ nesse fim de ano

Nas chamadas altas estações, o movimento nos aeroportos cresce em todo o Brasil. Em Aracaju não é diferente, os meses de julho e dezembro são os de maior fluxo de turistas. Muitas pessoas escolhem Sergipe como destino para passar as festas de fim de ano seguidas do período de férias. Filas imensas, vôos muito atrasados ou cancelados felizmente são uma realidade distante do aeroporto da capital.

O grande fluxo no aeroporto de Aracaju se dá também pela saída de pessoas do estado. “De cada dez bilhetes emitidos nos últimos meses pela agência, no mínimo cinco foram para embarque em dezembro” informa a agente de viagens da Visão Turismo, Aline Mangueira. Rio de Janeiro e São Paulo são os principais destinos, acrescenta Aline.

Nos meses de menor fluxo no aeroporto de Aracaju, a média de passageiros, incluindo embarque e desembarque, corresponde a 55.000 pessoas por mês – dados até novembro deste ano. Já nos épocas considerados de pico – os meses de janeiro e julho - há um aumento de 20% no número de passageiros. Informou o assessor de imprensa da Infraero, Keldo Gabriel Campos.

O caos aéreo não afetou a venda de passagens em Sergipe. Na Visão Turismo, por exemplo, houve um aumento de vendas de 50% em relação ao ano passado. “Mesmo com os transtornos causados pela crise, o avião continua sendo o meio de transporte mais rápido e seguro para viajar. Os passageiros não estão dispostos a passar horas para chegar aos seus destinos”, explica a agente de viagens.

A crise aérea em Aracaju se deu de forma menos agressiva. De acordo com o Keldo Gabriel, o aeroporto sofreu as conseqüências dos problemas ocorridos nos terminais aeroportuários de grande porte como Brasília e São Paulo. Apesar do reflexo da crise, o aeroporto da capital sergipana opera tranqüilamente com aumento no número de passageiros e, segundo a Infraero, está preparado para receber até mais. Em relação aos atrasos provocados pela crise, o assessor de imprensa disse que a duração foi em média de 40 minutos e não provocaram grandes transtornos. Não houve cancelamentos de vôos.

Para evitar a concentração de passageiros e os problemas gerados pelo grande fluxo, o ministro da defesa, Nelson Jobim, lançou no dia 04 de dezembro um pacote de medidas para as companhias aéreas. Uma das propostas obriga as empresas a ressarcir passageiros vítimas de atrasos, com a devolução de parte do preço pago pelo bilhete. Esse reembolso varia de acordo com o tempo de espera sofrido pelo usuário. Sobre o pacote de medidas, Keldo Gabriel diz que a Infraero acata a decisão. Segundo ele, todas as instituições que trabalham com aviação estão mobilizadas para dar maior conforto aos usuários. A expectativa é que o pacote entre em vigor no início de 2008.

O terminal do aeroporto de Aracaju opera com um fluxo de 700 mil passageiros por ano, sendo sua capacidade máxima de 1 milhão. A estrutura existente suporta com certa folga a demanda. Contudo, o único aeroporto do estado apresenta problemas no pátio de manobras e por isso está atendendo no seu limite. Mas, segundo Kelson, não há motivo de preocupação, pois já existem projetos de ampliação para o local.

Por Tarcila Olanda

24 dezembro, 2007

Espírito natalino embala campanhas solidárias

Natal vem chegando e as campanhas solidárias em Sergipe estão nos preparativos finais para dar vida ao “Bom Velhinho”. No itinerário dele, estarão bairros de periferia da capital e do interior, com crianças aguardando ansiosas por um presente. A época, além de aquecer as vendas de fim de ano, também é de esperança para cada uma dessas crianças.

Em Neópolis, no interior do estado, todos os anos a Escola Estadual Sagrada Família faz doações de roupas e alimentos para crianças carentes. “É um trabalho importante e me orgulho muito de fazer parte”. Disse a professora Gilene Sales dos Santos, uma das participantes da campanha. As doações começam na própria escola, nos últimos dias letivos.

O espírito natalino contagia a todos. Na capital, Aracaju, uma das campanhas de maior sucesso é a chamada “Papai Noel dos Correios”. O projeto surgiu há 13 anos em todas as diretorias regionais da Empresa de Correios e Telegráfos (ECT). A proposta é responder a todas as cartas endereçadas ao “Papai Noel”, disponibilizando-as para quem desejar adotar uma delas. As histórias contadas pelas crianças são variadas e criativas.

Quase 3 mil cartas chegaram aos Correios de Sergipe até o último dia da campanha, 21 de dezembro. Mais de 1.500 presentes, incluindo televisores e bicicletas haviam sido entregues à empresa. A funcionária pública Ana Carla foi uma das centenas de pessoas que contribuíram. “A história que mais me comoveu foi a de uma menina chamada Mayara. Ela tinha 11 anos e nunca teve uma boneca”, disse ela ao entregar na agência central o presente da menina Mayara.

Pelo menos 15 funcionários dos Correios trabalham como voluntários na central da empresa, em Aracaju. Rita de Cássia Lima e Aline Santos saem do expediente direto para a recepção da secretaria, embrulhar os presentes que chegam. Alguns desses voluntários começaram a trabalhar há três meses.

O Assessor de Comunicação da empresa, Agnaldo Batista, diz que o projeto é importante porque estimula nas pessoas a solidariedade. “A importância também está no fato de que as crianças exercitam a escrita, ao fazer suas próprias cartas”, afirma Aguinaldo.

Pena que o garoto Iury, de 10 anos, não pôde fazer a sua, pois ainda não sabe ler nem escrever. A caligrafia perfeita e sem erros ortográficos era de sua mãe. Como muitas outras crianças, o seu presente de Natal era uma bicicleta. Seu pedido é apenas um entre as centenas de cartas não adotadas. O Papai Noel terá até o dia 25 de dezembro para realizar esse sonho.

Por Getúlio Cajé

23 dezembro, 2007

Boas notas nas redações da UFS

No dia 05 de dezembro, cerca de 21 mil candidatos concluíram, com a prova de redação, o Processo Seletivo para ingresso na Universidade Federal de Sergipe no ano letivo 2008. No dia 12 a universidade divulgou a lista dos pré-classificados e há duas semanas, sob a coordenação do Prof. Dr. Antônio Ponciano Bezerra, uma equipe de professores de língua portuguesa está fazendo a correção das redações. Segundo Ponciano, que é também pró-reitor de graduação, caso não haja imprevistos, o trabalho estará concluído até o próximo dia 26, quando então será divulgado o resultado final do vestibular.

A prova de redação da UFS, ao longo dos anos, tem passado por várias transformações: já foi peso 4, 5; de caráter eliminatório. Até o final da década de 90, as redações de todos os inscritos no vestibular eram corrigidas. Hoje, ela é apenas parte integrante da prova de português, a quarta parte; possui caráter classificatório e somente os candidatos pré-classificados, na proporção de dois para uma vaga em cada curso, têm seus textos corrigidos. Esse ano, serão corrigidas 8140 redações, já que a UFS oferece 4070 vagas.

“Antes nós corrigíamos as redações de todos os inscritos, às vezes eram textos de candidatos que haviam tirado nota baixíssima na sua prova de origem; por exemplo, estava fazendo vestibular para ciências biológicas e tirava dois na prova de biologia, que dizer, era um candidato que não tinha condição alguma de ser aprovado, mesmo assim se corrigia sua redação. A pré-classificação veio acelerar o processo de correção”, afirma o professor Ponciano.

Três são os critérios avaliados na redação da UFS: coerência (3 pontos), coesão (3 pontos) e expressão ( 4 pontos). A novidade deste ano é que cada texto passa por dois grupos de corretores, caso haja diferença significativa entre as notas dos dois grupos, o coordenador orienta uma terceira correção. O objetivo é garantir uma nota justa.

“Tem muito texto bom, muita nota alta. Não há necessidade de corrigir mais que duas redações para uma vaga, dificilmente os alunos que estão mais bem posicionados perdem sua vaga”, informa Antônio Ponciano.

Quando se fala em redação geralmente se pergunta: como é que está o nível, há muitos “erros”, e as famosas marcas da oralidade nos textos são problemáticas? Para o professor Ponciano não: “inserir elementos da linguagem popular numa redação de vestibular não chega a ser um problema, mesmo na literatura do século XIX, quando era, digamos, ‘proibido’ o uso da linguagem popular os autores deixavam escapar alguns regionalismos; portanto isso não é uma excrescência, sobretudo em se tratando de uma juventude a quem pela primeira vez está sendo pedida a produção de um texto formal como instrumento de avaliação. Essas marcas não são vistas como erro, o fato de o candidato inserir elementos da oralidade em seu texto não o desqualifica, não significa que ele vá perder ponto em coesão ou em coerência, se o uso for excessivo, talvez ele perca alguma coisa em expressão. Mas os nossos corretores estão preparados para fazer uma avaliação contextual, considerando, inclusive, a faixa etária da maioria dos candidatos, para nós é importante que ele compreenda que está produzindo um texto formal, dissertativo e que não fuja ao tema proposto; não se espera encontrar nada camoniano.”

De maneira geral, essa é a ótica que impera nas correções de redação dos vestibulares das grandes universidades brasileiras, cada uma com suas particularidades. A UFS propõe a produção de texto dissertativo, mas há aquelas que pedem a produção de outros tipos de texto, como o narrativo, descritivo ou poético. A posição das instituições são semelhantes quanto à correção. A patrulha purista de outrora cedeu lugar ao bom senso, ou seja, o mais importante é verificar se o candidato compreende a proposta de redação, se tem idéias e as desenvolve. Os pequenos erros lingüísticos têm um peso menor agora. Por isso, a opção de propor temas abrangentes - o da UFS desse ano foi “os problemas do mundo moderno” -, na esperança de que qualquer aluno que tenha concluído o ensino médio possa escrever sobre o assunto.

Por Luciene Oliveira

21 dezembro, 2007

Estudantes discutem produção acadêmica

Periodicamente, estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS) saem de seus laboratórios e salas de aula para compartilhar resultados e experiências. Essa semana, a universidade se transformou em um palco de discussões: através de palestras, oficinas e minicursos, alunos discutiram perspectivas para a graduação na UFS e os desafios no ensino, pesquisa e extensão.

A II Semana de Estudos da Graduação (Segrad) aconteceu entre os dias 17 e 20 de dezembro, reunindo cerca de 310 inscritos. Para os minicursos, as inscrições foram realizadas à parte e 180 pessoas se matricularam. A coordenadora da Segrad, Maria Inêz Oliveira Araújo, disse que o número de pessoas presentes é superior ao ano passado, mas que ainda não está contente. “Falta mais divulgação e integração entre os departamentos. Só assim conseguiremos mobilizar toda a comunidade acadêmica”, diz.

A estudante do 4° período de Biologia, Márcia Leite, diz que, além de levar à comunidade universitária o que está sendo produzido na instituição, o evento promove o nosso desenvolvimento profissional. Já Karolina Andrade, que cursa o 2° período de Geologia, diz que estava apenas interessada em participar dos minicursos. “Eu não preocupo em saber o que outros alunos estão produzindo, a não ser que seja do meu interesse pessoal”, confessa.

Avanços

Em relação à primeira edição do evento, que aconteceu em novembro do ano passado, várias mudanças foram feitas. Dessa vez, foram discutidos apenas assuntos relacionados à graduação, enquanto no ano passado o tema dos trabalhos era livre. Segundo Maria Inêz, além de a UFS não estar preparada para realizar um evento tão amplo, a centralização dos debates em um único tema aprofunda a discussão.

Outra mudança foi a redução do número de palestras e o aumento das sessões de comunicações orais, com um total de 99 apresentações. Nessa edição, dez trabalhos foram rejeitados pela comissão científica. A coordenadora diz que a banca julgadora foi bem criteriosa e que apenas os trabalhos “sem pé nem cabeça” não foram aceitos. “Apesar do visível bom desempenho, ainda existe uma certa limitação na escrita acadêmica dos estudantes. É um ponto que ainda temos que discutir e melhorar”, disse Maria Inêz.

Outras iniciativas

Os alunos da UFS ainda contam anualmente com outras oportunidades para apresentar a sua produção acadêmica à comunidade universitária. Entre os dias 27 e 30 de novembro aconteceu a IV Semana de Extensão Popular, coordenado pela Pró-Reitoria de Extensão (Proex), em que os estudantes tiveram a chance de mostrar trabalhos feitos junto à população, além de promover uma maior integração entre a universidade e a comunidade.

Voltados para a pesquisa, também acontecem o Encontro de Iniciação Científica e o Encontro de Pós-Graduação. Os eventos coordenados pela Pró-Reitoria de Pós Graduação e Pesquisa (Posgrap) aconteceram esse ano simultaneamente entre os dias 16 e 19 de outubro, exibindo trabalhos de pesquisa realizados na universidade. O Encontro de Iniciação Científica promove também o Prêmio Destaque do Ano, que contempla trabalhos de pesquisa realizados pelos estudantes da UFS.

Com uma proposta científico-literária, o Caderno do Estudante é lançado pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proest) da UFS, reunindo artigos científicos, poesias, contos e crônicas produzidas pelos alunos. O Caderno do Estudante 2006 (a edição mais recente) foi lançada no dia 3 de outubro desse ano e, segundo o coordenador de Promoções Culturais e Esportivas, José Marcos Monteiro, foram distribuídos 600 exemplares na UFS, em outras universidades brasileiras e também em universidades estrangeiras.

Por Fernando Pires
Foto: Fernando Pires

18 dezembro, 2007

Parabéns aos nossos ‘eternos turistas’


Comemora-se hoje, 18 de dezembro, o Dia Internacional do Migrante. Apesar de existirem níveis diferenciados de migrações, essa data – estabelecida a 4 de dezembro de 2000 pela Organização das Nações Unidas – tem por objetivo maior homenagear aqueles que deixaram seu país de origem para viver em outro, imersos em uma cultura às vezes bastante diferente da sua.

Não foi o que aconteceu com o português José Camilo Carvalhal, que há 38 anos vive no Brasil. “Nunca me senti estrangeiro aqui”, afirma, salientando a proximidade cultural entre os dois países e elogiando a receptividade do brasileiro. Camilo, que veio para Sergipe como representante de uma empresa de autopeças, logo depois adquiriu sua própria loja no ramo e hoje é um dos quase 200 portugueses residentes no estado, segundo dados fornecidos por Edvaldo Napoleão, agente federal responsável pelo setor de imigração. De acordo com Napoleão, os Estados Unidos estão logo após Portugal em quantidade de imigrantes em Sergipe, com uma média de 150. Em seguida vêm os italianos e os argentinos, com aproximadamente 100 imigrantes cada.

Vistos

Para que um estrangeiro fique no Brasil ele deve solicitar o visto temporário ou o visto permanente. O primeiro, mais utilizado como um ‘visto de trabalho’, é geralmente concedido àqueles que desempenhem funções específicas e escassas no lugar que este deseje ir, e pode ter duração de até 5 anos. Já o segundo, requerido pelos que buscam fixar residência no país, é opção de muitos investidores, pessoas interessadas em montar aqui estabelecimentos de grande porte, como hotéis, por exemplo. A documentação de permanência também é exigida para os que escolhem viver em território brasileiro após vínculo matrimonial.

É por causa do casamento que a maioria dos estrangeiros permanece em Sergipe. Foi assim com o argentino Fabian Majado, que a passeio em Salvador conheceu uma sergipana, com quem se casou logo após. Hoje, no segundo matrimônio e sócio-proprietário de uma escola de idiomas, Fabian não pensa em voltar a morar na Argentina e explica: “Ingressar no mercado de trabalho sempre foi difícil em Buenos Aires. Agora, aos 44 anos, é impossível para mim. Buenos Aires só nas férias”.

Mercado de trabalho

É difícil encontrar imigrantes desempregados em Sergipe. Isso não é ocasionado pela farta necessidade por mão-de-obra, ainda que pouco especializada, como ocorre nos Estados Unidos. O motivo em geral está justamente no elevado nível de instrução do profissional estrangeiro que aqui reside. É por isso que estes geralmente ocupam bons cargos em empresas renomadas, como é o caso da Petrobrás.

Além desses há ainda aqueles que se dedicam às universidades, atuando como professores e pesquisadores. É também bastante recorrente, principalmente entre os latinos, aqueles que se empregam em alguma escola ou curso de idiomas para trabalhar com sua língua-mãe. Esse é o caso de Milagros Elizabet Fernandez, dominicana formada em economia, mas que abandonou sua área de graduação quando saiu de Santo Domingo. “Lá eu trabalhava em um banco. Com a mudança para cá o mais difícil foi decidir em que trabalhar. Desde que cheguei aqui ensino espanhol”, diz a professora.

Por Christiane Matos
Foto: Christiane Matos

Cartão "mais" gera polêmica entre estudantes

O sistema de bilhetagem eletrônica do transporte urbano da Grande Aracaju mal foi implementado e já causa polêmica. Com a finalidade de combater o comércio paralelo de tickets, promover mais agilidade e segurança, o modelo causa insatisfação aos usuários do transporte coletivo. Grandes filas nas catracas, quedas constantes de sistema na hora da recarga e cobrança indevida do valor da tarifa são algumas das queixas. José Augusto Machado, coordenador de passe escolar da SMTT, entende que tais reclamações ocorrem devido à novidade do sistema e afirma que as devidas providências já estão sendo tomadas. "Toda mudança tem uma dificuldade natural. Estamos nos adequando ao processo com o uso", argumenta.

Reclamações

Segundo alguns estudantes, primeiros usuários a adquirir o cartão eletrônico, as filas de acesso às "borboletas" dos veículos e terminais de integração aumentaram consideravelmente depois da chegada da nova tecnologia. "De fato, esse acesso ficou muito mais lento. Isso tem causado muitos problemas quando, por exemplo, o ônibus que vamos pegar já está passando pelo terminal. Agora não dá mais tempo de pegá-lo", Afirma o estudante de Direito Hércules Felipe, que como outro tantos passa diariamente pelo terminal do Campus.

O longo processo de aproximar a carteirinha à catraca eletrônica; esperar ser informado o valor do saldo; aguardar liberação do cobrador até que seja permitida a passagem é que causa esse atraso. Como explica Augusto Machado, o processo de transmissão dos dados do cartão atualmente é feito pelas operadoras TIM, Claro e Oi. Já que essas experiências não geraram a velocidade e regularidade desejada, planeja-se operar tais dados com a Velox. Ainda segundo ele, esse novo convênio trará mais agilidade também ao ato de recarga dos cartões e minimizará também o problema das "quedas" de sistema.

Outro ponto que incomoda os usuários da meia-passagem é o fato de os créditos serem contabilizados pelo valor em dinheiro, e não por unidades de bilhetes. Há casos de pessoas não poderem usar a quantidade exata de passagens compradas por faltar dinheiro na hora de usar a última unidade. Machado justifica que o sistema comprado da Pró-Data System's não comporta três casas decimais e a metade da tarifa atualmente custa R$0,825. Ao serem descontados, os valores são arredondados. "Quando você compra 20 passes por R$16,50, por exemplo, ao chegar às 19 utilizações, talvez a catraca não aceite. Mas quando você carrega novamente, o erro é corrigido. O usuário não perde!", enfatiza Augusto Machado.

O coordenador de passe escolar da SMTT ainda afirma que a bilhetagem eletrônica serviu para aumentar a fiscalização sobre o uso da meia-passagem. Além de permitir que o passageiro do transporte coletivo bloqueie os créditos de sua carteirinha em caso de roubo ou perda, o novo sistema também ajuda a combater o comércio paralelo de passagens. Neste ano já foram apreendidas 280 carteirinhas de passe escolar por uso indevido.

A possibilidade de coibir a comercialização paralela é um dos principais motivos da implementação da bilhetagem eletrônica, segundo o Movimento Passe Livre (MPL). É o que afirma Caio César, estudante sergipano membro do movimento. Para o grupo, formado em 2005 no Fórum Social Mundial realizado em Florianópolis e distribuído em coletivos espalhados por várias cidades do Brasil, o novo modelo veio promover o que é chamado de “antecipação de receita”. O cartão permite que o dinheiro seja usado exclusivamente para transporte, evitando, assim, extravio de tickets no processo. Então, consoante ao movimento, essa seria uma medida na qual se paga antecipadamente pelo serviço, sem possibilidades de reverter o valor desembolsado a outros fins, maximizando os lucros das empresas. O MPL problematiza também o modelo, de cobrança baseada em dinheiro, em situação de aumento de tarifa. Os créditos comprados por um preço anteriormente que ficaram acumulados na carteirinha seriam descontados levando em consideração o valor novo. "Como será feito o controle sobre as pessoas que recarregaram antes e depois do aumento da tarifa?" Questiona Cáio César.

O sistema de bilhetagem eletrônica deverá estar totalmente implantado em Aracaju até o final de 2008 com todos os sete cartões (Funcional, Escolar, Gratuidade, Vale-transporte, Sênior, Especial e Cidadania). O cartão Especial, concedido a pessoas com deficiência motora, mental, auditiva e visual, tem previsão para ser implementado até o fim de dezembro e o Vale-transporte, concedido pelo empregador, deve ser distribuído a partir de janeiro do próximo ano.

Comércio Paralelo

No dia 07 de dezembro, um cambista portando oito cartões de meia-passagem foi pego em flagrante ao tentar efetuar recarga dos mesmos na sede do SETRANSP. Conforme notícia veiculada no site do sindicato das empresas, "ele alugava os cartões, colocava créditos e repassava a terceiros pela quantia de R$ 70 mensais". O setransp também informa que "uma das infrações mais cometidas é o uso de um mesmo cartão, com o mesmo cobrador, seguidas vezes em um único dia".



Por Zeca Oliveira
Foto e ilustração: Zeca Oliveira

Saiba mais:

http://www.setransp-aju.com.br/mais_aracaju.php

http://catracassu.blogspot.com/2007/11/bilhetagem-serve-quem_18.html

16 dezembro, 2007

Pesquisa revela deficiências na política de acessibilidade da UFS

Durante dois anos, os estudantes Miriam Carla (Letras) e Horimo Medeiros (Ciências Sociais) acompanharam de perto as dificuldades sofridas por Gil: primeira aluna da Universidade Federal de Sergipe com necessidades especiais. A pesquisa, intitulada “Acessibilidade na UFS: um estudo de caso”, foi apresentada no dia 29 de novembro, na Semana de Acessibilidade da UFS.

De acordo com o trabalho, a universidade não estaria preparada para receber estudantes que têm deficiência visual, como Gil. “A principal conclusão da nossa pesquisa é de que a política de acessibilidade da UFS é na base do improviso. Desde que Gil entrou na UFS, em 2004, as necessidades dela são atendidas de forma improvisada mesmo, sem planejamento algum. Quando aparece um problema, ‘um tapa buraco’ é a primeira solução que surge”, afirmou Miriam.

A estudante também denuncia, em sua pesquisa, o comodismo que, segundo ela, foi estimulado dentro da administração da universidade pela existência de bolsistas que acompanhavam a estudante com deficiência visual. “A UFS passou a conceder a Gil uma bolsa de R$ 180, para que ela pudesse arcar com materiais necessários, como fitas e um gravador, que a ajuda a acompanhar as aulas. Um estudante também recebe o mesmo valor para guiá-la pela universidade. Eu fui uma dessas bolsistas, e posso dizer que não havia critério algum de escolha, além de não passarmos por treinamento. A própria Gil é quem indica seu guia. E, sem capacitação, fica difícil, às vezes, atender uma ou outra necessidade que possa surgir. Já ficamos de mãos atadas, sem saber o que fazer, em determinadas ocasiões”, lamentou Miriam.

O estudante Horimo Medeiros, que efetivou a pesquisa junto com Miriam, fez uma abordagem sociológica sobre o caso particular de Gil. “Segundo Portaria do Ministério da Educação (MEC), as universidades são obrigadas a se inserirem nessa política de acessibilidade. Na prática, esse direito não é realmente efetivado, pois o debate sobre inclusão é geralmente limitado aos estudantes carentes, e raramente engloba os portadores de necessidades especiais”, afirmou Horimo.

Horimo também denuncia a situação da UFS como reflexo de um descaso geral com a situação. “Parece que o Estado vê esse tipo de assistência como favor. Apenas participa de parcerias e ‘morre’ por isso mesmo. Mas o correto é que ele se coloque como responsável pela elaboração e efetivação de políticas públicas de acessibilidade”, explicou o estudante de Ciências Sociais.

Miriam e Horimo participam do Grupo de Trabalho (GT) “Por uma universidade sem deficiências”, junto com Josimeire Batista, aluna do curso de Pedagogia. Na Semana de Acessibilidade, Josimeire problematizou as estruturas da Didática V, ainda em construção. “Alegamos à Prefeitura do Campus que não havia acessibilidade na planta estrutural da Didática V. As portas eram tão estreitas, que as cadeiras de roda não passavam. Avisamos ao prefeito que, na Semana de Acessibilidade, estaríamos passando com uma cadeira, e para nossa surpresa e alegria, eles haviam alargado a porta. Mas, no geral, a planta da empresa construtora só prevê a ampliação dos banheiros. Há um fosso quanto à acessibilidade, desrespeitando as normas da ABNT”, alega a estudante.

Outro projeto de construção que está sendo questionado pelo grupo é a revitalização do Complexo Desportivo da UFS. Este inclui a piscina, a sala de judô, o ginásio de esportes e a sala de dança do Departamento de Educação Física (DEF). “Estamos lutando para que a piscina tenha rampa para os cadeirantes e professores devidamente treinados para recebê-los”, adiantou Miriam. De acordo com Pedro Jorge, chefe do Departamento, essas já são as prioridades do projeto. “Os engenheiros da obra já estão cientes das atividades emergenciais, como a construção de passarelas, que vão do departamento administrativo até a piscina, e rampas, para ampliar o acesso. Além de banheiros apropriados, com estrutura de metal”, adiantou o professor.

O Grupo de Trabalho está elaborando um projeto para criação de um Núcleo de Apoio aos Portadores de Necessidades Especiais, na UFS. De acordo com Miriam, esse projeto já foi apresentado à universidade, na Semana de Acessibilidade. “Queremos implementar um núcleo que possa dar suporte estrutural e pedagógico a esses estudantes. Já encaminhamos o projeto ao professor Ponciano, Pró-Reitor de Graduação (Prograd). Ele disse que quer ajudar, mas precisa estudar melhor, porque ainda não tem noção de como proceder”.

Processo Seletivo Seriado

A UFS não reserva vagas do PSS para estudantes com necessidades especiais, ou seja, eles competem em condições de igualdade com todos os candidatos ao vestibular. De acordo com Miriam, isso é sintoma de uma instituição despreparada para abrigar esses alunos. “Quando Gil passou no vestibular, os professores sequer haviam sido informados de que receberiam uma estudante com necessidades especiais. Houve muitos constrangimentos, porque não havia preparo para lidar com as necessidades de Gil. Ás vezes, ela era argüida no birô enquanto o resto da turma fazia a prova escrita”, revelou Miriam.

O coordenador do processo de vestibular da UFS, professor Manoel Leite, alega que, para esses estudantes, há um tratamento diferenciado na hora do concurso. “Ao todo, recebemos 16 candidatos com necessidades especiais, e todos eles fizeram prova em uma das alas do Colégio de Aplicação (Codap), com um professor e dois fiscais para cada um. Todos os deficientes visuais tinham visão parcial, e, para eles, foi elaborado um cartão de respostas ampliado. Outro candidato que tinha problemas motores e não conseguia escrever nada, respondeu a prova em um computador reservado, com o acompanhamento de um professor”, explicou.

Quando à reserva de vagas para o vestibular, o professor foi enfático. “Sempre fui contra as cotas. Mas, diante das cotas que estão sendo criadas por aí, acho mais justo que sejam privilegiados os portadores de necessidades especiais”.

Por Priscila Viana

Mão na massa




Na Semana de Cultura Afro Brasileira da UFS, debater sobre inclusão dos negros na universidade não foi tudo: agora, é hora de fazer.




“Ser negro é ser violentado 24 horas por dia.” Não foi em uma circunstância fortuita ou para qualquer platéia que o professor Antônio Costa, do Departamento de Letras da UFS, soltou sua definição. A frase foi dita no auge dos debates da IV Semana de Cultura Afro Brasileira da Universidade Federal de Sergipe. Entre os dias 10 e 13 de dezembro, alunos e professores analisaram números, casos, termos polêmicos e, principalmente, formas de desenvolver políticas de afirmação e inclusão social das classes discriminadas e minoritárias – entre elas, a aplicação de um sistema de cotas para negros na UFS.

A frase dura do professor Costa, mais do que um testemunho, ecoou como um ponto de partida para os trabalhos que se seguiram: a questão já não era onde a discussão está, mas aonde se quer chegar. “A semana representa o momento em que paramos não só para pensar, mas para colocar a mão na massa e, até, apontar para algumas direções em relação a ações de afirmação e inclusão”, resume o professor Frank Marcon, coordenador do recém-instituído Programa de Ações Afirmativas – PAAF – e do Núcleo de Estudos Afro Brasileiros, responsável pelo evento.

Munido de números do questionário sócio-cultural do último vestibular da UFS, que apontou uma incidência de 12,45% de negros entre os aprovados, Marcon avalia que o processo de expansão da UFS, ainda que benéfico, está incompleto. “A expansão está sendo feita de forma horizontal, focando o lado numérico. Mas é preciso ver o acesso, a inclusão das populações que, por vários motivos, não conseguem ingressar na universidade”.

Modelos de inclusão

Foi exatamente para tentar entender melhor como se faz inclusão que foram trazidos, especialmente para a semana afro-brasileira, dois representantes de experiências que deram certo. A professora Clara Suassuna veio da Universidade Federal de Alagoas para explicar como, desde 2004, cerca de 1000 alunos foram incluídos na universidade alagoana. “A política de cotas, sozinha, não sustenta o programa de ações afirmativas. São necessárias várias medidas”, esclarece. As políticas de afirmação da UFAL, segundo Suassuna, vão desde o incentivo à pesquisa sobre cultura afro-brasileira até a formação de pesquisadores e instituição de disciplinas obrigatórias relacionadas à temática.

Já o professor Wilson Roberto Mattos, foi convidado para esclarecer como aconteceu uma das primeiras experiências de cotas universitárias para negros do Brasil: a da Universidade Estadual da Bahia – UNEB. Desde a implantação do sistema, em 2002, 8000 alunos ingressaram na universidade. Mas a reserva de 40% de vagas para afro-descendentes de escola pública não é tudo. “No programa de ações afirmativas de lá nós procuramos assegurar bom desempenho dos alunos, manter uma alta taxa de representatividade dos negros e baixo nível de evasão. Não adianta cobrar desempenho dos alunos se a instituição não oferece condições para tal”, explica.

Para a UFS, o professor Frank Marcon já antecipa: a criação de uma política de cotas para alunos negros vindos de escola pública está, sim, na pauta do PAAF. “Nosso primeiro foco é pensar em uma ação de acesso diferenciado já para o vestibular de 2008”, assegura. Mas essa não será a única medida proposta. Além da chamada “verticalização” do acesso, o programa prevê políticas de permanência e de produção de conhecimento, assim como os exemplos dados por Bahia e Alagoas. Até abril do ano que vem, entretanto, as medidas continuarão como hipóteses. Nesse período, mais dois eventos serão realizados. Eventos que, segundo Marcon, serão decisivos para a adoção ou não das ações afirmativas. “Serão mesas de trabalho. O que aprovarmos já será enviado ao Conselho Universitário, que por sua vez aprovará ou não”.

Questionamentos

Na platéia que acompanhou os debates da Semana, não havia unanimidade. Alguns se mostraram mais céticos em relação ao problema do negro na sociedade. O engenheiro e funcionário do Sindicato de Professores da UFS Valdir Pimentel ironiza o termo cotas – “por que raios não é com ‘q’ de quotas?” -, e, embora simpático ao sistema, acredita que a maioria negra não sente a discriminação como costuma ser descrita. “Discriminação é coisa pra negro intelectual. A maioria não tem cultura para se reconhecer como alguém no mundo. Se o negro se achasse tão discriminado, estava aqui hoje discutindo”, disse, apontando as cadeiras vazias no momento das primeiras palestras.

O aluno Bruno da Silva, do curso de História, tem uma teoria para essa apatia. “Penso que a sociedade aracajuana não olha com bons olhos para políticas afirmativas. Vivemos numa sociedade meritocrática”. Mas quem se habilitou a responder diretamente as provocações de Pimentel foi o professor Antônio Costa, que, esbaforido, não se conteve. “507 anos nos foram negados. Ouvimos durante séculos que não tínhamos nem alma nem espaço na sociedade. Ser negro, amigo, é ser violentado 24 horas por dia”.

Por Igor Matheus
Foto: Igor Matheus

13 dezembro, 2007

Sedentarismo nas Escolas Públicas

Esporte faz bem à saúde. A constatação é tão banal quanto dizer que toda a criança precisa se desenvolver fisicamente. Porém, o esporte na infância ainda é desvalorizado em Aracaju. Em virtude da emergência do assunto, os professores do Departamento de Educação Física da Universidade Federal de Sergipe (DEF-UFS) vêm construindo um amplo debate sobre o tema.

Entre os dias 10 e 12 de dezembro foi realizada a 5ª Semana de Educação Física. Com 300 inscritos, entre estudantes, profissionais e pesquisadores, o evento abordou a necessidade do esporte na educação básica. Entre as atividades, houve palestras no Ginásio de Esportes, apresentação de pôsteres e o lançamento do livro “Educação Física, Esporte e Sociedade: temas emergentes”, escrito por vários docentes do DEF.

Além disso, foi criado recentemente o curso de especialização em Educação Física Escolar na UFS, que é coordenado pelo professor Tarcísio Grunnenvaldt e está atualmente em sua primeira edição. O vice-coordenador do curso, Omar Schneider, diz que é importante habilitar profissionais devidamente preparados para lidar com as crianças e lutar pela construção de uma educação que vise também o bem-estar físico das crianças.

“Hoje, não existe educação física para as crianças nas escolas públicas”, alerta Schneider. Segundo Rosa Cristina Ettinger, membro da coordenação infantil da Secretaria Municipal de Educação de Aracaju, a educação física foi retirada da grade curricular básica e passou a ser executada como uma atividade complementar, planejada pelo professor. Vale lembrar que o Estatuto da Criança e do Adolescente obriga a comunidade e o poder público a assegurar o direito ao esporte.

Omar Schneider afirma que os pais também colocam a educação física em um plano secundário. Para o vendedor Paulo Hernandes, a educação física tem um papel muito importante na formação de qualquer aluno, mas a qualidade do ensino didático é preferencial. Ainda assim, Hernandes, que tem um filho de oito meses, não quer um futuro sedentário para a criança. “Quero muito que ele vá além dos estudos e tenha uma vida esportiva saudável. Por isso, acredito que, além de um ensino de qualidade, uma escola deve oferecer educação física”, completa.


Por Fernando Pires

Blog da Pós-Graduação em Educação Física Escolar (UFS)

Ilustração: Folder do evento EDUCAÇÃO FÍSICA PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA: O LUGAR DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL, disponível no site http://www.posescolar.blogspot.com/

O mercado negro de trabalhos acadêmicos

Concluir um curso universitário nem sempre é tarefa fácil. Principalmente quando se tem que correr contra o tempo “devorando” os livros para a produção da monografia. Um caminho trabalhoso para muitos alunos, mas facilmente contornado por tantos outros. Universitários sergipanos acham uma saída eticamente questionável, de eficiência comprometida e, além de tudo, criminosa.

O mercado das fraudes em trabalhos acadêmicos funciona sem grandes mistérios. Os interessados podem encontrar anúncios como “digitam-se trabalhos” nos classificados do jornal e, até mesmo, em termos mais explícitos nos murais informativos das faculdades. Existem ainda vários sites especializados na produção de simples artigos a dissertações de mestrado.

Nos meses que antecedem o final do período letivo, o fluxo da produção de monografias fraudulentas aumenta bastante. Segundo Ofélio, um dos fornecedores no mercado, a pressão nessa época justifica a grande demanda por trabalhos fraudados. Ressalta ainda que “o preço de uma monografia agora em dezembro pode custar até R$ 400, dependendo do prazo a ser cumprido. Trabalhamos e cobramos em cima do prazo estabelecido pelo cliente”.

Em Aracaju, negociações mais detalhadas de uma monografia acontecem geralmente na residência do fornecedor. Os próximos passos dependem da eficiência na elaboração do plágio, conforme exigência do cliente, que pede sigilo absoluto de sua identidade - cuidados nem sempre revertidos em sucesso na apresentação à banca examinadora da instituição de ensino. Se o “tiro sair pela culatra”, a banca sequer é convocada para apreciação.

Punição

A professora de Direito do Trabalho da Fase (Faculdade de Sergipe) e de Monografia da UFS (Universidade Federal de Sergipe), Dayse Coelho de Almeida, define o plágio como um "furto do pensamento alheio”. Diz também que a situação é preocupante, “primeiro, porque há a questão dos direitos autorais do pesquisador que desenvolveu o texto copiado e, segundo, porque a ciência não evolui com o plágio, trata-se de um retrocesso”.

Quem for pego em fraudes de trabalhos acadêmicos em geral obtém nota zero. Em casos de monografias forjadas, além da reprovação, o próprio aluno se reconhece incapaz de produzir conhecimento científico, após anos numa faculdade. A Professora Dayse diz ainda que “caso a repressão não seja suficiente, cabe à Universidade caçar diplomas já expedidos, indiciar os responsáveis administrativa e judicialmente, chamando-os à sua responsabilidade civil e criminal”.

De acordo com Liliana da Escóssia Melo, professora de Departamento de Psicologia e Coordenadora do Mestrado em Psicologia Social e Política da UFS, tem sido cada vez mais freqüente fraudes em trabalhos na universidade. Entretanto, levantamento feito no Departamento de Assuntos Acadêmicos da universidade (DAA), constatou que não há processos de plágio em tramitação envolvendo alunos. A maioria dos casos descobertos geralmente é resolvida em reuniões departamentais, sem repercussão legal.

O Procurador Federal da Assessoria Jurídica da UFS, Paulo Celso Rego Leó, assegura que a situação cabe apenas medidas administrativas, como a reprovação do aluno, ao se constatar a fraude. Para reincidentes, pode haver conseqüências mais graves como a expulsão. O Procurador diz ainda que processos judiciais devem partir do autor lesado por ter seu trabalho copiado indevidamente e não da universidade. “O plágio é um crime contra o direito autoral. Portanto, o maior prejudicado é que deve se manifestar judicialmente”, comenta.

No mercado de fraudes em trabalhos acadêmicos, tanto quem compra como quem vende pode ser condenado em até cinco anos de reclusão por falsidade ideológica.

Prevenção

Que a tecnologia facilita o plágio de trabalhos acadêmicos, não há a menor dúvida. Controlar essa prática ficou tão complexo que nem sempre os sites de busca conseguem localizar exatamente a fonte copiada. Pensando nisso, hoje são desenvolvidos vários softwares aliados dos professores na correção de trabalhos.

O Ephorus é o software líder no mercado de anti-plágio. Inicialmente comercializado na Europa, mas já presente em algumas instituições brasileiras. Através dele, não é necessário perder horas vasculhando a Internet para constatar o plágio. Os resultados são mais precisos, o que faz o aluno pensar duas vezes antes de copiar seu trabalho.

Para o pró-reitor de graduação da UFS, Antônio Ponciano Bezerra, essa ajuda da tecnologia é bem vinda, mas desconhece discussões na universidade sobre utilização de programas anti-plágio. Ainda de acordo com ele, um ensino de qualidade e um melhor suporte técnico das faculdades, são fundamentais no combate à prática. “Prevenir o plágio é mais importante do que punir alunos despreparados para a pesquisa acadêmica”, afirma.

Por Getúlio Cajé

12 dezembro, 2007

Domingo é dia de Parque

As tardes de domingo não serão mais as mesmas após lançamento do projeto que oferece uma nova opção de lazer aos aracajuanos. Aconteceu no dia 25 de novembro, às 16 horas, a abertura oficial do projeto “Domingo no Parque”. O evento ocorreu no parque Augusto Franco, conhecido como “Parque da Sementeira” e contou com apresentações da Orquestra Sinfônica de Sergipe e da banda Cataluzes.

A Prefeitura de Aracaju através da Empresa de Serviços Urbanos (EMSURB) é responsável pela realização do “Domingo no Parque”. De acordo com o presidente do órgão, Silvio Santos, a iniciativa surgiu após a conclusão do projeto de revitalização do parque que visa oferecer um ambiente mais agradável aos freqüentadores. Melhorias na iluminação local, instalação de novos equipamentos esportivos e de lazer foram algumas das obras realizadas no espaço.

Atrair cada vez mais pessoas para aproveitar o novo ambiente passou a ser o objetivo dos órgãos responsáveis. Meta que tem sido alcaçada graças à promoção de apresentações culturais e alternativas de entretenimento. Mais que isso, segundo Silvio Santos, “a participação das pessoas superou as expectativas.”.

O público presente na primeira edição do “Domingo no Parque” aprovou o projeto e espera que ele atinja maiores proporções. “A iniciativa da prefeitura de Aracaju em dinamizar as visitas ao Parque da Sementeira é positiva, pois o espaço de lazer que durante anos foi pouco freqüentado agora volta a atrair os aracajuanos”, afirma a professora Priscilla da Silva Góis. “Quanto às atrações apresentadas, foram muito bem escolhidas”, acrescenta Priscilla.

Sobre a possibilidade do projeto ocorrer todos os domingos, o presidente da Empresa de Serviços Urbanos explicou que é pouco provável. Os custos envolvidos na realização do evento, além da necessidade de evitar possível concorrência com o calendário fixo de atividades que acontecem na cidade são fatores que dificultam essa hipótese.

Silvio Santos confirma a realização de outras edições do projeto. Segundo ele, a 2ª edição do ‘Domingo no Parque’ está prevista para acontecer até dia 22 de dezembro e provavelmente contará com a presença de um grupo de jazz.

Por Tarcila Olanda

11 dezembro, 2007

Cinema Sergipano ganha novas projeções

A produção audiovisual em Sergipe encontra-se em uma nova fase: a Prefeitura de Aracaju, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esporte (Funcaju), criou o primeiro edital de incentivo à produção audiovisual. Esse edital, lançado em maio de 2007, encontra-se agora em processo de financiamento aos diretores. A verba aplicada no projeto, no valor de 15.000 reais é destinada para a produção de cinco curtas-metragens que serão exibidos na Aperipê TV e nos projetos culturais da Prefeitura de Aracaju, como o Circuito ‘Arte em Toda Parte’.

A diretora de curtas-metragens Deborah Fernandes, graduada em Rádio e TV pela UFS, foi uma das selecionadas pela Funcaju para produção de um curta-metragem. Segundo Deborah cujo curta se chamará ‘Sensacional’, as gravações das suas cenas começaram no dia 2 de dezembro. Deborah afirma que o Núcleo de Produção Digital ‘Orlando Vieira’ tem sido o grande impulsionador para esse crescimento da nova cena audiovisual. "Essa iniciativa de resgatar (a cena audiovisual) possibilita conhecer muita gente inteligente, com vontade de aprender, e que, anteriormente, não tinham oportunidade".

O Núcleo de Produção Digital ‘Orlando Vieira’ faz parte de um projeto criado pelo Ministério da Cultura que pretende criar e fortalecer uma cena audiovisual nos estados que não apresentassem tamanha solidez nesse âmbito. No total, são onze estados que atualmente participam desse projeto do Ministério da Cultura.


Entretanto, o Núcleo de Produção Digital vem apresentando dificuldades na sua trajetória como a burocracia estatal para a chegada dos equipamentos e a liberação de recursos. Dessa maneira, a primeira turma do curso de Formação e Capacitação em Audiovisual ainda não pode concluir o curso, pois os equipamentos de edição de imagem e de captação de imagem e áudio ainda não chegaram. Segundo Gabriela Caldas, diretora pedagógica do Núcleo, o curso se normalizará em janeiro de 2008.

Sobre o incentivo à produção audiovisual em Sergipe, Gabriela Caldas afirma que a Fundação Aperipê tem um convênio de divulgação dos trabalhos realizados pelo Núcleo de Produção Digital. Além da Fundação Aperipê, o edital da Funcaju mostrou-se de extrema importância, segundo Gabriela. “Não apenas o dinheiro que eles contemplam, mas os equipamentos do Núcleo estão disponíveis para estas produções. É uma chance que eu, como diretora de curtas-metragens, gostaria de ter tido. Os profissionais que estão sendo formados pelo Núcleo encontram-se plenamente capazes de trabalhar no mercado”, afirma.

Em 2008 o Núcleo de Produção Digital pretende iniciar novos cursos de capacitação, dentre eles, as oficinas de Direção de Arte, Cenografia, Produção, Assistente de Direção, Preparação de ator, Planos de Filmagem, Documentário, entre outros. Além de todos esses cursos, se dará início à segunda turma de Formação e Capacitação em Audiovisual, com o início do primeiro módulo de aulas. Dos 150 inscritos, 30 serão selecionados após uma entrevista, para a criação da segunda turma do curso de Capacitação em Audiovisual do Núcleo, que iniciará no dia 7 de janeiro.


Por Domingos Lessa
Foto: Edinah Mary